Saturday, November 26, 2005

thomas gabriel



















Meu primeiro blog era - aysha guerreira - aiysha em árabe é vida - eu tenho mesmo uma vida guerreira e um grito de contestação contra os rumos do mundo dentro da alma... quando eu inaugurei o chá, foi em um início de março, eu decidi que não queria mais nada além do poema azul e borboletas, eu despi a guerreira e ressuscitei a menina que tomava chá com borboletas à sombra dos eucaliptos, no tempo que não sabia das guerras, mas, vez por outra eu grito, e invado o azul com a dor do mundo, pois é tudo canção e vida de Bárbara. Na terça-feira quando mandei minha crônica para o site não sabia ainda que ia reencontrar meu amigo Frei Betto. Sincronias! Notícias e desejos, de que o mundo seja mais humano, e a poesia é esta erva que cura o coração rasgado. Por isto no site vejo são josé, eu falo da fome e da notícia - seis milhões de crianças morrem de fome a cada ano. A vida segue e seria sonhar demais que esta notícia se calasse? Que os propósitos se tornassem reais, que as nações, os homens, a natureza, e até as borboletas não tivessem paz enquanto esta notícia se calasse? Os calabouços se quebrem para o mundo ressurgir? Thomas, meu filho, era uma criança quando escreveu este poema - O Amanhã... onde não haja calabouços, que não são só paredes que nos tornam escravos do anátema cruel, estamos presos à isto, eu penso, era dor de saber que seis milhões de crianças morrem de fome a cada ano:


- O anátema cruel:

http://www.vejosaojose.com.br/barbaralia.htm

AMANHÃ


Thomas Gabriel



Ao grito de breve piedade
Ao ver a neblina

Se parte o jarro
Distraído sobre a navalha

Os calabouços se quebram
Para o mundo ressurgir.


Thomas Gabriel

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Pássaros azuis piscam
Na noite de postes apagados
Em forma de cristal.

Seu brilho vira vitral
Freiras desaparecem

Do santo funeral

- Thomas Gabriel



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O xale da velhinha vira
Pó em chaleiras de vapor

Com pitadas rápidas de chuva.


Thomas Gabriel



Thomas Gabriel tem dezesseis anos e gosta de rock e está cursando o ensino médio e quer ser arqueólogo, aos treze escreveu estes poemas. Ele é o filho caçula da Bárbara Lia.