Saturday, September 04, 2010

Odisseia Alegre

Quando era menina ouvia uma canção e ela voltou antes de pousar em Porto -
Porto Alegre é o meu ninho / o meu ninho perfumado de jasmim...
A odisseia termina - Vi Ronald Augusto no palco - um luxo! Revi amigos, lancei um livro e invadi a Noite Francesa no Pub 7 para homenagear Rimbaud!

Friday, September 03, 2010

Mulher na Árvore







A Antologia "Helena Kolody / Newton Sampaio" à minha espera, na volta de Porto Alegre - grata a todos que estiveram na Palavraria pra receber este novo livro - Constelação de Ossos -
Em 2009 foi na categoria Conto que obtive destaque e nesta edição anual dos Concursos Literários da SEEC/PR - está o meu conto Mulher na Árvore, publicado no Portal Cronópios:

Thursday, September 02, 2010

Ontem na Palavraria

Estela Kurth, Carmen Silvia Presotto e eu
Fernando Ramos, editor do Jornal Vaia, organizador do Festipoa, admiro este moço!

Ana Cristina Gonzales, eu, Sidnei Schneider e a editora de Constelação de Ossos - Carmen Presotto
Com o poeta Everton Behenck e seu belo livro - Os dentes da delicadeza
Berenice Medeiros que me presenteou com uma rosa da cor da ternura - que ela descobriu dentro do meu outro romance - Solidão Calcinada - muita poesia no ar...
Com os editores - Vidráguas - Carmen Silvia Presotto e Ricardo Hegenbart
Fernando Ramos, Jaime Medeiros Jr. Carmen Presotto, eu e Teniza (de costas)
Carmen, eu e o poeta Ronald Augusto



- Mais imagens, acessar Vidráguas na Postagem abaixo

- Constelação de Ossos está disponível na Livraria Palavraria, com a editora Vidráguas e com esta poeta no email barbaralia@gmail.com

- as fotos são do Ricardo Hegenbart

Monday, August 30, 2010

Setembro e a Constelação





Setembro - primavera à vista - lançamento de  - Constelação de Ossos - Bárbara Lia - em Porto Alegre, na Palavraria (porto de partida do livro) e Belo Horizonte (data a ser divulgada em breve)

http://www.vidraguas.com.br/wordpress

Wednesday, August 25, 2010

Clube de Leituras - Rastros de um livro


Minha primeira incursão na prosa trouxe muita alegria. Na esteira do lançamento de Solidão Calcinada - em agosto de 2.008 - aconteceram coisas sublimes. Uma delas é a escolha pela editora Carmen Silvia Presotto - para ser o livro do mês, no Clube de Leituras - Rastros de um Livro. 
Vidráguas, Scrivere e ALF - vão realizar este encontro agora,  dia 26 de agosto de 2010, às 16 horas, na Academia Literária Feminina, Rua Sarmento Leite 933 em Porto Alegre:
Detalhes aqui:

Saturday, August 21, 2010

O exílio na ilha e a coruja triste





Ana & o Mar

Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras

Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco

Lembro um filme de Babenco:

Ana e o voo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre


Bárbara Lia
Ilha do Mel - agosto / 2010
  

Fui pra Ilha com minha amiga Ilse, escrevo um novo romance no qual algumas cenas se passam na Ilha do Mel... Mar calmo e praia deserta. Na noite um voo escuro acima de nossas cabeças, diante da pousada no banco rústico, em uma conversa impossível em outro lugar - sob um céu estrelado (não há estrelas na cidade). Meio tonta e quase tendo torcicolo eu passei algum tempo com a cabeça voltada para os astros. No dia seguinte dei de cara com o pássaro escuro e lúgubre  - uma coruja - coruja que mora na árvore, segundo o menino esperto neto da dona da pousada. Então, cá estamos de novo a trilhar caminhos tentando tirar o passado de dentro das rochas, nas pegadas e nos grãos de areia, para narrar um tempo Ficção que desabrocha dentro como rosa inevitável. 
Depois de um tempo de prosa e sem poesia, brotou a poesia que publiquei acima. Os oito canhões do Forte, as gaivotas e a lembrança de cenas de um filme que evoca um dos poemas do Pinduca que eu mais gosto.
Vamos seguindo, escrevendo, trocando palavras, versos e planos com os amigos e tocando a vida com garra, como o verso do Gonçalves Dias que o pai repetia.
 
