| No dia 19 de outubro (sábado), as declamadoras Maria de Jesus (79 anos) e Wanda Bondan (74 anos), oferecerão às pessoas que estiverem no Passeio Público leituras de poemas durante trajetos de barco. Os poemas são da antologia Fantasma civil e essa ação é, sobretudo, um gesto poético que se oferece à cidade pela fala do coração destas mulheres. Local: Passeio Público Data: 19 de outubro (sábado) Horário: Manhã: das 9h às 11h Tarde: das 14h às 17h Leitura afetiva dos poemas da antologia Fantasma civil Declamadoras: Maria de Jesus e Wanda Bandan Participação gratuita. ... A antologia Fantasma civil, organizada pelo poeta Ricardo Corona para a Bienal Internacional de Curitiba 2013, da qual é curador convidado, reúne 42 poemas de 42 autores brasileiros que mantêm alguma afinidade com a cidade. O conjunto de poemas acessa lugares de Curitiba, propondo-se a uma cartografia sensível da cidade. |
Tuesday, October 15, 2013
Leitura afetiva dos poemas da Antologia _ Fantasma Civil
Sarah Kane
Sarah Kane's Paint
"Fuck you. Fuck you. Fuck you for rejecting
me by never being there, fuck you for
making me feel shit about myself,fuck you
for bleeding the fucking love and life out of
me, fuck my father for fucking up my life for
good and fuck my mother for not leaving
him but most of all, fuck you God for
making me a person who does not exist,
FUCK YOY FUCK YOU FUCK YOU."
- olhos de inverno - Sarah, olhos baixos - partir - ciao,
baby - fazia um frio gigantesco - a cold cold night - ne-
nhum estouro - um desastre da distração - no banheiro
- o fim de uma pétala - a imaginação sob o imfluxo das
circunstâncias de olhar pela janela do apartamento às 6
da tarde de um sábado - de sangue e pus - querendo se
convencer de que tudo está bem - porém, a única coisa
que se quer é um Hershey's e um beijo - falta - a vida a
violentou até o fim _ se seu buquê era violento - acordar
no meio da morte, e desculpar-se pela ausência - muito
sangue, muito - e nenhum - ciao, baby - zopiclone no
apocalipse - sem efeito - seu rosto tem uma palidez rústi-
ca, e sua despedida - você não foi embora de avião -
disse o contrário e deitou-se - ajeitou cadarço até fa-
zer silêncio - o que acontece quando um rouxinol nos
acorda de um amor morto? - ainda hoje - sete lagos -
versos de ninguém - sete léguas - sete lagos - e a
lua branca - ciao, baby - seus lábios com o contrapeso
da ausência da palavra ciranda - as pulsações com toda
a pele de droga e desamor _ 20 de fevereiro de 1999 -
doesn't make sense otherwise - doens't make sense any-
way - o violão acorrentou em seus seis abalos sísmicos
a cisma de uma flor sanguínea - ciao, baby - see you later
- em algum lugar em que eu nunca estive - alegremente
- sempre - nunca - estarei
Fabiano Calixto
Sanguínea _Editora 34 _ Páginas 85/86
***
"eu nunca entendi
o que é que eu deveria sentir
como um pássaro voando num céu inchado
minha mente é rasgada por um relâmpago
quando ela voa fugindo do trovão"
Sarah Kane/
Olhos alagados de neve negra
- Nunca abra a cortina!
A não ser para meu espírito fugir
Às 04:48 - a hora feliz
- Nunca abra a cortina!
A não ser para meu espírito fugir
Às 04:48 - a hora feliz
Pensarás em mim do jeito
que eu sempre quis?
Para que eu possa sentir a felicidade estagnada
Qual aquela de quem está em estado de coma?
Para que eu possa sentir a felicidade estagnada
Qual aquela de quem está em estado de coma?
(sentar nos degraus
enquanto tomas banho
passar a maquina suas cartas
ir ao Florent beber café à meia-noite)
passar a maquina suas cartas
ir ao Florent beber café à meia-noite)
A verdade das baratas
A falsidade da luz
O convite sincero dos trilhos do trem
Escotilhas abertas:
Felicidade saia deste estado de coma!
