Thursday, March 21, 2013

Dia Internacional da Poesia - Os poemas que eu vestiria III






A ESTRELA PRÓXIMA

A poesia é
impossível.

O amor é mais
que impossível.

A vida, a morte loucamente
impossíveis.

Só a estrela, só a 
estrela
existe.

- Só existe o impossível.
Orides Fontela


Dia Internacional da Poesia - Os poemas que eu vestiria II




"And were an epitaph to be my story I'd have a short one ready for my own. I would have written of me on my stone: I had a lover's quarrel with the world."
Robert Frost

Dia Internacional da Poesia - Os poemas que eu vestiria I




O Homem Público N. 1 (Antologia)
- Ana Cristina Cesar

Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita
que vai sendo cortada
deixando uma sombra
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo
ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura
venenosa
de tão funda.

Tuesday, March 19, 2013

Pina - Win Wenders


Outro filme que demorei a ver:
Pina, de Win Wenders

http://www.wim-wenders.com/movies/movies_spec/pina/pina.htm

O filme é hipnótico. Uma dança da alma que a gente vive, emprestamos as almas dos bailarinos e este voo poético equivale a um mergulho em uma espécie de cura. E no palco com cenário de lua - chove. Eu nunca parei para pensar se existe chuva na lua. E aquela chuva na superfície de cor lunar, e as rochas da lua e a entrega. Eu também dançaria na lua, mergulharia em suas águas rasas. Também atiraria baldes e baldes de água em todos os passantes. Flutuar branco, atirar-se sem redes, incorporar personas nos túneis sombrios onde as locomotivas dançam e as paredes evocam a arte urbana. O tributo a Pina Bausch é belíssimo. Posso dizer que ontem eu dancei com quem acelera o voo. Como na canção... Eu não sei dançar tão devagar... Marina Lima, sim... Casamentos ecléticos, pensamentos loucos, a vida para mim é isso - esta dança incessante - túneis, montanhas, ruas, lua... E tudo passa tão rápido. Tudo passa, rápido...



Sunday, March 17, 2013

o dia em que eu não nasci



Finalmente consegui assistir este filme. E sempre no ar aquela dor: As ditaduras na América do Sul marcaram com crueldade ímpar. E que o cinema e os narradores deste tempo mostrem a face real
do mundo, que é sempre mostrada pelos cineastas, escritores, poetas, artistas plásticos e os homens
de boa vontade...

Revista Lasanha Literata



Entre 2007 e 2009 - Maicknuclear editou esta Revista Literária da qual eu amei participar:
http://web.archive.org/web/20120119090833/http://www.revistalasanha.bravehost.com/

Maick é este poeta anárquico abaixo: http://player.mtv.uol.com.br/embed.php?id=79513
Ele também realizou este documentário abaixo - Cola de Farinha:

Friday, March 15, 2013

orgulho deste menino...




Meu sobrinho Lincoln D'Avila é talentoso. Suas canções evocam Beatles. Recordo a delícia de ouvir a interpretação dele de - Something. Esta admiração por John Lennon e os meninos de Liverpool é antiga e suas canções tem esta conotação de tarde de chuva em um pier, carros seguindo por estradas ladeadas por pinheiros, esta poesia de levezas que falta ao mundo. Ele escreve em outro idioma, mas não deixa de ser lindo e essencial... segue o link da sua canção. Eu espero que as pessoas curtam, pois acho que voto só vale mesmo se a pessoa curtiu. Se curtiu, vote. Eu sigo ouvindo as belas canções e feliz por ver os passos do Lincoln, por ouvir sua música.

http://www.talenthouse.com/creativeinvites/preview/a9ee93cc82acead09f6a533962688ba6/900

Thursday, March 14, 2013

Tuesday, March 12, 2013

"Azul Desmoronado" no Cândido



Este poema inédito está na edição n° 20 do Jornal da Biblioteca Pública do Paraná - Cândido.
o link para o Jornal que é publicado na forma Impressa e também Digital

http://www.candido.bpp.pr.gov.br/

Um erro nos meus dados biográficos onde diz que publiquei seis livros de poesia, entre os quais O sal das rosas e Solidão Calcinada não expressa uma realidade. Publiquei seis livros de poesia e dois Romances e um destes romances é Solidão Calcinada. Ocorreu um erro na hora de resumirem meus dados. 

