Saturday, March 31, 2007

LÍQUIDA













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Pensei: vou morar em uma lágrima.
E vi cenários de Kandinski atrás da cristalina dor.
Vi os retorcidos rostos detrás dos espelhos d’água.
Vi uma casa-banheira, eu sempre líquida.
Vi um teto vidro fosco, eu a olhar estrelas.
E quando secasse a minha casa?
E como secar meu coração?

BÁRBARA LIA

Friday, March 30, 2007

HOJE!




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LANÇAMENTO

O Sal das Rosas
poesias
Bárbara Lia

Dia 30/03
a partir das 19h
D'Luccka Panquecas
Av Água Verde, 2.282
Água Verde
Prox. Sec. da Educação
fone 3244.7425

o livro breve estará no catálogo do site da Lumme
- para ter "O sal das rosas"
www.lummeeditor.com

Wednesday, March 28, 2007

ESCRITORAS SUICIDAS

As pontes de Madison
Sonhos em preto e branco
por que o filme de Clint Eastwood é mesmo belo,
e por que eu era mais feliz no tempo em que os
filmes eram em preto e branco e meu pai me per-
guntava nas manhãs:
Teve sonhos coloridos ou em preto e branco?
Silvana Guimarães, uma das editoras do site Escritoras Suicidas, convidou. O tema: cinema. Escrevi duas poesias que foram publicadas no site - clicar em convidadas.
É a edição nº 14 - Março 2.007:
http://www.escritorassuicidas.com.br/

CARLOS BARROS

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http://www.elogicapress.com.br/livrorapido/livro/asp/ext/resultado.asp?pal_chv=carlos+barros&cond=2

Terceiro livro de Carlos Barros, que já pôs poesia
em telefone, rádio, calçadas e vitrines de toda
uma cidade, além de, todo ano, plantar pitangueiras
poéticas em praça pública, tem na apresentação
de Mário Hélio uma mostra do que o leitor
encontrará: "Há autores cuja ação em defesa
da poesia e sua propagação extrapola tudo o
que fizeram em verso. Carlos Barros é desses
autores. A poesia para ele nunca será apenas
aquela coisa feita de palavras. É algo mais amplo.
O gesto acima do verso. Carlos é um combatente
e sua obra, uma resposta prática contra os que
são contra a humanidade e a poesia.
(texto do site - Livro Rápido)
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Tuesday, March 27, 2007

GERMINA LITERATURA - MARÇO

O site Germina LIteratura (link ao lado) publicou
poesias do meu livro NOIR - página "eróticos e
pornográficos", as páginas da Germina sempre
lindas, e a minha poesia erótica e sensual do
Noir ganhou uma página com ilustração da
Ane Fiuza, a mesma artista plástica que
ilustrou o Noir.
Tem muita poesia & arte na edição de Março,
é só conferir.

http://www.germinaliteratura.com.br/erot_mar07_barbaralia.htm

Sunday, March 25, 2007

PULMÃO DE DEUS


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PULMÃO DE DEUS

Sussurro suave ao redor, nuvem
de seda embalando astros.
Aqui, onde respira a vida,


perfume de malva, silêncio de córrego
entre pedras. Ar lúcido de luz.
 
 
 
BÁRBARA LIA

Saturday, March 24, 2007

LANÇAMENTO - O SAL DAS ROSAS


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.ilustração do convite - Brenda Santos

Thursday, March 22, 2007

HILDA HILST





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Do desejo

(trecho)
Hilda Hilst

I

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo.
E que descanso me dás
Depois das lidas.
Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.

Wednesday, March 21, 2007

SENTIMENTO DO MUNDO






















no meio do caminho tinha um banco




















uma menina para acalentar o poeta

(Bianca Lima)



















outra menina buscando entender o sentimento do mundo

(Ana C. Spreizner)