A falsidade da luz
O convite sincero dos trilhos do trem
Escotilhas abertas:
Felicidade saia deste estado de coma!
(dar-te girassóis
desintegrar-me quando ris
querer aquilo que queres)
desintegrar-me quando ris
querer aquilo que queres)
Bárbara Lia
- as palavras entre parênteses são de Sarah Kane.
- as palavras entre parênteses são de Sarah Kane.
Monday, October 07, 2013
Paraísos de Pedra
Meu mais recente livro _ Paraísos de Pedra _ Editora Penalux _ Selo Castiçal (Contos)
Matéria de Marleth Silva sobre o livro: Um mundo mágico ao redor da casa.
Link:
Sunday, September 29, 2013
Friday, September 27, 2013
Frida e eu
MEU CORPO lembra Frida Kahlo. A marca que impede uma alma livre de ser plena, correr ao encontro de tudo. O congelamento do corpo em uma cama, em um espaço cerzido. Ela _ Frida _ não aceitou e pintou sua realidade com traços de luz/fogo/alfazema/lágrima e amou de um amor irrepreensível e nunca aceitou que o mundo a taxasse de menor ou pequena... Frida sussurra no meu travesseiro a ladainha da rebeldia: Ergue este queixo bonito e pisa as flores da tua escolha, e ama e ama até forjar uma chuva de colibris acima dos abismos. Frida, Frida... Ainda estamos colhendo estas aves azuis com nossas mãos pequenas. Tua liberdade era estrela bastarda _ eterna fagulha no céu _ eu a agarro como quem monta uma égua dilacerada, pretendendo com ela atravessar a agonia do viver. E quando meu corpo esquece que é teu corpo eu contemplo este duplo meu e a minha voz interior diz claramente _ Sou Frida à medula.
Bárbara Lia _ do livro inédito "A vida é um cão que nos devora começando pelos dedos".
Thursday, September 19, 2013
Homenagem a Vinícius de Moraes _ Cem anos de Poesia - Algumas imagens
Querido Vinícius...
Uma menina com uma flor
Uma menina do interior
E teus versos a espanar
O épico da minha casa
Tua poesia em brasa
De Amor que tudo alcança
Ah! Poetinha, poeta lindo
Poeta da Pátria minha
Tu me ensinastes a Amar!
Hoje calo a derradeira chama
Que _ cíclica _ derrama
Para falar de exílios, guerra, saudade...
E passear também pelos teus primeiros anos
A criança que um dia todos fomos
E nunca deixamos de ser: Menino e Menina
Poetas a acreditar na beleza
Por isto, atiro aquela rosa antiga da minha cabeceira
E o espanto de saber que _ o amar _ não envelhece
Hoje amo, amo e amo como naquelas manhãs do amor primeiro
E desde então e até aqui...
Também te amo, Vinícius de Moraes...
**
A homenagem ao Vinícius foi _ LINDA!
Estou triste e isto está ali, no meu rosto.
O Público gostou. Isto importa.
E sei que Vinícius também amaria, ver duas poetas a dizer seus versos, a celebrar o fato dele ter nascido há Cem Anos e ter esparramado tanto encanto, tantas canções, tanta poesia. Ser o branco mais negro do Brasil, ser esta figura. Humana.
