Saturday, March 25, 2017

Imagens da noite no TUC - CuTUCando a Inspiração

Quando o Geraldo Magela fez o convite para ler poesia no dia 24/03 no TUC no evento capitaneado por ele - CuTUCando a Inspiração - eu não sabia que minha poesia seria o destaque, a ficha caiu um dia antes. Dias corridos demais. Muitas coisas e a roda-viva. Foi uma noite que me pegou de surpresa. Muitas emoções. Muito lindo. Nem sei como dizer sobre este momento, e vou guardar com cuidado em meu coração.

Dans l'air
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência

Tínhamos a mesma impaciência

– Rimbaud e eu –



Por isto

Pisamos telhados
Ao invés do chão

Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos

Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe

- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.
- Bárbara Lia
(O rasurado azul de Paris - 
poemas para Arthur Rimbaud)


Fco com este poema, dois poetas meninos escolheram este poema para me homenagear na noite. Os poetas relembraram Rimbaud, o Igor V. da Silva em uma linda performance, entre os poemas meus que ele escolheu para apresentar este que evoca - Rimbaud. O mesmo que o Jairo Lima D'Araruna escolheu para uma linda performance em uma junção de poemas dele, o meu e Augusto dos Anjos. Foi bem lindo. Muito especial a Rosa Leme ler um poema do Cláudio Bettega, pois nos conhecemos na mesma noite - eu, ela e o Cláudio, e tenho pensado muito nele, uma saudade. A Elciana Goedert leu - toquei seu berço silencioso - e fiquei emocionada, tem sempre a figura do meu pai em cada passo, em cada homenagem... Osmarosman improvisou uma canção com meu poema que tem a canção Drão do Gil, e tudo foi mesmo uma avalanche e estou aqui zonza, feliz, extenuada... Muita poesia, encontros e a alegria de reencontrar o Pozzo, Pedro Carrano, Decio Romano, o Jefferson Bandeira, Batista de Pilar... e outras pessoas queridas que não conhecia ainda como a Silvana Mello... Bela noite capitaneada pelo Magela...

Por falar em Capitão, entre os poemas de "Forasteira" escolhi este para ler:


O Capitão! Meu Capitão! Nossa temida viagem está acabada;
O navio superou toda sua dificuldade, a recompensa que nós buscávamos já foi alcançada
                            Walt Whitman





Oh captain! My captain! Eu te queria vivo quando vencesses as ondas
Na areia rindo para o infinito - forte como o mastro e inebriado de sal -
O roteirista das esferas teima em matar o herói para melhorar o filme
Oh capitain! My capitain! Num dia qualquer plantarei uma amendoeira
Para honrar-te (em delicadeza) e em cada primavera, uma vela acesa
Se hoje morto jaz cubro-o com um pano alvo, onde um pintor tecerá
As horas augustas, as batalhas justas, o riso sal e tua saga sem igual
Oh capitain! My capitain! Os grandes morrem na batalha. É certo que
Fixam seus rastros como uma fornalha (a marcar caminho aos seus)
E como tenho sido toda tua – Capitain! My capitain! - dos pés ao crânio
Mergulho em tua luz que me leva a ser - também – eterna água triunfal

Bárbara Lia in Forasteira (Vidráguas/2016)

Ricardo Pozzo, Pedro Carrano, eu e Elciana Goedert


com Rosa Leme

com Jeferson Bandeira

com Decio Romano


Geraldo Magela - curador do evento

Joel Ferreira


Igor V. da Silva

Ricardo Pozzo


Jairo Lima


Ganhei - Nutrisia - livto da poeta Elciana Goedert (Mariana Edições)


Vanessa Moreno, Silvana Mello, Rita Dellamari, Nola Amaro, Siomara Reis Teixeira e Iracema Alvarenga



Pedro Carrano



Batista de Pilar






Wednesday, March 22, 2017

Thursday, March 16, 2017

As Filhas de Manuela - Menção Honrosa no Prémio Fundação Eça de Queiros - Pré-venda do livro - lançamento em Abril.




A partir de hoje inicio a pré-venda do meu livro "As Filhas de Manuela".
O lançamento previsto para a primeira quinzena de abril. 
O valor do livro na pré-venda será de R$.30,00 - sem custos de remessa
O valor normal do livro será de R$.35,00 + remessa via Correios. 
O livro já foi enviado para a gráfica e deve ficar pronto em duas semanas.
Para adquirir em pré-venda, contato via e-mail barbaralia@gmail.com para detalhes da
compra. 


