Friday, September 30, 2011

Mesmo miseráveis os poetas / Os seus versos serão bons (Chico Buarque/Edu Lobo)



Eu Traduzo a Tua Respiração Para o Grego


Em alfa respiras
farfalhando o sigma
de tuas asas
Pelas avenidas,
teu riso-ômega
altera o ar
Só Afrodite traduz
o que respiras e vives





Beija-flor bica
o sonho e extrai
a luz lilás deste amor
entre as Plêiades.



Amor mar morto
Dez vezes mais sal
Que um amor normal
Ar atado
De amores mortos
Nublados
Pelo amor vivo
Que rasga a rocha
Para que flua
O líquido
E o granítico
Das flores.

 
 
Nosso primeiro olhar
acendeu luzeiros
e nunca saberemos
quem amou primeiro




céu curitibano
nicotinado
com teu cigarro
este céu quase-negro
céu de corvos rejeitados
é o eco da tua fúria
que estilhaça
na minha vidraça




Cinco décadas
Gestando o agora
Ágora anis

 
 




Imersa em cena de Dali
Bebendo chispas/raios mel
dos olhos teus
Lágrimas caindo no rio
pentagrama
compasso de folhas
acordes de pássaros
e voz navalha
de Tetê Espíndola


 
 
vidabsinto que engoli
fogo ardendo dentro
tanta pedra na minha telha
deu pra construir
uma cátedra no quintal
só tua alma zen
é sopro, é banho, é cama
só tua alma zen me arranca do caos
com esta voz algodão da China
me aninha em um berço-nuvem
me adormece com a canção de ninar
e só apagas a última estrela
quando os cílios sonham





Ontem, no extracéu, tomamos chá de anis,
Diante de um poente branco.
No extracéu não há noites e pássaros pousam
Em nossa janela, enquanto tecemos mantos.
Você sorri, mais do que sorris agora, e estrelas
Fogem do céu-matéria para matarem a saudade
Do teu belo riso italiano.
Vez por outra, congelamos uma estrela fugidia
E a colocamos na parede de nossa sala.





"Ele dançou ao longo do dia pardo"


Guardo
Na ânfora púnica
O suor perfumado

Na saia indiana
O sêmen abençoado

Branca ilha no mar grego
Tua seiva na saia bordada




"A liberdade de morrer"


As asas que tu me destes
Rotas de Invernos
Ancoradas na ausência

As asas desfraldadas
Em suicídio adiado
No parapeito viscoso
- Décima espiral do Inferno de Dante





BÁRBARA LIA

PEQUENA COLETÂNEA DE POEMAS DE PAIXÃO

(vão-se os anéis ficam os dedos. ou, vão-se as paixões improváveis e ficam os poemas gravados e até publicados)