Tuesday, September 17, 2013
Monday, September 16, 2013
deux poètes
Imagem _ Rossana Bossù
No princípio a homenagem ao Vinícius ia ser fragmentada em dois tempos _ uma leitura minha e em outro horário, a leitura da Marilda. depois houve esta junção via SESC e foi melhor, ao menos para Bárbara Lia, tímida e longe dos palcos, organizar com alguém com experiência de performance poética, mais ligada à música e teatro que eu. Poesia, quando se trata de leitura em palco, só no útero marginal Porão do Wonka Bar, raramente me apresento em um palco maior. Naquela ocasião que era eu, Deus e Vinícius, eu decidi que não ia ficar falando do Vinícius boêmio e cheio de mulheres, ia falar de outros temas. E havia escolhido um título pra nossas poesias _ Dois Poetas no Front. Esta imagem e este vestido esvoaçante, o pássaro azul, a memória. Tudo me envolveu ontem e criei esta imagem de nós dois _ lembrando o verão passado, quando estava com um vestido branco e leve e levava meu neto pela mão para brincar no parque. Quando ele percebeu que meu vestido estava alucinado ao vento ele disse _ Vó, teu vestido quer fugir... Se for para fugir e voar, que seja com o pássaro azul da Poesia!
Sunday, September 15, 2013
Homenagem ao Centenário de Vinícius de Moraes na Semana Literária SESC _ 16 a 21 Setembro de 2013
Convite para o Sarau Literário
Dia 19/09 _ Homenagem a Vinícius de Moraes _
Bárbara Lia e Marilda Confortin
Detalhes no Link:
http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/evento/poesia-publica-4/
Wednesday, September 11, 2013
O grito tornado silêncio _ Fontela
“Reclamam, porque eu não falo de amor. Mas então não leram Homero... Eu quis chegar no miolo das coisas. Já fiz duas leituras para auditório de jovens e eles gostaram muito. Isso me deixa reconfortada. Mas, infelizmente, nossos especialistas ainda têm uma visão muito olímpica da poesia. (...) Mas é a velha história: é melhor que falem mal, mas falem de mim. Eu preciso de dinheiro para viver. Minha vida é um retrato da vida dos aposentados do Brasil. E a vida dos poetas no País. Eu queria ser mais enxuta, queria escrever poemas exemplares à moda de Brecht. Sei que não agrada, porque a moda hoje é o barroquismo. A moda é escrever como o Alexei Bueno. A moda é ser difícil. É um fenômeno sociológico e não adianta discutir com os fatos da sociologia. Não quero ir contra ninguém, só quero escrever meus poemas. (...) Eu sou pequena, pobre mulher que escreve uma poesia boa, mas, coitada, não é do meio. Não tenho família, não tenho bens, não freqüento os lugares chiques. É como se eu estivesse invadindo o Olimpo.”
Orides Fontela
Friday, September 06, 2013
Só uma dorzinha...
Imagem _ Remédios Varo
SÓ UMA DORZINHA
(poema para Bárbara Lia)
Ontem estava com dor de cabeça
Anteontem estava com dor de cabeça
Hoje estou com dor de cabeça
Anteontem estava com dor de cabeça
por ter dormido pouco
Ontem estava com dor de cabeça
por não ter dormido nada
Hoje estou com dor de cabeça
por ter dormido demais
Caro leitor, nessa situação,
o que a gente faz?
Já tomei, entre aspas, várias “aspirinas”
E diversos sedilax
Mas a dor continua
E não é uma coisa
só da minha cabeça
Ah, poetas e professores de literatura
antes que me esqueça:
Isso não é um poema
tampouco é o fim do meu lirismo
ou o começo de qualquer outra doença
Esses versos são apenas o que são
como o osso é músculo
e a carne é sangue
e o sangue é pulmão
É, talvez esse poema não seja
o que você pensa...
Só sei que ainda serei pra vocês:
aqueles versos resistentes à qualquer analgésico
e
uma bela dor de cabeça
Fernando Koproski
6/setembro/2013
Thursday, September 05, 2013
Fantasma Civil _ A Poesia na Bienal Internacional de Curitiba
http://www.bienaldecuritiba.com.br/literatura
Este ano, a Bienal Internacional de Curitiba resolveu inovar. Além de expor obras nas ruas e realizar performances, haverá uma série de atividades de cunho literário.
Segundo o curador Ricardo Corona, “buscamos um diálogo afetivo com a cidade seja através da antologia Fantasma Civil, dos textos do Dalton Trevisan ou de projeções e instalações sonoras.”
