Monday, October 31, 2005

CIRANDA COM FERNANDO JOSÉ KARL


















Luar - acrilico sobre tela - Enice Rosado


CIRANDA COM FERNANDO JOSÉ KARL
O CEGO
- Fernando José Karl

O cego Paul Klee rodava a bengala para a direita e a cidade parava. Para a esquerda, se movia. Para cima, escurecia o sol. Para baixo, chovia.
Quando foi assassinado, naquela tarde, encontraram em seu bolso todos os movimentos da cidade.


( do livro - Caderno de Mistérios - Letra D'água editora)



EPÍSTOLA SEGUNDO SAINT-ANGE


Segundo Saint-Ange, somos garrafas
de água flutuando no oceano.

Saint-Ange - seu cadáver boiando
ao lado da garrafa d'água.

Antes da flecha varar sua nuca,
ainda bebeu no arco da madrugada

a geometria do abandono de uma lua:
imenso nenúfar sobre o bambual.

Imitava Saint-Ange o poeta Li Tai Po,
que, na primavera de 425 a.C.,

morreu ao tentar abraçar a lua sobre o rio Chin.
Ou quis apenas imitar o seu aforismo

de que somos garrafa de água de rio
flutuada na água grande?


(do livro - Brisa em Bizâncio - Travessa dos editores)

LI PO & LUA
Bárbara Lia.


Sonhei com o abraço de Li Po
& lua.
Pálpebras pós-sonho são serestas
de bambus ao vento.

Pressinto o joio e o trigo e convivo
com as ervas todas.
Mas quando são águas
-Cristalizo.

Sei que algo imortal acontece,
nasce em solidão no útero divino.
Lua negra-olhar-que-abraça.

Tenho razões para amar Li Po
Fechar a meia-noite negra com uma cortinade lago.
Li Po braços abertos,
luas todas em estações e séculos
à espera deste abraço.

Friday, October 28, 2005

réquiem em espanhol



RÉQUIEM


-Bárbara Lia-



Creía que eran señalados.
Alas invisibles,
halos transparentes de translúcida luz.
La espada – lápiz mina número cinco.
En muros escribían de formar arcaica.
Redondas letras apiñadas en versos.
Filósofos, dioses, ángeles perdidos.
Caminaban en veredas escarpadas.
Corazón en huidizas nubes.
Extraviada del pasado,
Seguía a los poetas.
Anteviéndolos ángeles.
Anteviéndolos dioses.
No reconocí la porción humana.
De carne y amargura.
Ni el aura triste
Del siglo de las hecatombes.
Cada pasión – piedra.
Decepciones apiladas – en una tumba.
La lápida – un manual de sepultar el corazón.
Mi libro sería de sal
Si narrara los pesares
Puñales en el pecho
Clavados por ángeles.
De ojos grises,
Verdes y negros.
“color té”, como diría Neruda.
“color de adiós”
Ya no cantaba a
Las violetas en la tarde,
Rubros amaneceres.
La aproximación de Marte.
Risa - sol de niños.
Desnuda de sueños y sandalias
Crucé valles, desiertos y puentes.
Anclé en la playa
Con arena de mármol.
Tarde gris.
¡Mar!
Certidumbre azul:
¡El poeta es mar!
Reflejo de los cielos.
Inconstante.
No sabe si va o si se queda
Es violenta la arena
En eternas olas.
Esconde su belleza
En un verde colérico.
En maremotos.
Extensión serena o triste.
Plácido o rencoroso.
La música y el ardor de sal
Todo esconde...
Abismos de luz.
Algas y perlas.
Ante sol y sal.
Abracé cada antiguo amante,
Sus almas-abismos-de-colores.
Y sepulté, en la arena, los dolores.
Abrí alas – fénix.
Todo poeta-mar
Necesita de un ave
Que deslice sus alas erguidas
Y el toque con ternura de espumas.
La canción retumba, ruge, alza nubes.
Alcanza la poetiza con alas
En libertad en el azul sereno.
Así nacen los poemas
En la abstracción
En la ausencia
En la dulzura de alas rozando espumas.
Al poeta-mar inquieto
Nadie lo domina
Pero, su alma sueña
Mujeres con alas
Sueltas en la corriente
Del viento,
Flaneando libres
Entre las nubes.
publicada na revista número nada - Ontem choveu no futuro.(em português)

réquiem




RÉQUIEM
(Bárbara Lia)