O sorriso de Leonardo



                              O sorriso de Leonardo - Caderno G - Gazeta do Povo 15/12/2004






Monday, March 11, 2013

Anne Sexton





QUANDO O HOMEM ENTRA NA MULHER 



Quando o homem
entra na mulher,
como a rebentação
batendo na costa,
uma e outra vez,
e a mulher abre a boca de prazer
e os seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e o homem
dentro da mulher
ata um nó,
de modo que nunca mais
possam voltar a separar-se
e a mulher
trepa a uma flor
e engole o seu pecíolo
e Logos aparece
e solta os seus rios.


Este homem,
esta mulher
com o seu duplo desejo
tentaram atravessar
a cortina de Deus
e conseguiram-no por um instante,
embora Deus
na Sua perversidade
desate o nó. 

Anne Sexton
tradução Jorge Sousa Braga

Saturday, March 09, 2013

Instantâneos Pessoais


























LEQUE DE NUVENS PARA O DEUS DAS ONDAS

O leque de nuvens se reflete
na areia de mármore.
Alento de tarde pagã.

Distante, a carranca do deus das ondas
escureceu o mar.

O coqueiro se eriça.
Cais sobre mim

feito neve nos Alpes.
E a tarde abraça o nosso abraço.

Bárbara Lia
in O sal das rosas

Aracaju, 1981 




“O silêncio como um oceano laminado”


Garras negras da morte
Farpas azuis da noite
Branca coruja de tocaia
Minha mãe rezando 
Na sala
Meu pai fazendo 
Um cigarro de palha
Bárbara Lia

A flor dentro da árvore (2011)




Peabiru (PR) 2008
Com uma amiga de infância - Sueli Rigonato 

Friday, March 08, 2013

O Verão das Musas #9 - Frida Kahlo



Encerro o ciclo das Mulheres que admiro. Existem outras. Existem tantas. Eu sou tantas. O tanto que a Mulher representa no Mundo jamais saberemos dizer, cantar, colocar em versos, música... Amo esta mexicana forte, esta que em muitas horas duras me apontou o Norte. Força espelhada em suas telas. Incrível Frida, irreverente, ÚNICA. 

Escrevi um poema que tem o título - Lendo Clarice Lispector - Ele é de toda Mulher, pois ele resume a força fêmea...

Mulheres sofrem meio às rosas / espinhos escondidos em seus cabelos / seios nus beijados pelo amado / velas de um barco / onde o timão balança / entre a neve e a primavera. // A gota clara do orvalho na rosa / é lágrima fêmea / que brilha enquanto sofre. (O sal das rosas)

Este brilho de Frida é o sol de muitas mulheres. Nosso fraquejar se torna pífio diante dela. É pouco o que enfrentamos diante de tantos contratempos da vida de Frida. E o que ela fazia? Ela sacava os lírios entre as foices, ela os colhia rapidamente, por saber que breve algo ceifaria - antes dela - as possibilidades. O que sei de amar urgentemente? O que sei da urgência é que ela é a minha própria vida, isto que alguns acham que é ansiedade é apenas o voo faminto para pegar o que é meu, antes que venha a maré, antes que venha a foice, antes que cerrem as portas, antes que escoe o tempo, antes que a dor se torne insuportável. Sabemos disto, Frida e eu. Para mim tudo foi mais leve, mas, ainda assim é uma droga conviver com algo que nos tolhe, ainda que pouco... Para Frida, eu tiro o chapéu. Não apenas para a Mulher, eu tiro para sua Arte. Sabendo que tudo está atado. Os grandes Artistas também são Grandes em suas vidas. Só alguém inteiro e forte pode compor uma eternidade. A vida plena não é mesmo para os fracos. A única questão com quem queima como estrela neste mundo é que a vida fica mais curta. Não é possível queimar impunemente. O que consola é que o fogo dos grandes não apaga, sua marca fica, imprimem a Beleza e nem importa se o tempo é pouco e se a dor dilacera. 
Gosto de ser Mulher, Frida. Sei que também amavas ser Mulher. Isto imprime sensualidade. Isto de ser mulher protótipo é triste. Bonito mesmo é ser ÚNICA.