Sinopse:

As Filhas de Manuela trafega pelo realismo mágico. É um romance de fôlego, inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perda e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue.
Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um círculo de perdas e superações.
O livro recebeu a única Menção Honrosa da primeira edição do Prémio Fundação Eça de Queiroz - em Santa Cruz do Douro, Portugal, em 2015. 

As Filhas de Manuela
Bárbara Lia
150 páginas
Projeto gráfico: Vanessa Araújo da Silva
Capa: Félix Nadar (1820-1910)
Triunfal Gráfica e Editora (SP)



Monday, February 27, 2017

Cabocla


acho tão bonito ser cabocla
eu sempre achei uma benção da lua
ser uma cabocla da terra brasileira
morena pele canela olhos de graúna


acho lindo ser cabocla
mistura de branco e índio
no grupo escolar rústico
aprendi a equação das raças
como se fosse tabuada
e o resultado eu lia e sorria
= cabocla

acho que não penso em pele
acho que penso em palavra
cabocla é palavra estelar

dizer cabocla é como traçar
as asas dos pássaros
as flechas e os arcos
as cabanas os riachos

eu sou cabocla
por ser por querer
cabocla até morrer

Bárbara Lia



...

fotografia - a poeta pula carnaval aos vinte e dois anos no Clube 10, na cidade de Campo Mourão (PR)

Wednesday, February 22, 2017

Como costurar água - Bárbara Lia








O amor costurou sua boca 
O amor  atou suas mãos
O amor cegou os seus olhos
O amor neutralizou os aromas
O amor tornou insípido o céu
O amor deitou-a na relva
E a inoculou com o silêncio
Em  uma noite rasa no Ocidente
Pós-longas noites desorientadas
Ela soube, enfim:

Para dizer de amar

Toda palavra é nonsense









O Amor é uma explosão sinistra



Nunca fui de ninguém
O mundo me entedia
A pergunta antiga
A febre do homem:
— Viver pra quê?
Nunca vi inteiro
Os que me amaram
Seus corpos
Dobrados sobre mim
Sufocava-me
Não desacreditei do amor
Simplesmente
Nunca o vivi plenamente
Isto o deixa vivo
Como um amanhecer
Virgem e apocalíptico
Esperando para romper
Em uma explosão
Sinistra







Como costurar água
Bárbara Lia

(livro em construção)

imagem - Helen Levitt

Tuesday, February 07, 2017

Sol de Coyoacán - diálogos com Frida Kahlo - livro artesanal

Como eu sei que sou Você?
Ouço uma incessante chuva no pátio, mesmo que não exista pátio. Uma parte minha vive na Casa Azul, ainda. Ouço uma incessante goteira na pedra quando estou entre o sono e o despertar.

Como você e todas as mulheres de sangue indígena, levo esta postura de rainha, o queixo erguido, o olhar que nunca se dobra, nunca em nós uma postura de subserviência. Temos o chão e a floresta e os segredos dos ancestrais. Os teus são toltecas e os meus são da raça Tupi. Nossa pele canela conhece o sol e não se irrita com seus raios e nosso amor pela lua vem de longe de muito longe. As estrelas amam estas mulheres das tribos e temos sempre uma que escolhemos para ser nosso farol. Nunca soube a tua, mas a minha é a estrela Vésper.


Sol de Coyoacán - Bárbara Lia




Em 2010 iniciei a edição de livros artesanais, dei a este projeto delicado e muito amado por mim, o título  - 21 gramas - livros com 21 páginas (em média), formato 10,5 x 18 cm e o detalhe em crochê para juntar as páginas. 
Sol de Coyoacán reúne meu diálogo - em prosa e verso - com Frida Kahlo.
O preço de cada livro é R$.21,00 - + postagem - R$.7,00.
Iniciei uma promoção por 15 dias.
Quem comprar um livro artesanal recebe dois e pode presentear outra pessoa que ame poesia.

