Tuesday, February 24, 2015

Um poema antigo



Uma canção de amor para Bobby Long




Plantei
Três sementes
De delicadeza
                                              
Devo dar-te uma flor
Quando o umbigo florir
Bobby Long! 

Inverno de capim rosa
E poemas profanos
O diálogo invisível
Os teus arroubos
O meu sonho estranho
Remember, Bobby Long?

Quero o vento no capim-rosa.
Cobrir com lágrimas
A fissura que cortou nossa beleza.
Regresse chutando a porta
(como é teu hábito)
Alçando alto
Tuas asas indignadas

Chute a mesa
O balcão
Chute o chão
As nuvens
Bíblia
Alcorão

Rasgue de novo
A pele do meu coração
Pesque a lágrima que é só tua
Que é só minha...
Tantas lágrimas,
Bobby Long!

A gangorra do espanto alinhada
A linha estendida onde só cabem nossos pés

Nesta cena só cabe nosso sangue e suor.
O que fazem estranhos a dirigir nosso drama?
Rindo do meu amor mais dolorido que novena?
Marionete rebelada
Corto os barbantes, revoltada.
A cena é minha
O amor é meu
Meu medo é teu
Tua dor é minha
E quando tudo explode
É pra você meu grito e sal

Plantei
Três sementes
De delicadeza

Quando a flor florir,
É tua
Bobby Long

As flores nascem no umbigo
Regadas de sêmen/orvalho
À revelia dos lúcidos

Bobby Long

Bárbara Lia
Jardim Nonsense
21 gramas 2014