Monday, August 01, 2011

Lezama


Começar a semana com este fragmento do livro de Luis Eustáquio Soares
- José Lezama Lima - Anacronia, Lepra, Barroco e Utopia (Edufes)




Hay, pues, una dimensón última en el hombre, donde ya se le regala el espacio gnóstico, donde ya se le vuelve favorable "lo otro sagrado", es decir, lo invisible, lo irreal, la infinitud, buscan su momentánea transparecia, el signo en la materia, o ya la posibilidad en la infinitud.
(Lima, la posibilidad en el espacio gnóstico americano)

(pg; 47 de José Lezama Lima - Anacronia, Lepra, Barroco e Utopia)


Até aqui li apenas dois livros de Lezama - Paradiso e La cantidad hechizada. Neste último ele fala de um poeta cubano - Juan Clemente Zenea - e da narrativa que Zenea fêz do Crepúsculo. Colhi a poesia Chiaroscuro da nitidez estampada, no livro, de um horizonte de fogo:



CHIAROSCURO

Bárbara Lia




Hora suspensa. Horizonte de sangue.
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.

Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.

Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.

Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.

Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.

Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.

O eco da flauta aos puros adormece.

Sunday, July 31, 2011

21 Gramas



BREVE NOVIDADES NO PROJETO 21 GRAMAS
contato - barbaralia@gmail.com
Para quem não conhece o projeto dos livros artesanais, o histórico está blog:
http://edicoes21gramas.blogspot.com/

Poesia / Terapia nas madrugadas




vou passar a madrugada em poesia enlaçada nas estrelas e debruçada sobre a Via Láctea...
ontem passei a madrugada acordada só para ouvir a chuva e ver o clarão na cortina a cada raio aquela música antiga e aconchegante de infância e seus odores a cada raio nas tempestades minha mãe queimava um ramo bento e clamava por Santa Bárbara com um temor qual de Fernando Pessoa e abraço esta natureza bruta e quero repetir nas madrugadas um banho de poesia, terapia sem trégua para voltar a ter a mesma ternura daquele menino do filme que acabou de passar no Canal Brasil... Corpos Celestes. Lindo, de poesia derramada em saudade das cidades pequenas onde vivi, do Brasil tri-campeão, do meu pai colocando seu teodolito no quintal a me erguer com suas mãos fortes para que eu pudesse olhar as crateras da lua, não era um telescópio, era o instrumento com o qual ele media terras... e este amalgama de chuva e estrelas e esta vontade de repetir o ritual e voltar a buscar a poesia em uma cena, uma frase, um céu de estrelas e um gramado, deitar de costas, deixar que os astros me soterrem...
belo filme do Marcos Jorge e Fernando Severo, uma constelação de atores curitibanos e aquela sensação gostosa e adocicada, comendo arroz doce na sala, acompanhando a trajetória do menino triste espalhando astros...


http://www.corposcelestes.com.br/



Wednesday, July 27, 2011

o gênio na cinemateca


29 a 31 de julho
15h45, 18h e 20h
Cinemateca de Curitiba
Entrada franca



a mentira é a melhor é a melhor amiga das artes
nela, gelatinosa, as glosas seculares
minúcias de paisagens inexistentes
um coração onde cabe um milhão diferentes

dondoca de agora, amanhã de coturno
segue sempre os passos de um antigo perjuro
a arte imita a arte que imita tudo
e é profunda, é verdade, bem no fundo

mas somos piores que os pintores de florença
ridículos comparados aos poetas de provença
michelângelo cagaria em cima de nossas estátuas
bethoven se limparia com as nossas pautas

que é a nossa dança diante de um delírio índio?
que é um soco nosso perto de um clay vindo?
por que, se finda é a arte, continuar mentindo?
repetir o que se repetiu de novo se repetindo?


(Marcos Prado)


Sunday, July 24, 2011

Percepções (diário de Magnólia)

No silêncio da noite a tela do computador enegrecida. Estava saturada do virtual. Queria o mundo real e sua respiração primeva. Tinha anseios de pisar de novo o chão, andar descalça como menina, andar sem medo da sujeira, sem medo de ferir a sola, sem medo.


Medo era a palavra do milênio.

Viver mergulhada em um mundo medroso era a angústia suprema.

No entanto, não via poetas escrevendo odes ao medo.

Estavam escondidos os poetas.

Em suas catacumbas ou em suas torres de marfim?

Andava a procura de um poeta maldito que subisse em um monumento e vociferasse um canto que fizesse mais alarde que o balé das pombas na Praça Santos Andrade.

