Friday, May 22, 2026

1970

 O ano era 1970.

1970 era o telefone dele.

Minha pasta do colégio decorada com fotos em preto e branco.

Puro charme dos meus jogadores mais amados:

Clodoaldo e Tostão.

Eu estancava na banca de revistas do pai dele.

Devorava a Revista Placar

Apenas para olhar, entre uma página e outra, aquele olhar.

Um artista, um escultor.

Um menino de pele clara que eu nunca beijei.

Coloquei papel carbono para fazer com cópia a primeira poesia.

Batucando na Máquina de Escrever "Olivetti".

Primeira poesia que li para ele ao telefone.

Tudo preto no branco.

Até o ar era preto e branco.

As fotos do jornal.

As cenas que eu via na TV.

Como um filme em Cinemascope.

Eu era a índia Potira.

Tinha um amor e uma mina de diamantes.

Vez ou outra - no túnel do tempo –

Brilha um diamante no interior da gruta.

Tudo colore súbito:

A chuva caindo no meu uniforme bordô.

Ele sorrindo entre revistas coloridas.

Arco-íris esperando-me no final da rua na volta do Colégio.

A gargalhada colorida do meu pai.

Depois tudo volta a ser preto e branco... Em 1970.

1970 era o telefone dele.

Os telefones eram antigos e negros como em um filme noir.

 

Bárbara Lia 





Li que Bernardo Luis de Matos (professor, escultor, desenhista e poeta), faleceu no final de abril, aos 75 anos, na cidade de Campo Mourão. Uma das pessoas mais queridas que conheci.
Guardo este poema que escrevi para ele há alguns anos. Há quarenta anos vim viver em Curitiba, mas já não ficávamos ao telefone lendo poemas, eu me distanciei do sonho, por longos anos. Nossas trocas e  conversas foram apenas na minha adolescência. Ele era um pouco mais velho, um doce rebelde de longos cabelos. 
Não guardei os textos (pretensos poemas) que eu lia para ele ao telefone. 
Ele é um dos personagens do meu romance "Não o convidei ao meu corpo", autoficção.
Ele está lá (entre as páginas 44 e 46). 
Uma menina de quinze anos que já é sensível o suficiente para reconhecer um artista e, de encanto abduzida, nomeá-lo - primeiro amor. 


Friday, May 15, 2026

Emily Dickinson - diálogos intermináveis

 



140 anos da morte da poeta Emily Dickinson e acabo de criar uma versão ampliada no formato e-book de um dos diálogos maia longos da minha vida.  Em 2011 a publicação independente "A flor dentro da árvore" apresentou poemas cuja epígrafe são versos da poeta.
A versão digital tem 58 páginas,  a capa é uma colagem  do herbário de Emily Dickinson. 

Leitura liberada neste link:






Tuesday, May 12, 2026

A flor dentro da árvore - Poesia - Bárbara Lia

 


A flor dentro da árvore - Bárbara Lia - 58 páginas

Editado de forma independente em 2011, com prefácio do poeta Sidnei Schneider, os títulos dos poemas são versos de Emily Dickinson. A capa da edição original é uma fotografia do quarto de Emily Dickinson.

Revisado, com um capítulo a mais (O quarto branco), e textos dos poetas Cássio Amaral e Marcelo Ariel o livro agora possui 58 páginas. Em 2011 a edição foi de 40 páginas. 

Inicio uma série que denominei: Poesia Infinita

Desejo de liberar toda a poesia sem necessidade de passar pela impressão. 

Livros no formato e-book. 

Uma vez ao mês, os livros já editados que não possuem contrato com editoras liberarei no formato e-book em um blog https://soulbarbaralia.blogspot.com/ com link ao lado no "Chá para as borboletas" mês a mês.

A nova capa é uma colagem de  imagens do herbário de Emily Dickinson.

Link para o livro:

A flor dentro da árvore - Bárbara Lia

Friday, May 01, 2026

Escambo




Quando da apresentação dos nossos poemas no Raiz Café recebi o novo livro da Francine Cruz. Aconteceu o velho escambo poético e a presenteei com meu pequeno livro "Põe a mão em mim viro água", de 2021.

Segue um poema do livro da Francine,  com um tema vital e necessário. 
Um poema do meu livro que dialoga com uma canção que eu amo.
O link para  o Canal YouTube "Senhora Literatura", lá  a Francine apresenta mais alguns poemas do meu livro. Obrigada por toda a as vezes que ganhei espaço no Canal. 

Um ótimo feriado para todos nós.




E sangra
Retirei o útero.
O médico, em seu tom solene de profeta ou semideus, me disse:
“Você nunca mais vai sangrar na vida”.

Sorri por um segundo, depois percebi a ilusão.

Quem dera suas palavras fossem verdade,
Mas o fato de não ter mais o sangue menstrual não significa nada.

