Wednesday, December 02, 2015

a voz do rio é doce

 
     imagem - Gabriel Lordello/Mosaico Imagem




não é da natureza do rio matar envenenar
é do homem a toxicidade - âmago pútrido
não é da natureza do rio levar por milhas
o fim das plantas, da vida, do encanto...
não é desejo do rio sangrar lentamente
e o sangue do rio é a terra líquida – lama
não é comum ao rio desaguar tão triste
escurecer o reino das nereidas e netuno
(aqui no sul tudo vai inundar em lágrimas
anjos choram todo dia com hora marcada
não é chuva, os poetas e meninos sabem)
pobre é quem enrijeceu aço dentro e vai
corrompendo natureza olhos de cifrão
$ $ luz apagada na alma oleosa escura
e seguimos nadando na marrom amargura
um rio cidades pessoas um país e seu mar
a lama expande metafísica, e mata e mata
agora que tudo eclodiu segue o apocalipse
agora é o momento de escancarar entranhas
matar meninos prender meninos – a derrocada
breve não nos surpreenderemos com mais nada...



Bárbara Lia