http://www.museofridakahlo.org.mx/

Thursday, March 07, 2013

O Verão das Musas #8 - Emily Dickinson

Imagem - Penelope Dullaghan 




Se eu não estiver mais viva
Quando vierem os passarinhos
Dá ao de gravata carmesim
Uma migalha por mim

E se eu não te agradecer
Imersa num sono bendito
Saiba que o tento fazer
Com meu lábio de Granito.

Emily Dickinson





Perdi a conta de quantos poetas li em minha vida. O mundo está pleno de Beleza, pena que muitos não beberão jamais desta fonte incrível e maravilhosa chamada - Poesia. Entre tantos que deixaram por segundos a minha respiração suspensa. Entre tantos que colocaram uma pedra de gelo em minhas veias ou fogo em meu coração, ela ressalta. Mulher voluntariosa de Amherst. Por algum tempo dedilhei poesias, biografia, entrelinhas. Desejo de penetrar uma alma que consegue imprimir a Poesia com tanta perfeição. 

Fragmentos do livro Nunca lhe apareci de branco – Judite Farr (ed. Rocco):

“Sou pequena como um passarinho… Meu cabelo é arisco como a semente da castanheira e meus olhos são como o xerez na taça deixada pelo conviva. Será que isso bastaria?”

"Eu gostaria de poder usar um manto e uma coroa, pois “tenho para mim anseios imortais” - foi o que a Rainha Cleópatra disse depois da morte de Marco Antônio. O senhor gosta de Shakespeare? Considero Shakespeare o único livro necessário."


"Quando era menina me proibiam de ir ao bosque, havia cobra, diziam. E eu poderia colher uma flor venenosa, ou que um espectro do bosque ia raptar-me. Diziam coisas e eu olhava de longe como um anjo montado em um cavalo assustadiço." 


"Parece algum aparelho de tortura sobre o qual Alexandre Dumas escreveria... Suponho que se amarre o corpo para que a alma não voe. Já observei os retratos de outras pessoas. A vida foge deles imediatamente. Nesse aparelho vou parecer morta, como a imagem de uma pessoa sem cérebro. O que é importante é ver o semblante da Alma, não os joelhos do Corpo. Foi bobagem minha vir. Mas, por favor, diga-me como posar. Não quero ser grosseira."


Link para - Emily Dickinson Museum - The Homestead and The Evergreens - em Amherst, Massachusetts. The Homestead, casa onde Emily Dickinson nasceu e viveu e The Evergreens, casa onde viveu seu irmão e sua cunhada Susan.


"Remando no Éden" é um verso de Emily, e é assim que me sinto quando leio seus poemas... E foi este o título do poema para ela, no meu livro - A FLOR DENTRO DA ÁRVORE:





“Remando no Éden”
Bárbara Lia



Um olho de Emily
É Deus
O outro é Fera
Um olho é Eva
O outro é Lilith
No branco rosto
Lábio granito
Do branco vestido
Vaza uma luz que emana
E entontece
Nada a fazer
Depois de remar no céu
Nada mais a fazer
Quando se bebeu
Versos estrelas:
- Auroras gestadas
Carta de vôo de pássaros
Palavras de arcanjos
O ocaso em uma copa
O silêncio do oceano laminado -
O tosco me agride
Tudo o que é rude
Um passo atrás
A cada farpa
A cada sílaba Bárbara                                                 
Sibila frase agulha fina
- Avesso de Sibila –
Sífilis purulenta
Na pele da poesia
– Letargia –
Um passo atrás
Um véu
Dois véus
Uma estrada
Um muro
Um jardim
Uma porta
Pétrea e escura
Uma cama
Uma escrivaninha
Um quarto branco
Arco íris na retina
Uma luz difusa
Uma musa?

