Tuesday, November 29, 2016

poema na revista gueto




A Revista Gueto é uma nova revista literária, editada por Jerome Knoxville e Amanda Sorrentino. Hoje a Gueto publicou um poema do livro "Forasteira", no link abaixo


https://gueto.wordpress.com/2016/11/29/poema-stitulo/

Thursday, November 24, 2016

algumas poesias no Paraná Imprensa




"Com seriedade e profundidade Bárbara Lia foi trabalhando o seu estilo até chegar à maturidade literária. Seus livros de poesia possuem técnica e essência." 
Isabel Furini publicou poemas meus lá no Paraná Imprensa. Gracias Isabel

link para os poemas:

http://www.paranaimprensa.com.br/isabel-furini-poesias-de-barbara-lia/



Thursday, November 10, 2016

De Amor e Revolução – A poesia libertária e anárquica de Jr Bellé







(Leitura poética de “Trato de Levante”)


Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tantos esqueceram Neruda e sua verve humana. Mesmo eu o esqueci em um escaninho triste, há vinte e dois anos e mais algumas auroras, deitada na solidão de um quarto, a ler o livro – Cartas de amor de Neruda – a caminhar ao lado do poeta pelas ruas de Santiago em seus vinte anos e seu amor desesperado. Com sua capa negra e o coração estourando o peito. Amava Neruda, sua biografia e seu canto amorável – geral e eterno. Como alguém que vem para te ajudar a atravessar a ponte perigosa, ele foi um irmão mais velho que segui por alguns anos e não mais visitei. Ingrata. Esta ingratidão não permeia a fronte de Jr Bellé. É o poeta chileno que ele leva para dentro de seu romance “Trato de Levante”, em um amalgama de poesia, ficção, grito anárquico, canção de amor... É tudo isto e é mais. É um livro surpreendente, onde não há medo, vergonha, ou pudor em cantar o que mora no coração de homens e mulheres, em tempos líquidos de perfis fabricados. Uma utopia rasga páginas e inaugura uma revolução em um lugar de araucárias e rio inventado - rio Varanda. Cada detalhe reverbera dentro em poesia: rio varanda. Ganhei o dia. Lorca vaticinou: a poesia é o impossível feito possível. E este romance escrito em poesia torna verossímil um engajamento, sem igual, de toda a natureza ao redor, a passos largos em uma narrativa épica poética a acompanhar os revolucionários. É de uma beleza impar este adendo de exército da natureza a incorporar o levante: “blocos de caramujos ressurretos” e o som da liberdade no “estardalhaço das gralhas” e na “dinastia aérea dos falcões”. Formigas como “agentes infiltradas”. 
O revolucionário e seus amores: Alice - o amor de ontem - envolve o corpo do poeta em um trotear de memórias. O livro infiltra enredos novos e reinventa, deixa de ser - a leitura sempre igual – de uma revolução. Traz dos confins de um poema de Ginsberg uma garota para o poeta amar: Valentina. O alter ego de Bellé não coloca amarras, nem no corpo nem na essência. Os personagens despidos de estereótipos são tão verdadeiros que é possível tocá-los. E quem viveu no Paraná se aconchega na paisagem a reconhecer as reentrâncias dos rincões, o rio a correr suave, o vapor da água que vai cair na erva. O mate, a partilha.
O poeta situou o levante em seu lugar de chegada ao mundo: sudoeste do Paraná. A revolução que teve êxito, e que inaugurou um lugar utópico sonhado. Pátria Livre. Sonho de tantos. As mais de trezentas páginas do livro não pesam neste mergulhar em momentos que dizem tanto a todos nós que somos os velhos sonhadores: a vida é mesmo feita de amor e revoluções. E uma coisa é a outra. Não existe amor que não seja revolucionário. Não existe revolução que não seja puro amor. Esta é apenas uma leitura poética de um livro inacreditável. Onde sexo = amor. Só isto eleva o livro a um patamar de maturidade interior que não se encontra em toda parte. Em um mundo onde sexo = pornografia, onde tiram a humanidade de uma beleza e a transformam em pecado, resta ler o encontro incendiado de Bellé e Valentina. Basta entrar naquele quarto. Basta percorrer o poema “o poente orgasmo de Valentina”. O poeta tece a vida como se fosse o último respiro. Esta urgência de tragar o sol. Esta agonia de ver o tempo escorrer sem que todos possam conhecer a aurora da Liberdade, e vivê-la e além, saber o que é preciso para forjá-la, com as mãos. Um poeta que ama um poeta comunista. Uma simbiose de autor/personagem e um lugar, todo meu por ser também o chão da minha chegada. Paraná, paranauês. Aqui onde concebi meus próprios sonhos, e por isto foi mais que terno ler o poema abaixo, bem antes de percorrer as páginas de “Trato de Levante”: 



