Monday, August 30, 2010

Setembro e a Constelação





Setembro - primavera à vista - lançamento de  - Constelação de Ossos - Bárbara Lia - em Porto Alegre, na Palavraria (porto de partida do livro) e Belo Horizonte (data a ser divulgada em breve)

http://www.vidraguas.com.br/wordpress

Wednesday, August 25, 2010

Clube de Leituras - Rastros de um livro


Minha primeira incursão na prosa trouxe muita alegria. Na esteira do lançamento de Solidão Calcinada - em agosto de 2.008 - aconteceram coisas sublimes. Uma delas é a escolha pela editora Carmen Silvia Presotto - para ser o livro do mês, no Clube de Leituras - Rastros de um Livro. 
Vidráguas, Scrivere e ALF - vão realizar este encontro agora,  dia 26 de agosto de 2010, às 16 horas, na Academia Literária Feminina, Rua Sarmento Leite 933 em Porto Alegre:
Detalhes aqui:

Saturday, August 21, 2010

O exílio na ilha e a coruja triste





Ana & o Mar

Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras

Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco

Lembro um filme de Babenco:

Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre


Bárbara Lia
Ilha do Mel - agosto / 2010
  

Fui pra Ilha com minha amiga Ilse, escrevo um novo romance no qual algumas cenas se passam na Ilha do Mel... Mar calmo e praia deserta. Na noite um vôo escuro acima de nossas cabeças, diante da pousada no banco rústico, em uma conversa impossível em outro lugar - sob um céu estrelado (não há estrelas na cidade) - meio tonta e quase tendo torcicolo eu passei algum tempo com a cabeça voltada para os astros... No dia seguinte dei de cara com o pássaro escuro e lúgubre  - uma coruja - coruja que mora na árvore, segundo o menino esperto neto da dona da pousada... então, cá estamos de novo, a trilhar caminhos tentando tirar o passado de dentro das rochas, nas pegadas e nos grãos de areia, pra narrar um tempo, ficção que desabrocha dentro como rosa inevitável... Depois de um tempo de prosa e sem poesia, brotou a poesia acima, os oito canhões do Forte, as gaivotas e a lembrança de cenas de um filme que lembra um dos poemas do Pinduca que eu mais gosto... Vamos seguindo, escrevendo, trocando palavras, versos e planos com os amigos e tocando a vida com garra, como o verso do gonçalves dias que o pai repetia -
 
 
A vida é combate,

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos

Só pode exaltar.




5 DIAS PARA MORRER (Ademir Assunção)

para Hector Babenco


morreremos loucos, Ana
os sapatos
novos
em cima da mala
— mala notte
o dia, a pior
foto: olhos úmidos
no vídeo
flashbacks:
a virilha imunda
do marinheiro
os eletrodos frios

nas têmporas
as pílulas coloridas
peixes
num aquário
cujo vidro
quase se quebra
toda vez

que o tocamos
sim, Ana
morreremos loucos
mas

esta noite
dormiremos
juntos



Friday, August 20, 2010

Jorge Vicente





31.

O poema: a apoteose do encontro
o assumir das palavras brancas
na teurgia que procede ao corpo.

tudo existe
tudo é
na sílaba dos dedos.

Jorge Vicente
Hierofania dos Dedos
(temas originais/2009)


http://jorgevicente.blogspot.com/

Wednesday, August 18, 2010

Mineiros cantam o homem e o universo



"Uma narrativa que pega o leitor, com lances de suspresas [...], falas bem construídas, os interrogatórios ótimos, gostosos de ler, poderiam não ter fim." - Raduan Nassar, em carta ao autor

Retornar com os pássaros é muito bonito, inteligente e instigante. - Ferreira Gullar


Ontem conclui a leitura de Retonar com os pássaros, do mineiro Pedro Maciel, que publicou A Hora dos Náufragos (Bertrand Brasil) e Como deixei de ser Deus (Topbooks), um romance que ultrapassa a camada de ozônio e busca as esferas, uma filosófica incursão entre estrelas, planetas, nebulosas, cometas... O diálogo que busca escapar da atmosfera terrestre retorna sempre como  um pássaro com o ramo verde. Quero o que era infinito. O infinito nos soterra, já disse um amigo citando a nostalgia do quintal da infãncia, a presença materna e o tempo seguro sem saber do Infinito e Tudo. Tentando desmistificar deuses, céus e infernos o autor retorna em proximidade e similaridade, ao menos do meu coração que sabe o quanto somos pequenos, grãos dispersos...
Há séculos estou ligado aos astros.
Estamos.
Ontem também chegou o livro novo do Betto, devo dizer - Frei Betto - um romance policial. Logo ao abrir o livro a dedicatória terna que sempre vem com seus livros - Bárbara Lia, bem-vinda ao HOTEL BRASIL e à minha amizade. A citação de Fernando Pessoa abre o livro - O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo.
Entre os astros ou no bairro da Lapa converso com mineiros escritores. Um diálogo que vai soprando como brisa que apaga o cansaço. Mandei um livro artesanal ao Frei Betto e ele ficou fascinado com a poesia de Ode ao Silêncio. Todos ansiamos o silêncio, com desespero até. O universo inteiro de retornar com os pássaros silencia tudo e flui como uma nave silenciosa entre as palavras do Pedro Maciel. O silêncio que um homem busca quando fecha a porta do quarto, que pode ser em um Hotel - Brasil?
Vou escrever o meu próprio silêncio, um romance que se passa em uma ilha.