Mais detalhes e vendas no meu e-mail
barbaralia@gmail.com

Sunday, February 05, 2017

da desumanização...




a desumanização acontece ao ritmo do plim-plim, há décadas
orquestra subliminar com hálito de goebbels nunca cessa
os ouvidos agudos não suportaram e desconectaram satã
enlear os mais simples em estratégia miserável e cruel
o exercito maior inocente e alguns cientes tão podres quanto
quando a onda fascista a tudo engole e cai a beleza humana
quando no chão toda a poesia as rosas as notas musicais
toda a serpentina lírica dos carnavais riso puro e auras de antes
quando no chão os rios de suavidade evaporam ao sol sem nexo
fica esta espada no coração-pedra esta espada enfeitiçada
ninguém mais tem o direito de sangrar ainda mais nosso coração
nosso sangue só pela grandeza, só pelas mãos de um Arthur
só mãos de amor para retirar a espada, deixar vazar o sangue
só a beleza vale nossa dor, então vamos cessar o sofrimento
esquecer o que não vale nossa lágrima, perdoar, seguir, lutar
reconstruir - as rosas, os rios, as marchinhas delicadas, os
lábios das primaveras inenarráveis, as mãos que acenam luz
há um mundo que nos atinge por ser o rosto que já conhecemos
misto de hitler, temer e carrascos, coisas que destroem as coisas
a desumanização vem acontecendo lentamente e alguns já viram
os que viram hoje, os que sabem agora, os que veem o absurdo
de se agredir quem morre, desejar que morra, o escárnio, horrível
a desumanização é hipócrita e podre atrás de um rosto colorido
a desumanização - uma fumaça invisível e inodora a enlear tudo
a desumanização que nos atirou nesta patamar tão triste...


Bárbara Lia 

Thursday, February 02, 2017

Marisa Letícia Lula da Silva (1950-2017)




Marisa Letícia, companheira de Lula, mulher guerreira, ex-primeira dama do Brasil descansa. Sei de forma abrandada da sua dor, aqui no reino das insignificâncias - a minha insignificância e a de alguns que me detestam. É difícil suportar as falas injustas, sim. O corpo adoece. Não posso imaginar o que é ser uma pessoa simples que sai de um mundo onde pode tocar cada coisa ao redor para estar ao lado de uma pessoa histórica como é Lula. Os mitos morrem. Os poetas que você ama como se fossem deus, morrem. Morrem os grandes homens e mulheres que você admira e você sabe: é o ciclo. Você entristece, mas não chora. Nada escapa ao fim, e esta dúvida sobre o fim de Marisa Letícia, este sentir na pele de forma abrandada o que ela sentiu em fúria reverbera a certeza de que é preciso ser forte diante dos que odeiam, mas até para ser forte existe um limite. 

Não posso dar nada além da lágrima, as lágrimas todas.

Descanse em paz... 
Dos que odeiam não falaremos e nem os lembraremos...

Wednesday, February 01, 2017

Sunday, January 29, 2017

Revista Gueto - em breve pelo selo independente um livro digital - Aguardem!


Novo título a caminho:

Uma brasa acesa de amor e morte - Poesia - Bárbara Lia

Republicando postagem da editora da Revista Gueto - Amanda Sorrentino - no Facebook:
Já publicamos | no selo gueto editorial | da revista gueto | Antonio LaCarne | livro um | e Claudio Parreira | livro dois
mais três já confirmados | no prelo | Rodrigo Novaes de Almeida | livro três | Bárbara Lia | livro quatro | e Cláudio B. Carlos | livro cinco | em breve


gueto editorial é um selo independente de livros digitais destinado a correr livre na rede | levando versos, antiversos, protoversos, metaversos e multiversos para o reviramento do mundo | todos os títulos serão acessados gratuitamente em nosso site sob licença creative commons


Friday, January 27, 2017

A eternidade da eternidade, um prefácio para o livro A Barca de Rá - Isabel Furini

