Sunday, June 28, 2015

Era uma vez...





Era uma vez... O homem
Quanto mais horizonte
Maior dor e servidão
Cada estrela que nasce
Uma muralha no chão
Diante de raras telas
A negar pentimentos
Olhar primário e tosco
Sem deslumbramento

Era uma vez... O homem
Milênios descartados
A ouvir qualquer "profeta" da laia
Deste Silas Malafaia

Era uma vez... O homem
Afogado no limbo pequeno
Bebendo auroras descartadas
Tendo ao alcance dos dedos
O maravilhoso mundo inacabado

Bárbara Lia​

Sunday, June 21, 2015

Poesia!

Louis Garrel - Les Amants Réguliers


O nome do amor é silêncio




Do you believe in Love?
A frase na ponta da língua
O beijo na superfície dos lábios
O “eu te amo” suicida no olhar
O pátio enrijece um andar abaixo
Até as pedras sabem:
 - O nome do amor é silêncio -

Não esqueça jamais!

Bárbara Lia


Wednesday, June 17, 2015

O que é a Poesia?



O escritor Carlos B. Carlos, radicado em Belo Horizonte, criou uma página - O que é a Poesia?
Minha participação no link:

http://oqueeapoesia.blogspot.com.br/

Portugal!



Alguns sites de Portugal deram destaque ao resultado da primeira edição do Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz. Vou colocar os links.
Fiquei muito feliz com esta menção honrosa.
Normalmente meu ano literário começa na metade do ano. 
A tradição reinaugura isto.
E começa com esta notícia incrível.
Mais um ano.
Uma Antologia (Jornal Relevo)
A possibilidade de um novo livro de Poesia ainda este ano.
Algum evento que está em andamento e que será incrível.
E este destaque para o meu romance inédito - As Filhas de Manuela.

Notícias sobre este Prêmio Literário:






Saturday, June 13, 2015

As Filhas de Manuela (o itinerário)




08 mulheres
cada uma delas ganhou um capítulo seu
Nina destoa e não ganha um capítulo seu
Nina é a nona desta novena surreal e dolorida
Nina é irmã de Magnólia e filha de Milena
As mulheres todas com nomes iniciando com a letra M
Cada capítulo abre com um verso de Sylvia Plath
Cada personagem tem um cenário que a liga ao seu destino
Inicia em 1839 em plena Revolução Farroupilha
E termina na Ilha do Mel há menos de uma década...
Escolhi alguns títulos, e quase fui à loucura
Desde - Os amantes do grande mar redondo, até maldição borgonha...
optei por - As filhas de Manuela - pois é a saga das mulheres de sua descendência...


Os capítulos e os versos de Plath são estes - na devida sequência...


Manuela 

Grande Mar Redondo


_
Sobre mim passam, com a sua cacofonia, os corvos em bando negro.
Sylvia Plath


*
Miquelina

Convento de Santa Tereza

_
Tudo ameaça
Deixar-me ir por um céu
Sem estrelas e sem pai: uma água negra
Sylvia Plath

*

Maria Tereza

Barco Bêbado da Boêmia

_
Uma flor abandonada.
Os meus ossos absorvem a quietude, longínquos
Campos enternecem meu coração

Sylvia Plath

*

Milena

Trens Triturando Trilhos

_
As fontes secaram. É o fim das rosas
Sylvia Plath

*

Magnólia

Saveiro de Savério
A garra
Da magnólia
Por seu próprio nome entorpecida
Não pede nada da vida
Sylvia Plath

*

Maya

Ponte Neuf ao entardecer

_
A chama chora
O cheiro inconfundível de um toco de vela
Amor, amor, a fumaça escapa de mim
Como a echarpe de Isadora
Sylvia Plath

*

Mel

O chafariz das musas

_
Sofri a atrocidade dos poentes
Queimada até às raízes
Meus filamentos ardem e ficam
Emaranhado de arames
Sylvia Plath

*

Morena

Forte da Ilha do Mel

_
Numa fenda de rocha
O mar suga obsessivamente,
Uma cavidade de todo o mar.
Do tamanho de uma mosca,
A marca do destino
Rasteja muro abaixo.
Sylvia Plath


O livro fala sobre a maldição que um homem encolerizado lança sobre Manuela, que faz com que todas as suas descendentes levem pela vida uma sombra cor de sangue, e o destino de perdas de pessoas que amam. Como esta maldição afetou e como cada uma delas enfrentou esta particularidade faz com que o livro tenha micro-histórias em um encadeamento que deságua no cenário do início, a história começa em Paranaguá e termina na Ilha do Mel que se localiza ali, em Paranaguá, nosso Grande Mar Redondo.
Foto by Jean Chad

Outono mais lindo...

