Friday, March 18, 2011

CULT MALDITO MARGINAL INDEPENDENTE...

Quero ser Virginia Woolf. Viver em uma casa com serviçais para que eu possa apenas - ESCREVER. Ter um Leonard amoroso, cuidadoso, charmoso e gostoso que ama Literatura e publica livros de poetas que vão iluminar os séculos. Quero ter uma irmã que me visite para o chá. Quero ser Virginia Woolf e ouvir vozes. Quero adentrar um rio quando me cansar das vozes. Quero mergulhar fundo. Transferir para os dias meus a grandeza de antes, a pureza no sangue, apenas este desejo - traçar com régua e compasso uma obra. Toda a minha intenção quando adentrei o reino absurdo da Arte era escrever. Com a licença poética plagiar Drummond e raptar os versos de - AMAR. Para nós o sinônimo de AMAR é escrever.

Que pode um poeta senão,
entre criaturas, escrever?
escrever e reescrever,ó
escrever e revisar
escrever, apagar, escrever?
sempre, e até de olhos vidrados, escrever?

Passei o dia de ontem pensando no descompasso. No grito de tanta gente contra algumas ações que cutucaram nossa alma de poeta. A Lei Rouanet existe e qualquer um pode fazer uso dela. Certo? Sim, certo.
Não sou a melhor pessoa do mundo para preencher um projeto. Não tenho grana para pagar por eles. A dúvida é, tivesse grana eu pagaria? Não. Eu não pagaria. Pago caro por ter opinião. Então, eu as tenho evitado aqui na minha página. As políticas públicas seguem, contaminadas pela velha lei - para os amigos - tudo... Sem olhar a produção com cuidado, descartando os "complicados", os Poetas e suas manias esquisitas de não darem muita bola para o sucesso. Já ouvi isso. Que não tenho "sucesso" por não "merecer" o sucesso, pois sou esta pessoa arredia, calada, sem paciência para a bajulação e puxação de saco. Sou assim. A Poesia me completa. E não vou rebaixá-la ao limite do inócuo. Não me vendo por ela. Muito menos A VENDO. 
Esqueçamos o MinC e vamos adiante. Nada mudou. Ainda somos Van Gogh sem orelha, ainda somos Kafka desnorteado como uma barata atacada pela luz fosca da medriocridade. Ainda somos Iessiênim escrevendo com sangue o bilhete da despedida. Ainda somos os que estão nessa por uma razão que ninguém vai entender mesmo. É claro que nossa vida ia ficar mais tranquila se a grana pública fosse para os pequenos na escala social, os pequenos de grana, com sede maior que os milionários. Se as Bibliotecas expandissem e se os professores abraçassem esta causa já que a família diluiu diante da TV e da novela das oito. Os professores, ao menos alguns que conheço, seguem com seus projetos lindos - Apresentar aos alunos a POESIA. Eu ouvi poesia e amei, eu me tornei poeta. Como uma criança vai saber o que é Poesia se não ouve nunca ouviu ou ouvirá? Verá fragmentos em apostilas, uma chispa pequena de uma diamante grandioso. Uma gota d'água de um rio cristalino.
Eu disse que quero ser Virginia Woolf, pois tenho uma alma antiga.
Quero ser Virginia e ter todo o tempo para escrever, antes de mergulhar no Lettes e deixar Leonard triste.

La nave va...

O Corpo - Poesia - Bárbara Lia

O Corpo, ao lado da Antologia "50 poemas escolhidos pela autora" (Editora Clóe) e do Pacote de Poesia - SESC (PR)   "O Corpo...