Acreditava que eram assinalados.
Asas invisíveis.
Halos transparentes de translúcida luz.
A espada – lapiseira grafite número cinco.
Em muros escreviam de formar arcaica,
Redondas letras apinhadas em versos.
Filósofos, deuses, anjos perdidos.
Caminhavam em calçadas íngremes.
Coração em sorrateiras nuvens.
Extraviada do passado,
Seguia os poetas.
Prevendo-os anjos.
Prevendo-os deuses.
Não reconheci a porção humana.
De carne e mágoa.
Nem a aura triste
Do século das hecatombes.
Cada paixão – pedra.
Decepções empilhadas – um túmulo.
A lápide – um manual de sepultar o coração.
Meu livro seria sal
Se narrasse as mágoas
Punhais no peito
Cravados por anjos.
De olhos cinzas,
Verdes e negros.
“color de té”, como diria Neruda.
“color de adiós”
Já não cantava
As violetas na tarde,
Rubros amanheceres.
A aproximação de Marte.
Riso-sol de meninos.
Despida de sonhos e sandálias
Cruzei vales, desertos e pontes.
Ancorei na praia
Com areia de mármore.
Tarde cinza.
Mar!
Certeza azul:
O poeta é mar!
Reflexo dos céus.
Inconstante.
Não sabe se vai ou fica
E violenta a areia
Em eternas ondas.
Esconde sua beleza
Em um verde colérico.
Em maremotos.
Extensão serena ou triste.
Plácido ou rancoroso.
A música e a ardência de sal
Tudo esconde...
Abismos de luz.
Algas e pérolas.
Diante do sol e sal.
Abracei cada amante antigo,
Suas almas-abismos-de-cores.
E sepultei, na areia, as dores.
Abri asas – fênix.
Todo poeta-mar
Necessita de uma ave
Que deslize suas asas em riste
E o toque com ternura de espumas.
A canção ecoa, ruge, alça nuvens.
Alcança a alada poeta
Em liberdade no azul sereno.
Assim nascem os poemas
Na abstração
Na ausência
Na doçura de asas roçando espumas.
O poeta-mar inquieto
Ninguém domina
Mas, sua alma sonha
Mulheres aladas
Soltas na correnteza
Do vento,
Flanando livres
Entre as nuvens

Saturday, October 22, 2005

sigma de saudade

A crônica da semana "Sigma de saudade" já está no site Vejo São José -

http://www.vejosaojose.com.br/barbaralia.htm


Qualquer dia vou a Sampa em uma dessas festas do Fanzine Pnob - da jornalista Suzana Jardim:
www.pnob.com.br
Comemoração de 3 anos do Fanzine PNOB, 26ª edição Número 25 - Uma Brincadeira de ser sério, mesmo sendo louco!
Na nossa segunda casa, no PRESTÍSSIMO PizzaBar ,
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esq com Saint Hilaire tel: 3885-4956
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das 19 horas até o sono chegar!
COMPAREÇA!!!

Tuesday, October 18, 2005

thiago ponce








Arco-íris

Arame é outro ar para respirar
Da aurora que entra com pés pequenos
Lusco-fusco claustrofóbico
Aliás
Esboça desfalque de leitura
Deleitável
Em contida indumentária
De falhas
Bolhas de sabão