A poesia escassa, o ar escasso, o amor escasso...

Sonhou percepções, ansiou-as como um doente terminal ao soro salvador.

Retirar da cartola lentamente as percepções primeiras.

Bebeu uma jarra inteira de suco de maracujá lembrando a exótica flor do maracujá no quintal da infância.

Bebeu cada estriada luz lilás dos filamentos da flor.

Respirou uma sinfonia de Beethoven, acendeu o incenso de eucalipto e desejou que o mundo todo pintasse o amor verde-azul, as noites estreladas de Van Gogh, a poesia em um quadro que a fizesse crer que era bem mais a vida que a ausência de ar e de poetas. Escrevia suas poesias em um livro de capa grossa azul que não mostrava a ninguém. Passou dias e dias bebendo poesias lembrando o tempo das percepções:
 
 
Bárbara Lia
Percepções - 21 gramas 2010

Percepções (diário de Magnólia)

Primeira percepção

A noite é perfumada





A menina Magnólia vivia como se fosse alma.


Hoje a realidade a prega no chão bruto, piso marrom manchado de vinho, janela com cortina bege e vista para o bairro.

Vista para a cidade cinza.

Magnólia sempre foi alma.

Sempre usou o corpo como um títere.

Manejava acima o enredo seu: escolhia a música e a poesia.

O corpo era instrumento amorfo.

Vivia com a alma.

Percepções.

A primeira percepção da menina – A noite é perfumada.

Respirava a noite.

Calçada estreita de cimento cinza e lateral de tijolos díspares como dentes encavalados.

A fila de tijolos ocres cercando a calçada cinza quase branca e acima dela mais brancas ainda as pequeninas flores e mais acima e mais brancas quiçá, as estrelas.

O perfume era imã para a felicidade.

De dentro da casa a luz não era irritante como as deste século.

Ligeiramente avermelhada como o brilho das sementes de romãs.

No rádio uma música de seresta, ou uma viola sertaneja.

A noite é perfumada;

Nunca soube se de mínimas flores ou de estrelas aquele perfume.

Mas guardou a imagem intacta na tela:

A menina magrela com vestido de babados de tecido anarruga branco.

Cabelos curtos, uma franja bonita na testa sábia.

Saltitando entre uma chuva de pequenas pétalas em uma estreita calçada.


Bárbara Lia (Percepções - 21 gramas/2010)

desenho - Ane Fiuza

Percepções (diário de Magnólia)



desenho - Ane Fiuza


Segunda percepção

A luz se move.






Vaga-lumes são faróis terrestres.

Siameses de estrelinhas verdes.

Espiões de meninas travessas.

Detrás das árvores de flores brancas eles abduziam Magnólia.

Piscavam, enfeitiçavam.

O lusco-fusco magnético fazia com que ela estendesse a mão, sempre impossível alcançar a luz.

Ninguém ensinou à Magnólia como colher vaga-lumes e estrelas.

A primeira vez que Magnólia entrou solenemente na vida, era esta a percepção:

Uma calçada clara clareada de chuva de mínimas flores brancas, a árvore florida e ao lado dela uma janela com luz estranha lembrando o miolo de romãs. Vaga-lumes distantes de seus dedos frágeis.

Magnólia colecionava palavras e não sabia qual a sua primeira palavra.
A mãe jamais dissera.

Por isto imaginava que sua primeira palavra tinha a ver com flor e luz e inseto que incendeia em lusco-fusco.

Talvez tenha sido um suspiro sua primeira palavra.

Ou uma interjeição: Ah!

O que mais pode expressar o sentimento de inserção...

Talvez tivesse repetido o som da flor que cai suave branca na calçada branca...

E este som ainda era o prenúncio de que o paraíso está ali na esquina.

Andava com prenúncios de paraíso ouvindo o som da flor que cai.


Bárbara Lia
Percepções / 21 gramas - 2010

Percepcões (diário de Magnólia)






Terceira percepção

As árvores dançam




Os olhos fixos na paisagem. Sensação inversa. Não é o carro que anda são as árvores que dançam em câmara ligeira. Velocidade 8 x mais. No espelho dos olhos verdes de Magnólia o verde de vento e copa e folhas e galhos.

As árvores dançam.

Como se um pintor passasse o pincel e o retirasse rápido respingava a tinta da tarde de cada cena que se move.

As árvores pálidas do inverno, sol filtrado dentro e os olhos bebendo a dança das árvores.

