Monday, October 31, 2016

Forasteira na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre

Algumas imagens da minha passagem pela Feira do Livro de Porto Alegre dia 30 de outubro, lançamento do livro Forasteira e participação no recital dos autores Vidráguas: Em verso e prosa, almas ruidosas.
Obrigada à editora Carmen Silvia Presotto por acatar o livro e ir além de editar um único livro, a partir dele criar  uma nova coleção (VentreLinhas) de poesia escritas por mulheres, novidades no próximo ano. Ao meu amigo e irmão de alma Fernando Koproski, pela apresentação tão única e especial para mim. Ao Adriano do Carmo Lima responsável pela Arte Final do livro e a todos que acompanharam este processo que originou o meu oitavo livro de Poesia. Grata aos amigos e poetas de Poa que seguem ao lado - sempre. Foi uma bela e rica experiência.

Com Fernando Ramos, Carmen Silvia Presotto e Miriam Gress

Com Carmen ao lado de Quintana e Drummond
Com Carolina e Felipe 
Carmen Silvia Presotto com o escritor e jornalista Paulo Mota





O poeta Julio Alves, Carmen e eu


Reencontros - Sidnei Schneider - grande amigo.




Cristina Macedo 


Felipe e Carolina - encontros que a poesia proporciona 





poeta e jornalista Maria Alice Bragança

A poeta Berenice Sica Lamas lê um poema de Forasteira no encerramento do Recital


poeta Adriano do Carmo Lima, responsável pela Arte Final de Forasteira

Durante o recital: Em verso e prosa, almas ruidosas. Apresentação dos autores
Vidráguas, lendo poemas de Forasteira, ao lado da editora Carmen Silvia Presotto


As Forasteiras



Recebendo a visita da poeta Sandra Santos

RaimundA



Participo desta edição especial - escrita por mulheres - uma belíssima publicação, uma grande alegria ser parte deste momento RaimundA



"Hoje, vamos celebrar todas nós, as Beyoncés, as Angelas Davis, as Mc Carols, as Judith Butlers, as Sylvia Riveras, as Conceições Evaristos, as Sofias Faveros, as Hilda Hilsts. Beauvoir escreveu O Segundo Sexo se perguntando uma só pergunta: “O que é ser mulher?”. Obrigada a todes por essa jornada que ainda mantém essa pergunta aberta." 

Link para a edição Inverno/Primavera 2016:




Thursday, October 27, 2016

soneto para ninar a selvagem em mim .



há seis décadas luto como uma menina
na rua no quintal e numa velha campina
lado a lado com o amor sem dar propina
sem medo e só com o que a vida ensina


dá-me o ombro magro e, suave, me nina
em alguns dias cansa ser quase heroína
rasga meu peito pra arrancar alma felina
deixa o sol bater com o fogo que calcina

lava minha fúria para que mude esta sina
diga-me suave: - quem ama não domina!
cuida que eu abandone esta adrenalina

de viver a roubar o sol em cada esquina
quero um beijo eterno - tua boca fascina
quiçá o tempo que resta seja - purpurina

Bárbara Lia

Sunday, October 23, 2016

"Forasteira" sob o olhar do poeta Koproski


(fragmento da apresentação do livro)

Bárbara é minha irmã por parte de pai. Ainda que hoje ela negue veementemente isso, e diga que é filha do seu Ladercio com a dona Patrocínia, tenho certeza que ela é filha do Vinicius de Moraes com a Florbela Espanca. Daí vem nosso parentesco. Só não me perguntem como meu pai Vinicius pode ter tido em agosto de 1955 uma filha com a poeta Florbela Espanca que uns dizem morreu em 8 de dezembro de 1930... Esse tipo de coisa não se explica, pelo menos não no nosso mundo. Mas é o tipo da coisa mais natural que pode acontecer no mundo de Alice. No país das maravilhas, de onde ela veio, deve haver uma centena de explicações razoáveis para que tal encontro aconteça. Posso até imaginar essa e outras questões, completamente plausíveis na boca do Chapeleiro, enquanto ele toma um tradicional chá das cinco com a Lebre de Março. Enfim, mas não é de Alice que falamos aqui e sim de Bárbara. Embora a menina Bárbara, na seção que abre este livro, intitulada “a menina de sua mãe” guarde muito da menina Alice, dançando entre assombros e deslumbramentos, em seu percurso de descobertas pelo país das maravilhas que é a infância. Sim, a infância é este país de saudades doces onde a menina poeta se inaugura em versos e se descobre num mundo de magia, afetividades e delicadezas. A magia da poesia, nessa instância é regida pela beleza, ternura e o mais puro encantamento (naquele tempo eu colhia o sol mesmo nos dias cinza). Não à toa, a autora quando encontra a ternura revisitada na fase adulta, a abraça de forma irreversível, pois sabe o valor que ela tem e, sobretudo, compreende a raridade e a preciosidade que há nessa ternura em tempos de caos e decadência: quando alguém rasga uma nesga de humanidade terna/ você quer sugar esta veia/ comer pelas bordas a pessoa inteira/ guardá-la em ti de todas as maneiras
(...)