 
A vida é combate,

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos

Só pode exaltar.




5 DIAS PARA MORRER (Ademir Assunção)

para Hector Babenco


morreremos loucos, Ana
os sapatos
novos
em cima da mala
— mala notte
o dia, a pior
foto: olhos úmidos
no vídeo
flashbacks:
a virilha imunda
do marinheiro
os eletrodos frios

nas têmporas
as pílulas coloridas
peixes
num aquário
cujo vidro
quase se quebra
toda vez

que o tocamos
sim, Ana
morreremos loucos
mas

esta noite
dormiremos
juntos



Friday, August 20, 2010

Jorge Vicente





31.

O poema: a apoteose do encontro
o assumir das palavras brancas
na teurgia que procede ao corpo.

tudo existe
tudo é
na sílaba dos dedos.

Jorge Vicente
Hierofania dos Dedos
(temas originais/2009)


http://jorgevicente.blogspot.com/

Wednesday, August 18, 2010

Mineiros cantam o homem e o universo



"Uma narrativa que pega o leitor, com lances de suspresas [...], falas bem construídas, os interrogatórios ótimos, gostosos de ler, poderiam não ter fim." - Raduan Nassar, em carta ao autor

Retornar com os pássaros é muito bonito, inteligente e instigante. - Ferreira Gullar


Ontem conclui a leitura de Retonar com os pássaros, do mineiro Pedro Maciel, que publicou A Hora dos Náufragos (Bertrand Brasil) e Como deixei de ser Deus (Topbooks), um romance que ultrapassa a camada de ozônio e busca as esferas, uma filosófica incursão entre estrelas, planetas, nebulosas, cometas... O diálogo que busca escapar da atmosfera terrestre retorna sempre como  um pássaro com o ramo verde. Quero o que era infinito. O infinito nos soterra, já disse um amigo citando a nostalgia do quintal da infãncia, a presença materna e o tempo seguro sem saber do Infinito e Tudo. Tentando desmistificar deuses, céus e infernos o autor retorna em proximidade e similaridade, ao menos do meu coração que sabe o quanto somos pequenos, grãos dispersos...
Há séculos estou ligado aos astros.
Estamos.
Ontem também chegou o livro novo do Betto, devo dizer - Frei Betto - um romance policial. Logo ao abrir o livro a dedicatória terna que sempre vem com seus livros - Bárbara Lia, bem-vinda ao HOTEL BRASIL e à minha amizade. A citação de Fernando Pessoa abre o livro - O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo.
Entre os astros ou no bairro da Lapa converso com mineiros escritores. Um diálogo que vai soprando como brisa que apaga o cansaço. Mandei um livro artesanal ao Frei Betto e ele ficou fascinado com a poesia de Ode ao Silêncio. Todos ansiamos o silêncio, com desespero até. O universo inteiro de retornar com os pássaros silencia tudo e flui como uma nave silenciosa entre as palavras do Pedro Maciel. O silêncio que um homem busca quando fecha a porta do quarto, que pode ser em um Hotel - Brasil?
Vou escrever o meu próprio silêncio, um romance que se passa em uma ilha.

Thursday, August 12, 2010

Constelação de Ossos - Meu novo livro - lançamento 01/09 - Palavraria -Porto Alegre




Fragmento da Apresentação do livro - Constelação de Ossos - Coleção Anáguas (Vidráguas)

"Estrutura ficcional elaborada, em que os capítulos se sucedem em corrente límpida, revelando com simplicidade e magia a história de vida da personagem, desdobrando-
se em uma continuidade fluida provocadora de uma leitura ávida e prazerosa. Prosa poética plena de sonoridades e metáforas ora líricas e encantadoras, ora duras e valorosas.
Bárbara Lia disseca um feminino sofrido - ótica da narradora – que permeia o texto, de sensibilidades e delicadezas, violências e mágoas."
(Vidráguas)

Sunday, August 08, 2010

Meu Rimbaud!