Fantasma Civil
Reúne 42 poetas brasileiros numa antologia que será lida em linhas de ônibus e travessias de lago. A publicação é constituída de folhas soltas com imagens e poemas selecionados em função de lembrarem alguns lugares da cidade, algo como uma memória poética de Curitiba que tem projeto gráfico de Eliana Borges. Uma das linhas de transporte coletivo, por exemplo, é a Linha Turismo que tem duas opções de roteiro: uma partindo às 15h da Praça Tiradentes e outra às 16h30 partindo do Museu Oscar Niemeyer.
A leitura também será feita em travessias em um barco no lago do Passeio Público. Em horários pré-estabelecidos, os participantes embarcam em duplas para um trajeto onde serão ouvidos estes poemas. Além disso, a publicação estará disponível gratuitamente nas Tubotecas.
Wednesday, September 04, 2013
Elas (se) leem Vinícius _ 19/09 - Bárbara Lia e Marilda Confortin
Calçada de Ipanema _ agosto/2012 _ caminhar com Vinícius
Carta ao Vini,
Querido poeta...
Uma menina com uma flor
Uma menina no interior
E eram teus versos a espanar
O épico da minha casa
A tua poesia em brasa
De amor que tudo alcança
E agora dizem que amo demais
Ah! Poetinha, poeta lindo
Poeta da Pátria minha
Que bom que tu me ensinastes
A amar demais!
Nunca deixamos de ser
Menino e Menina
Poetas a acreditar na beleza
Atiro aquela rosa da cabeceira
E o espanto de saber que amor não envelhece
Hoje amo e amo como naquelas manhãs
Em que embalastes com estas maravilhas
O amor primeiro
Eu também te amo Vinícius de Moraes...
Bárbara Lia
Link para nosso evento dentro da Semana Literária do SESC
http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/evento/poesia-publica-4/
Saturday, August 31, 2013
Setembro
Às 17h, no Museu Oscar Niemeyer, começa a Bienal Internacional de Curitiba 2013!
https://www.facebook.com/events/204582022998798
Um belo momento para a cidade. Minha Poesia vai trafegar por ruas, uma poesia apenas _ a lembrar a chuva, a eterna chuva curitibana, nossa grande camarada. Companheira fiel, a chuva. Sempre.
A programação da Bienal no site:
http://www.bienaldecuritiba.com.br/
***********
Na edição de setembro do Jornal Relevo, um conto do meu livro _ Paraísos de Pedra:
********************
Assinalar na agenda _ Dia 19 de setembro _ das 12:30 as 13:30 _ Homenagem aos cem anos do poeta Vinícius de Moraes... Elas (se) leem Vinícius _ Eu e a poeta Marilda Confortin vamos mostrar nossos poemas e _ Especialmente _ os poemas de Vinícius de Moraes. Na Praça Santos Andrade.
Monday, August 26, 2013
Rollo de Resende, uma saudade...
Exposição do trabalho do poeta Rollo de Resende (sob os cuidados e o carinho do Hélio Leites) no espaço Lilituc na galeria Júlio Moreira no Largo da Ordem - Curitiba. Homenagem ao Rollo que completaria 48 anos no dia 15 de Agosto. Quem passar pelo espaço, pare e contemple. Como todo poeta Rollo trafegava por outras artes, ganhei um belo cartão da Stella e o guardo com cuidado. Aquele azul e os pássaros, no fundo é o resumo de tudo que Rollo me significa _ Liberdade.
Link para minha conversa com Stella, que gerou a minha entrevista _ No Caminho com Rollo de Resende:
Bienal Internacional de Curitiba
A programação da Bienal já está no site, link acima.
