Thursday, February 28, 2013

18 h no bar "O Torto" depois do Apocalipse - Bárbara Lia



Vamos ao que interessa!

Ontem fiquei falando aqui no blog de pessoas que conheci e naquela comparação de que algumas paixões queimam rápido como fósforo e desaparecem. Outras são pirilampos e seguem como seres vivos flanando em algum lugar, brilhando um dia ou outro. Isto é intimo e pessoal, melhor não tocar mais neste assunto. 
Importa o que diz respeito ao que é foco deste blog - os meus escritos.

Há algum tempo publiquei fragmento de uma novela cujo título era - A garota sem nome. Converso com duas ou três pessoas sobre meus livros. Em uma destas conversas falei sobre um dos títulos do livro e acabei convencida a mudar, pois é um título mais impactante. Então estou com um livro em um busca de editor: 18h no bar "o torto" depois do apocalipse.

Quanto a esta novela policial é um livro sem pretensão. Escrevi como catarse, no tempo em que fui bombardeada com programas do Discovery Channel que propalavam o fim do mundo, ao lado de séries policiais que eu gosto de assistir. Isto virou amalgama estranho e o enredo é basicamente este: Uma garota sofre uma queda de um viaduto em Curitiba e perde a memória. Ela não existe no sistema, pois vive em uma comunidade alternativa que está à espera do fim do mundo. Entra no enredo o policial bonitão, sensual, que sai em busca da identidade da pequena. O bar - o torto - é um local onde os jovens se reúnem em Curitiba. E como sabemos que o mundo não acabou em dezembro passado, o desfecho feliz da história eles vão comemorar neste bar, depois do "apocalipse".


fragmento de 18 h no bar "O Torto" depois do apocalipse (Bárbara Lia):



Envelhecerão como um vestido


Envelhecerão como um vestido. Ainda que dure um pouco mais neste chão, morrerão. Com ou sem água estocada. Sabendo ou não todos os segredos dos plantios e as curas raras. Envelhecerão como um vestido. Ninguém durará até o próximo apocalipse que alguém vai anunciar algum dia, depois que surgir outro Cristo, outros profetas e outros livros sagrados. Alguém guardou os segredos da Humanidade para este futuro branco? Todas as vacinas das doenças várias? Alguém saberá todos os idiomas e todas as receitas de felicidade? Haverá outro império Persa? Uma nova Roma? Todos os povos bárbaros?
Em alguns dias eu sentia uma raiva imensa de Gilda, eu queria ser parte da História do meu mundo. Se tudo ia demolir com uma bomba nuclear. Se as entranhas do Yelowstone ia se abrir e enegrecer de cinza o céu. Se um cometa ia abrir crateras e acelerar o apocalipse. Se as emanações solares iam alterar as rotas dos navios, dos aviões e cessar entre os humanos a comunicação. Se todos ficariam como órfãos e mortos sem seus celulares, GPS, Ipad’s, TV’s, queria ser parte disto. Morrer como quem merece morrer. Não viver, sem saber se merecia esta sobrevida. Ela não entendia. Dizia que eu era uma ingrata. Nestes dias o jantar era calado e ela se fechava no quarto e ficava ouvindo Elvis. Já não aguentava mais ouvir Love me Tender. Preferia o apocalipse.