meus versos
são pinhão sapecado na brasa
de grimpa despencada
do alto da araucária
que a cada estalo
entalha-me
enfim
semente
de poesia
teu sangue, seiva de geada fria
paraná

tua alma de madeira forte e carpintaria impossível



*


O livro apresenta uma poética livre de uma poesia potente, sem máscaras, crua e nua, como deve ser a poesia. Capaz de chafurdar nossos sentires a cada instante. Li como quem vê um filme, que belo filme daria. Ainda que até aqui tenha apenas um curta inspirado no poema – o poente orgasmo de Valentina - pensei em como esta revolução brilharia nas telas com uma beleza rara, esta que permeei em um dia, lendo alucinadamente as páginas, sem descanso ou cansaço. Há um caminho que eleva, ele passa pela poesia, ele passa pelas mãos de um jovem poeta que tem algo a dizer. Acho que foi Leminski que disse que não existe escrever bem, mas pensar bem. O pensamento de um jovem anárquico somado a esta verve poética de qualidade, trouxe à luz dos nossos olhos esta pequena joia paranaense. No final, o poema de amor rasgado - mais forte e pungente - é a declaração de amor que ele faz à revolução. Sim é por ela e nela que o poeta caminha, com a exatidão e a inevitabilidade das velhas geadas, ou do fogo, que ferve a água para o mate, que ferve os corações para a vida... Esta que alguns vivem em Liberdade e plenos de Amor.


Bárbara Lia
Poeta e Escritora





o poeta que amo é comunista
não tenho dúvidas sobre meu coração anarquista
a assim seguimos de versos dados

apertamos o caudilho e disparo
meu pássaro negro vara a tempestade
num desespero libertário de vida
e de morte

rima no poente sangue de nosso povo sulamericano
as tintas sílabas em teu vermelho de oceano
rebelde que nunca se rende
não sei se somos
ou nos tornamos

tua poesia tem densidade e cobre
verve vulcânica aflora na altura dos Andes
pura lava de copihue
que lavra
a brava terra mapuche



****

link para Editora Patúa:







Jr Bellé, ou Bellé Jr

Autor do livro Trato de Levante, Bellé Jr. nasceu em Francisco Beltrão, sudoeste do Paraná. Viveu em Curitiba, graduou-se em Jornalismo na UEPG e há quase seis anos habita São Paulo. Vive de escrever histórias e estórias. Trato de Levante é sua segunda obra poética.


***


trailer de trato de levante - curta de Ale Paschoalini baseado no poema - o poente orgasmo de Valentina

Wednesday, November 09, 2016

poema para uma madrugada tétrica...



não há dança
que possa
libertar 

este mundo
apocalipse
em conta-gotas
posso tocar
a angústia
das flores
em seu último
suspiro
de beleza
desintegra
no ar
as arraias
de um pintor
futurista
que ainda
nem nasceu
não há
mais céu
para os ideogramas
da revolução
necessário
inventar 

outra língua
código secreto
para trocar 

táticas
de salvamento
este é o tempo
triste e frio
no qual
o amor
se aquecerá
em uma vela
clandestina
e o ódio
em usinas
em cada esquina
(e não
faltará
vela)
Bárbara Lia - novembro (2016)

Tuesday, November 08, 2016

filha do Vinícius de Moraes com a Florbela Espanca: texto de apresentação do livro Forasteira pelo poeta Fernando Koproski (filho de Vinícius de um outro casamento)