Uma participação em um evento que soava tão distante para mim que sou poeta. Sempre amei toda forma de expressão artística e vejo como um momento único figurar entre os 150 Artistas de 05 Continentes que integram a Bienal. Em resumo, a poesia integra o evento pelo espaço que a Web Arte e a Literatura ganharam nesta edição, onde o intento é ir onde o povo está com performances e intervenções. Conforme palavras do Ricardo Corona:
"42 poemas de 42 poetas fazem referência à cidade de Curitiba. Porém, não é uma referência em estilo de homenagem, mas uma relação afetiva, via poesia, via memória poética, com a cidade. Em termos de resultado, os poemas integrarão a antologia _ Fantasma Civil _ que organizei, e o livro será de folhas soltas. Estas folhas soltas, com o s poemas, também servirão de mote para 8 mediadores fazer intervenções em trajetos de ônibus e barco. Além da poesia, a prosa curta do Dalton Trevisan será veiculada via Twitter e MSG. Também a projeção de um poema de um autor argentino, Arturo Carrera, no Lardo da Ordem."
Os locais destas intervenções e horários também no site da Bienal,basta clicar na coluna Literatura. Os poemas serão lidos nos ônibus da Linha Aeroporto, Turismo e em outras linhas do ônibus bi-articulado, etc. Em locais como Parque Tanguá, e outros pontos da cidade...
Obrigada ao Ricardo Corona pelo convite para ser parte deste Momento-Arte.
O lançamento da Antologia "Fantasma Civil' será no dia 17 de setembro _ Palacete Wolff _ 17 horas.
Tuesday, August 20, 2013
Crônica da poeta triste _ Bárbara Lia
Quando envelhecemos o cérebro vira um laboratório fotográfico que edita cenas. Um funcionário disléxico que embaralha tudo que aconteceu em nossas vidas em um mosaico lírico. O silêncio de uma manhã ao lado da mãe, o aroma do café e o canto dos pássaros misturam-se a uma noite de medo perdida na grande cidade apressando o passo em um reduto perigoso, temendo o assédio. Um encontro lascivo em segredo _ arrepiante metáfora do paraíso _ um corpo que estremece e te suga para um beijo rascante é substituído pelo olhar de escárnio de alguém maldito que colocou em tua alma a dúvida com a força do mal a avalizar a fala: _ Nunca serás querida!
O filme surreal passa noite e dia e só te livras dele quando sonhas. E os sonhos são vagos, em dialetos antigos, ou, pessoas sem voz a te revelar os segredos miseráveis que não vão alterar a rota do universo. Os cenários trepidam em ondas altas diante dos olhos: O quintal da infância, farfalhar de cores, a risada do pai, o rito das crianças, latidos e sinos.
Clarice canta um hino cristalino de humanidade contemplando uma barata no armário.
Kafka olha seu corpo com asco vendo-se outro. Desvio de Kafka para não pisar a capa gosmenta e piso longe ferindo a sola e desejo abandonar este palco e as asas da cucaracha gosmenta.
O cinematógrafo de Dali escancarado diante da retina.
Amanheço em dilúvio surreal: Agora tenho trinta e seis anos, deixei meu marido, mãe e pai morreram, perdi um big emprego e estou diante da doutora psicanalista e a ela juro que tomei os florais e que li os livros do Deepak Chopra, sem saber como confessar que sou imune à felicidade instantânea e a tudo que cheira placebo. Nada engana minha alma e decido beber a dor sem adoçar, atravessar todos os desertos, ancorar em algum lugar. Em algum lugar _ que eu nem sabia ainda _ o lugar se chamava Poesia. Gueixa que me atrai _ A poesia. Ela me lambe, excita e me deixa de novo a sós: Mil pregos no corpo e uma chuva de palavras ásperas, ladainha de escárnio caindo sobre minha nudez. Altera a cena, progride o cinematógrafo e agora tudo está mais simples. O tempo espanta o desejo e não terei mais os caçadores da minha carne, quiçá seja sempre este andar na manhã calada, ao lado do neto, ouvindo o canto de um bem-te-vi.