Thiago Ponce


o sono de goya


goya













Aniversário da Loraine Thais, que nos levou ao bosque do Muma, do nosso bairro Portão, aqui em Curitiba, no sábado. Ela estendeu uma toalha lilás no chão, e colocou o bolo de chocolate em uma pedra, e quando chegamos o Márcio Claudino disse – Veja a Sociedade dos Poetas Vivos! – Veio a Carol Casagrande, a Luana, a doce Dani e sua irmã Angélica, junto veio a Lílian, vieram Vitor & Letícia e também Rodrigo. Toda a nossa aura sob essas árvores que já são para mim símbolo de felicidade – os eucaliptos - Nós no bosque dos impossíveis, sentados em folhas de eucalipto assistindo ao vídeo daquele recital da Federal, na filmadora da Loraine. Foi uma noite linda. Tem mil dias que eu os amo, e tem mil dias que nunca rasuraram em mim aquilo que eu considero que seja a poesia, tem mil dias que algumas pessoas não me fazem descrer da ternura e da delicadeza – rara matéria rarefeita – que a gente só encontra em bosques, à sombra dos eucaliptos. Loraine serviu coca-cola, mesmo. Hoje a Lora ganha de presente um poema de Márcio Claudino, que ela & Carol interpretaram no recital – O sono de Goya. Muitos bosques e poemas virão, para esta menina-atriz-poeta.

O SONO DE GOYA

“Que ninguém possa jamais esquecer esta noite.
Hoje, tocarei a flauta de minha própria coluna vertebral”
Vladimir Maiakóvski.



Sonhei com serpentes mortas
Dentes cerrados, ventos distantes
Touros,
Festins negros
E maré alta –


Quem soprou esses ventos
Nas flautas das vértebras
E verteu febre nos dedos
Para que compusessemos vendavais
E folheássemos o diário de ouro
Que o Deus tocou
Que só nos fez chorar?

Quem varreu os cílios
Com o zoom sorrateiro
Da visão do sem nome?

Quem disse:
. Quem beber desta água lembrará –
essa é a fonte da memória

Quem disse que era Deus?


Márcio Davie Claudino da Cruz
Curitiba - Pr.

Monday, October 17, 2005

blocos online







"Blocos é Gigante - um mapa literário".

Esta frase da Bárbara Lia é a frase da quinzena
no site blocosonline.
http://www.blocosonline.com.br

Blocos - Portal de Literatura e Cultura.
Vale conferir!

Wednesday, October 12, 2005

a palavra é Deus



A palavra é Deus, com ela constrói-se – o mundo. Só nela quero morar, beber suas seivas lácteas, todas, só dela o esperma bruto, com gosto de sal, vida, concha e pérola. Só da palavra, retirar o gozo tênue desses que seguem como o estrondo de uma castanhola, expandindo em ritmo com os passos da bailarina – aumenta, aumenta, aumenta, aumenta de forma angustiada, mas, não pára.
Como pensar que uma simples ordem altera um reino de mesmas palavras. Antes – Pedra de brisa – Mesmo sendo pedra, eram asas, solfejos, eram pura Babilônia no dia do recomeço. Agora – Brisa de pedra. Não dá para respirar como antes, lambendo o meu coração, agora arranha. Brisa de pedra. As pedras naquela caixa cibernética transparente inacessível. Em cada manhã eu colhi uma pedra de vidro colorido em uma areia branca, em cada manhã depositei em uma caixa diante das mãos de um menino de olhos invisíveis. O vidro transparente em aurora boreal luxuriante. Pedra de brisa, pedra de brisa, qual a magma da alma do anjo que alterou a ordem do universo em Brisa de pedra?
_Bárbara Lia.