       Fernando Koproski: poeta paranaense, escritor e tradutor





Bárbara é minha irmã por parte de pai. Ainda que hoje ela negue veementemente isso, e diga que é filha do seu Ladercio com a dona Patrocínia, tenho certeza que ela é filha do Vinicius de Moraes com a Florbela Espanca. Daí vem nosso parentesco. Só não me perguntem como meu pai Vinicius pode ter tido em agosto de 1955 uma filha com a poeta Florbela Espanca que uns dizem morreu em 8 de dezembro de 1930... Esse tipo de coisa não se explica, pelo menos não no nosso mundo. Mas é o tipo da coisa mais natural que pode acontecer no mundo de Alice. No país das maravilhas, de onde ela veio, deve haver uma centena de explicações razoáveis para que tal encontro aconteça. Posso até imaginar essa e outras questões, completamente plausíveis na boca do Chapeleiro, enquanto ele toma um tradicional chá das cinco com a Lebre de Março. Enfim, mas não é de Alice que falamos aqui e sim de Bárbara. Embora a menina Bárbara, na seção que abre este livro, intitulada “a menina de sua mãe” guarde muito da menina Alice, dançando entre assombros e deslumbramentos, em seu percurso de descobertas pelo país das maravilhas que é a infância. Sim, a infância é este país de saudades doces onde a menina poeta se inaugura em versos e se descobre num mundo de magia, afetividades e delicadezas. A magia da poesia, nessa instância é regida pela beleza, ternura e o mais puro encantamento (naquele tempo eu colhia o sol mesmo nos dias cinza). Não à toa, a autora quando encontra a ternura revisitada na fase adulta, a abraça de forma irreversível, pois sabe o valor que ela tem e, sobretudo, compreende a raridade e a preciosidade que há nessa ternura em tempos de caos e decadência: quando alguém rasga uma nesga de humanidade terna/ você quer sugar esta veia/ comer pelas bordas a pessoa inteira/ guardá-la em ti de todas as maneiras.

Mesmo quando se revolta diante da ríspida realidade da fase adulta, e é atirada na dimensão angústia, isto é, nesta dimensão onde se descobre que os poetas mentem e tudo que é belo se deteriora, Bárbara ainda é impulsionada pela magia e não se conforma com a decadência humana. Em certo sentido, sua busca por compreender e rastrear a beleza em tempos de pobreza, e de empunhar buquês de delicadeza em meio ao terror de nossos tempos, é ainda uma forma de ver Alice revisitada na fase adulta, lutando por nossos últimos resquícios de humanidade. Essa nova Alice, já senhora e ainda menina, veste uma armadura delicada, se arma de fragilidades e de compaixão, e com certeza sabe de suas impossibilidades... mas isso pouco importa. Nada vai convencer Bárbara a ser de outra maneira. Ela há muito já atravessou as grandes águas e desvendou o poder transformador da Arte. Tanto que sente na maior naturalidade que sua casa é o olhar azul de Van Gogh/ dentro dele as estrelas enlouquecem/ e o girassol incorpora o sol. Assim é que a encontramos nesse livro, como uma bárbara Alice disposta a experimentar, escrever, se reescrever e amar, e principalmente isso: Amar em tempos inamáveis. Como ela mesma diz, como um rouxinol eletrocutado, temo partituras/ ainda que siga amando loucamente a música.

Como o bolo mágico que faz Alice crescer, essa crença na poesia como profissão de fé (e de febre) faz o texto poético de Bárbara crescer aos olhos incrédulos do leitor e o convida a uma incrível jornada noite e dia adentro de uma menina, que um belo dia surgiu em Assaí em 1955 e de lá partiu para deliciar o mundo. Portanto, ao entrar nesse livro, se preparem para provar várias delícias em versos. Pois minha irmã é ótima confeiteira. Disso eu tenho certeza. Digamos que ela tem uma mão boa pra isso. Ou talvez isso seja coisa de família mesmo... E por falar em família: pra finalizar digo que seus versos têm a grandeza dos versos de Vinicius conciliada com a espontaneidade das melodias do canto da Florbela Espanca. Tanto que é possível sair desse livro, com pelo menos um coração em flor, abraçado por seus poemas ou acarinhado por suas músicas de ideias.

Um abraço do seu irmão,
Fernando Koproski

(filho do Vinicius de um outro casamento...)


Forasteira
Poesia 
Vidráguas 

Coleção VentreLinhas
(2016)
80 páginas


link para editora vidráguas:
https://www.facebook.com/vidraguas/app/206803572685797/