Ele, em sua visão limitada de homem
Dificilmente compreenderá
De quantas tantas outras maneiras uma mulher pode sangrar

E sangra.
(Sobre)viver e morrer num corpo de mulher
Francine Cruz
TAUP (2025)



****



Existirmos: a que será que se destina?
(Caetano Veloso)

Ouvir "Cajuína"                                                                                          Neste tempo/pedra
Traz leveza de pétala 
Gratidão 
Por ser o coração 
Esta rosa pequenina
Sem ser contaminado 
Pelo rio de enxofre 
- Dia a dia - 
Derramado ao lado
Escudo raro esta poesia 
Separa a dor horrível
Das batalhas
Deste jardim de dentro 
Que segue 
A pulsar, a pulsar 
Esta canção                                                                                                  - Matéria vida -
Que é tão fina

Bárbara Lia 
"Põe a mão em mim, viro água"
Poesia
Edição da autora / 2021

#leiamulheres
#barbaralia
#francinecruz

Thursday, April 23, 2026

Matéria na Revista ContemporARTES





O corpo como linguagem: erotismo, memória e imaginação na poesia de Bárbara Lia



Lindo texto da Bel Liviski sobre o meu livro de Poesia "O Corpo" na Revista ContemporARTES.

Uma alegria iniciar o Dia Mundial do Livro com um texto tão lindo sobre meu livro "O Corpo". Gracias,  Bel Liviski.


Link:


https://revistacontemporartes.net/2026/04/23/o-corpo-como-linguagem-erotismo-memoria-e-imaginacao-na-poesia-de-barbara-lia/


Meu mais recente livro de Poesia é uma edição independente, a quem interessar possa enviar mensagem privada para mais informações. 

@barbaralia8976

Obrigada a ContemporARTES pelo espaço e por tão incrível texto da Bel Liviski. 


#poesiaerotica 

#BárbaraLia

Tuesday, March 24, 2026

O Corpo - Poesia - Bárbara Lia

 








Retomando a divulgação e a venda do meu livro de Poesia com o tema erotismo. "O Corpo" traz cinco capítulos, sendo que o último capítulo é uma novela (prosa poética). É delicado falar do Amor Natural, pois ele é ao mesmo tempo potente e frágil. Âmago de fogo da essência humana. 
São poemas "detrás do véu", pois minha poesia vive no espaço sublime, que decanta o rude e expõe a delicadeza. Como se cada poema lido mostrasse uma cena de amor detrás de uma cortina. Não há rostos, claridade, revelações... Só a sensação do - corpo - quando encontra em outro corpo o eco do desejo.

 

 O Corpo

Poesia Erótica

Bárbara Lia

92 páginas

Capa: Toulouse-Lautrec                                                                                

ISBN-978-65-01-41283-2

 

 

O livro custa R$50,00, já incluído o valor da postagem.

Tuesday, March 17, 2026

Poesia Raiz - Domingo, 22 de Março - Raiz Café - Curitiba.

Convite para o Café com Poesia no domingo. Homenagem ao Mês das Mulheres e Dia Mundial da Poesia. Estarei ao lado de Francine Cruz, no dia 22, no Raiz Café - Curitiba - Rua Pedro Gusso, 2001 - Neoville Center Mall.

Vai ser lindo...





#Mês das Mulheres #DiaMundialdaPoesia

#BárbaraLia #FrancineCruz

#Poesia #Literatura Paranaense

#RaizCafé



Tuesday, March 10, 2026

ANTOLOGIA - 50 POEMAS ESCOLHIDOS PELA AUTORA

 




 

Toquei seu berço silencioso

Emily Dickinson

 

 

 

 

Meu pai amava

A amada do poeta

Quando nasci

Ele cavou mistérios

Usou critérios

De Neruda

Para convencer

Sua musa

Que o meu belo nome

Já havia nascido

Uma montanha

Desenhada

Em meu berço

Todos os Josés do mundo

A devolver-me

A pergunta:

E agora?

Agora é tempo de mariposas

A menina escapa viva

Quando já está na boca das raposas

Menina ventania alma espinhada de rosas

Rasgando os véus do aço

Aço. Aço. Aço. Dona das glosas

Segue cortando o inócuo

E as heras venenosas

Meu nome ouro de catedral

Meu nome sacro

De relâmpago e vendaval

Meu nome banido

Pela Coroa Imperial

Um patchwork mineiro dentro de mim:

Odes a Nise e restos do manto

Do Alferes

Orgasmos de Dona Beja

E água memorável

Labirintos de Rosa

Perfume de Diadorim

Um suspiro de Adélia

Um olhar de Drummond

Um dominicano a enviar-me

Paz em postais

Dois poetas meninos

Vestidos de pedras e haicais

Milton voz de nuvem

Cimento veludo mel

Nunca esqueci

A pedra no meio do caminho (1)

A voz do anjo torto

Sentado na pedra a sussurrar

Os sonhos não envelhecem (2)

“O cuitelinho não gosta

Que o botão de rosa caia

Ai ai ai”(3)

Nunca esqueci

Que a festa acabou para mim

E também para José

Meu pai plantou-me em Minas

Sem mar

Sem José

Sem amor

Minha herança:

Sonetos

Sertões

Nunca foi meu esse lugar

Nunca foi minha a minha casa

Estou só e longínqua

Meu nome é uma montanha

Minha sombra uma memória

Plantada naquela esquina



 

Bárbara Lia

Antologia

50 Poemas Escolhidos Pela Autora

Editora Clóe (2025)

 

 

 

1. Verso da poesia “No meio do caminho” – Carlos Drummond de Andrade.

2. Verso da canção “Clube da Esquina II” – Lô Borges e Milton Nascimento.

3. Versos da canção “Cuitelinho” – Paulo Vanzolini e Antonio Xandó.



A Antologia está à venda no site da Editora Clóe, link abaixo.




