Saturday, March 29, 2014

Festival de Curitiba - Novos repertórios: Do cão fez-se o dia






Fotos: Ana Carolina Lisboa


Minha vida de poeta não permite ver todas as peças de Teatro. Eu disse ao moço no táxi que prefiro o Teatro local e ele concordou. Curitiba, parabéns! Uma cidade com cultura em todo canto. Motoristas de táxi que sabem conversar sobre bandas de rock e teatro contemporâneo. Uma cidade que cresceu à sombra das Araucárias para ser mais forte que a propaganda que impera. Parabéns Curitiba de Miguel Bakun, Maria Bueno, Gilda, Batista de Pilar. Esta cidade plena de parques e vento, com sua etnia escandalosa de tão bela, com sonhos escapando pelas canaletas... Parabéns, Curitiba! Meio ao seu momento de comemorar 391 anos fui assistir a mais uma obra de Arte. Uma encenação que me faz pensar em não esquecer lenços de papel, tomar antes de sair de casa o remédio para hipertensão, só mesmo oMarcelo Bourscheid para lavar toda a minha intolerância à canções do Roberto Carlos. Hoje está lotado, não há mais chance de conhecer esta inominável Peça de Teatro, talvez por isto seja este o nome da Companhia. A Inominável Companhia de Teatro entrou em cada pessoa da platéia com a mistura de som, imagem, fala, performance e monólogos. E tive que segurar soluços. Não vale! Não vale tirar todas as camadas das pessoas, fazer o coração ser parte daquele palco, enfeitiçar tudo, fazer tudo ser uma menina bonsai, um menino que se refugia nos livros, um avô que ama com inominável ternura, uma mãe que sente saudade de ser cantora de bar. Acho que em Agosto retorna, e acho que vou ver outra vez. Ontem lotou e hoje já está lotado... A Inominável Companhia: Teatro com T maiúsculo com o drama - Do cão fez-se o dia. Valeu mesmo...


Do cão fez-se o dia - Mostra Novos Repertórios - Fringe.

Um canto de esperança para um mundo em ruínas. A História de um País em guerra ou, talvez, o delírio de um menino que busca nos livros e nos sonhos as chaves para suportar a dor. Uma dor inventada. A dor do primeiro amor. Há um menino. Porque ele sonha. Ele não sofre. Por que ele sonha. Não há guerra. Porque ele sonha. Ele tem uma namorada francesa. Chanson d'amour e Roberto Carlos. Ele tem uma irmãzinha ruiva, por que ele sonha, ela não é adotada. Ela não foi gerada em um estupro de guerra. Ele não precisa cuidar de uma família na qual todos vivem em um tempo congelado, no tempo em que a guerra era só uma matéria a se decorar nos livros de História. O menino sonha, e porque ele sonha, essa peça existe. Uma peça livremente inspirada no universo literário de Valter Hugo Mãe.

Elenco: Fabiane de Cezaro, Lilyan de Souza, Lucas Buchile e Rafael de Lari. Texto: Marcelo Bourscheid. Direção: Lilyan de Souza e Marcelo Bourscheid. Partipação especial: Jossane Ferraz (como Namorada Francesa).