Tuesday, May 16, 2023
Wednesday, April 12, 2023
Todas as tardes de maio serão tuas
Todas as tardes de maio serão tuas
Poesia
Bárbara Lia
Prefácio
Você
está prestes a adentrar a vida imaginada de um amor secreto, não compartilhado,
que tem no ser amado, ou em seu holograma, um pretexto. Bárbara Lia, em seu
vigésimo livro solo, o décimo segundo dedicado à poesia, encontra várias
respirações e maneiras de descrever essa forma de amor/quimera, doloroso
anestésico. Algumas conservam o segredo, outras são pistas de uma carta de amor
tardia. Em uma delas, temos a voz poética em sua adolescência, sonhando encontrar
o olhar. Muitos cruzarão o caminho dessa voz feminina, mas existe um, em
particular, grão do paraíso, que ela encontrará muitas vezes, mais
tarde, pescando em sua memória (Na terra onde cadáveres repousam/Não
nasce amor/Essa matéria ignorada/Necessita oceanos, montes e atrito).
Inatingível como o horizonte; fonte de calor.
Um dos eixos poéticos
que permeiam o livro é a autorreflexão: E por te amar, meu homem, eu carrego
as dores da infância pelo avesso – às vezes não sara nunca. Não só em
indícios biográficos, mas também na tristeza de viver em um mundo tão injusto, tropeçando
a cada dia no invisível fio que une pessoas feitas para serem felizes,
Bárbara Lia conecta o universo pessoal ao social, onde crianças sofrem em
guerras e se encontram os motivos para o ateísmo do amado e seu impulso
revolucionário, foco de admiração.
O homem além do
vidro dominaria um saber-viver, como uma dessas pessoas que parecem ter
embarcado no trem da história ligeiramente antes de a gente saber da existência
dele. Esse homem frequenta o meio dos poetas. Talvez seja um dos grandes de
Curitiba, ou vários, ou alguém que lembra o mais amado dos poetas brasileiros,
enquanto a narradora, como grande parte de nossa população, é chegada do
interior e traz a lembrança de ter sido uma criança Magra, malvestida e sem
muita chance. Talvez ele saiba de algo que ela não sabe sobre a vida. Ele
abre para ela as portas da boemia em seu melhor momento.
Há indícios de que o
amor também se deva ao senso das possibilidades que são despertadas nela, à
versão dela que vem à tona quando desse contato. Algo mais próximo de uma
aventura, uma suspensão de tantas obrigações (Sim, eu dormia quando te
encontrei. Cansada da casa, da rotina, da roupa, da batalha). Afinal, como
ele, que tem filhos provavelmente pequenos, consegue estar sempre de roupas claras?
Que horas ele tira para esfregar essas roupas, sendo que passa tanto tempo no
Bife Sujo? Uma impossibilidade da vida se reflete nesse amor intocado e se
conserva num lugar mítico, e por isso mantém para sempre para ela a promessa do
que a vida poderia ser. Talvez exista algo nela que é tocado na
presença/memória dele e só vem à tona nesse lugar idealizado, quando ela está
longe da sua carga diária. Enquanto ela carrega no colo filhos e netos, ele
parece carregar uma promessa de liberdade, não só para si, não só para ela, mas
para a América Latina inteira.
Você se lembra? A vida
era isto: uma asa. A vida era isto: o sabor ardente das cervejas nas manhãs
ensolaradas na feira hippie. A vida era o canto das cigarras nas noites insones
a cuidar dos filhos. A vida era isto: intensidade que a gente vestia. Era o
tempo de estar imerso. Estivemos imersos na casa, no trabalho, na rotina, no
dever, no sim, no sim absoluto. Sempre o sim que varre todas as gardênias do
céu. Esse “sim” escancarado que está inscrito em constituições, atas,
parlamentos, e dissemos: sim.
Você se lembra?
Uma vida plena
contrasta com aquele contato fugidio, acentuando o que conseguimos olhar de
fora desse amor, a que se brinda com um copo vazio, a que se dedica o auge do
outono e lençóis que permanecem guardados. E, mesmo assim, não há dúvida do que
essa centelha é capaz de despertar – uma quentura de felicidade ressuscitada.
Sabrina Lopes
Curitiba (PR), 2023
Friday, March 24, 2023
Paisagem com canoa na margem - a nova capa de "Todas as tardes de maio serão tuas"
Sempre quis meu nome em um barco... No caso, em uma canoa que foi delineada por Alfredo Andersen. Quem adentrar comigo essa canoa/livro poderá percorrer fragmentos de uma memória iluminada pelo Amor. Um encanto que me habita desde o século passado e que fluiu ao papel em 2014, para finalmente ser impresso em 2023.
Saturday, March 04, 2023
Todas as tardes de maio serão tuas
Monday, February 27, 2023
As filhas de Manuela na Revista Crioula
Na página 132 um artigo que analisa algumas personagens do romance "As filhas de Manuela", meu romance editado pela Triunfal em 2017. Um olhar sobre as transgressões e a não aceitação dos grilhões do patriarcado.
