O ano era 1970.
1970 era o telefone dele.
Minha pasta do colégio decorada com fotos em preto e branco.
Puro charme dos meus jogadores mais amados:
Clodoaldo e Tostão.
Eu estancava na banca de revistas do pai dele.
Devorava a Revista Placar
Apenas para olhar, entre uma página e outra, aquele olhar.
Um artista, um escultor.
Um menino de pele clara que eu nunca beijei.
Coloquei papel carbono para fazer com cópia a primeira poesia.
Batucando na Máquina de Escrever "Olivetti".
Primeira poesia que li para ele ao telefone.
Tudo preto no branco.
Até o ar era preto e branco.
As fotos do jornal.
As cenas que eu via na TV.
Como um filme em Cinemascope.
Eu era a índia Potira.
Tinha um amor e uma mina de diamantes.
Vez ou outra - no túnel do tempo –
Brilha um diamante no interior da gruta.
Tudo colore súbito:
A chuva caindo no meu uniforme bordô.
Ele sorrindo entre revistas coloridas.
Arco-íris esperando-me no final da rua na volta do Colégio.
A gargalhada colorida do meu pai.
Depois tudo volta a ser preto e branco... Em 1970.
1970 era o telefone dele.
Os telefones eram antigos e negros como em um filme noir.
Bárbara Lia


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