Fernando Koproski


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Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 22 de janeiro de 1973. Publicou os livros de poemas: "Manual de ver nuvens" (1999); "O livro de sonhos" (1999); "Tudo que não sei sobre o amor" (2003), incluindo CD que apresenta leitura de poemas na voz do autor e temas musicais compostos por Luciano Romanelli; "Como tornar-se azul em Curitiba" (2004) e "Pétalas, pálpebras e pressas", livro premiado com publicaçãopela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (2004). Pela editora 7Letras, publicou a trilogia "Um poeta deve morrer", composta pelos livros: "Nunca seremos tão felizes como agora" (2009), "Retrato do artista quando primavera" (2014) e "Retrato do amor quando verão, outono e inverno" (2014).

Como tradutor, selecionou, organizou e traduziu as AntologiasPoéticas de Charles Bukowski "Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém" (7 Letras, 2005), "Amor é tudo que nós dissemos que não era" (7 Letras, 2012) e "Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça" (7 Letras, 2015), bem como a Antologia Poética de Leonard Cohen "Atrás das linhas inimigas de meu amor" (7 Letras, 2007).

Lançou o CD Poesia em Desuso, registro ao vivo do recital que fez com o músico e compositor Alexandre França, apresentando poemas autorais, traduções e sua parceria musical, em 2005.

Como letrista, tem composições gravadas por: Beijo AA Força no CD "Companhia de Energia Elétrica Beijo AA Força"; Alexandre França no CD "A solidão não mata, dá a ideia"; Casca de Nós no CD "Tudo tem recheio"; e Carlos Machado nos CDs "Tendéu", "Samba portátil", "Longe", "Longe ao vivo" (DVD), ""Los amores del paso" e "Bárbara".


SOBRE O LIVRO:

Forasteira
Bárbara Lia 
80 páginas
Coleção VentreLinhas
Vidráguas - Porto Alegre


Forasteira na livraria virtual vidráguas:

https://www.facebook.com/vidraguas/app/206803572685797/

Saturday, October 15, 2016

VentreLinhas




VentreLinhas
por Bárbara Lia


Um livro é uma espécie de corpo. Tece-se, como os recém-nascidos que só vemos quando está completo o ciclo da gestação e eles rompem tudo e se materializam diante de nós. Percebo isto depois de lançar alguns livros e de passar grande parte do meu tempo organizando esta enormidade de poemas que escrevo há uns vinte anos. Meu novo livro – Forasteira - traz em si a essência fêmea. Busquei uma imagem de mulher para a capa: a imagem do grande Egon Schiele  (seated woman in underwear). Há algum tempo o meu amigo Fernando Koproski disse do seu desejo de escrever a apresentação de um livro meu. Lembrei-me disto enquanto finalizava o livro e enviei para ele a epopeia forasteira. Mais de uma década de amizade e, senti-me honrada, abençoada e privilegiada por ter recebido aquela declaração linda de irmandade poética que é a apresentação do livro. Fernando afirma que somos irmãos por parte de pai. No mundo poético, onde tudo é possível, sou filha de Florbela Espanca e Vinícius de Moraes, ele diz. Foi o toque de leveza, e de beleza, que fechou o ciclo e a saga de – Forasteira.
Uma tarde, recebi uma ligação da editora Carmen Presotto - poeta que batalha dia a dia pela divulgação da poesia e que conheci em uma manhã de sábado em Porto Alegre, na edição 2010 do Festipoa. Ao telefone, Carmen estava entusiasmada e eu até podia tocar a euforia do novo quando ela disse que Forasteira inspirou uma coleção e o título da coleção seria VentreLinhas. A coleção abria com meu livro e seguiria com a edição de poetas mulheres que escrevem na página Vidráguas. A coleção teria sempre uma capa com uma imagem feminina. E, cada livro da coleção traria um homem apresentando os poemas. Nada mais natural que se chamasse VentreLinhas. Todo livro nasce de um ventre metafísico e isto independe se de homem ou de mulher.
A razão de uma coleção de livros escritos por mulheres? Se o mundo todo colocasse homens e mulheres lado a lado, sem distinção, dispensaríamos as coleções para mulheres, as antologias só de mulheres. Quando pensamos – igualdade – não se inaugura, ao redor, a igualdade em tudo. Não há divisão de sexos na Arte, pois a alma da beleza não tem sexo. Não se pode ignorar, no entanto, a disparidade de atenção que a escrita das mulheres recebe em relação à escrita dos homens. Creio que este estigma da desigualdade demora a ser varrido totalmente, ainda. Está impregnado, é preciso lutar, seguir, e – colocar-se ao lado dos homens - para que o futuro dos textos (em prosa e verso) escritos por mulheres. tenha o mesmo olhar e as mesmas oportunidades. Enquanto isto é preciso quebrar a desigualdade com coleções e antologias. Por isto, saber desta coleção me deixou bem feliz.

Longa vida à coleção VentreLinhas.


link para a loja vidráguas 

Wednesday, October 12, 2016