Monday, June 27, 2016

para Ana C.








...ausência frequentada sem mistério
céu que recua
sem pergunta

Ana Cristina Cesar



Subir a London Road de bicicleta
Tempo de cartões postais e promessas
Em cada canto do mundo um avião pousa - A teus pés
Como quem se move em um oceano de folhagens
O momento fel acena - céu que recua sem pergunta _
Anula o tratado de delicadeza
Ignora belas meninas nas estações vazias
Uma mala nas mãos e por companhia
Assombro e luvas de pelica



Bárbara Lia
in Respirar ( 2014)

Wednesday, June 22, 2016

Stellan Skarsgård - River



River, inspetor de polícia interpretado por Stellan Skarsgård é alguém que transita em um mundo onde ele não separa os vivos dos mortos. Isto faz dele aquele cara que chama a atenção. Por ser aquele cara que resolve a maioria dos casos, é sempre protegido pela sua chefe. A série começa quando sua parceira Steve morre assassinada. River se abala pelo amor que ele sente por ela. Desvendar o mistério da morte de Steve envolve todos os capítulos da série, e te leva pela mão por um enredo denso, dolorido, pleno de reviravoltas. River não quer ajuda psiquiátrica, ele crê que não vê fantasmas, ele chama de manifestações. 
Algum dia poderei dizer do fulminante impacto que a força deste ator trouxe para minha vida... Algumas vezes um poema, uma canção, um filme,  uma obra de Arte cai diante dos teus olhos para tocar o ponto crucial e trazer respostas... Acho que Stellan Skarsgård deve ter sido este canal de impacto em muitas pessoas pela vida, e penso que ele sabe.
A série está no Netflix: River.
Imperdível.

Sinopse: John River é um  brilhante inspetor de polícia  cuja genialidade está lado a lado com a fragilidade de sua mente. Ele é um homem assombrado pelas vítimas de assassinato cujos casos ele deve desvendar
Com Stellan Skarsgård, Nicola Walker, Lesley Manville...














Stellan Skarsgård

20 de junho

Entrei em estado de Stellan, apaixonada por ele, sim eu me apaixono com a perfeita fusão arte + artista. Fui atrás dos filmes deste deus viking: Stellan Skarsgård. É uma pena que muitos filmes são noruegueses e sem legenda, o que impossibilita. Ainda assim, fica a gratidão por dar de cara com a série River e ver, finalmente, Breaking the Waves. Stellan está em muitos filmes de Lars Von Trier, em todos que vi, por sinal... E acaba de ser eleito o ator mais amado por mim.





21 de junho:

Sigo em "estado de Stellan" e tento ver ao menos um filme dele ao dia, hoje encontrei um filme que é belo, mas com legenda em inglês e um russo falando e obliterando a fala original, todos os personagens sem a emoção do texto e só isto, quem sabe eu consiga ver até o fim...
...
Zero Kelvin - Sem limites: Na década de 20, três homens contratados como caçadores de focas tem que passar um ano de solidão no frio da Groelândia. Um deles é um jovem aspirante a poeta que vivia em Oslo, na capital norueguesa, e que decide largar a namorada para enfrentar a neve. Lá chegando, ele conhece os outros dois homens: um bruto mal-humorado e um cientista caladão. As personalidades distoantes dos três os levam a conflitos dentro de um casebre no gelo, que acabarão por deixar quando o cientista faz uma intervenção decisiva na situação.



Sunday, June 12, 2016

Despedida oficial do Wonka Bar - Vox Urbe - 15/06 - 21h



A noticia do fechamento do Wonka Bar antecipa a nostalgia. Já estou com saudades do palco do porão, das noites de poesia. O Wonka sempre foi um palco possível para tantos poetas e lá vivi noites inesquecíveis... Desde o Porão Loquax que iniciou em 2005 com a curadoria do poeta Mário Domingues. Um projeto lindo que por um tempo trouxe ao palco poetas incríveis de toda parte. Houve aquele hiato, por um tempo a poesia calou no porão, mas retornou com o Vox Urbe e a curadoria do poeta Ricardo Pozzo. Seguimos, com esta saudade que já brota, e com um obrigado enleado em poesia à Ieda Godoy, que abriu este espaço para a Poesia. Embora tudo possa renascer em outro espaço, sempre amei aquele toque de clandestinidade que atou com beleza extremada cada evento ao cenário. O porão do Wonka foi o palco mais poético que pisei, de todos os palcos onde li poemas, em todo estes anos. E eu me sentia em casa no porão do Wonka Bar, foi o que disse a Ieda quando recebi uma mensagem sobre esta última noite de poesia naquele incrível lugar.

