Tuesday, September 13, 2016





agora eu calo
engulo a alma
embrulho o brilho
da estrela
escondo entre os dedos
- mãos para trás -
todo o sumo
da fruta que sou
agora eu nego
finjo desmaios
desvio olhar
mudo de faixa
dobro a primeira
esquina (pálida)
agora dou cicuta
aos poemas cálidos
mato-os no ventre
rasgo a jugular
do poema afoito
quero ser de novo
a menina calada
que nunca dizia nada
e seguia
- invisível -
o poema apronta
e mostra a minha cara
o poema grita
e usa a minha voz
no fundo
no fundo
o poema
é meu algoz
e então...
eu calo
engulo
escondo
e não morro
não morro
nunca mais



Bárbara Lia 

imagem do filme borboletas negras