Friday, July 06, 2007

RESSURREIÇÃO




.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.


Cobri de cal as paredes interiores
Corpo e alma, ranhuras da parede rude
Vi na infância a cor que exala – pura –
Cômodos lavados e leveza de odores

Todos rostos - ali - viraram brancura apagada
Todos os rostos amados de uma vida
Branqueei as entranhas lavei de luz e calma

Expulso o velho para acolher o novo
Tecer dentro uma habitação bem leve
Pura como os regatos da Bíblia de um antigo povo
Como a pomba da paz que se confunde com a neve

Cobri de cal o negro, sepultei ossos, curei a ferida
A maldade retinta, as palavras inventadas,
As mentiras traduzidas com charme

Cubro de cal as paredes interiores, até às veias
Na luz límpida, espero quem não me faça sombra
O ombro, o gozo, a dança, o grito, as aleluias
Já o vejo dançar nu, como um deus, na alfombra

Pintei de cal a parede da alma
Para que o amado não encontre vestígio dos mortos
Para que o amado ressuscite, branco, em minha cama
BÁRBARA LIA