Friday, October 24, 2014

poesia em tempos grotescos



Emily Blunt e Ewan McGregor no filme - Amor impossível





A saudade leva-me a pescar momentos
Qual o pescador ao peixe sonhado
As horas pescadas no rio da memória
Valsam serenas

(Brilhantes escamas cintiladas)

Bárbara Lia
(o sal da primeira onda)

Wednesday, October 22, 2014

"Respirar" por aí...




A poeta Isabel Furini publicou dois poemas de "Respirar" em sua coluna no site "Paraná Imprensa"> Muito obrigada pelas palavras  e pelo espaço. A Poesia segue...

Link para a matéria na coluna da Isabel Furini:


Saturday, October 18, 2014

poema inédito de um livro em construção






deus e o mar de aran
branco raivoso - ireland’s tides
indomável deus rebeldia bruta
que açoita rochas e crianças
deus tem um elemento de amor
este elemento raro
fecundado em chão de algas
clama sóis e estações gentis
e paciência e força
na terra onde cadáveres repousam
não nasce amor
esta matéria ignorada
necessita oceanos montes e atrito
amor é semente de angústia
que floresce em estrelas
– de céu mar e pedra -
centelha de cassiopeia

Bárbara Lia 



Vi um documentário - O Homem de Aran: Em uma ilha da Irlanda uma pobre família de pescadores sobrevive em uma árida paisagem e a despeito das dificuldades diversas a família se mostra unida, no plantio, na pesca, sob tempestade.
O poema acima escrevi no dia que vi, ele engendrou um livro que é uma novela escrita em forma de poesia, por ora é isto que posso contar... O homem de Aran foi filmado em 1934 por Robert Flaherty...



“Por meio do cinema eu me esforço em dar a conhecer um país, assim como as pessoas que aí vivem. Esforço-me em torná-las as mais interessantes possíveis sob seu aspecto mais autêntico. Só me sirvo de personagens reais, de gente que vive no local filmado porque, ao final das contas são, realmente, os melhores atores. Ninguém é mais expressivo que os irlandeses, neste domínio, incontestáveis. Os negros, tão espontâneos, possuem o próprio natural, assim como os polinésios. Mas existe um germe de grandeza em todos os povos e cabe ao autor do filme descobri-lo: achar o incidente particular ou mesmo o simples movimento que o torna perceptível. Penso que os filmes dramáticos um dia serão feitos dessa maneira.”       (Robert Flaherty)

Monday, October 13, 2014

Sobre uma fotografia de Emily Dickinson



Passei uma tarde olhando a tua foto, a foto no livro. A mesma foto em todos os livros:

"Eu gostaria de poder usar um manto e uma coroa, pois “tenho para mim anseios imortais” - foi o que a Rainha Cleópatra disse depois da morte de Marco Antônio. O senhor gosta de Shakespeare? Considero Shakespeare o único livro necessário.
(...)
Parece algum aparelho de tortura sobre o qual Alexandre Dumas escreveria... Suponho que se amarre o corpo para que a alma não voe. Já observei os retratos de outras pessoas. A vida foge deles imediatamente. Nesse aparelho vou parecer morta, como a imagem de uma pessoa sem cérebro. O que é importante é ver o semblante da Alma, não os joelhos do Corpo. Foi bobagem minha vir. Mas, por favor, diga-me como posar. Não quero ser grosseira."
Também detesto este instante e tenho sido acossada por ele vida afora. Em tudo invejo o teu caminho - viver e quase passar em branco por este crivo, o rapto da alma. O moço saiu com a tua alma impressa nele, pensando na tua conversa, no Niágara de interrogações e Arte que despejastes enquanto ele te ajeitava ali - braço direito apoiado na pequena mesa, na mão esquerda um pequeno buquê e o olhar de cervo atingido por um raio. Teu olhar de animal rebelde. Ele deduziu, ao ser acossado por sua imensa paixão e por tudo, que entre tantas meninas vitorianas, eras, talvez, a única capaz de amar um homem... E que não se admiraria se teu nome brilhasse diante do mundo.
Bárbara Lia
(o sal da primeira onda)
O texto entre aspas é do livro "Nunca lhe apareci de branco" - de Judite Farr

Monday, October 06, 2014

+ Respirar






Canto Sagrado de Estrela & Flor

A fala tensa do teu desejo sufocado
A evocação da branca flor convexa
Poética réplica de Apolo - Amado!
Teu desejo oculto neste fog imaculado
Saltou - sem cerimônia - na noite branca
De corujas cínicas a ciciar: - Sim!
A esta evocação - doçura e lâmina -
Dissolvo-me. Nunca venhas para mim...
Nunca venhas para minha cama
Sonhar abrigar tua carnadura em flor
Espatifou os átomos do meu corpo -
Quem há de suportar tanto amor?
Flor rósea côncava entorpecida
Corpo cravado no absoluto iluminado
Então é isto - Estar ao teu lado?
Deus extraiu-me da tua esquerda ilharga
E se voltar a ti vou me transfundir em blues
Como uma estrela feliz que volta para casa
Bárbara Lia
Respirar/2014
da séria "uma mínima estrela"
página 93