Ana C. eu a conheci bebê. Hoje, Ana tem 13 anos e mora em Osasco. No lançamento do NOIR em Osasco ela mostrou seu caderno de escritos. Ana C. mandou um texto, segundo ela a professora mandou fazer um texto narrativo através de uma imagem de uma mulher de rua deitada no banco com a estatua de Carlos Drummond de Andrade. Percebi uma identificação com o que ouvi de Isabel Milano, uma poeta que vive nas ruas. E que escolheu viver nas ruas, batucando em uma velha máquina de escrever. Isabel demonstra estar feliz sem nada,
apenas com a poesia. Conversei longamente com ela no final do ano passado, haviam roubado sua máquina de escrever e eu fiquei um pouco angustiada, sem poder ajudar a moça.
Um dia encontrei a Helena Sut, e ela angustiada querendo encontrar quem uma máquina
para Isabel. Na outra semana Helena disse: - A Isabel já está de novo com uma máquina...
Pelo que ouvi da poeta Isabel Milano, ela decidiu viver na rua, a família não a entende (isto é básico) e ela prefere a rua aos abrigos e instituições...
Foi inevitável, lembrei dela ao ler o texto da Ana, treze anos, buscando entender o sentimento do mundo. Pensei em Drummond vivo e encontrei a imagem.
Depois, "roubei" da página da minha amiga amada Bianca Lima uma foto dela aquecendo o
nosso poeta (2), em aconchego e luz de vida que a Bia tem, morta de saudades dela, que está em Montevidéu. Era para estar lá, treinando o meu espanhol e dividindo uma vida meio nômade meio hippie com a minha querida Bia, mas, meus compromissos por aqui não permitiram passar dois meses no Uruguai. Pena!


Ana C.  - a pequena poeta de Osasco que escreveu o texto abaixo:





Andava pelas ruas, perdida, sem rumo, sem casa,
sem dinheiro, sem amigos, sem família...Apenas
uma coisa fazia me sentir viva, alegre...A poesia...
Não sabe como ela é importante para mim, não
sabe como é bom poder me expressar de alguma
maneira nesse mundo em que vivo...A poesia é
mais sincera do que palavras, pois palavras são
apenas palavras, porque são esquecidas, e a poesia
são sinceros sentimentos que sentimos em tal
momento, são eternos...Então falei
"Já que não tenho nada, vou me dar um presente
do qual jamais esquecerei..." Fui-me para o
Rio de Janeiro, destino: Praia de Copacabana.
Cheguei lá fiquei emocionada por ver tal beleza
da natureza: o mar. Olho para o lado,
já exausta, avisto a tão famosa escultura de
Carlos Drummond de Andrade, sentado num
banco em frente á praia, e em frente ao prédio
em que ele morou até o triste momento de sua
despedida...Sentei-me ao seu lado aliviada por ter
cumprido a minha jornada, por ter-me dado esse
presente do qual ficará para sempre em minha
memória, em minhas duras lembranças, em minha
triste vida... Pois é, tenho que concordar com ele,
"a vida só é possível reinventada."
Me vi ali, cansada da longa jornada...
Então deitei-me no banco de Carlos Drummond de
Andrade, ao lado dele, me sentia tão feliz,
realizada e extremamente cansada, fechei meus
olhos para me transportar para um mundo
onde tudo pode acontecer, onde eu sou alguém...
Somente em meus sonhos...
Sem pensar no que irei comer amanhã...
E a poesia é e sempre será a minha doce e triste,
verdadeira e alegre brincadeira de falar verdades
que temo em dizer...
ANA C. SPREIZNER

Tuesday, March 20, 2007

21 POETAS EM PORTUGAL








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AMANHÃ
21 de março
DIA MUNDIAL DA POESIA

21 poetas


Manuel Bandeira
Carlos Drummond de Andrade
Iacyr Anderson Freitas
Adélia Prado
Murilo Mendes
Hilda Hilst
Cora Coralina
Nauro Machado
Pablo Neruda
Fernando Fábio Fiorese Furtado
Jorge Luis Borges
Octavio Paz
Ozias Filho
Mario Benedetti
Júlio César Polidoro
Alfonsina Storni
Gabriela Mistral
Nicanor Parra
Edimilson de Almeida Pereira
Prisca Agustoni
e Carlos Barbarito.

As Edições Pasárgada e a Editora Vozes
em parceria com a Casa da América Latina,
tem o prazer de o convidar para a récita
com leitura de poemas dos poetas
latino-americanos. O evento, que contará
com leituras de
Ozias Filho,
Francisca Cunha Rego,
Miguel Maldonado
e Fernando Severo Altube,


acontece no dia
21 de março, quarta-feira,
pelas 21 horas,
na Av. 24 de Julho 118 B, em Lisboa.