photo by logan troxell

Tuesday, October 11, 2005

O SILÊNCIO DOS INTELECTUAIS - CULTURA E PENSAMENTO EM TEMPOS DE INCERTEZA
















*





angelus novus - paul klee
O SILÊNCIO DOS INTELECTUAIS - CULTURA E PENSAMENTO EM TEMPOS DE INCERTEZAS - SESC DA ESQUINA.
Ontem à noite ouvi José Miguel Wisnik por três horas. Ouviria por mais três. O Ministério da Cultura está promovendo esta série de debates em algumas capitais brasileiras. Bem esclarecido pelo filósofo Adauto Novaes que está à frente deste projeto, não há nada a ver entre esta série de palestras e o atual quadro político. O evento já estava concebido e em gestação bem antes da crise. Esquecendo as mazelas, o grande momento é acompanhar o fio de ouro de Wisnik, clarear algumas pequenas vielas da nossa própria alma. "Sem palavra" foi o título de sua fala, que dentro do ciclo que vai até 21 de outubro e que contará ainda com Antonio Cícero, Marcelo Coelho, Haquira Osakabe, Franklin Leopoldo Silva, Francisco Oliveira, Newton Bignotto, José Raimundo Maia Neto. Para quem comparecer em 75% das palestras serão expedidos certificados de extensão universitária pela PUC. Os eventos são no Teatro do Sesc da Esquina - www.sescpr.com.br.
O enfoque do Wisnik foi sobre a gente, quer dizer, nós que estamos escrevendo, os que usam da palavra. Intelectual ou não, o escritor nunca sabe se ruge e brama suas dores e ideais, ou se cala tudo em sua dor noturna e versos. Considero este século, o século das hecatombes. Toda minha fúria contra os generais do Brasil e de tantos lugares, contra a barbárie humana está sendo diluida em asas de borboletas. Manoel de Barros disse em uma entrevista a Bianca Ramoneda, alguma coisa assim como o mundo só será melhor quando for governado pelas borboletas. Não vi este programa, mas, o Flávio de Almeida, do Rio, que é cartunista me disse. Disse que quando o Manoel de Barros falou, ele se lembrou de mim. O questionamento do José Miguel Wisnik sobre "o lugar da palavra" evocando Clarice e Drummond. O que ressoou em minha alma de poeta foi a leitura que ele fêz de uma crônica de Clarice, que ela escreveu quando eliminaram um bandido chamado mineirinho - com treze tiros. Lembro de ter lido esta crônica, de ter vivido com ela o espanto. Por que treze tiros, se um tiro basta? Para o poeta não existe a linha que separa a favela da chic zona sul. O poeta sabe que uma alma regada a pétalas e carinhos, comida farta, horizontes azuis, ela não vai se tornando escura e vaga, nunca ficará perdida, ou ficará talvez, dentro da complexidade do ser. Basta ler o histórico dos meninos do tráfico, basta se imaginar um segundo em sua alma, basta pensar que um dia um bandido pode matar minha mãe na minha frente, digamos que eu tenho sete anos e assisto. Digamos que alguém me ofende, explora meu sexo, me domina, me faz sentir que sou verme negro, vai que a sociedade fecha para mim todas as portas, que não posso usar o elevador social. E o poeta sabe que na alma, dentro, nada difere, que a criação dela, energia vertida por um Deus estranho, é da mesma matéria, que se perde no mundo da matéria e não resta mesmo ao poeta deste milênio nada mais que um exílio, um susto, uma dor que ninguém entende, por que este cara chora, por que este cara bebe nos bares, por que não entra neste mundo e não corre atrás de tudo que acaba desaguando no big mac...
Sexta e sábado vou mergulhar na cultura árabe, outra vez, no evento que vai acontecer em homenagem a Edward Said, o escritor palestino que junto com o poeta Darwich escreveu a constituição da Palestina.

