Thursday, December 22, 2016

3 poemas de "forasteira" no site mallarmargens

Para encerrar o ano, três poemas do meu livro "Forasteira" no site Mallarmargens.

 Ilustração – Eleusis by Marcin Owczarek

link para as poesias;


http://www.mallarmargens.com/2016/12/3-poemas-de-forasteira-de-barbara-lia.html

Friday, December 09, 2016

Para Emily & Clarice






É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickinson em 10 de dezembro de 1830 em Amherst, Massachusetts.
Nossa grande Clarice e a inesgotável e inacreditável poeta Emily Dickinson, que eu amo e amo...
Meu amor por elas e minha homenagem neste dia. Diálogos que nunca terminam... 
Só resta dizer: vocês tem noção do que fizeram com a gente? 
Eu vou passar a vida a perfurar estes solos inesgotáveis: Emily & Clarice.






“A real cicatriz você tem?” *



Signo de Salomão
Na palma
Napalm na pele
Da alma
Tatuagem recebida
No berço
Caligrafia de Deus
- Risco estrela -
Que oblitera a pele canela
O mel de flor evaporada
Os traços arcaicos
Incinerados no espelho
Reflete
Em branca fogueira
Intacta
Minha alma
Ignorata

Bárbara Lia
A flor dentro da árvore/2011

* o título do poema é um verso de Emily Dickinson,
assim como de todos os poemas deste livro



.
“Enquanto eu inventar Deus. Ele não existe.”
(Clarice Lispector)



.
Sempre a colidir com Deus
Nas horas incríveis
Nas horas túrgidas
Nas horas cruas
Mas, no dia a dia – Deus esfuma
Eu sempre quis ser íntima
Brincar com ele
Qual na infância
Como se ele fosse um vizinho
Que se chama pelo vão da cerca:
— Vê as amoras maduras?
Vamos devorá-las depois do pique esconde?
— Pena. Amanhã eu vou. Hoje fiquei de castigo
(A mãe dele o tira da janela e fecha a cortina.
Antes acenamos um ao outro, um pouco tristes)
Bárbara Lia
(Memento - 2016)

Friday, December 02, 2016

Pássaros ruins




INSÔNIA

Este é o século da nossa insônia
Mentes plugadas em telas isonômicas
Longe dos mitos e da cosmogonia
Dopados de “soma” e monotonia
Este é o século lavado à amônia
Escravos cardíacos da luz de néon
Escravos maníacos dos mantras
Escravos agônicos do abutre Mamon
E havia esperança no pássaro
Havia luz nas colmeias tardias
Havia ar nas barricadas de Paris
Havia armar-te. Havia amar-te... Havia.
BÁRBARA LIA
 



Ficha Técnica


Direção e Trilha: Adriano Esturilho I Curadoria: Ricardo Pozzo I Produção: Samara Bark I Ass. de produção: Gustavo Borralho I Montagem e Fotografia: Giuliano Andreso I Assistência de fotografia: Lucas Kosinski I Captação de Áudio: Lucas Maffini I Figuração: Bella Souza I Desenho de Som: João Caserta I Gravação Trilha: Estúdio AudioStamp I Realização: Processo Multiartes e Casazul

diálogo com Clarice Lispector




"mil luzes de orvalho"

"crucificada pela lassidão"

"arranho uma chaga"

Clarice Lispector


**


quem volta
para abraçar
um pássaro
não o encontra
mais


**

liquefaz o sangue do sol
em mil luzes de orvalho
ameniza!
estica o tempo
feito orgasmo
de rainha

**


diálogo poético com Clarice Lispector, a ideia era escrever poemas a partir da leitura dos contos dela, como garimpo, eu procurava palavras e frases poéticas dentro de cada conto e escrevia u poema, um exercício poético que rendeu doze poemas até aqui... mas veio a finalização de "Forasteira" e o lançamento, agora fico aqui sem saber se sigo na poesia dialogando com Clarice, se termino um romance estancado em sessenta páginas e que pretendo terminar até maio... a vida de quem escreve é - no mínimo - insana...
imagem - erika kuhn