A entrada é gratuita
e será servido um beberete.
Organização: Ozias Filho


Ozias Filho reside em Portugal há 14 anos.
Trabalhou no Jornal O Globo (Rio de Janeiro, Brasil)
O Primeiro de Janeiro (Porto, Portugal),
nas Revistas Lusofonia
e Teres e Haveres – História do Património de Portugal.
Idealizou e protagonizou, entre 2002 e 2004,
na Casa da América Latina os projectos
“Uma Hora com os Poetas”,
“Noites em Pasárgada” e “Neruda com Amor”.
É o editor da Colecção Pasárgada
e responsável pela Editora Vozes em Portugal.

Quem estiver em Lisboa - Compareça!



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Monday, March 19, 2007

O FILÓSOFO, SEUS MAPAS, O ÁBACO...



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(para L. A. S. - meu pai)



Por que sempre viro à direita,
quando é necessário virar
à esquerda,
penso os cartógrafos como deuses
guiando os homens...
seus mapas
negras linhas em pele de gazelas
papiros esfarelados
horizontes nítidos:
Eram sábios!

Por que sempre atravesso o rio,
para só depois perceber
que estava na margem certa,
dei para sonhar uma linha negra
abaixo dos meus pés...
como no cinema:
as caravanas cálidas
os jipes em safáris
os beats pedindo carona
a moça que foge dos grilhões...
caminhando
sobre os mapas do mesmo tom
amarelo-ouro, sempre.

Por que tudo que tem caminho
necessita ser da cor do sol?
pontilhado de negro, e os rios,
sempre azuis?...
eu trilho uma linha negra
em uma superfície prata,
e explico:

Amanhã ele faria 91:
- meu pai –
ainda caminho em suas linhas,
em uma mapa que não era ouro,
era um prata de luar feliz...
Seus mapas eram na folha branca
papel manteiga
tinta nanquim.
Media terras - meu pai – topógrafo...
é nítida demais a imagem
do seu ofício todo aberto
em cima da negra mesa de madeira,
a letra pequena de filósofo,
as curvas sinuosas das fazendas,
chácaras, sítios...
até cidades...
a mesma mesa onde me ensinou
a utilizar o ábaco,
o barulho das teclas
o aroma da sopa de aipim que ela fazia
então, ele me contava de uma indiazinha
chamada Diacui e eu sorria...
naquele tempo, eu sorria,
e todas as lendas e mitos e constelações,
e as baforadas do cigarro de palha...
até hoje morro de saudade
se um ancião passa curvado ao meu lado,
soltando baforadas daquele cheiro acre...
a mesa escura, e ecos de uma palavra que grudou,
junto com a saudade...
Liberdade.
BÁRBARA LIA

Sunday, March 18, 2007

KAMIKAZES



Doze kamikazes
arrastam a delicada açucena.


Doze kamikazes.
As lágrimas descem
feito fontes.


Nenhuma música
de anjos sonoros,
nenhuma.


Nas nuvens que passeiam,
exausto de tédio, atira longe
o grão da maldade – o dragão da guerra.


BÁRBARA LIA
- O sal das rosas
- Lumme editor.


KAMIKAZES


o dragão da guerra
o grão da maldade
atira longe,
exausto de tédio

nas nuvens que passeiam
de anjos sonoros
nenhuma
nenhuma música

feito fontes
as lágrimas descem
doze kamikazes

arrastam a delicada açucena
doze kamikazes.
Gabriel Bertol/Bárbara Lia

Ontem em uma roda de leitura de poesia, o meu poema Kamikazes foi (re)escrito do avesso por Gabriel Bertol (penso que é assim o sobrenome dele), então ele disse que era uma parceria, e é. Quem sabe eu altere no futuro uma poesia, por conta de uma leitura inteligente, gostei do resultado, sinceramente.
Para a Páscoa -poesia- uma idéia que só engorda coração e mente - e nem precisa ser meu livro, toda poesia, é uma sugestão:
O sal das rosas
poesia
Bárbara Lia

Saturday, March 17, 2007

POESIA MORTA

publicado na coluna do Site Vejo São José:


14 de Março- dia da poesia – eu em casa vendo TV, no final do telejornal do SBT – horário nobre, nem sei quem era o jornalista ali recitando Raimundo Correia
– Vai-se a primeira pomba despertada – Falando de Olavo Bilac e Castro Alves, como se nos últimos cem anos ninguém escrevesse poesia no Brasil. Não vou querer que o cara conheça os poetas que estão hoje lançando seus livros e fazendo a poesia AGORA. Mas, nem um Drummond, um Bandeira, nem um Gullar ou uma Cecília, seria mesmo estranho se jornalistas comuns conhecessem Hilda Hilst, quer dizer, em qualquer país civilizado, seria muito estranho um jornalista não conhecer a Hilda Hilst, a Orides Fontella, a Ana Cristina César... Então, o cara acaba com a festa, concluindo com um verso de Álvaro Alves de Faria - "Toda a poesia brasileira/ guardo numa caixa de sapatos/ e ainda sobra espaço/ para as coisas que não desejo mais”.
Depois fiquei pensando no Álvaro e fui pesquisar esta poesia e encontrei uma página- desabafo do poeta, que começa assim...
" Na contramão
Passo a ser um exilado da poesia brasileira. Graças a Deus. A ordem agora é manter distância de muita gente. A mediocridade cansa. Chega uma hora em que não dá mais para conviver com
ela. A saída é a poesia de Portugal. Pelo menos para mim. Cansei também desse jornalismo que se diz cultural e que não tem compromisso com absolutamente nada. É o desencantamento completo. Pobre poesia brasileira, descontadas algumas exceções.
Sou de uma geração de poetas, dos anos 60, que é feita de alguns nomes sérios. Cansei de ver nomes de “poetas” inventados da noite para o dia pela chamada mídia cultural, que não resistem a uma crítica razoável. Cansei desses que ocupam as redações com as regras do AI-5 ainda debaixo do braço. No tempo da ditadura militar era mais fácil. No tempo da ditadura militar eu criei e editei por doze anos o suplemento cultural do extinto Diário de São Paulo.
Era um suplemento democrático. No fechamento, nas sextas-feiras, muitas vezes tive um censor da Polícia Federal ao meu lado. Hoje os censores são outros, muito piores. No tempo da ditadura militar eu fui preso cinco vezes pelo Dops, por falar poemas no viaduto do Chá (“O sermão do viaduto”) com microfone e quatro alto-falantes. Mas no tempo da ditadura era mais fácil..."
O texto todo está no:
http://www.revista.agulha.nom.br/aalves5.html
*Eu gosto imensamente de alguns livros do Álvaro, quando estive em uma oficina ministrada pelo Joba Tridente, na Fundação Cultural em 1.998, ele sacava o livro do Álvaro - Lindas Mulheres Mortas - nos intervalos e lia para a gente. Depois disto, eu fui procurar os outros livros do Álvaro e fui sacudida pelo -Sermão do Viaduto- que ele escreveu aos vinte e poucos anos e que lia em voz alta no Viaduto do Chá...
Era de uma beleza estonteante aqueles fragmentos, pedaços de um livro divino, o que levava os agentes da repressão a prenderem o menino, pensando que ele era comunista, sem entenderem que a transgressão maior é ser poeta.
- Meu coração é um campo ensangüentado de solidão-
- A ponte não ajuda ninguém a atravessar -
- Tenho quarenta cruzeiros e quero beber uma estrela.
Eram frases rascantes, assim como era de navalha na carne os versos que o Joba lia, do livro - Lindas mulheres mortas - poesias que Álvaro escreveu falando das putas. Um livro inteiro de lingeries e navalha e sangue, e dor viva...
É que os dias disso e daquilo, nada significam, as datas nada significam, a Anistia Internacional está com uma campanha para acabar com a violência contra as mulheres. No Iraque as mulheres estão sendo estupradas, no Sudão... No resto do mundo a alma das mulheres é violentada. Quando a dita igualdade é negada. Fica tudo sem sentido – Dia das mulheres, Dia da poesia.
Revi - As pontes de Madison – um belo filme sobre uma dona de casa que tem um caso de amor enquanto a família viaja, e guarda segredo por toda a vida, em uma cena o filho de Francesca fica indignado quando descobre que a mãe teve um amante, se ele descobrisse que o pai teve uma amante, a reação seria outra... O que sei de ser mulher é que dói - escrevi alguma coisa sobre no dia das mulheres. Por que sou empírica e não sou doutora em coisa alguma... Fico dizendo do que vivo. Filtrando este imenso espanto que é ser Bárbara Lia, esta vida que cai Niágara em minha cabeça e corpo e coração... Dói ser mulher, este sal de pétalas que somos. Beleza que tem espinhos.
Fiquei chocada diante do telejornal da SBT, um genocídio instantâneo, em uma pequena fala sobre o dia da poesia - o cara matou todo mundo depois de Castro Alves - não existe poesia pós-Castro Alves e Olavo Bilac... Muito triste! E encerrar com o símbolo da indignação contra o panorama atual da poesia - Álvaro Alves de Faria?
Bem, o Álvaro tem opinião, e quem tem opinião tá mesmo ferrado, marcado e atirado ao canto com um lençol negro em cima... Vide o maior escritor vivo do Brasil - Fausto Wolff... Qualquer um que seja corajoso o suficiente para ter opinião própria e não se vender a nada, não comprar nada, não negociar nada em nome da poesia e da beleza, vai ser jogado de escanteio, ignorado pelo grande circo... Em outro país o Fausto Wolff teria reconhecimento de seus poemas que são mesmo líquidos e vivos... de seu romance - o mais belo romance do Brasil no século passado - À mão esquerda. São rápidas pinceladas sobre dias & dias, da mulher, da poesia, e estas coisas tão supérfluas como tem sido tudo - Nada disto importa, a vida importa, para onde ir, com quem ir, e o que escrever daqui para frente, amanhã. Seguir. Ando pensando pontes, atravessando pontes, embriagada de pontes... Tão belas as pontes, embora não ajudem ninguém a atravessar...
BÁRBARA LIA

