Saturday, August 31, 2013

Setembro


Às 17h, no Museu Oscar Niemeyer, começa a Bienal Internacional de Curitiba 2013!

https://www.facebook.com/events/204582022998798


Um belo momento para a cidade. Minha Poesia vai trafegar por ruas, uma poesia apenas _ a lembrar a chuva, a eterna chuva curitibana, nossa grande camarada. Companheira fiel, a chuva. Sempre.
A programação da Bienal no site:
http://www.bienaldecuritiba.com.br/


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Na edição de setembro do Jornal Relevo, um conto do meu livro _ Paraísos de Pedra:




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Assinalar na agenda _ Dia 19 de setembro _ das 12:30 as 13:30 _ Homenagem aos cem anos do poeta Vinícius de Moraes... Elas (se) leem Vinícius _ Eu e a poeta Marilda Confortin vamos mostrar nossos poemas e _ Especialmente _ os poemas de Vinícius de Moraes. Na Praça Santos Andrade.





Monday, August 26, 2013

Rollo de Resende, uma saudade...


Exposição do trabalho do poeta Rollo de Resende  (sob os cuidados  e o carinho do Hélio Leites) no espaço Lilituc na galeria Júlio Moreira no Largo da Ordem - Curitiba. Homenagem ao Rollo que completaria 48 anos no dia 15 de Agosto. Quem passar pelo espaço, pare e contemple. Como todo poeta Rollo trafegava por outras artes, ganhei um belo cartão da Stella e o guardo com cuidado. Aquele azul e os pássaros, no fundo é o resumo de tudo que Rollo me significa _ Liberdade.




Link para minha conversa com Stella, que gerou a minha entrevista _ No Caminho com Rollo de Resende:




Bienal Internacional de Curitiba





A programação da Bienal já está no site, link acima.
Uma participação em um evento que soava tão distante para mim que sou poeta. Sempre amei toda forma de expressão artística e vejo como um momento único figurar entre os 150 Artistas de 05 Continentes que integram a Bienal. Em resumo, a poesia integra o evento pelo espaço que a Web Arte e a Literatura ganharam nesta edição, onde o intento é ir onde o povo está com performances e intervenções. Conforme palavras do Ricardo Corona: 
"42 poemas de 42 poetas fazem referência à cidade de Curitiba. Porém, não é uma referência em estilo de homenagem, mas uma relação afetiva, via poesia, via memória poética, com a cidade. Em termos de resultado, os poemas integrarão a antologia _ Fantasma Civil _ que organizei, e o livro será de folhas soltas. Estas folhas soltas, com o s poemas, também servirão de mote para 8 mediadores fazer intervenções em trajetos de ônibus e barco. Além da poesia, a prosa curta do Dalton Trevisan será veiculada via Twitter e MSG. Também a projeção de um poema de um autor argentino, Arturo Carrera, no Lardo da Ordem." 
Os locais destas intervenções e horários também no site da Bienal,basta clicar na coluna Literatura. Os poemas serão lidos nos ônibus da Linha Aeroporto, Turismo e em outras linhas do ônibus bi-articulado, etc. Em locais como Parque Tanguá, e outros pontos da cidade... 

Obrigada ao Ricardo Corona pelo convite para ser parte deste Momento-Arte.
O lançamento da Antologia "Fantasma Civil' será no dia 17 de setembro _ Palacete Wolff _ 17 horas.

Tuesday, August 20, 2013

Crônica da poeta triste _ Bárbara Lia




Quando envelhecemos o cérebro vira um laboratório fotográfico que edita cenas. Um funcionário disléxico que embaralha tudo que aconteceu em nossas vidas em um mosaico lírico. O silêncio de uma manhã ao lado da mãe, o aroma do café e o canto dos pássaros misturam-se a uma noite de medo perdida na grande cidade apressando o passo em um reduto de pederastas e prostitutas, temendo o assédio. Um encontro lascivo em segredo _ arrepiante metáfora do paraíso _ um corpo que estremece e te suga para um beijo rascante é substituído pelo olhar de escárnio de alguém maldito que colocou em tua alma a dúvida com a força do mal a avalizar a fala: _ Nunca serás querida!

