Wednesday, September 06, 2006

thomas

















abaixo do camarim
aquático
primavera seca
de plantas iluminadas
no pensamento
periscópio do sonhador.
THOMAS GABRIEL

Meu filho fez o primeiro poema aos oito anos - o nome do poema era Bárbara - ele dizia que eu era o pássaro, a lua, o sol, o homem, a mulher... encantada digitei a poesia, sentindo a musa mais amada do piá, e um belo dia ele pega a poesia e me diz - vou tirar este nome daqui e dar o poema prá Vivi... me trocou pela menininha de cachos dourados que estudava com ele. Tímido, colocou na carteira da garotinha que ficou pensando que era do coleguinha da frente, poetas são tímidos e lindos em sua timídez, usam a poesia para falar e se confundem na hora de falar de amor... passada a primeira certeza de que um dia ele vai rasgar o coração lindo dele ao meio, contentando-me com a minha parte inteira, espero que ele volte a fazer poesia, um dia, já que ele deu um tempo desde 2.002 quando escreveu muita poesia, na oficina onde fui para acompanhá-lo, depois que ele chegou em casa emburrado, pois o amigo o acusou de ter pedido para que eu fizesse a lição de Literatura. Fui ler o poema que ele escreveu baseado em um poema de Brecht, era tão lindo que me arrependo de não ter vigiado solenemente aquele caderno, onde ele dizia da luz da manhã que o acordava, junto com o meu beijo. Resumindo, se disserem que eu sou mãe coruja eu assino em baixo.