Monday, January 28, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno

Edvard Munch





(...) amorosa sedenta, encha a boca 
de lodo – oh, haste de luz no metal!
Não chega este amor à altura do seu
amor... Então, enterre-me no céu! 

(Marina Tsvetáieva)




Tsvetáieva pediu: Enterre-me no céu!
Sonhava viver mais perto do terrível falcão
Ansiava alturas para transformar-se em neve
E desmaiar em brancos flocos meio às crianças russas
Antes de a terrível guerra penetrar
Pele, ossos, vidas pequeninas...
Sabia Marina da dor inexorável do adeus
Sabia que ninguém deve morrer sem conhecer:
Um boneco de neve e uma cama branca de amor


Bárbara Lia
C2H2 - Musas de Acetileno

Isso não é uma revista literária

 foto - Kátia Torres Negrisoli



A flor dentro da árvore - em um e-zine do Carlos Alberto Nascimento: Isso não é uma revista literária.

A flor dentro da árvore já deu as caras no site Meio Tom - no Site Musa Rara e mais recentemente no Portal Cronópios. O livro encerra seu ciclo de impressões com a menor tiragem. Perde para meu primeiro livro de bolso, com apenas setenta exemplares. É isto. Um registro. Uma pequena anunciação. 


http://issonaoeumarevista.blogspot.com.br/

Thursday, January 24, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno Bárbara Lia e Geisa Mueller


Leitura Poética C2H2 - dirigida por Geisa Mueller. Algumas imagens da noite das Musas de Acetileno. Um instante único. Muito feliz pelo sim da - Geisa - quando pensei em levar ao palco estas poesias novas. O resultado é aquela poesia que continua depois que a gente deixa o palco. Isto é incrivelmente indescritível. Obrigada aos que fizeram da noite das - Musas de Acetileno - este sublime momento.

arsenal poético

Gabriela Caramuru, outra musa


Querido Adriano Smaniotto, poetaço no palco


Gigio Venturelli e Ricardo Pozzo


Jota Eme e Ricardo Pozzo

Ilse Bastos, minha amiga da Banda Égide


Monday, January 21, 2013

flor cronopiana



Algumas poesias do livro - A flor dentro da árvore - no Portal Cronópios - Literatura Contemporânea Brasileira:

http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5607

Monday, January 14, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno - Bárbara Lia e Geisa Mueller - VOX URBE - 22 de Janeiro







Musas de Acetileno*




"Em Wall Street, dos andaimes até à rua, o meio-dia escorre

Como um rasgão luminoso no acetileno celeste;"
Hart Crane

O acetileno é utilizado nos maçaricos que forjam o vidro e para forçar o amadurecimento das frutas, a composição dele é poética – C2H2 – ele tem o poder de fogo ao mesmo tempo de vida e destruição como as poetas homenageadas em algumas poesias... Além da série - Musas de Acetileno - poemas inéditos, meus e da Geisa Mueller, focando essencialmente o erótico e a solidão.
Duas Vozes da Cidade em poemas que falam de amor, solidão, morte, desejo e alumbramento. 

Dia 22 de janeiro de 2013 -  22h pontualmente  (o Wonka Bar abre suas portas às 21h) - Vox Urbe (capitaneado pelo poeta Ricardo Pozzo) - Bárbara Lia (poeta e escritora) e Geisa Mueller  (diretora artística, mediadora de leitura, poeta) com a direção de Geisa Mueller, em - C2H2 - Musas de Acetileno.

* a série +Musas de Acetileno + é uma  homenagem a Sylvia Plath, Ana Cristina Cesar, Alfonsina Storni, Pizarnik e outras...
** a imagem do flyer é Landscape - MAGRITTE. Grande Magritte!

Thursday, January 10, 2013

Videocast Curitibano no Portal Cronópios







Cronopiana desde criancinha atendi ao chamado do Pipol quando ele visitou Curitiba. Sou complicada para fotografar e filmar, gosto mesmo é de ficar longe das câmeras, mas, Pipol conseguiu captar a o meu deslocamento e fuga e na entrevista falei essencialmente sobre o meu livro - A flor dentro da árvore.
Na tarde no Museu Oscar Niemeyer passeamos pela Exposição Múltiplo Leminski, tomamos um café e falamos sobre Cronópios, Poesia e a Cidade. Nesta passagem por aqui Pipol conversou comigo, com a poeta Marília Kubota que lançou recentemente Esperando as bárbaras e com o arte-educador Joba Tridente. Gracias Pipol. Muito bom estar nesta conversa ao lado do Joba e da Marília.

Wednesday, January 09, 2013

Andorinhas e outros enganos



Voltei de Porto Alegre em dezembro com esta pequena jóia na mala. Sidnei Schneider é uma pessoa muito especial, essencial para a Literatura. Dialogamos sobre Poesia desde que nos conhecemos em um Congresso de Poesia em 1998, ele me apresentou muitos poetas. Ele foi um dos meus Mestres quando comecei a escrever e imprimir meus poemas. Metodicamente ele publica seus livros, sempre pelo selo Dahmer. Em 1999 - Plano de Navegação. Somente em 2008 outro livro de poesia - Quichiligangues. Sua estréia em livro foi com a tradução de Versos Singelos do poeta cubano José Marti em 1997. Agora a estréia - narrativa curta - com este belo livro de contos - Andorinha e outros enganos. 
No blog do Sidnei uma resenha de Carlos André Moreira para o Jornal Zero Hora:


Tuesday, January 08, 2013

Constelação de Ossos no site da Paula Cajaty



Lançamento de Constelação de Ossos em Belo Horizonte - foto de Isaias de Faria


No site da Paula Cajaty uma resenha da minha novela - Constelação de Ossos - Vidráguas / 2010:

link para o texto:

http://wp.paulacajaty.com/?p=5346

Sunday, January 06, 2013

Os homens que não sonham - Bárbara Lia






Os homens que não sonham
(Bárbara Lia)


No duerme nadie por El cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de La luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan.
(Federico Garcia Lorca – fragmento de Ciudad sin sueño)




Os homens que não sonham demolem pontes catedrais parques cânions praças
Os homens que não sonham incineram as rosas cálidas das núpcias da moça feia
Os homens que não sonham afogam pássaros em nuvens escarlates enquanto riem
Os homens que não sonham pisam prímulas pálidas em varandas centenárias
Os homens que não sonham pintam máscaras de dor em crianças, com traços de Dali
Os homens que não sonham queimam o violino roto do último anjo que passou aqui
Os homens que não sonham armazenam cédulas, pepitas, moedas, esmeraldas, royalties
Os homens que não sonham caminham vestindo Armani olhos foscos atrás dos óculos
Os homens que não sonham trituram sonhos dos reais sonhadores como quem respira
Os homens que não sonham pisam pontes de gelo e alçam asas em pássaros niquelados
Os homens que não sonham nunca leram Lorca, não sabem de Las criaturas de la luna
Os homens que não sonham pisam flores de cerejeiras - tapete aveludado - e nem rezam
Os homens que não sonham odeiam flores nascidas pós-bombas em beleza voluntariosa
Os homens que não sonham ignoram iguanas vivas seus dentes de serra e olhar de vidro
Os homens que não sonham não veem os dentes afiados de iguanas tristes na pedra fria
Os homens que não sonham ignoram a mordida de iguana e ignoram que não sonham
Os homens que não sonham fecharam a via estreita que nos aproxima de um éden
Os homens que não sonham não amam iguanas, cidades, pedras, éden, cerejeiras, anjos
Os homens que não sonham não amam nada, não tocam nada, não vivem nada...

- poesia da série AZUL DESMORONADO

Thursday, January 03, 2013

Peabiru!




Recebi do Arléto Rocha este livro. Um passeio pelas ruas da cidade da infância. Banzo envolto em Beleza. Sempre esta Poesia que salta à flor dos dias, basta rememorar Peabiru. Neste livro os rostos são conhecidos, as ruas, a Praça onde a infância encantou com os pirilampos e estrelas confundindo-se na dança da felicidade, as brincadeiras noturnas em todos os domingos após a missa. As mães nos bancos a conversar sobre a vida, as crianças a correr em alegria desmedida. Peabiru. Só quem viveu lá capta este mistério. Como se fossemos assinalados para levar costurado em cada poro um encanto. O cara da rua tem vários nomes. Em um momento é meu inesquecível e mais que amado professor José, que durante as aulas de Francês falava de sua paixão por Rosa. Assinalou em brasa a Marselhesa dentro de mim, confesso que já tropecei nas linhas do Hino Nacional, mas, gravei a Marselhesa intacta. O professor de Geografia - Nely Pinheiro, a sua alma era tão grande como seu corpo, mapa de bondade a apontar as ruas do mundo. O professor de Português - Antonio Bassi. A cada página salta um mundo inteiro de um tempo onde não existia perigo. Onde só tive medo dos tipos da cidade. Nossas mães o usavam para nos colocar medo, lá tinha um mendigo que andava com um cajado e a cada esquina ele gritava bem alto - Tirrapadinho - era assim que eu ouvia e nunca soube o que ele queria dizer com isto. Uma saudade latente de um lugar onde as noites estancavam em estrelas aturdidas, desciam ao chão e brilhavam dentro das romãs, dentro dos olhos das crianças, dentro das palavras de um poema, dentro da vontade de ser feliz, e éramos. Peabiru é o meu lugar. Saí de Assaí com três aninhos. Não recordo a cidade onde nasci. Recordo este lugar de poeira e estrelas com uma saudade de pedra.







18 h no bar "O Torto" depois do Apocalipse - Bárbara Lia





Abriu o livro como quem encontra um tesouro e lá estavam as quatro belas fotografias do seu barco. Sorriu. Retirou as fotos de dentro do livro, recolocou o exemplar na estante. O olhar voltou ao livro de Ana Cristina Cesar. A imagem da moça triste fez desabrochar uma flor de saudade subitamente dentro dele, uma flor que violentou seu coração e rasgou tudo acima da camisa, uma flor-lâmina cortando o coração e abrindo os ossos do seu peito e brilhando branca de luz e certeza - Estava se apaixonando pela desconhecida... Respirou fundo e abriu o livro, leu uma poesia, fechou o livro, recolocou-o no lugar e saiu a duros passos daquele passado perfumado para o qual ele não queria voltar, com as palavras de Ana C. vibrando na alma e os pelos arrepiados.

tenho uma cama branca
          e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
          e limpa à minha espera.

Samuel ansiando entrar na vida branca da menina, na cama branca e limpa, no corpo branco, mudo convite.

mínimo foragmento do romance inédito 18 h no bar "O Torto" depois do Apocalipse - Bárbara Lia