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Recuperei um texto meu, que eu realmente não encontro de forma fácil meio aos meus arquivos e papéis, mas consta da monografia do Márcio Davie Claudino (Duas tendências da novíssima poesia Curitibana no alvorecer do século XXI) este texto escrevi para o folder de um dos aniversários do Porão Loquax:
Para alguns poetas em Curitiba o Porão do Wonka Bar acabou por tornar-se uma Confeitaria Richmond, uma London City. Algum dia vai figurar em livros, tal qual a Richmond que Borges freqüentava, ou London City, onde Cortazar escreveu – Os Prêmios. Algum dia será lembrado como o bar onde Maiakovski trafegava entre a fumaça revolucionária, o "Cão Vadio". Ou, o Café "A brasileira", onde Fernando Pessoa vivia.
Quando o poeta Mário Domingues anunciou o projeto Porão Loquax em uma parceria com Ieda Godoy do Wonka Bar, eles atiraram uma semente em um Porão. A poesia nossa de cada dia ganhou um dia sagrado – as terças-feiras. Desde a primavera de 2.005 o Projeto Porão Loquax segue dentro de sua linha independente. Em seu palco estiveram músicos, atores,poetas, escritores... Com uma doçura anárquica os idealizadores nunca rebaixaram o nível da Poesia. Este momento é único, passa longe das escolhas afetivas que permeiam algumas instituições, sem se preocupar com apadrinhamentos ou qualquer outro tipo de atitude que pudesse figurar um mínimo de discriminação. Os poetas encontraram um palco, um espaço para suas poesias, músicas e interpretações. Totalmente poético, o Porão surgiu como um lugar de resistência, que se faz necessário manter, para que a poesia se aloje definitivamente,com toda a sua bagagem e seus resistentes, com toda a sua contradição, sedução, brilho que só ela contém.



Porão Loquax
Cantos Bárbaros  (2006)
Melina Mulazani
Leitura de poemas do livro Noir


Painel com poemas de alguns poetas em uma exposição no porão
a arte é de Brenda Santos



Porão Loquax
O sal das rosas
2007



Lançamento do livro - A última chuva
Porão Loquax 2007
Noite de lançamento de três poetas
Márcio Claudino, Rodrigo Madeira e eu
Gabriela Caramuru lê alguns poemas do livro







Em 2007 selecionei poemas para uma homenagem a Sylvia Plath - 
'SYLVIA E O FALCÃO"
Porão Loquax
Um registro da homenagem à Sylvia Plath: 
Carolina Maia e Andrew Knoll 



C2H2 - Musas de Acetileno
Vox Urbe
Direção Geisa Mueller
Eu e Geisa Mueller no palco do Wonka Bar




Thursday, June 02, 2016

Inverno / A noite se foi ou o celibato do superman - Teuni - Teatro - Curitiba




foto: Vitor Dias

Aniversário de Ana C.


Ana Cristina Cesar
Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983




Século passado, estava na biblioteca do MUMA e à procura de poesia para ler meus olhos e mãos foram puxados para um exemplar de - A teus pés - foi esta a manhã que me revelou Ana C. 

Sai procurando livros e poemas de Ana Cristina Cesar, eu estava começando a escrever (na metade da minha vida) e ela havia começado quando aprendeu a falar. Sempre me assusto quando penso que ela é apenas três anos mais velha que eu. Eu sempre toco a delicada sensibilidade da essência de uma pessoa que de tanta vida preferiu a morte... Eu digo pessoa por estar cada dia mais machucada com tanta guerra entre os sexos, e abraço uma humanidade despida de sexo e penso nas coisas que podem ser iguais, na possibilidade de uma trégua e um lugar onde ser sensível não seja sinônimo de fraqueza. Eu mesma estou retalhada n'alma e ainda sustento o mundo com a ponta de um dedo e sempre pensei que o desmoronamento das possibilidades é que joga contra o paredão alguns poetas, Penso nisto quando evoco Sylvia Plath e penso nisto quando lembro Ana Cristina. A leveza dela permanece, como o fog de Londres, como as nuvens que a acompanhavam enquanto ela pedalava em alguma rua do mundo, 
O ofício do poeta é pensar, é digladiar com o mundo e nesta guerra alguns decidem que esta merda de mundo não vale a pena, e eu acho que a liberdade de viver ou morrer não macula nada. Pensar, tocar as arestas sangradas, sofrer... Meu neto tem apenas seis anos e já me disse um dia: você pensa demais... É o que fazemos, e pingamos pensamentos como quem quer entender o que ninguém entende, Há metafísica no ar, Então, não peçam para descartar a metafísica, Não sou o Esteves do poema Tabacaria... 
Mas, isto não importa... importa que há algumas décadas nasceu uma poeta que aprendeu bem cedo que é a palavra a nossa arma de guerra, para a vida e para a morte.