Thursday, September 14, 2017
Tuesday, September 12, 2017
"Procura-me ali. Viva"
os versos, o olhar
invento um acorde
percorro caminhos
linhas, rugas, vincos
mais expostos
colho os sonhos
mais ativos
destampo o tempo
circulo o infinito
cá estamos, livres
...e menos sozinhos
Eros és minha verdade!
onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me
dentro das grandes águas
nas praças
num fogo coração
entre cavalos, cães,
nos arrozais, no arroio
Ou junto aos pássaros
ou espelhada
num outro alguém,
subindo um duro caminho.
passos da vida.
Procura-me ali.
Viva.
Carmen Silvia Presotto, dói demais te dizer adeus.
Uma pessoa infinita estava morrendo e eu pressentia. Era esta a dor dentro de mim ontem e hoje e eu nem sabia. Achava que era só o cansaço mental que fazia tudo ruir dentro, esta sensibilidade minha que capta e eu nem sei o que capta, até saber. Eu soube. E dói este momento em que um fio se rompe pra sempre no mundo material e fica pela eternidade na imaterialidade das coisas que vivemos e fizemos juntas.
Wednesday, August 16, 2017
As filhas de Manuela - Bárbara Lia
Inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais.
Saturday, August 12, 2017
um poema...
Thursday, August 10, 2017
Forasteira no site "Toca a falar disso"
Sobre "Forasteira" no site "Toca a falar disso":
"Puro lirismo. É assim que pensamos Bárbara Lia, autora de Forasteira, ao abrir a primeira página do livro. A alma da poeta que traduz o inconformismo pela desumanidade e que também mergulha nos sentimentos mais íntimos, revela-se a cada estrofe.
Tuesday, August 08, 2017
As filhas de Manuela - Bárbara Lia
contatar e-mail: barbaralia@gmail.com
Grande Mar Redondo
Sobre mim passam, com a sua cacofonia,
os corvos em bando negro.
Sylvia Plath
Saturday, August 05, 2017
fragmento: As filhas de Manuela
Thursday, August 03, 2017
skyleros dermis: um diálogo com Paul Klee
A
“Síndrome Tardia da Poliomielite” é uma denominação nova para mim e me soterra.
A “síndrome” de Paul Klee tem outro nome. O que o matou se chama Esclerodermia.
Ele pintou suas últimas telas como quem desenha homens desmembrados. Os anjos
despedaçados de Klee. Algumas similaridades entre os sintomas da doença dele e
desta síndrome tardia da pólio que veio me visitar agora que é como se fossemos
irmãos sentindo as mesmas dores.
Sigo
nesta dança pela tenra primavera de Paul Klee armada de amor até os dentes.
Alguns homens passam a vida a edificar legados de beleza. O de Klee é um dos
mais poéticos e iluminados. Com ele os dias são lavados de humanidade, e
seguimos. Quando os nazistas disseram que ele era inepto para seu ofício,
assinaram a carta de desumanidade. Sabiam da alma sem preconceito do poeta.
Leram a universalidade em suas telas. Paul realmente não combinava com aquela
neurose coletiva chamada nazismo que tornou – e torna – o mundo bem mais
triste. Paul morreu acossado pela dor profunda: a dor da esclerodermia e dos
golpes de maldade que um inocente sofre à sombra da cruel História. Eu consigo
imaginar o que ele sentia, apesar de saber que a dor dele foi bem maior. Eu
filtro o extremo que a ele atingiu e para mim sobra esta dor chata que vou
sentir até o fim.
Paul Klee pintava como quem compõe
uma partitura. No final, somos todos: música
A cor me possui, ele dizia. A palavra me possui, eu digo. Em meus escritos
a dor grita nas entrelinhas. Tento compor a alegria, mas ela só cabe na
Natureza. Quando digo da alma do homem é sempre dolorido. Paul pintou corpos
desmembrados enquanto convivia com a doença que migrou para o seu corpo em
1.935 e ficou até sua morte em 1.940. A agonia vaza. Os nazistas o taxaram de
incompetente. Voltou à Suíça, a cidadania não lhe foi concedida em vida, seis
dias após sua morte ele tornou-se um cidadão suíço. Hoje vejo Klee como cidadão
do mundo. Ao final da vida, cativo da dor. Não é bom ficar batendo nesta tecla.
Não é bom gritar esta parte pequena do que somos: pura dor.