No Site da Editora Clóe: "50 poemas" vem lançar aos céus estrelados as escolhas que jogam com os afetos, memórias e uma forma da autora se apresentar aos leitores de poesia.  A Editora Clóe é mais um viajante nestas palavras/naves da grande poeta paranaense, Bárbara Lia". 


"50 poemas escolhidos pela autora" na coluna do poeta Tanussi Cardoso - "Sextas Poéticas" no site Artecult
-- Rio de Janeiro -- RJ.
No canal youtube "Senhora Literatura" da escritora Francine Cruz.

A montagem de imagens é da pré-venda, maio de 2025.


https://www.editoracloe.com/product-page/50-poemas-escolhidos-pela-autora

Thursday, March 05, 2026

Artigos e Dissertações

 

A MINHA DOR E A DOR DO OUTRO: ESCRITAS DO EU de Andriele Aparecida Heupa e Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira - Ellas Mulheres e Literatura.













Mulheres nas Artes, Letras, Ciências e em Cotidianos no Paraná.

O artigo PINTO EM PALAVRAS A TUA DOR: POESIA DA ESCRITORA PARANAENSE BÁRBARA LIA EM DIÁLOGO COM A PINTURA DE FRIDA KAHLO - Andriele Aparecida Heupa Nincia Cecilia Ribas Borges Teixeira - integra esta publicação necessária que espelha uma miríade de temas cruciais envolvendo a vida das Mulheres em vários contextos culturais. Meu diálogo com Frida Kahlo (página 338)inserido em uma edição tão rara e rica me enche de orgulho e alegria. Mulheres nas Artes, Letras, Ciências e em Cotidianos no Paraná Organização: Margie / Margarida Gandara Rauen e Andréia Schach Fey Edição Pimenta Cultural (2024) ISBN digital: 9786559399741 Este livro é uma coletânea interdisciplinar com artigos e entrevistas sobre mais de 50 educadoras, artistas, ativistas, escritoras, cientistas e cidadãs do Paraná. Os 21 capítulos, com diversos aportes téoricos, abordam estereótipos de gênero, androcentrismo, corpo, racismo, sexismo, homofobia, trabalho e liberdade em conexão com vários contextos culturais. Para além dos feminismos e do escopo paranaense, as ideias dessas mulheres interessarão ao grande público das áreas de Educação, Ciências Sociais, Ciências Exatas, Letras e Artes.


Link:






LITERATURA CONTEMPORÂNEA NO PARANÁ: autoria feminina, identidades e representação.

Artigo Mestre2º semestre/2021Revista Crioula - nº 28 - Produções contemporâneas que impactam o cenário literárioLiteratura contemporânea no Paraná: autoria feminina, identidades e representação




Link:





BÁRBARA LIA E A AUTORIA FEMININA PARANAENSE: REPRESENTAÇÃO DE GÊNERO NA LITERATURA.






GÊNERO E RESISTÊNCIA: QUATRO GERAÇÕES FEMININAS E SUAS REPRESENTAÇÕES EM “SOLIDÃO CALCINADA”

Maria Izabel Trivilin (UEM) sobre meu romance "Solidão Calcinada".







Link:




SOLIDÃO CALCINADA / CONSTELAÇÃO DE OSSOS

Dissertação / Mestrado
A representação da mulher no romance contemporâneo de autoria feminina paranaense /. Adriana Lopes de Araujo. -- Maringá, 2012. 









Link:







Monografia: Duas Tendências da Novíssima Poesia Curitibana no Alvorecer do Século XXI – Letras (UFPR) –  Márcio Davie Claudino da Cruz.









BÁRBARA LIA E A AUTORIA FEMININA PARANAENSE: REPRESENTAÇÃO DE GÊNERO NA LITERATURA - Débora Cristina Esser






Link:



O Romance "Solidão Calcinada" no - XXVIII Seminário de Iniciação Científica do Paraná -












Bárbara Lia e o esgarçamento das fronteiras na literatura.





Na página 119:Artigo de Nincia Cecilia Ribas Borges Teixeira e Andriele Aparecida Heupa no Periódico Letras UFMG - clicar na imagem para ler o arquivo.




 



La nave va...

1970

  O ano era 1970. 1970 era o telefone dele. Minha pasta do colégio decorada com fotos em preto e branco. Puro charme dos meus jogadores mais...