Sunday, November 22, 2009

Chapar as borboletas

Borboleta - Eliana Taveira
Chapar as Borboletas
Bárbara Lia
(ed. artesanal - 2009)
desenho da capa - Ane Fiuza

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CHÁ PARA AS BORBOLETAS


Janela - espelho meu.
Fragrância de almíscar selvagem
me violenta.


Menino com aura violeta.
Jovem com juba desgrenhada.
Velocidade lenta.


Garganta do poço este túnel
cinza, onde trafego dias.


Penso na infância, sombra
dos eucaliptos, recanto secreto

onde eu servia chá às borboletas.

Bárbara Lia


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Estou fazendo - livro em casa - levei ao Edson Falcão um exemplar deste livro acima, artesanal. Ele achou legal, o título escolhido para meu primeiro livro que o Editor desistiu no meio do caminho. Também o título do blog, que mudei, dando a ele um ar menos suave - Chapar as Borboletas - O Edson disse - Nossa! Entrei no teu blog e quando li o título achei estranho, você tem este jeito sério de senhora e teu blog - Chapar as borboletas! É só a fachada. Chapar as borboletas é meu ofício. Quando eu tinha seis anos e nos mudamos para Peabiru eu passava as manhãs no quintal ao lado da nossa casa. Um terreno escorregadio e cheio de mato. Depois daquele exército vibrante eu jamais vi borboletas tantas. Eram pequenas. As cores várias e eu as perseguia e não conseguia apanhar, talvez eu não quisesse apanhar nenhuma. Era só uma valsa minha com as borboletas. Aos nove eu vivia em outra casa e a cerca lateral dava para os fundos do quintal mágico. Eu era pobre. A vizinha da casa de quintal espaçoso era alemã, a filha caçula Eliana tinha seis anos, loirinha. O que veio a mim como uma cena quando escrevi o poema foi o quintal imenso, pleno de eucaliptos e duas garotinhas servindo cha em um jogo de cha de plastico rosa e uma ou outra borboleta atrevida ao redor da nossa cozinha improvisada.

(O teclado esta com defeito e as palavras nao podem ser acentuadas, desculpem)

O sublime neste caso e que encontrei a menina do cha com as borboletas navegando no orkut da minha prima Sandra. O pai dela ainda vive no mesmo lugar onde serviamos cha para as borboletas. Noticias de Peabiru sempre vem com aquele vento leve dos voos da infancia.

Uma poesia guardou o nosso recanto secreto, as tardes brincando entre as folhas de eucalipto, o vento ao redor, aquela brincadeira de menina que gravei na memoria e recolhi em palavras. Estamos combinando um cha, com borboletas e memorias. Como a Eliana disse - uma linda historia. A tela - Borboleta - é obra da Eliana. A sincronia do Universo. Uma harmonia entre verso e imagem.

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Ha alguns anos eu separei alguns poemas e fiz um livro artesanal com este titulo, mas, ele estava com varios temas e muito fragil, um livro que se desmonta cm facilidade. Com o tempo fui aprimorando, agora ele tem uma espiral tecida de fio de seda, nesta hora entra o meu talento de artesa. Muito bonito. Comecei a selecionar meus poemas por tema. Neste Cha para as borboletas coloquei poesias que falam da infancia. Separei poemas que tem uma conotacao antiga e medieval em um outro titulo - Adamare. Poemas eroticos em outro livro - Nyx Nua. A ideia e deixar um registro dos livros todos. Ando pensando na morte, nesta fatal saida sem aviso previo. Olho para esta montanha de poesias e penso - tenho que deixar isto em ordem. A ideia de colocar em livros-fasciculos artesanais nao abandonei. Dei uma tregua pra reunir a poesia toda - e estou com um arquivo de poemas que nunca entraram em livros - trezentas poesias que vou separar nestes fasciculos em uma empreitada de editora artesanal. Uma terapia poetica. Um mergulho nos arquivos, vasculhando os cadernos, toda a minha producao poetica que pode ser publicada. Deixei um arquivo com o titulo - desabafos - impublicavel. Arquivo em uma sala de crematorio esperando ser incinerado, ou meus escritos mais pungentes... Dizem que o que a gente joga fora e o melhor da nossa obra...