2º semestre/2021
Revista Crioula - nº 28 -
Produções contemporâneas que impactam o cenário literário
--
Literatura contemporânea no Paraná: autoria feminina, identidades e representação
Andriele Aparecida Heupa
Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira
https://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/197165/189371
Thursday, December 08, 2022
Live: Francine Cruz entrevista Bárbara Lia e Rebecca Loise
Friday, November 11, 2022
Mulheres
Durante minha caminhada pela poesia eu encontrei poetas e autoras que eu lia no início do meu encanto por algo que não fosse os épicos que eu ouvia na minha casa. Emoção imensa em um encontro com Ana Miranda. Eu disse: Quando crescer quero ser Ana Miranda. Ela disse: Você é Bárbara Lia. Alguns anos antes ao pedir um autógrafo ela escreveu - Para Bárbara de olhos tão pristinos e tão doces. Uma alegria ouvir de Eunice Arruda e Renata Pallottini que elas liam meus poemas. Um susto. Uma sensação de que tudo o que se engoliu com o gosto cáustico se tornou doce. Para isto vivemos, como eu disse ontem a um belo homem: Isso é tudo que poetas desejam ouvir. Que se apaixonam por nossas palavras. Que, de alguma forma, tocamos o outro.
Há poucos dias encontrei-me com as - mulheres do meu círculo - pessoas que tornaram menos gélida a aura da cidade que é sempre congelante. Literalmente, ou não. Nossa noite no evento "Esbórnia Poética", quando o lançamento foi duplo, encontrei mulheres que escrevem e militam. Essa palavra (militar) criou asas da minha vida. A velhice e as doenças silenciosas precisam de reclusão e distanciamento. Mas eu sei que Francine Cruz e Edra Moraes militam diariamente para que os escritos não sejam esquecidos, para falar do que está sendo criado pelas Mulheres.
Foi linda a noite do lançamento no Wonka Bar, ao lado de Rebecca Loise e convidadas.
Conheci Rebecca no ano de 2006, eu a vi atravessar o pequeno porão do Wonka Bar e subir ao palco. Dezesseis anos ela tinha, e fiquei impressionada com sua escrita pungente. Enquanto ela viveu em Curitiba dividimos passeios e encontros em cafés. Amava quando ela abria seu caderno universitário e lia seus textos para mim. Francine e Edra encontrei - assim - relances e momentos onde coube um oi e um tchau. Mas no lançamento duplo no dia 25/10 elas subiram ao palco ao lado de algumas atrizes belas que Rebecca convidou para ler nossos poemas: Maria Amélia, Daiane Caldeira, Jaque Silva... Noite linda!
A Poesia segue, seguimos escrevendo e espalhando nossa essência de aço & flor.
Para que haja luz lá fora
À sacralidade da natureza nada estremece:
O canto do pássaro
O assombro da rosa fúcsia
O coração da natureza -
Pura matéria das estrelas
Nós somos enxertados
Pelo sopro de dois anjos
O anjo do bem - descido das alturas
O anjo do mal - que veio a galope do
desconhecido
Qual deles está amalgamado ao teu
ser?
Amor se reconhece no ato
O ódio é este infiltrado
Via fatos, pessoas, eventos
O ódio é multifacetado - enganoso
O amor é como um menino
Livre e nu
Correndo de peito aberto
Gosto das pessoas eletrizadas
São as que amam
As que odeiam são contidas
Escondem sob a pele a farpa
As pessoas que odeiam
Voltam-se para dentro de si
Feito criptas
As que amam saem ao luar
Ao vento, ao destino
Invejo pássaros, rosas, rios e vento
Por saber que a sacralidade da
natureza
Não é atingida pela onda
Esta que ora chega
Como chega a tantos lugares
De tempos em tempos
Esta que persegue e carimba
Segrega e mata
Quando encontrarem nossos ossos
Eles serão leves
Serão como somos hoje:
Sol, liberdade e Poesia
Ninguém saberá quem odiou
E quem foi odiado
A mesma ossatura humana
Sem distinção
O negro, a mulher livre,
O mendigo ou cada poeta
Nossa ossatura tal e qual
A dos que –hoje – se conclamam deuses
E dizem que são escolhidos
E acham que podem
Com seus dedos de ódio
Brincar de: “uni duni tê o escolhido foi você”
Virarão pó e ossos e igualdade
- Enfim -
Resta dobrar de encontro ao coração
O estrondo do mundo
Para caber no peito
O quão grande é
E foi tudo
A esplendorosa vida
A delicada vida
A orgástica vida
Esta que dançou em minha pele
Nadou no meu sangue
E espera, em paz, meio à natureza,
Que ignora a podridão
Lembrar o último beijo
O verso último que brotou ainda agora
Ter a certeza de que ainda faltam
séculos
Para que haja luz lá fora
Bárbara Lia
Carta ao Mundo
(edição da autora)
ENGORDEI O SOL NOTURNO
Às vezes eu ando meio noite
De tempos em ventos
ando meio dia
até quando o relógio
grita: — É meia-noite!
Dei de comer e beber
ao sol noturno
Assim como Cecília
deu de comer
aos pássaros
e deu de beber
à terra
A palavra tem
mais fome
e mais sede
do que alguém
que vive em carne
identidade e osso
Dei de comer
palavras para não
morrer feito gente
que morre sem alma
A íntima idade do tempo
eu alimento quanto mais
palavras eu como
Nem meia noite nem meio dia
às vezes ando meio sem chão
e caio de boca numa poesia
Rebecca Loise
Engordei o sol noturno
(Editora Urutau)
Friday, November 04, 2022
Carta ao Mundo - Poesia - Bárbara Lia
"Carta ao Mundo"
La nave va...
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...
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