Friday, March 16, 2007

AZUL NOTURNO



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- ilustração - claude theberge

PONTO FINAL


Ocluso destino.
Nó esgarçado.
Pés resvalando
Escuridão
E musgos.

O anel era vidro.
O favo fel.
Tudo se quebra.
Morre.
Anoitece.

Ponto Final.

Bárbara Lia

Thursday, March 15, 2007

ADEMIR ASSUNÇÃO










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5 dias para morrer
...............para hector babenco


morreremos loucos, Ana

os sapatos
novos
em cima da mala
- mala notte
o dia, a pior
foto: olhos úmidos
no vídeo
flashbacks:
a virilha imunda
do marinheiro
os eletrodos frios
nas têmporas
as pílulas coloridas
peixes
num aquário
cujo vidro
quase se quebra
toda vez
que o tocamos

sim, Ana
morreremos loucos
mas
esta noite
dormiremos
juntos.

ADEMIR ASSUNÇÃO

Sunday, March 11, 2007

TRANSPARÊNCIA


No instante do milagre
Segredos descem penhascos,
Espelhos, memórias, casas.

Trechos da vida à beira da ruína
Todos guardam para si.

Ninguém é transparente feito água Ouro Fino.


BÁRBARA LIA
(O sal das rosas - Lumme Editor)

www.lummeeditor.com

CORSÁRIO




Meu coração tropical está coberto de neve mas
Ferve em seu cofre gelado
E à voz vibra e a mão escreve mar
Bendita lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais


Roserais nova granada de Espanha
Por você eu seu corsário preso
Vou partir na geleira azul da solidão
Me agarrar na mão do mar,
Me arrastar até o mar procurar o mar...


Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar
Meu coração tropical partirá esse gelo, irá...

João Bosco / Aldir Blanc

Thursday, March 08, 2007

AVES DE ARREBENTAÇÃO


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Pássaros renascentistas
Libertados por Da Vinci
Invadem as minhas pálpebras
Que meditam em silêncio
De monja e
Louvam as aves
Do terceiro milênio.
Mão destra de Leonardo
Pinta o sorriso
De uma Monalisa escura.
A aurora ausente
Do meu olhar
Que ele colore
Com luz de Florença.
E sobre músculos sofridos
Estriados de saudades
E febre de amor
Pulsa a inocência poética
Das mulheres que venceram
O jugo secular
E cruzaram as linhas
E romperam os laços
E abriram os braços
Aves de arrebentação
A flanar entre
As azaléias púrpuras
E o grito ardente
De libertação.
Bárbara Lia
- O sorriso de Leonardo (Kafka ed.)