Thursday, August 12, 2010

Constelação de Ossos - Meu novo livro - lançamento 01/09 - Palavraria -Porto Alegre




Fragmento da Apresentação do livro - Constelação de Ossos - Coleção Anáguas (Vidráguas)

"Estrutura ficcional elaborada, em que os capítulos se sucedem em corrente límpida, revelando com simplicidade e magia a história de vida da personagem, desdobrando-
se em uma continuidade fluida provocadora de uma leitura ávida e prazerosa. Prosa poética plena de sonoridades e metáforas ora líricas e encantadoras, ora duras e valorosas.
Bárbara Lia disseca um feminino sofrido - ótica da narradora – que permeia o texto, de sensibilidades e delicadezas, violências e mágoas."
(Vidráguas)

Sunday, August 08, 2010

Meu Rimbaud!


Na época da II Guerra meu pai usava esta  barba - este aspecto de bandoleiro tem uma história que dá um livro. Meu Rimbaud! 




Flor escandalosa



Meu pai sonhava o deserto
E viveu ao lado do amor
Rimbaud sonhava as areias
Também reinventar o amor
Rimbaud viveu no deserto
Meu pai morreu de amor


O pai surfava o mar de estrelas
Com um teodolito da cor da destemperança
- verde oliva que pende ao amarelo –
Quando eu dormia
Ele soprava poesia
Por cima das minhas cobertas


Rimbaud passava as noites
Regando com nuvens
Minha alma/fogo e a semente


Nasceu esta flor escandalosa
Da cor dos olhos do amor
E do deserto sonhado
Por meu pai e Rimbaud


Meu pai viveu em poesia
Nunca escreveu um verso
Rimbaud desistiu bem cedo
Meu pai sabia; sabia Rimbaud
O vento que vaza a cortina
Traz a voz de ambos, mixada:


Ilumine o verbo!
Incendeie a alma!
Faça de corações desertos
Cactos em flor
Sangue em ebulição
Bárbara Lia
- O rasurado azul de Paris (21 gramas/2010)

Wednesday, August 04, 2010

Constelação de Ossos - Bárbara Lia (Coleção Anáguas - Vidráguas)

Com muita alegria anuncio a publicação de um novo livro: Constelação de Ossos

Em abril, no lançamento de - A última chuva - onde apresentei alguns poemas durante o Festipoa, estava a editora Carmen Silvia Presotto. No meu retorno, recebi um email e iniciamos um diálogo e - em nome da poesia - realizamos belas parcerias. Uma delas é - Constelação de Ossos - com lançamento previsto até o final de agosto, meu segundo livro em prosa. Vai abrir a coleção Anáguas da editora. Breve publico a imagem da capa.



"Com Constelação de Ossos, livro de Bárbara Lia, iniciamos a Coleção Anáguas, dedicada a novelas, contos e poesia eróticas, visando publicar escritos inéditos de quem não teme se mostrar em palavras e sentimentos" (Vidráguas)




Constelação de Ossos - Novela narrada por Lyn, cantora de bar e garota de programa. O livro é a voz de uma pessoa excluída. Personagens que caminham à margem e também é sobre a desistência... É um drama que a prosa poética ameniza. Faz parte da Coleção Anáguas pela linguagem visceral das cenas de paixão. Um livro que escrevi a partir de uma frase. Uma manhã qualquer e uma frase-raio invade seu pensamento. Você espera escrever um novo poema, e um enredo se apresenta e uma personagem, com nome de Constelação - Lynx. A frase de uma manhã que engendra um livro -
Sonhei com o anjo d'água.



"Lynx Maria.

Não soava como nome. Soava como nome de profecia, nome de banda de rock, nome de ritual de alguma seita, nome de alguma trilha em algum monte sagrado. Herdei o nome da constelação mais apagada do céu. Minha mãe ficou a me consolar naquela manhã a preparar a salada de chicória. O céu tinha gosto amargo e eu tinha nome de um aglomerado de estrelas" - Constelação de Ossos - Bárbara Lia


Carmen Silvia Presotto (Vidráguas) entrevista Ferreira Gullar