Na época da II Guerra meu pai usava esta  barba - este aspecto de bandoleiro tem uma história que dá um livro. Meu Rimbaud! 




Flor escandalosa



Meu pai sonhava o deserto
E viveu ao lado do amor
Rimbaud sonhava as areias
Também reinventar o amor
Rimbaud viveu no deserto
Meu pai morreu de amor


O pai surfava o mar de estrelas
Com um teodolito da cor da destemperança
- Verde oliva que pende ao amarelo –
Quando eu dormia
Ele soprava poesia
Por cima das minhas cobertas


Rimbaud passava as noites
Regando com nuvens
Minha alma/fogo e a semente


Nasceu esta flor escandalosa
Da cor dos olhos do amor
E do deserto sonhado
Por meu pai e Rimbaud


Meu pai viveu em poesia
Nunca escreveu um verso
Rimbaud desistiu bem cedo
Meu pai sabia; sabia Rimbaud
O vento que vaza a cortina
Traz a voz de ambos, mixada:


Ilumine o verbo!
Incendeie a alma!
Faça de corações desertos
Cactos em flor
Sangue em ebulição

Bárbara Lia
- O rasurado azul de Paris (21 gramas/2010)

Wednesday, August 04, 2010

Constelação de Ossos - Bárbara Lia (Coleção Anáguas - Vidráguas)

Com muita alegria anuncio a publicação de um novo livro: Constelação de Ossos

Em abril, no lançamento de - A última chuva - onde apresentei alguns poemas durante o Festipoa, estava a editora Carmen Silvia Presotto. No meu retorno, recebi um email e iniciamos um diálogo e - em nome da poesia - realizamos belas parcerias. Uma delas é - Constelação de Ossos - com lançamento previsto até o final de agosto, meu segundo livro em prosa. Vai abrir a coleção Anáguas da editora. Breve publico a imagem da capa.



"Com Constelação de Ossos, livro de Bárbara Lia, iniciamos a Coleção Anáguas, dedicada a novelas, contos e poesia eróticas, visando publicar escritos inéditos de quem não teme se mostrar em palavras e sentimentos" (Vidráguas)




Constelação de Ossos - Novela narrada por Lyn, cantora de bar e garota de programa. O livro é a voz de uma pessoa excluída. Personagens que caminham à margem e também é sobre a desistência... É um drama que a prosa poética ameniza. Faz parte da Coleção Anáguas pela linguagem visceral das cenas de paixão. Um livro que escrevi a partir de uma frase. Uma manhã qualquer e uma frase-raio invade seu pensamento. Você espera escrever um novo poema, e um enredo se apresenta e uma personagem, com nome de Constelação - Lynx. A frase de uma manhã que engendra um livro -
Sonhei com o anjo d'água.



"Lynx Maria.

Não soava como nome. Soava como nome de profecia, nome de banda de rock, nome de ritual de alguma seita, nome de alguma trilha em algum monte sagrado. Herdei o nome da constelação mais apagada do céu. Minha mãe ficou a me consolar naquela manhã a preparar a salada de chicória. O céu tinha gosto amargo e eu tinha nome de um aglomerado de estrelas" - Constelação de Ossos - Bárbara Lia


Carmen Silvia Presotto (Vidráguas) entrevista Ferreira Gullar

Wednesday, July 28, 2010

Leminski & Bueno


 
Wilson Bueno foi convidado a compor o debate poético com o Edu Hoffmann no Projeto - Café, Leite-Quente e Poesia, no Café do Paço - O tema Oriente x Ocidente. Logo após dizer sim ao Elisson Silva, o Bueno foi assassinado - a ideia segue como homenagem. Por isto, esta edição do projeto do Café do Paço - no Paço da Liberdade - vai ser em homenagem ao Wilson Bueno...
Oriente x Ocidente
dia 07/08
16h
Café do Paço
Curitiba
Entrada Franca


e no Wonka Bar, homenageando Leminski:




"Sinal cifrado para enovelar o divino"

Imagem de Pia Calderón






Trinta e dois ventos
    da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
    do peso da alma
Oito países
    a comandar a Terra
UM Deus louco
    pelas ruas bombardeadas


Bárbara Lia
in Antologia do Prêmio Ufes - Literatura

Sunday, July 25, 2010

Aforismos e Arremedos - Lincoln D'Ávila


tia coruja




Meu sobrinho Lincoln D'Ávila poeta, músico e professor de História vai lançar o seu primeiro livro de poesias e letras de músicas - Aforismos e Arremedos - entro nesta publicação com o carinho orgulhoso de tia coruja. Parece que foi ontem que ele fez um aninho nesta foto em meu colo e eu, menina ainda. O tempo voa e ele cresceu em arte e sabedoria. Agora vou entrar neste livro em uma parceria que me deixa muito feliz, pelo convite e pelo carinho. O semestre promete parcerias, vou relatando aqui os novos passos da poeta. Este momento é de celebração. Lincoln vive em Campo Mourão, todo ano organiza um evento em outubro - Homenagem a John Lennon. Compõem belas canções e escreve poesias. Por isto, vamos comemorar a poesia e a música muito em breve.
Dois poemas que vão entrar no livro - Aforismos & Arremedos:

Tributo a Nietszche



A Grande Árvore atravessa altaneira as estações
Da beleza verdejante à secura do inverno
Os frutos podres lamentam a dor da queda
Os brotos rebentos não sabem que são felizes
As flores que anseiam pela criação tornarão ao chão


A Grande Árvore só conserva o necessário
Os membros mortos são levados pelos ventos
As verdes folhas são abandonadas quando importunam
A beleza efêmera da florada não ultrapassa a reprodução



Ah, agora a Grande Árvore preza pelo raio
Seus ramos adoecidos gangrenaram
Os macacos insanos vieram e abusaram de seus ciclos
A sacudiram até derrubarem suas crias
Arrancaram suas peles para adornarem o ventre
Perfuraram suas artérias para tomar a seiva
Mutilaram suas raízes para o progresso da ciência


Porém, o raio derradeiro ama a grandeza da Árvore
E junta suas forças para o beijo renovador
Oxalá Deus nos perdoe, pela ignorância e abuso
Que demos à nossa mãe Terra
Porque ela há de continuar
Com ou sem nossa presença
Lincoln D'ávila
 
 
"O pedigree do mel não diz nada a uma abelha"
                                                    Emily Dickinson


O rancor dos homens
Contaminou as flores
As abelhas
Morreram de cólera
Adocicada



Último zumbido
Acordou o Sol
Em cadência afinada
Qual canção do Vangelis
Bárbara Lia

me roubaram uns dias contados









"Um céu despe-se em nódoas e gotas de sol. Vai escurecendo. São dezessete horas e quatro minutos. Com quantos dias de neve se faz um inverno? Com quantas pétalas de rosa se faz uma primavera? Com quantas folhas caídas e farfalhando ao vento se faz um outono? Com quantas gotas de sol se faz um verão? Estão lançando a coleção primavera-verão. Vou ao coquetel de tênis branco e roupa de palhaço. Vou fazer macaquices para os ricos. Eu frequento festas para comer e beber um bom vinho. Vou a todos os lançamentos de livros. Conheço todos os escritores. Tomara que este livro não me dê um prêmio bom. Mozart teve dívidas. Balzac teve dívidas. O que me para é o SPC."

"O poema é o espaço da rebeldia da linguagem e a prosa é a linguagem da rebeldia."