Emily...
Ninguém mais.


A flor dentro da árvore / 2011

Tuesday, March 05, 2013

Verão das Musas #7 - Minha Mãe: Patrocínia


Nome peculiar - Patrocínia. Musa do pai que morreu de amor quando ela morreu aos 69 anos, eu tinha 36 anos apenas. Minha melhor amiga desde que existo. Nó na garganta. Para mim tem a mesma luz das mulheres nas quais me espelho. Longa história de vida a nossa. Um livro que vou compor com os pés naquela cozinha rústica meio ao aroma de suas deliciosas comidas e os seus conselhos. Antiga aura de mãe, sempre plena de preocupações. Até aqui alguns versos poucos, não equivale ao imenso amor... Não retrata a pessoa. Quem sabe um dia consiga escrever seus olhos da cor do mel... Meu pai dizia que lembrava os olhos das onças - amarelos. A sua natureza silenciosa. A pessoa que - literalmente - colocou-me em pé quando o vírus da poliomielite me atingiu. A força dela permitiu que eu vivesse assim, quase normal, para realizar meus sonhos e para estar ao lado dela até o fim. 




Fazes falta mãe! Os provérbios às centenas. “Não dê pérolas aos porcos”. Nunca ouvi a sapiência nata e rude cheirando à capim antigo. Seu rosário de infinidades. A gota d’água. A gota d’água. A gota d’agua. A gota que estoura o dique. Cessem a chuva de cólera. Eu só quero deitar-me aos pés do arco-íris. Beijar seus dedos róseos. O resto? O resto não importa. Nem as pérolas; Nem os porcos.
in O sal das rosas (2007)




Sol no cio

A mulher coloca a laranja-da-terra no orvalho
Corta o mamão verde em talhos,
esquenta o tacho em ternura e açúcar
Mexe até que torne sol transparente no cio
ou verde-éden passeando no céu da boca...
Também ela translúcida e doce

Minha transparência retira véus e inaugura farpas
Não sei tornar frutas verdes em delícias vítreas
Não deito no fogo o espírito indócil.
Não aprendi com ela a por as dores de molho no orvalho
a calar as palavras que derrubo no mais amado
como um branco leite de fogo sem juízo

E isto é tudo o que sonho:
Ser bela morena ao redor do tacho
mudando o duro amargo das frutas e das horas
em verde-éden passeando no céu da memória
e sol no cio desnudando labaredas de açúcar


***




Se eu pudesse ter o presente impossível pediria os olhos mel de minha mãe. Eles me viam inteira - um cata-vento topázio eclipsando o cinza. Sem o mel que me cobria em alguns dias sou cinza; em outros - cata-vento
e entre eclipses sazonais: topázio.

in A última chuva (2007)

Verão das Musas #6 - Sabina Spielrein



Ela passou de paciente a psicanalista. Criou a primeira escola de psicanálise para crianças na Rússia - A creche branca. A creche foi fechada pelo governo de Stálin. Sabina foi executada pelos nazistas - juntamente com as filhas - diante da sinagoga em Rostov, cidade onde nasceu. Sabina Spielrein foi paciente e amante de Jung. Foi com ela que Carl Jung testou pela primeira vez os métodos de Freud. Sabina conquistou Jung, foi sua amante, levou a memória dele até o fim, não tenha acesso a mais detalhes da vida desta mulher, que muito me instiga.
Deixou estas palavras como uma espécie de pedido final...

'Meu nome era Sabina Spielrein. Quando eu morrer, quero que o Dr. Jung receba minha cabeça. Só ele pode abri-la e dissecá-la, Quero que meu corpo seja cremado e minhas cinzas, espalhadas sob um carvalho, com os dizeres: ‘Eu também era um ser humano’.

Não assisti ao mais novo filme sobre o relacionamento dela com Jung e Freud. Não quero ver, pois gravei como uma espécie de espelho cristalino a interpretação de Emilia Fox no filme - Prendimi l'anima - Jornada da Alma.