Tuesday, March 06, 2007

PORÃO LOQUAX - O SAL DAS ROSAS




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Porão Loquax - Wonka Bar - fotos da noite de 27/02.
O livro - O sal das rosas - Lumme editor - publicação
possível graças ao editor Francisco dos Santos, que
recebeu o meu original e optou por tornar real um antigo
sonho. Março - em data a ser marcada - terá lançamento
em Curitiba - quem não mora em Curitiba pode adquirir
o livro diretamente com o editor:
www.lummeeditor.com
- As fotos da noite da poesia são de Elisandro Dalcin -
videomaker e fotógrafo.

DIANTE DA JANELA, O ROSEIRAL















Testamento enterrado
à sombra do roseiral:

Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.


Assinado:

A menina dos olhos tristes.
Chico me chamava de Carolina,
mas era só um disfarce.
Sou eu a menina
que viu o tempo passar na janela,
sem ver.

BÁRBARA LIA

- O SAL DAS ROSAS - Lumme Editor.

- Beliza Borba na noite do porão loquax - foto de Elisandro Dalcin

O QUE ME PERTENCE



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O que é maior que eu
abraço feito fosse Deus.
As coisas pequenas vazam.
Choro por elas, uma noite talvez.

(Demian Garcia (piano) - esta poeta)
porão loquax
o sal das rosas
foto - elisandro dalcin

TRENS TRITURANDO...


















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Tangência de ferros nos trilhos
rasga em uma ternura que ofende
de tão bela.
Existirá paisagem de dor mais fecunda
que trens rasgando trilhos?
Nuvem ao redor: que nuvem aquela?
Cenário trepida
por trás de uma cortina estremecida.
Até o ar se emociona
quando o trem se aproxima,
diante dele a ternura de açúcar fervido
balançando em dobras de olvido...
Esquecer!
Ser este trem que parte e vai levando
diante dele a cortina:
nossos corações diluídos
acima dos trilhos...

*

(Na foto - a atriz Beliza Borba)

...TRILHOS




Eu e você: recorda?
Recorda a fumaça do teu cigarro,
tua pele clara, o gozo líquido -
cortinas de açúcar.
Recorda?
Recordam – eternamente –
trens triturando trilhos.


Bárbara Lia

CÉU FULIGEM


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...
nuvens negras
o oriente geme
Krishna, Allah e os astros
nos deserdaram
estrelas apagadas
em um céu de fuligem
entre os cães e as carnes
de crianças do Iraque
uma lágrima rasga
em cicatriz, o poeta
(na selva-relva
acordes & solidão)
*
(No palco:
ADRIANO SMANIOTTO
Poeta - Professor de Literatura)

MÍSTICAS





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LENDO CLARICE LISPECTOR
porão loquax - o sal das rosas

MAREJADAS


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Lençóis ao vento.
Vela de um barco
Onde o timão balança
Entre a neve
E a primavera.

poesia - Bárbara Lia
evento - porão loquax
o sal das rosas

OUSADAS



Todos sofrem:
A gota prata
Do orvalho na rosa
É lágrima fêmea
Que brilha
Enquanto sofre.

Lendo Clarice Lispector
Bárbara Lia

imagem - projeção no palco do wonka bar - porão loquax - o sal das rosas

Monday, March 05, 2007

GRETA BENITEZ


MARCOS DE OLIVEIRA


























ladjane bandeira

REESTAÇÃO



Janeiro caiu
amarelo
do cajueiro.

Fevereiro se foi
em
redemoinho.

Março veio nublado e partiu
com
os olhos marejados.

Dos outros meses
nem mais lembro.
Só recordo
dos beija-flores
e da flor-de-lis nascendo na janela.

É setembro - pensei.

É setembro batendo à porta
da nova estação.

MARCOS DE OLIVEIRA
Coleção Ladjane Bandeira de Poesia
volume 1
(Prefeitura de Recife - Sec. de Cultura -
Fundação de Cultura Cidade do Recife)


Friday, March 02, 2007

DIÁFANA


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O som do oboé abafa
a melodia da caixa de música.
Cristal filtra o raio lilás
do sol que adormece.

Bicicleta atirada na calçada,
velhinho com olho antigo
no horizonte.

Abraço a vida, quando o dia acaba,
refrescante e calma...

Cerro cortinas diáfanas,
beijo tua foto desejando beijar tua alma.



BÁRBARA LIA
(O sal das rosas, 2.007
Lumme Editor)