O filme surreal passa noite e dia e só te livras dele quando sonhas. E os sonhos são vagos, em dialetos antigos, ou, pessoas sem voz a te revelar os segredos miseráveis que não vão alterar a rota do universo. Os cenários trepidam em ondas altas diante dos olhos: O quintal da infância, farfalhar de cores, a risada do pai, o rito das crianças, latidos e sinos. 
Clarice canta um hino cristalino de humanidade contemplando uma barata no armário.
Kafka olha seu corpo com asco vendo-se outro. Desvio de Kafka para não pisar a capa gosmenta e piso longe ferindo a sola e desejo abandonar este palco e as asas da cucaracha gosmenta. 
O cinematógrafo de Dali escancarado diante da retina. 
Amanheço em dilúvio surreal: Agora tenho trinta e seis anos, deixei meu marido, mãe e pai morreram, perdi um big emprego e estou diante da doutora psicanalista e a ela juro que tomei os florais e que li os livros do Deepak Chopra, sem saber como confessar que sou imune à felicidade instantânea e a tudo que cheira placebo. Nada engana minha alma e decido beber a dor sem adoçar, atravessar todos os desertos, ancorar em algum lugar. Em algum lugar _ que eu nem sabia ainda _ o lugar se chamava Poesia. Gueixa que me atrai _ A poesia. Ela me lambe, excita e me deixa de novo a sós: Mil pregos no corpo e uma chuva de palavras ásperas, ladainha de escárnio caindo sobre minha nudez. Altera a cena, progride o cinematógrafo e agora tudo está mais simples. O tempo espanta o desejo e não terei mais os caçadores da minha carne, quiçá seja sempre este andar na manhã calada, ao lado do neto, ouvindo o canto de um bem-te-vi. 
O paraíso não é aqui. No mundo está tudo contaminado. A Beleza sempre relegada. Quem sabe no escaninho dos tristes eu encontre o salmo de redenção. No lugar dos loucos toda a poesia. Quem sabe em uma cidade de cegos eu possa ver a luz e quem sabe tudo evapore repentinamente e eu volte ao pó. Brilhar entre a grama de um campo santo feito poeira radioativa. Fogo sobre o chão. Vou queimar dentro alma coração espírito. Não creio em céu, no máximo vou morar na luz de um candelabro torto na casa triste de um homem que sorri sempre com os olhos e alma e não se cansa de molhar as flores e não se cansa de cantar aquela ópera que faz arrepiar a alma dos carrascos. Existe um lugar onde a humanidade estanca: O olhar humano do homem que não esqueço. Meu segredo-mor. A voz do neto a me chamar sem cessar apontando a descoberta do mundo. O lábio do filho que pousa manhã após manhã na minha testa. A cumplicidade das meninas minhas que agora são mulheres _ Pequenas “Bárbaras” de auras maravilhosas... E aquela estrela atrás da porta a lembrar da estrada torta de todos os poetas. 

Bárbara Lia / 2013

Sunday, August 18, 2013

"Saber não ser é raro"


Canto VI

41

Quem é que, com o belo sol da tarde,
gasta os minutos a amaldiçoar
vidas alheias? Ninguém desperdiça assim
uma energia tão simpática e elevada.
Se o dia, como um disco avariado,
nunca avançasse para além do meio-dia
mantendo-se o sol calmo, quente e alto,
não haveria no mundo um único sintoma
de vingança.

Gonçalo M. Tavares
Uma viagem à Índia
ed. Leya _ página 258





Fito-me frente a frente, 
Conheço que 
estou louco. 
Não me sinto doente. 
Fito-me frente a frente.
Evoco a minha vida. 
Fantasma, quem és tu ? 
Uma coisa erguida. 
Uma força traída.

Neste momento claro, Abdique a alma bem ! 
Saber não ser é raro. 
Quero ser raro e claro. "

