Wednesday, December 30, 2015

Tempo de Prosa




Envio nesta postagem um abraço forte e o desejo de que 2016 traga muita saúde, paz e alegria.
Que 2016 seja mais sublime e pleno de levezas.
Encerro o ano literário com este link para o site Mallarmargens que publicou fragmentos do meu romance inédito "As Filhas de Manuela".

Sinopse de "As Filhas de Manuela":

Século XIX, a Revolução Farroupilha fervilha e obriga a Coroa a enviar soldados para o sul. Um homem da Armada Nacional, em passagem por Paranaguá, conhece uma garota e o amor dos dois vai desencadear eventos dramáticos. Uma epopeia feminina que gira em torno de uma maldição que passará de mãe para filha, em uma cadeia inusitada onde o laço de sangue não é o essencial. Onde o essencial é a herança da alma. As descendentes de Manuela são protagonistas desta saga e cada qual desvela sua personalidade, com leveza e graça e o estranhamento de trazer uma sombra da cor do sangue. Ambientado de 1839 aos dias atuais, com cenários que vão de Paranaguá ao Rio de Janeiro, passando por Paris e por Arraial D’Ajuda, um mosaico de vidas que insistiram nesta tal felicidade, sem pieguice ou fantasias, e em amores distanciados dos contos da carochinha. Um enredo quase surreal – Realismo Mágico - onde um homem amaldiçoa uma mulher e toda a sua descendência, com ódio tão extremo e com o desejo de que todas sofram tanto que até suas sombras sangrem. É a narrativa de como elas lidaram com esta absurda herança.



Tuesday, December 29, 2015

Que 2016 seja um menino a nos guiar além do nevoeiro...



Este poema começa com um menino
Com um menino cantor sobre uma barca
Com uma barca que corta a água e o nevoeiro
Com um nevoeiro adensado por árias
Com árias do folclore polonês em uma voz em flor
Com uma voz em flor de um menino em uma barca
Este poema termina com um menino
Com um menino cantor sobre uma barca
Com uma barca que corta a água e o nevoeiro
Com um nevoeiro adensado por árias
Com árias do folclore polonês em uma voz em flor
Com uma voz em flor de um menino em uma barca
Bárbara Lia
Imagem - Koncert Morski - Tadeusz Kantor...

Tuesday, December 22, 2015

as horas esmagadas





f
r
a
n
c
e
s
c
a


w
o
o
d
m
a
n


*







há uma cicatriz em cada osso metafísico
em antecipada oferenda (as horas esmagadas)
nem é mais coração esta máquina que pulsa
é um mús
culo estirado pisoteado
à espera da rebeldia para entornar a água mentirosa
ser feliz sem trucidar a rosa arquivada
à direita da dor colho esta última flor
e deságuo no território onde não existe...
machado que fere sândalo
flor esmagada pra colher perfume
doação a que nem se importa
se você está viva ou morta

Bárbara Lia

Sunday, December 13, 2015

o rei das vozes enterradas - marcelo ariel




Um dos mais expressivos poetas do nosso tempo. 
Ler Marcelo Ariel para rasgar o ziper deste curitibano céu cinzento e tocar o sol. Se hoje o sol real não brilhar, um sol metafísico vai invadir o ser. Amado amigo que adoro ler, o livro chegou. Gaveta de Guardados - Traduçao/Traição. Um poema escrito aos 17. O Hino Nacional Brasileiro em Tupi. Uma tradução/traição de um poema de Emily Dickinson... E muito mais...
É preciso purificar-se para adentrar um livro de Marcelo Ariel, lavar o olhar do que é supérfluo, e adentrar docilmente na "luz da aura real'", deste poeta abissal, que me encanta há muito tempo, desde que li seu - tratado dos anjos afogados. 
A poesia segue.
Evoé.

O rei das vozes enterrada
80 p.
orelha de Vicente Franz Cecim:
Editora Córrego

Wednesday, December 02, 2015

a voz do rio é doce

 
     imagem - Gabriel Lordello/Mosaico Imagem




não é da natureza do rio matar envenenar
é do homem a toxicidade - âmago pútrido
não é da natureza do rio levar por milhas
o fim das plantas, da vida, do encanto...
não é desejo do rio sangrar lentamente
e o sangue do rio é a terra líquida – lama
não é comum ao rio desaguar tão triste
escurecer o reino das nereidas e netuno
(aqui no sul tudo vai inundar em lágrimas
anjos choram todo dia com hora marcada
não é chuva, os poetas e meninos sabem)
pobre é quem enrijeceu aço dentro e vai
corrompendo natureza olhos de cifrão
$ $ luz apagada na alma oleosa escura
e seguimos nadando na marrom amargura
um rio cidades pessoas um país e seu mar
a lama expande metafísica, e mata e mata
agora que tudo eclodiu segue o apocalipse
agora é o momento de escancarar entranhas
matar meninos prender meninos – a derrocada
breve não nos surpreenderemos com mais nada...



Bárbara Lia