Sinto uma mão úmida e tensa a tomar
minha mão, ouço uma voz que me pede para não ficar martelando nesta tecla de
agonia como se estivéssemos vivendo dentro de uma sinfonia de Stravinsky. Há o
ponto de fuga. Penso que é isto que Paul sussurra setenta e sete anos depois de
sua morte, nesta sala, na manhã cinzenta de um país tropical. Menos mal. Nasci
para negar dor, e penso que devo aferrar-me ao antigo hábito. Gosto deste terno
de tecido antigo que ele usa na fotografia e gosto deste rosto que ele veste
quando me visita. Não tenho nada a oferecer a não ser café ou um chá de erva
doce. Ele sorri. Aos europeus sempre apresentamos a nossa cachaça. Aos europeus
nosso mundo exótico de Natureza e Música. Eu o levarei a uma roda de samba,
Klee. Embora eu não possa dançar, haverá uma mulher para te ensinar a ginga
maravilhosa da nossa gente espalhafatosa. Somos tão diversos, Paul. Aqui as
cores e as coreografias combinam tanto com seus quadros. De alguma forma,
vestistes a liberdade plena de tudo que vi norte a sul deste país gigante,
adormecido ainda. Ele pulsa como suas rosas pulsam em seus quadros. Ele tem
traços fortes como em suas telas, e aqui tudo é poesia, como os títulos dos
teus quadros que foram raptados de seus versos. Vê aquele galho escondido em
algum ponto de um lugar onde a natureza é bruta? Breve o galho sacudirá e de lá
vai voar uma gralha azul linda. Aqui onde vivo ela é o símbolo, e tudo que tem
asas eu sigo. Eu amo. Somos cativos de uma dor sim, mas a vencemos, até que ela
nos vença – pela morte. Veja a similaridade e não solte minha mão. Parece
estranho te materializar assim, de forma tão plena. Isto é obra de poeta. Sinto
falta de um lugar sonhado. Um lugar que se constrói agora como em um filme que
se passa cem anos atrás. Vejo uma trilha de chão batido que dá em uma alameda
cercada por árvores altas. Adiantando a cena, vejo de costas o teu casaco
surrado e tua mão a puxar-me para esta estrada. Longe deve haver um lugar onde
a grama é tapete de ternura, o rio, o cheiro das flores silvestres. Tela e
tintas. Um dia todo para rir e criar e para partilhar tudo que não é dor. Não
solte minha mão, Paul! Não solte!
Era para falar do que somos cativos,
mas não somos. Não somos.
Tuesday, August 01, 2017
Tuesday, July 25, 2017
Thursday, July 20, 2017
Monday, July 17, 2017
Frida! Frida! Frida!
Maryam Mirzakhani
Câncer nos seios é esta chaga que sempre acossa pessoas que amo e as derrota. Dor de ver a feminina flor aritmética partir. Rasgo em tiras minha rebeldia e me ponho a amar o cotidiano simples e penso naquelas estratégias adolescentes, de promessas e trocas e pedidos. Opto por amar o que antes me irritava, sem pedir nada em troca, como um tributo a quem não pode mais ouvir o som da água na pia pela manhã, a dança dos pratos entre os dedos, a espuma de detergente, o roçar dos lábios do filho que sai para a rotina enquanto o céu azul pálido lá fora lambe a vidraça.
Vou criar uma menina linda em um livro que teço. Ela será Maryam e terá estes cabelos curtos e estes olhos grandes de quem enxerga equações nas estrelas. Adeus Maryam... E ao te dar adeus abro uma página onde diz que você queria ser escritora quando era menina... E isto me aproxima um pouco da mente que dançou entre dois momentos: números oup palavras. Nossa mente matemática. Isso me dá a certeza de que vou mesmo criar uma menina-você como homenagem, fique em paz e obrigada.
Sunday, July 16, 2017
Saturday, July 15, 2017
"Yo te cielo" - Frida Kahlo
Yo te cielo.
Rimbaud queria reinventar o amor:
L'amour est à réinventer.
Quiçá o paraíso seja - reinventar o amar –
Amor não é azul e nem é rosa: é invisível
Talvez chegue até nós pela derme, olfato
Ou, voz... Quiçá não seja nada disto
Ele é táctil e quem tateia é a alma
Tem o desejo, que confundem com amor
O desejo é o desejo é o desejo
Ele é animal, primitivo, eco do grito
Que grita em outro corpo
O Amor é o inominável
Fica entre o medo e o desejo
E é a fenda do abismo
Cielo de Frida
Wednesday, July 12, 2017
Frida e eu
Interestelar
é meu estardalhaço antigo
já vivi mais de três décadas e escrevo um tosco verso
te acordo na madrugada com minha insônia, no cio
tua mão toca a minha em calor fugidio nas escadas do metrô
caminhas no século vinte e um e eu no século passado
na tarde que visitei Sampa e meu primeiro amor
você nem existia, quiçá você fosse luz líquida
garoa rebelde que valsava em nossas bocas
ménage a trois estranho
tocando um ao outro
somos aquela doçura
que enleia o coração
por segundos
- sorrimos -
pensamos em levezas
- seguimos –
ela é o que mais nos aproxima de tudo que sei
do tempo da espera
amor - alturas - doce agonia
eu nem te via e sabia deste dia
este em que te sei - carne aura
beleza crua
menino homem que sacode
as entranhas do tempo
para morar em meus dias
antes
agora
vida afora
La nave va...
Sou toda coração...
Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coraçã...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...






