(Prefácio que escrevi para o livro - A Barca de Rá - Poemas da Travessia dos Personagens Mortos pelo Portais das 12 Hora - Isabel Furini)

link para leitura do livro: clicar aqui neste link para ler A  Barca de Rá





O sonho do homem é permanecer. Para isto gera filhos, planta árvores, realiza projetos e busca, de várias maneiras, imprimir seu nome no mundo de forma pétrea. Algo que nada lave, apague, queime, desintegre. Algumas edificações atravessam Milênios. As civilizações imprimem conhecimentos que gerações futuras replicam. Em cada nome que se perpetua um feito de galhardia, de ciência, de conquista. Alguns também se perpetuam por iniquidades, como Jack o estripador, do qual nem sabemos o real nome. Sabemos que existiu e foi feroz. O escritor é o que se eterniza por traz de máscaras, com muitos nomes, a caminhar por muitas cidades e a sentir de várias formas o rio da vida em suas veias. O escritor é o que cria uma realidade metafísica que migra para o papel como fato e tudo isto acaba por ser eternizado mais que o criador. O mistério da Arte imprime esta flor de fogo nas entrelinhas e permite que um mortal comum, por vezes calado e tímido, se torne eterno. Nem sempre o autor é afeito a arroubos como quem ele cria. Ficam os enredos a guiar corações em êxtase, que leva a um momento inacreditável, onde a respiração se faz opressa e, dentro de nós esta incredibilidade: como alguém conseguiu escrever algo tão lindo! O texto que inicia esta apresentação é minha forma de dizer que, para alguns, os personagens dos livros são tão sagrados que acabam confundidos com as coisas do dia, da vida e não são colocados como algo apartado da vida materializada. O escritor é o mago que consegue derrubar uma fina parede entre os mundos. Para os leitores estes personagens são tão reais como o vizinho que nos chateia com os barulhos na madrugada, ou a mulher que nos saúda no supermercado. 
O livro A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12 HORAS adentra um universo fictício para plasmar um mundo onde personagens de livros se encontram em uma barca em uma travessia rumo ao mundo dos mortos. É possível que este mundo antigo te engula e entres em uma espiral de mitos e símbolos. É uma viagem sonora, lavada em imagens, onde a angústia, o êxtase e o medo te tocam e tudo conclama a pensar nesta possibilidade, de que nossos maiores ícones da Literatura acabem por morrer nas veias de um tempo (presente) onde a vida se resume a likes na rede social, a encontros cibernéticos lavados em puro ego, palavra que evaporam ao acabar de ser proferida. Estas coisas deste tempo – líquido - segundo Baumann. Fica esta angústia de que consigam roubar a eternidade da Eternidade, de tudo que o mundo calcificou em matéria de Arte impressa nos livros. No instante seguinte, um pensamento consolador a garantir que desde que o mundo é mundo, os leitores se perpetuaram à margem dos modismos, convenções, etc. E o pensamento consolador dilui no ar uma barca plasmada, onde personagens atravessam portais para a morte. O livro traz uma narrativa lírica, com direito ao coro, à moda do Teatro grego, o que traz uma aura de gravidade aos acontecimentos. A autora dá voz aos personagens canônicos e atira uma chuva de interrogações sobre a gênese de um livro, sobre o papel do autor: esta eterna dúvida se é ele que imprime força aos personagens, ou são os personagens que se impõem advindos deste espaço misterioso chamado – criação. Nesta barca, a autora veste a pele dos personagens em discursos vários: Dom Quixote fala de lutas e Úrsula de Cem Anos de Solidão, espanta-se por ser ficção dentro da ficção. As fala das inúmeras personalidades ecoam em uma barca impossível, plasmada para debater o mistério da criação e da criatura no universo da Literatura. A eternidade - ou não - dos que habitam este universo paralelo do imaginário. Resta ao coro deixar no ar a pergunta:

"e se os humanos
fossemos apenas
personagens exilados
de um livro virtual
construído no passado?"


Bárbara Lia é poeta e romancista.

Monday, January 16, 2017

A tecelã dos sonhos - Entrevista a Ana Lúcia Vasconcelos no site Musa Rara


Ana Lúcia Vasconcelos disse que suas entrevistas são mesmo longas e que era para que eu contasse TUDO sobre meu itinerário de leituras e livros que escrevi, e eu contei. A Literatura é o pão e o dia a dia, então não esperem rompantes acadêmicos, citações e nada mais além do que se ouviria em uma conversa em um café. Minha vida de escritora começou mesmo - nel mezzo del cammin di mi vita - este é o resumo do meu mergulho na palavra... 