O paraíso não é aqui. No mundo tudo está contaminado. A Beleza sempre relegada. Quem sabe no escaninho dos tristes eu encontre o salmo de redenção. No lugar dos loucos toda a poesia. Quem sabe em uma cidade de cegos eu possa ver a luz e quem sabe tudo evapore repentinamente e eu volte ao pó. Brilhar entre a grama de um campo santo feito poeira radioativa. Fogo sobre o chão. Vou queimar dentro alma coração espírito. Não creio em céu, no máximo vou morar na luz de um candelabro torto na casa triste de um homem que sorri sempre com os olhos e alma e não se cansa de molhar as flores e não se cansa de cantar aquela ópera que faz arrepiar a alma dos carrascos. Existe um lugar onde a humanidade estanca: O olhar humano do homem que não esqueço. Meu segredo-mor. A voz do neto a me chamar sem cessar apontando a descoberta do mundo. O lábio do filho que pousa manhã após manhã na minha testa. A cumplicidade das meninas minhas que agora são mulheres _ Pequenas “Bárbaras” de auras maravilhosas... E aquela estrela atrás da porta a lembrar da estrada torta de todos os poetas.
Bárbara Lia / 2013
Sunday, August 18, 2013
"Saber não ser é raro"
Canto VI
41
Quem é que, com o belo sol da tarde,
gasta os minutos a amaldiçoar
vidas alheias? Ninguém desperdiça assim
uma energia tão simpática e elevada.
Se o dia, como um disco avariado,
nunca avançasse para além do meio-dia
mantendo-se o sol calmo, quente e alto,
não haveria no mundo um único sintoma
de vingança.
Gonçalo M. Tavares
Uma viagem à Índia
ed. Leya _ página 258
Fito-me frente a frente,
Conheço que estou louco.
Não me sinto doente.
Fito-me frente a frente.
Evoco a minha vida.
Fantasma, quem és tu ?
Uma coisa erguida.
Uma força traída.
Neste momento claro, Abdique a alma bem !
Saber não ser é raro.
Quero ser raro e claro.
Fernando Pessoa
"Saber não ser é raro" /
Isto lembra aquele poema de Emily Dickinson: Não sou ninguém. Quem é você? Ninguém também...
O que traz esta fala é ter ficado dois dias ao lado de um encanto chamado _ Gonçalo Tavares _ e ele sabe + não ser + Ontem quando o Flávio Stein leu a biografia dele antes da sua fala ao público, eu fiquei arrepiada. Então este pequeno mito - que conseguiu alcançar de forma acelerada o mundo com seus pensamentos e seus livros - é aquele mesmo ser incrível a falar naquela pequena sala como se fosse um professor de uma aldeia pequena perdida em um mundo perfeito? Somos vinte privilegiados... Colhemos palavras de um poeta e do seu riquíssimo arsenal recebemos alguma armas para as guerras da vida. A lição do Gonçalo é a atadura final que coloco em feridas que nunca cicatrizavam. E o que ele disse no primeiro dia daquela oficina a última gota balsâmica dentro. Vou levar isso, esta certeza de que nossa intuição nos leva para onde precisamos ir. Eu, que raramente inscrevo-me em oficinas, sempre sigo este fio que me puxa para algumas raras, de tempos em tempos. E esta chegou no momento certo para sublimar decisões que tomei e ao ouvi-lo na primeira manhã eu me senti leve, livre... Uma jovem menina que começa a trilhar seus passos em poesia disse com naturalidade, como se aquilo fosse possível: Vamos sequestrar o Gonçalo e não deixar ele ir embora nunca mais. Ficamos tramando uma forma, em tom de brincadeira. Era só nosso jeito de dizer: Bem, estas coisas deveriam permanecer. Os autores humanos, mais que humanos, derramam estas falas que acrescentam e não diluem na primeira esquina depois que você sai de uma palestra. E vou para nosso último dia de oficina com a certeza de que vou sentir como quem vê ir embora alguém que não é daqui, nem familiar, nem melhor amigo confidente, nem nada em termos de coisas passionais. É esta espécie de ser iluminado, que para alguns pode ser aqueles monges que dizem máximas e depois se calam e o universo todo se alinha como se as pragas fossem varridas. Vou sentir isto, este adeus lento de um poeta em carne viva. Sua identidade tem os traços fortes da metafísica de seus livros. E ele vai, como Bloom em seu livro, para um outro lugar, nesta epopeia... E espero reencontrar em algum dia, para beber um pouco mais da água/palavra, esta que ele derrama, como um pastor sublime. A maior beleza é encontrar um consagradíssimo escritor e ver o quanto ele foi grandioso ao raspar toda a petulância e arrogância que se encontra em todo canto. Ele que é _ Ele _ e não se preocupa com nada além daquilo que ele disse ao público: Receber a maçã de ouro de seus ancestrais, e deixar a sua maçã em algum lugar, em uma estrada, para que os que vierem depois saibam o caminho.