Não sentia o movimento do veículo. Não sentia o corpo trepidar na estrada de barro. Apenas o vôo orquestrado na retina, um rodopio de floresta, e então Magnólia percebeu na manhã de outono pálido – as árvores dançam.

Percepções
Bárbara Lia

Percepções (diário de Magnólia)






Quarta percepção

A alma é um beija-flor



A alma tem o peso de um beija-flor.

21 gramas?

Sabia depois de Guillermo Arriaga e de seus enredos únicos. Finalmente o cinema americano tinha alma, embora fosse alma de um mexicano. Tinha alma e ela pesava 21 gramas.

Na infância a percepção da alma trazia um estranhamento que a tirou do tédio.

Então somos algo mais...

Mais que barro, bem mais que terra & água modeladas por um Criador.

O sopro de Deus tinha 21 gramas de ar e inflava dentro esta angústia ou esta sensação de hosana.

Sabia que a alma pesava pouco quando era feliz. Elevava-se a potências infindas quando vinha a dor. A dor aumentava o volume metafísico do elemento que nos aproximava de um éden.

Magnólia não gostava de perder tempo pensando no éden. Achava um desperdício viver em função do desconhecido.

Achava enganação acreditar no perdão e em reinos que cobririam todas as dores...

Em um final de inverno, ela veria o beija-flor.

A um palmo de seu rosto.

Penugem de veludo verde escuro olhos mínimos negros.

Esteve mais próxima do beija-flor que jamais estivera de outra alma.

Um diálogo de olhares de Magnólia com o beija-flor:

- Voas?

- Por vezes...

Foi o que Magnólia pensou em resposta à súbita interrogação.

Para provocá-lo pensou – sabendo que eles lêem mentes como todos os pássaros...

- Minha alma tem o peso da constelação Ursa Maior -

O beija-flor arregalou os olhos negros e teve pena de Magnólia.

Sabia que faltavam apenas cinco horas para que ela mergulhasse no inexorável abismo – Amar até o fim...

Ela queria tocar o veludo verde que cobria o corpo mínimo e ele se foi sem que ela tivesse tempo de estender as mãos.

Bárbara Lia
Percepções
21 gramas /2010

Thursday, July 21, 2011

L'amour ça sert à quoi ?


Magritte


Porque Era Ela, Porque Era Eu
Chico Buarque


Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão

Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu

L'amour ça sert à quoi ?




La vie en noir

Cantar a dor – Piaf
Pintar a angústia – Kahlo
Esculpir a mágoa - Claudel


Não me afasto dos mitos
Escrevo o abandono
Com a coluna partida
La vie en noir

Bárbara Lia

L'amour ça sert à quoi ?

Camille Claudel posando para Rodin





Rue Notre-Dame-des-Champs
Recordas?
Entre nós não foi apenas valsa
Como a que dancei com Debussy
E talhei em mármore.
Não foi espanto apenas
Como meu olhar azul na onda
- Fuji ao fundo -
Terna reverência à Hokusai.
Lampejos de esperança – nosso encontro -
Sem saber que em minha vaga
Ao tecer crianças prestes a um naufrágio
Reproduzia o meu destino trágico
Mas, com minhas mãos pequenas
Esculpo apenas o que pulsa
Cão criança mulher amado.
Amado!
Raptado pela rosa fendida
Rose, meu espinho
Tu, carinho que eu perdi
Entre as vagas e a maré de egos.



Rue Notre-Dame-des-Champs
Recordas?
A minha agonia que nem podia
Esperar o novo dia
Estar em tua porta
Deitar-me
Natureza morta
Para que me eternizasse
- Danaide -
Sem saber que meus dedos
Iam moldar meu alienado fim:
Rupturas e súplicas.
Espanto em rostos de Ninfas
Medusa, Castelãs, Crianças.



Rue Notre-Dame-des-Champs
Tua criança amorável eu era
Dezoito anos, olhos de céu no dia da criação
Lábios sensuais em flor. Comecei a esculpir
– Pés, pés, pés...
Sem saber que dentro
Da alma fera e feminina
Esculpia um coração de vidro
Sem imaginar que um dia
A onda mais alta e brilhante
Me soterraria –Viva!

Bárbara Lia
Para Camille, com uma flor de pedra
21 gramas/2010

L'amour ça sert à quoi ?

imagem do site a place in the sun




O amor é uma sombra.


Como você chora e mente por ele.

Ouça: estes são seus cascos; fugiram, como cavalos.

 
fragmento de Olmo - Sylvia Plath

L'amour ça sert à quoi ?








Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados.

Havia revistas e jornais velhos em todos os cantos, pilhas de negativos em placas de vidro, móveis quebrados, mas tudo estava preservado da poeira por mãos diligentes. Embora o ar da janela houvesse purificado o ambiente, ainda persistia para quem soubesse identificá-lo o rescaldo morno dos amores sem ventura das amêndoas amargas.

“Não faltará por aqui algum louco de amor que lhe dê a oportunidade um dia destes.” E só ao dizê-lo percebeu que entre os incontáveis suicídios que lembrava, aquele era o primeiro com cianureto que não tinha sido causado por um infortúnio de amor. Algo se alterou então na sua maneira de falar.

- Quando encontrá-lo, preste bem atenção – disse ao praticante: – costumam ter areia no coração.



Gabriel Garcia Marquez in O Amor nos Tempos do Cólera

Wednesday, July 20, 2011

L'amour ça sert à quoi ?



Mulher na janela (Cícero Dias)


Igor ficaria menos tempo do que previmos. No máximo uma semana. Uma semana é o tempo de se contar mais de dez vidas, ele disse. Senti alívio verdadeiro ao perceber que ele não ultrajava nosso recanto, nem nossa intimidade. Apenas sacudia o meu desejo de voltar ao vício – fumar.

Como fosse um adivinho, depois do jantar, ele foi fumar no jardim. Vi seu vulto andando para lá e para cá embaixo da mangueira. Atirando o olhar para a natureza em torno, acompanhando o passeio da lua. Vi a suavidade máscula dos traços de seu rosto banhado de lua. Espiei por uma mínima nesga da cortina. Soltei-a rapidamente quando o olhar dele se voltou para a janela do meu quarto. Parei por um minuto feito uma estátua ancorada na parede. Minha respiração alterada.

Bárbara Lia
Constelação de Ossos
(ed. vidráguas /2010)
pg 50






Lucia M. Russo


Amei uma mulher com cheiro de céu na altura do coração. No silêncio dos dias, longe dela, eu a lembrava e chorava, chorava repentinamente em qualquer lugar. Bastava lembrar o perfume suave da sua alma e a luz que dela emanava. Era o silencioso Darma a nos enlaçar. Era outra história. Era uma fragrância de outra esfera. Sutil, quase inodora. O céu não tem cheiro de nada. Inodoro. Cheiro de Luz Branca.


Branco!

Branco!

O inferno exala no ar chanel n° 5, forte como farfalhar de sedas vermelhas.

- Chanel n° 5: O cheiro do inferno.

Bárbara Lia
Coreografia do Caos - 21 gramas/2010
publicado no formato ebook no site Germina

L'amour ça sert à quoi ?

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.






(Carlos Drummond de Andrade
 in “Amar se Aprende Amando”)

 
fotografia - Bárbara Lia






Minha luxúria - Polaróide antiga
Imprime postais esmaecidos
Sorrisos de conta-gotas


Minha luxúria lacrou
O livro do amor
- utopia dos desgarrados –


(Adeus suspiros de Monalisa
Carícias de carpideira
Despedidas na soleira)




Bárbara Lia
fragmento da poesia - SÉPIA

imagem: Matisse

L'amour ça sert à quoi ?

Isadora Duncan



devagar escreva
uma primeira letra
escrava
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais
Flores do mais - Ana Cristina Cesar



que sempre amei
trago-te provas
até que amasses
voltas e voltas
que te amar hei
não se comprova
que amor é vida
ida - sem volta

dúvida, amado ?
fiz o que pude :
abracabraço-te
por vias crucis.

Emily Dickinson




tela - toulouse-lautrec

L'amour ça sert à quoi ?


Quando você for se embora
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,

me leve no esquecimento.



cantiga para não morrer - Ferreira Gullar

imagem - Tamara de Lempicka





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Não me procures ali

onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me
dentro das grandes águas
nas praças
num fogo coração
entre cavalos, cães,
nos arrozais, no arroio
Ou junto aos pássaros
ou espelhada
num outro alguém,
subindo um duro caminho.

Pedra, semente, sal
passos da vida.
Procura-me ali.
Viva.


HILDA HILST

Monday, July 18, 2011

Tem um pássaro cantando dentro de mim





SONDAS DA NASA




Pássaros de aço

no firmamento

acordam estrelas

com seu voo

carente

Bárbara Lia
Tem um pássaro cantando dentro de mim



La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...