Fernando Pessoa


"Saber não ser é raro" /
Isto lembra aquele poema de Emily Dickinson: Não sou ninguém. Quem é você? Ninguém também... O que traz esta fala é ter ficado dois dias ao lado de um encanto chamado _ Gonçalo Tavares _ e ele sabe + não ser + Ontem quando o Flávio Stein leu a biografia dele antes da sua fala ao público, eu fiquei arrepiada. Então este pequeno mito que conseguiu alcançar de forma acelerada o mundo com seus pensamentos e seus livros, é aquele mesmo ser incrível a falar naquela pequena sala como se fosse um professor de uma aldeia pequena perdida em um mundo perfeito? Somos vinte privilegiados... Colhemos palavras de um poeta e do seu riquíssimo arsenal recebemos alguma armas para as guerras da vida. A lição do Gonçalo é a atadura final que coloco em feridas que nunca cicatrizavam. E o que ele disse no primeiro dia daquela oficina a última gota balsâmica dentro. Vou levar isto, esta certeza de que nossa intuição nos leva para onde precisamos ir. Eu, que raramente inscrevo-me em oficinas, sempre sigo este fio que me puxa para algumas raras, de tempos em tempos. E esta chegou no momento certo para sublimar decisões que tomei e ao ouvi-lo na primeira manhã eu me senti leve, livre... Uma jovem menina que começa a trilhar seus passos em poesia disse com naturalidade, como se aquilo fosse possível: Vamos sequestrar o Gonçalo e não deixar ele ir embora nunca mais. Ficamos tramando uma forma, em tom de brincadeira. Era só nosso jeito de dizer _ Bem, estas coisas deveriam permanecer. Os autores humanos, mais que humanos derramam estas falas que acrescentam e não diluem na primeira esquina depois que você sai de uma palestra. E vou para nosso último dia de oficina com a certeza de que vou sentir como quem vê ir embora alguém que não é daqui, nem familiar, nem melhor amigo confidente, nem nada em termos de coisas passionais. É esta espécie de ser iluminado, que para alguns pode ser aqueles monges que dizem máximas e depois se calam e o universo todo se alinha como se as pragas fossem varridas. Vou sentir isto, este adeus lento de um poeta em carne viva. Sua identidade tem os traços fortes da metafísica de seus livros. E ele vai, como Bloom em seu livro, para um outro lugar, nesta epopeia... E espero reencontrar em algum dia, para beber um pouco mais da água/palavra, esta que ele derrama, como um pastor sublime. A maior beleza é encontrar um consagradíssimo escritor e ver o quanto ele foi grandioso ao raspar toda a petulância e arrogância que se encontra em todo canto. Ele que é _ Ele _ e não se preocupa com nada além daquilo que ele disse ao público: Receber a maçã de ouro de seus ancestrais, e deixar a sua maçã em algum lugar, em uma estrada, para que os que vierem depois saibam o caminho.

Monday, August 12, 2013

Insônia





Insônia


Este é o século da nossa insônia
Mentes plugadas em telas isonômicas
Longe dos mitos e da cosmogonia
Dopados de “soma” e monotonia

Este é o século lavado à amônia
Escravos cardíacos da luz de néon
Escravos maníacos dos mantras
Escravos agônicos do abutre Mamon

E havia esperança no pássaro
Havia luz nas colmeias tardias
Havia ar nas barricadas de Paris
E havia armar-te. Havia amar-te... Havia.

Bárbara Lia/2013

Imagem _ Edward Hopper

Friday, August 09, 2013

Livros


Ainda não aprendi a pensar em livros _sob demanda_ e quando alguém pergunta onde comprar um livro de poesia meu, eu sempre indico a Livraria Cultura, onde é possível encontrar _O sal das rosas, editado pela Lumme/2007. É possível, sim, comprar outro livro meu, é que ainda não aprendi a pensar nesta expansão. Basta encomendar _A flor dentro da árvore. E são estes dois. As edições de Poesia sempre com tiragem pequena esgotam com facilidade. Pensei em publicar isto e fico adiando. No blog do poeta Cássio Amaral tem um belo texto sobre o livro. É um livro delicado, que eu gosto imensamente. Ele tem 40 páginas e apresentação do poeta Sidnei Schneider. Quem desejar saber mais, deixar recado aqui, ou enviar um e-mail para barbaralia@gmail.com. O romance Constelação de Ossos está na Livraria Cultura, idem. E diretamente com a Editora Vidráguas. Finalmente, aquele livro que chegou com aquela aura leve e bonita da infância e me deixou muito feliz, com a acolhida que teve e com a resposta dos leitores. Paraísos de Pedra incorporou o mistério da Ninfa, a esperança da criança que eu fui e a força da mulher que sou. Estou MUITO feliz. Este livro que foi lançado única e exclusivamente em Curitiba pode ser encontrado no site da Editora Penalux. A Poesia segue, os romances à espera de editor. Tem sempre aquela vontade de não tentar os concursos e quando a gente queda à esta possibilidade, fica meses, quase o ano inteiro à espera de um resultado. C'est la vie. Ano que vem tem mais...