Tributo a Edward SaidDias 14 e 15 de outubro de 2005.
Local: Auditório do Setor de Ciências da Saúde (UFPR)
– Rua Padre Camargo, 280 - 1º andar (atrás do Hospital de Clínicas)
A Questão das Identidades Culturais:
Mitos, Conflitos e Violência na Palestina.
Programa
14-10- 2005 Sexta-feira
18:30 horas : Projeção do vídeo : E. Said, biografia e obra
19:15 horas: Abertura: Prof. Dr. Jamil Zugueib Neto
Said: A Pesquisa, Orientalismo, Cultura e Igualdade.
19:30 – 22:30 horas:
Mesa redonda
1 - Os estudos da cultura e das políticas do mundo árabe no Brasil
– O ICARAB
Prof. Dra. Soraya Smaili - coordenadora ( USP)
2 - A nákaba palestina – Memória social e resistência
Prof. Dr. José Arbex Jr. (PUC-SP e Rev. Caros Amigos)
3 - Os mitos fundadores do estado de Israel
Prof. Dra. Arlene Clemesha ( USP)
4 - Psicanálise e o estudo da violência
Prof. Dr. Joel Birman (UFRJ)
15 – 10 – 2005 Sábado
8:30 – 9:15 horas: Projeção do vídeo: Saramago e a visita
aos campos de refugiados palestinos
9:30 – 12:30 horas :
O Tributo
E. Said: História de vida, sofrimento identitário e
as escolhas na pesquisa. Dos fantasmas originais à prática política
Prof. Dr. Jamil Zugueib Neto (UFPR)
Conferência
E. Said e a questão das identidades culturais: Freud e os não-europeus
Prof. Dr. Joel Birman (UFRJ)
Coordenação: Prof. Dr. Jamil Zugueib Neto
Promoção:
Núcleo de Estudos dos Processos Identitários e das Crises.
Pça. Santos Andrade, 50 – 1º andar – sala 131
Fone: 3310-2703 e 3310-2625 – Inscrições: R$ 20,00
Departamento de Psicologia - UFPR

Monday, October 10, 2005

Ciranda com Emily e Hilda.





















crysalis - robson tuon


Ciranda com Emily e Hilda


A bela de Amherst
E a obscena senhora H
Contam-me de seus dias de paz.
Puxam-me para a misantropia.
Nunca mais seguir guias que abandonam
no meio do caminho.

Nunca te vi de branco,
Emily!
Nunca entrei na Casa do Sol.
Mas estivemos juntas em ciranda
Alma-a-alma
Thalassa & Sêmen.
Atavios de fadas & Ave Nave.

Crisálida outra vez.
Ouvindo as notas de vidro do amor.
Coração vestido de branco.
Nos pés as sandálias do sol.

Bárbara Lia

um certo olhar










Matisse - Odalisque
*

UM CERTO OLHAR


Negros! Negros! Respiração
De oceanos. Éden bordado.
Jóia rara! Talismã!
Guardião secreto do fogo.
Quando me fitas,
Me acaricias em pétalas.
Quando me vou
Ardente pássaro me segue.
Arca de sonhos, língua
De seda – anjo exilado
Em ilha de poemas.
Versos de tempestade
Inundando meu corpo e alma.


Bárbara Lia

Sunday, October 09, 2005

leitura - nueve ensaios dantescos


Seattle Art Museum


Todo, em el cielo inteligible, está em todas partes. Cualquier cosa es toda las cosas. El sol es todas las estrellas, y cada estrella es todas las estrellas, y cada estrella es todas las estrellas y el sol.
– Plotino.


Lendo Borges, again, and again and again. El Simurgh, concebido por Farid al-Din Attar, persa da seita sufi.
Por que estou dividida e estraçalhada, ando pensando na unidade, em el Simurgh, que Borges narra em Nueve ensayos dantescos. O remoto rei dos pássaros – O Simurgh – deixa cair no centro da China uma pluma esplêndida; os pássaros resolvem buscá-la...
... percorrem sete vales, mares. Muitos desertam, outros perecem, trinta, purificados pelo trabalho pisam a montanha do Simurgh, que se chama El Kaf. Ao contemplá-la percebem que eles são o Simurgh e que o Simurgh é cada um deles...

Friday, October 07, 2005

leitura - caderno de mistérios

Paul klee

O poeta Fernando Karl escreveu esta dedicatória-poema para mim em seu livro Cadernos de Mistérios, da Ed. Letra D'água.


No altar das estrelas
teu nome mais antigo
que o primeiro nome d'água
-Fernando Karl.

Thursday, October 06, 2005

azul noturno


















































desenho:
ane fiuza


AZUL NOTURNO


O anjo louco do casario deserto.
Era invisível feito música.
De noite subia na árvore.
De dia descia ao poço.


A voz – imã de luz.
O perfume – avenca suave.
A sombra – azul noturno.
O olhar de mar – salgado.


Anjo sem céu.
Anjo da terra.
Enlouquecido
de som e luz.



(Bárbara Lia)