"Ontem Johnny Depp comprou uma ilha. Perguntaram a ele por que comprou uma ilha. Respondeu que comprou para nada. Somos uma ilha. Todos nós somos uma ilha. Cercada de gente e cada vez mais gente. Por que tanta gente coloca mais gente no mundo? A economia global está pronta para o crescimento. Eu queria acabar o livro aqui, pois ele já disse tudo que eu queria dizer. Mas Rodrigo quer seiscentas páginas. No fundo, é um ambicioso. Um cara que quer fama, poder e você. Ele só quer você. No fundo escrevo porisso. Uma interrogação. Uma pergunta. Um mistério. Um enigma. Um oráculo. Não sou o seu oráculo. Também, você não me pergunta nada. O meu silêncio à vezes cala, e eu não consinto quando calo."

(me roubaram uns dias contados - Rodrigo de Souza Leão - ed. Record)



Um livro que leio com reverência, sabor de adeus antecipado, despedida à revelia. Lembro trocas poéticas esparsas e a interrupção abrupta. Neste vácuo da tua ausência eu fico aqui, com este livro e com as lembranças, puxando a linha do tempo pra recuperar os dias contados, nossos dias roubados, nossos dias...

Saturday, July 24, 2010

Wednesday, July 21, 2010

The Burning Plain


Este filme de Guillermo Arriaga lembra 21 gramas e Babel, não poderia deixar de ser assim. Quando a gente escreve, um belo dia constata que estamos contando uma história que se interliga e que dentro de cada enredo tem um enredo único. Os roteiros de Guillermo Arriaga vão sempre abrir o paletó de carne e revelar corações sangrados. Não há tempo para a leveza, mas, há para a poesia. Como diretor de seu próprio texto ele conseguiu cobrir todas as arestas e unificar a trama em um único golpe. Um grande escritor este cara. Um revelador do drama das fronteiras. Fiquei pensando nesta dramaticidade que só mesmo Charlize Teron podia incorporar, com a facilidade que ela tem de vestir a alma dos personagens. O silêncio do inverno aniquilante ficou triste, mas, ficou real. O silêncio do meu inverno acompanhando as alternadas cenas, esta facilidade que ele tem de revelar tudo em polaróides líricas. É um filme para assistir assim, a sós, isolado como um velho trailer que incendeia em uma planície e, finalmente, constatar a inevitabilidade das paixões.

Tuesday, July 20, 2010

Camille Claudel


HAMADRYADE I



Poesia escrita com cinzel
Resquícios passados à pedra
a retirar das entranhas, risos
e guirlanda de nenúfares


Ninfa das árvores
tocada de abismo
a olhar o limiar trágico
acima dos lagos azulados


Hamadryade orgulhosa
retorna ao quarto escuro
brancas corujas no muro
no casarão da vida gloriosa


Crua beleza nua, Danaide
ouvindo as estrelas do Sena
um céu-verde claro sonoro
a levar a barca dos amantes...


...Trinta anos descolorem
rios
pedras
corujas. ..
Nunca os nenúfares!


Estes que rolam em cascatas
no castanho seda dos cabelos
e caem no lago do esquecimento
calcinando o ódio da menina
de Villeneuve-sur-Fére
Sepultada viva em Ville-Èvrard
sonha na cripta:


o café do Brasil
cerejas embebidas em aguardente
um pacote de amor de mãe
um beijo da coruja ausente



Esculpe em astros abrasados
o ódio ao amante hostil
dorme congelada.
Destroços abraçados
à uma tola estrela senil




HAMADRYADE II




Ária de adeus
nos lábios do amante
Guirlanda de Nenúfares
em cascata
Quando chega ao chão
petrifica o rio
Ninfa das árvores recupera
o tempo do amor ardente

O corpo imberbe que esculpias
Danaê alva no ateliê escuro
Corujas na vidraça
enganando o dia.

Bárbara Lia
Para Camille, com uma flor de pedra
ed. 21 gramas/2010

La nave va...

Sou toda coração...

Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coraçã...