Nesta semana que finda, deste outono raro, nadando nesta bruma, voando sem asas, um instante pra abraçar o ar, dançar. Dançar ainda que o pé não obedeça ao comando, alguma coisa em mim - inevitavelmente - traria esta rebeldia que não obedece ao comando. Alguma coisa em mim segue como barca em mar rançoso a um passo do abismo. Alguma coisa em mim insiste em ter vinte anos - ainda - e toda a audácia de ser céu. Alguma coisa em mim ignora o relógio e ousa inverter ponteiros, recomeçar o jogo já perdido. Alguma coisa em mim vibra em uma semana mágica, onde uma mente brilhante elevou-me aos patamares de humanidade repartida, em uma conversa incrível, tão incrível que somos expulsos do café, todas as mesas vazias, todas as cadeiras reviradas e apenas nós, com desejo de falar até que o mundo termine, pois existe um lugar onde as similaridades se tocam e a vida reinaugura uma fatia de um jardim perene, um amigo nasce no outono fecundado de esperanças. Uma semana para retomar os fios, comemorar com os velhos amigos com uma ferramenta íntima, onde só os amigos se cruzam em infinitas palavras, obrigada aos que atravessaram outonos vários e são os velhos amigos desta  trilha íngreme e rara chamada Poesia. Uma semana no outono onde um livro tem um sim de um editor... Outro livro se destaca além-mar, um poema da série - O céu dos poetas - ganha um lugar na Antologia de 5 anos do Jornal Relevo. E encerra com a consolidação de um convite para levar a poesia aos lugares... Uma semana onde você consegue retomar o ritmo da escrita perdido entre mudança, dor, médicos e solidão de ser poeta rebelde. Agora é preparar a virada, o semestre que virá com novos frutos, novas alegrias.

A insônia da alma






Alma bebe café?
Tem insônia?
Corpo cansou do café
Noites de insônia
A seco...
Alma quer dormir
Corpo boicota
Pálpebras pesam
Guilhotina desregulada
Degola o nada
Alma quer diluir
Corpo quer fluir
As corujas assistem
Ao debate corpo e alma

Com seus olhos chá de hortelã

Bárbara Lia

Na fotografia: Ana Cristina Cesar

Friday, June 12, 2015

As Filhas de Manuela - Bárbara Lia




"Grande Mar Redondo.
Pernaguá.
Paranaguá.
Baya de La Corona de Castilha.
Vila de Nossa Senhora do Rocio de Paranaguá.
Vento.
Ar branco da solidão.
Manuela congela as mãos na bacia de bronze e vê a cor rosácea do dorso das mãos como se um fogo brando a cobrisse a cada manhã quando lava as roupas nos fundos da casa. Nas manhãs percorre a distância entre a casa e o riacho, calmamente entre os cascalhos barulhentos, e sente a delícia de estender o corpo por alguns minutos na grama macia ao lado do rio pequeno que corta o fundo da propriedade. Ama aquela tarefa que a afasta da casa e da bagunça dos irmãos. Seis irmãos homens e ela, só ela de mulher. Única Flor. Filha deslocada entre o bando de meninos. Sempre incomodada onde quer que esteja - na casa, na venda, na pequena Igreja onde a mãe deita a novena no vácuo das paredes rudes acompanhada por uma ou duas senhoras que rezam por seus maridos e filhos - marinheiros atirados ao mar. O último dia de novena foi repleto de uma só palavra – Julião. O Julião Preto. O filho da Maria do Amparo Preto. A mulher que esperava pelo rebento extraviado que viria lá dos confins da costa do País. Desceria em uma embarcação pelo mar rançoso, chegaria com seus olhos - que a mãe dizia – de esmeraldas. Sentiu um arrepio ao perceber a amarração que faziam da sua vida e a do marinheiro desconhecido nas entremeadas contas a valsar entre os dedos – sua vida e a vida do moço - entre uma e outra Ave-Maria."
Bárbara Lia
As Filhas de Manuela
Menção Honrosa no Prémio Literário Fundação Eça de QUeiróz
Imagem - Paranaguá - Jean Baptiste Debret – 1827

Wednesday, June 10, 2015

"As filhas de Manuela" Menção Honrosa no "Prémio Fundação Eça de Queiroz"



Meu romance inédito - As Filhas de Manuela - recebeu Menção Honrosa na Primeira Edição do Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz, em Santa Cruz do Douro - Portugal.

O sonho era publicar um livro em Portugal. Era esta a busca. Vivo nesta balança prosa/poesia. Sempre que alguém diz que devo me concentrar na Poesia, eu lembro aquela menininha de doze anos com aquele pensamento quase-matéria que queria apenas, e sonhava tanto capturar alguém como era capturada pelas histórias que lia. Achava tão incrível alguém compor um livro, e te sugar pra dentro de um enredo, fazer sonhar outras vidas, levar a caminhar outros espaços, eu sabia - Eu queria compor enredos. Meu sonho de romancista foi arquivado, e a Poesia foi quem me apresentou ao mundo, quando adentrei a vida Literária. Mas, eu preciso respirar fundo, e não deixar a prosa esquecida. Procurava o resultado do Prémio Fundação Eça de Queiróz. Não eu não fui a escolhida. Mas, o juri atribuiu menção honrosa para o meu romance "As filhas de Manuela". Viva! A notícia é da tarde de hoje:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/escritor-eduardo-cesar-venceu-o-premio-literario-fundacao-eca-de-queiroz-1698523

Tuesday, June 02, 2015

Flor inacabada






hora de acabar todo o inacabado
os poemas aos milhares
os amores às dezenas 
os teares empoeirados
os livros abandonados
com marcadores – rubros – aos gritos:
— leia! por deus, leia
hora de acabar todo inacabado
arriar a abóboda do céu
e desnudar o sol
- que tudo arda!
degelar canteiros
ver germinar toda flor
nada dói mais
que uma flor inacabada, amor
imagem - tina modotti