Sabina era muito jovem quando chegou ao Hospital onde conheceu Jung. Recordo minha vida aos dezenove anos, que experiência carrega uma mulher de dezenove anos? Exigem demais das mulheres na História do Mundo. Em todos os enredos as mulheres seguem simplesmente - Eva. Parece que nenhum homem cederia à tentações não fosse por Eva, no caso - Sabina. Para um encontro é preciso o sim de duas pessoas. Percebo em muitos filmes, enredos, livros, a evocação de Eva. Sim, é ela que está lá oferecendo a maçã... Não é bem assim. E homens viscosos, peixes pequenos que não assumem a sua parcela na evolução de uma história existem em todo lugar. É certo que alguns encontros estão programados no DNA da evolução humana. Raros encontros. Encontros que vão propiciar que uma menina se transforme em alguém que vai dar - no futuro - um amparo a muitos, como Sabina fez, talvez não fizesse caso não encontrasse Jung. E as pessoas assinaladas tem aquilo que pensei outro dia ao dar de cara com aquela cena do reencontro de Marina e Ulay - grandeza interior. Esta menina que chega aos frangalhos em um lugar, sem comer, passando um atestado de fatalidade, acaba por reorganizar-se inteira, como pessoa humana, como mulher. Leva até o fim a sua vontade de colaborar com o bem estar humano, dedica-se às crianças, como quem deseja impedir que os pequeninos não alcancem a idade que ela alcançou em uma casa de doentes mentais, que logo seja sanada a doença da mente. O que Sabina faz utilizando a música. Na Rússia, curada, longe de Jung, ela casa-se, tem duas filhas. Em Jornada da Alma eu senti uma balança com pesos iguais no relacionamento dela com Jung. Ele vivia o tormento de estar apaixonado. Se a menina amou Jung, ele também cedeu ao carisma daquela mulher, ela conquistou um lugar no coração e mente dele. Ainda que fora do normal, ainda que histérica, ainda que frágil. 
Talvez algum dia eu descubra mais detalhes da vida e alma de Sabina. Por enquanto, fico a pensar nela como alguém que foi atirada nos cenários mais cruéis, meio ao total desencanto e sem arsenal algum, saiu vestida de menina deusa, com flores brancas nos braços, um amor no coração, sorrisos de crianças espalhados ao redor. E extrair o melhor da vida, contra toda falta de amparo, não é para qualquer um.

resumo da vida de Sabina:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sabina_Spielrein


Monday, March 04, 2013

O Verão das Musas n° 5 - Camille Claudel



´´Sempre amarei o tempo das cerejas
É desse tempo que no peito eu guardo
Uma chaga aberta....´´
Camille Claudel


























Nióbide blésse



À sombra da noite clara
Latona no meu encalço
Espectros da última primavera

O Rio Loire, um duplo do Aqueloou
Meu Monte Sípilo é Ville-Èvrard
Onde endureço carne e alma

Delírios brancos, visões:
Escunas leves com velas de vidro
E tombadilho de pétalas
Estilhaçam na roupa cinza
Ferem-me, beijam-me – qual o amor

Meu ódio espelha o trágico
Anseio que o mundo petrifique
Qual Zeus petrificou Tebas

Sonho com o anjo da restauração
Acordo. Nada se restaura:

Cama dura de ferro
Urinol fétido, trincado
Três tâmaras secas
Dois gatos no cio a quebrar
O silêncio arredio da madrugada

Os loucos acordam com vislumbres de luz
- Átimo de lucidez.
Acenam lenços de seda à Latona fria
Choram um beija-flor e já no corredor
Vestem o olhar vazio.

Andam autômatos como rios mortos
Deságuam cinzas
No jardim de Ville-Èvrard.

Bárbara Lia
in Para Camille, com uma flor de pedra
edições 21 gramas



Verão das Musas #4 - Clarice Lispector




Foto: Miller of Washington/ Arquivo Clarice Lispector/ IMS

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...