Link para a entrevista:

http://www.musarara.com.br/a-tecela-de-sonhos

Monday, January 09, 2017

RIP ZIGMUNT BAUMANN


(todos nós fomos influenciados por Zigmunt)


não suporto o ruído dourado do sol
a arrastar o manto sobre os tristes
grão a grão toda beleza é triturada
o tempo agora é líquido - lacrimado

Bárbara Lia




Thursday, December 22, 2016

3 poemas de "forasteira" no site mallarmargens

Para encerrar o ano, três poemas do meu livro "Forasteira" no site Mallarmargens.

 Ilustração – Eleusis by Marcin Owczarek

link para as poesias;


http://www.mallarmargens.com/2016/12/3-poemas-de-forasteira-de-barbara-lia.html

Friday, December 09, 2016

Para Emily & Clarice






É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickinson em 10 de dezembro de 1830 em Amherst, Massachusetts.
Nossa grande Clarice e a inesgotável e inacreditável poeta Emily Dickinson, que eu amo e amo...
Meu amor por elas e minha homenagem neste dia. Diálogos que nunca terminam... 
Só resta dizer: vocês tem noção do que fizeram com a gente? 
Eu vou passar a vida a perfurar estes solos inesgotáveis: Emily & Clarice.






“A real cicatriz você tem?” *



Signo de Salomão
Na palma
Napalm na pele
Da alma
Tatuagem recebida
No berço
Caligrafia de Deus
- Risco estrela -
Que oblitera a pele canela
O mel de flor evaporada
Os traços arcaicos
Incinerados no espelho
Reflete
Em branca fogueira
Intacta
Minha alma
Ignorata

Bárbara Lia
A flor dentro da árvore/2011

* o título do poema é um verso de Emily Dickinson,
assim como de todos os poemas deste livro



.
“Enquanto eu inventar Deus. Ele não existe.”
(Clarice Lispector)



.
Sempre a colidir com Deus
Nas horas incríveis
Nas horas túrgidas
Nas horas cruas
Mas, no dia a dia – Deus esfuma
Eu sempre quis ser íntima
Brincar com ele
Qual na infância
Como se ele fosse um vizinho
Que se chama pelo vão da cerca:
— Vê as amoras maduras?
Vamos devorá-las depois do pique esconde?
— Pena. Amanhã eu vou. Hoje fiquei de castigo
(A mãe dele o tira da janela e fecha a cortina.
Antes acenamos um ao outro, um pouco tristes)
Bárbara Lia
(Memento - 2016)

Friday, December 02, 2016

Pássaros ruins




INSÔNIA

Este é o século da nossa insônia
Mentes plugadas em telas isonômicas
Longe dos mitos e da cosmogonia
Dopados de “soma” e monotonia
Este é o século lavado à amônia
Escravos cardíacos da luz de néon
Escravos maníacos dos mantras
Escravos agônicos do abutre Mamon
E havia esperança no pássaro
Havia luz nas colmeias tardias
Havia ar nas barricadas de Paris
Havia armar-te. Havia amar-te... Havia.
BÁRBARA LIA
 



Ficha Técnica


Direção e Trilha: Adriano Esturilho I Curadoria: Ricardo Pozzo I Produção: Samara Bark I Ass. de produção: Gustavo Borralho I Montagem e Fotografia: Giuliano Andreso I Assistência de fotografia: Lucas Kosinski I Captação de Áudio: Lucas Maffini I Figuração: Bella Souza I Desenho de Som: João Caserta I Gravação Trilha: Estúdio AudioStamp I Realização: Processo Multiartes e Casazul

diálogo com Clarice Lispector




"mil luzes de orvalho"

"crucificada pela lassidão"

"arranho uma chaga"

Clarice Lispector


**


quem volta
para abraçar
um pássaro
não o encontra
mais


**

liquefaz o sangue do sol
em mil luzes de orvalho
ameniza!
estica o tempo
feito orgasmo
de rainha

**


diálogo poético com Clarice Lispector, a ideia era escrever poemas a partir da leitura dos contos dela, como garimpo, eu procurava palavras e frases poéticas dentro de cada conto e escrevia u poema, um exercício poético que rendeu doze poemas até aqui... mas veio a finalização de "Forasteira" e o lançamento, agora fico aqui sem saber se sigo na poesia dialogando com Clarice, se termino um romance estancado em sessenta páginas e que pretendo terminar até maio... a vida de quem escreve é - no mínimo - insana...
imagem - erika kuhn