*Sobre _ A flor dentro da árvore:

http://cassioamaral.blogspot.com.br/2013/02/a-poesia-e-cerne-palavra-e-barbara.html 
http://www.musarara.com.br/a-flor-dentro-da-arvore
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5607

Sobre _ O sal das rosas:
http://www.saldaterraluzdomundo.net/Livros_Lan%C3%A7amentos_sal_das_rosas.htm


Sobre Constelação de Ossos:
http://paliavana4.blogspot.com.br/2011/01/12.html

Sobre Paraísos de Pedra:
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1392772&tit=Um-mundo-magico-ao-redor-da-casa
http://www.e-parana.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=8338



Thursday, August 08, 2013

Agosto





Agosto


“Como aqueles primitivos que carregam consigo o maxilar inferior dos seus mortos, eu te carrego comigo, tarde de maio”
Carlos Drummond de Andrade


A mim restou este Agosto
Loucos gritos roucos
Ruínas sem rima
Versos apócrifos em esperanto

A mim este calcanhar de vidro
Telhado de Aquiles
Chão incerto de tombadilho

Pedra. Pedra. Pedra.
No começo do caminho
No meio do caminho
No fim do caminho

Ar puro agosto
Rosário de escombros
A tudo transformei
Em maios deslumbrantes


Bárbara Lia
/2013
Imagem _ Monica Cook

Tuesday, August 06, 2013

Calendário poético 2013




No link acima, os artistas e poetas que participarão da Bienal Internacional de Curitiba _ de 31 de agosto a 1° de dezembro... Muito feliz por integrar este momento _ Pura Arte. 






Setembro, abrindo as portas para a Primavera:
Tempo de andar ao lado desta lenda. Acordar com a canção imortal da chama infinita que é Vinícius de Moraes. Então me pedem _ que eu leia nossos poemas. Que eu seja uma das mulheres a cantar sua Poesia. E fico com estas mãos sem saber qual pétala, qual poesia? O que dizer deste monstro sagrado que me visitou ainda menina, com uma flor... E embalou as serestas e os vinte anos, e a maturidade e toda a vida. Estava lá a tríade _ Chico, Tom, Vinícius. Está lá ainda, vai estar para sempre. E que felicidade ser mulher neste tempo e caminhar nas notas destes gênios. Por obra da minha irmã caçula eu encontrei Chico e quando ele se despedia e saia para o seu show eu disse _ Obrigada, pela maravilhosa trilha sonora que você trouxe para a minha vida. Ele estava saindo apressado e parou um segundo e se voltou e me olhou, com olhar inquieto. Eu que tenho o dom de inquietar os corações masculinos. Ele ensaiou um sorriso e continuou, apressado. E nada mais pode ser dito, nada deve ser. Somos abençoadas por ter estes homens que cantaram o amor e a mulher com a sensibilidade necessária. Que entenderam nossos corações astutos, que conseguiram segurar em suas mãos a chama imprecisa que é ser mulher latina, esta luz morena, esta coragem nascida das entranhas da terra mais bonita. E fico assim, sem saber como começar a separar alguns versos, alguma poesia, o que Vinícius gostaria de dizer agora. O que ele diria para as musas das araucárias, que frase ele atiraria para estas meninas que caminham pela Rua XV, pelos bosques, estas novas guerreira, estas que não tem medo do mundo, que aprenderam a tirar leite das pedras, que hastearam sua bandeira de liberdade bonita. Esta liberdade que é ao mesmo tempo uma partilha e que faria Vinícius curvar-se ao encanto, ele que era assim, este gentleman, este amante, este querido parceiro que atravessou a vida como se ela fosse um canto. Escolherei poemas de amor e poemas que falem sobre a guerra, pois nada continua mais estúpida e inválida que a bomba... Nada mais eterno que o amor. 
Qualquer hora coloco aqui a notícia completa sobre esta leitura poética que vai me unir em beleza com este grande poeta...







Dois poemas meus integram este: "Ousado projeto, grandioso, como compete a quem empunha a pena do "Luís de Ouro" ( Carlos Drummond de Andrade), "Camões, grande Camões" (Manoel du Bocage) e quer dizer ao mundo as novas armas e os novos varões assinalados que da ocidental praia lusitana; da americana praia brasileira; das africanas praias guineenses; cabo-verdianas, são-tomé-e-principenses, angolanas e moçambicanas; das indianas praias goenses; das chinesas praias macauenses; e das oceânicas praias timorenses; por mares, ares, sites navegados à exaustão, passaram ainda "além da mágoa" e "em esforços e guerras" — com a palavra — "conquistaram" novas formas de expressão." fragmento do prefácio de _Paulo Seben _ Lançamento em Curitiba no início de novembro.