Monday, August 12, 2013
Insônia
Insônia
Este é o século da nossa insônia
Mentes plugadas em telas isonômicas
Longe dos mitos e da cosmogonia
Dopados de “soma” e monotonia
Este é o século lavado à amônia
Escravos cardíacos da luz de néon
Escravos maníacos dos mantras
Escravos agônicos do abutre Mamon
E havia esperança no pássaro
Havia luz nas colmeias tardias
Havia ar nas barricadas de Paris
E havia armar-te. Havia amar-te... Havia.
Bárbara Lia/2013
Imagem _ Edward Hopper
Friday, August 09, 2013
Livros
Ainda não aprendi a pensar em livros _sob demanda_ e quando alguém pergunta onde comprar um livro de poesia meu, eu sempre indico a Livraria Cultura, onde é possível encontrar _O sal das rosas, editado pela Lumme/2007. É possível, sim, comprar outro livro meu, é que ainda não aprendi a pensar nesta expansão. Basta encomendar _A flor dentro da árvore. E são estes dois. As edições de Poesia sempre com tiragem pequena esgotam com facilidade. Pensei em publicar isto e fico adiando. No blog do poeta Cássio Amaral tem um belo texto sobre o livro. É um livro delicado, que eu gosto imensamente. Ele tem 40 páginas e apresentação do poeta Sidnei Schneider. Quem desejar saber mais, deixar recado aqui, ou enviar um e-mail para barbaralia@gmail.com. O romance Constelação de Ossos está na Livraria Cultura, idem. E diretamente com a Editora Vidráguas. Finalmente, aquele livro que chegou com aquela aura leve e bonita da infância e me deixou muito feliz, com a acolhida que teve e com a resposta dos leitores. Paraísos de Pedra incorporou o mistério da Ninfa, a esperança da criança que eu fui e a força da mulher que sou. Estou MUITO feliz. Este livro que foi lançado única e exclusivamente em Curitiba pode ser encontrado no site da Editora Penalux. A Poesia segue, os romances à espera de editor. Tem sempre aquela vontade de não tentar os concursos e quando a gente queda à esta possibilidade, fica meses, quase o ano inteiro à espera de um resultado. C'est la vie. Ano que vem tem mais...
*Sobre _ A flor dentro da árvore:
http://cassioamaral.blogspot.com.br/2013/02/a-poesia-e-cerne-palavra-e-barbara.html
http://www.musarara.com.br/a-flor-dentro-da-arvore
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5607
Sobre _ O sal das rosas:
http://www.saldaterraluzdomundo.net/Livros_Lan%C3%A7amentos_sal_das_rosas.htm
Sobre Constelação de Ossos:
http://paliavana4.blogspot.com.br/2011/01/12.html
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Thursday, August 08, 2013
Agosto
Agosto
“Como aqueles primitivos que carregam consigo o maxilar inferior dos seus mortos, eu te carrego comigo, tarde de maio”
Carlos Drummond de Andrade
A mim restou este Agosto
Loucos gritos roucos
Ruínas sem rima
Versos apócrifos em esperanto
A mim este calcanhar de vidro
Telhado de Aquiles
Chão incerto de tombadilho
Pedra. Pedra. Pedra.
No começo do caminho
No meio do caminho
No fim do caminho
Ar puro agosto
Rosário de escombros
A tudo transformei
Em maios deslumbrantes
Bárbara Lia/2013
Imagem _ Monica Cook
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"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...



















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