Saturday, March 04, 2006

porão loquax 07.03.2006


















ilustração - Pointelim

CONVITE

Nesta terça 07/03
Dentro do Projeto do poeta Mário Domingues
- PORÃO LOQUAX -

CANTOS BÁRBAROS

- Poemas inéditos da Bárbara Lia -
performance da atriz, cantora Melina Mulazani


Serviço - Porão Loquax -
Wonka Bar - Trajano Reis, 326 -
23h - couvert 1,99

Friday, March 03, 2006

Ana Cristina Cesar



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Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita que vai sendo cortada
deixando uma sombra
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura
venenosa
de tão funda.
- Ana Cristina César (1952-1983)
A teus pés - Ed. Brasiliense
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Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
(T. S. Eliot)

Thursday, March 02, 2006

The dreams



















THE DREAMS


Eu tinha dezessete (eu tive dezessete)
Asas resvalando paredes de um quarto
Voz mortiça murmurando em engasgos:


home along the line of the skyway
for this dark and lonely room
projects a shadow castin’ gloom…



Eu tinha dezessete, esperança sempiterna
(Rasgaram em vão o ódio os que tentaram
matar em minh’alma a habitante mais antiga,
da caixa mais antiga)



Asas em mim, sempre esperando o dia
Farfalhar em estardalhaço
Das asas a rasgar as paredes negras



Fly away, skyline pigeon fly
Towards the dreams...




As pombas pisam as pedras da Praça Tiradentes,
O homem magro alimenta o bando que chega em voos
- Alegoria bela: voo em coreografia de abismos -
O céu baixou ao chão da minha cidade
Posso enfim caminhar na linha do horizonte
Bebendo poesia, recolhendo dos galhos das árvores:

The dreams...
The dreams...
The dreams...


BÁRBARA LIA

- em negrito - trechos de Skyline Pigeon Fly
Elton John

Monday, February 20, 2006

Bernardo Brayner














Em trânsito

Chuviscaía. O limpador dos pára-brisas dos carros negando: não, não,não, não. Atravessa na rua o homem, esse homem, apressadamente homem.
O fluxo de carros em mão. Espalmada. O fluxo de carros parado como um
rio seco. Não se vive duas vezes na mesma vida.

Bernardo Brayner - Recife (PE)
Publicou - Exercícios de Morrer (contos)
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Saturday, February 18, 2006

Primavera para Beethoven

















bosque em primavera - mary molvert


Também os bosques são sinfonias
No silêncio da bela arquitetura
Teias de aranhas são partituras
Por mais casta que seja a analogia


Em nítida alegria toda tessitura
De um concerto pleno de alegorias
Traçando entre o verde, harmonias,
Asas dos pássaros voam alturas


(Entre galhos notas do vento se ouve
E um exército de aves se levanta
Rasgando - em asas - o ar fuligem)


Uma paisagem etérea-sacrossanta
Primavera oferecida ao triste Beethoven
Que fulge entre o verde e - sorrindo - canta


BÁRBARA LIA

Thursday, February 16, 2006

a mosca azul


Betto fala e Lula ouve,
atento, 1.980 - O encontro.
...
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Recebi do meu amigo Frei Betto – A mosca Azul – reflexão sobre o poder. O livro é pleno de reflexões, à luz de filósofos e pensadores, desde Platão a Hanna Arendt. Um levantamento de várias questões - a crise da esquerda, e começa com a posse de Lula , o encontro de Frei Betto com Lula, o nascimento do PT... O livro é dedicado a Ivo Lesbaupin, um dos freis dominicanos que esteve preso durante os anos da ditadura. Helvécio Ratton está adaptando para o cinema o livro de Frei Betto - Batismo de Sangue, onde Daniel de Oliveira será Frei Betto, e Caio Blat, Frei Tito - o frei que teve sua alma quebrada por Fleury, humilhado, torturado, banido e exilado, enforcou-se em um álamo em L’arbresle há mais de trinta anos.
O prefácio do livro é um poema – de Machado de Assis - Nesta semana o livro deve ir para as livrarias. Vou me debruçar sobre os 31 tratados do livro, acrescentar algo, enquanto o Brasil inteiro fica ligando 0313131... Pensei nisto agora ao ler o número de capítulos, e de como eles se iniciam...
I - Trata da euforia pela vitória de Lula. Os sinais dos tempos. As lutas do povo brasileiro.
II - Trata da formação política do autor. Recorda Sócrates, o golpe militar e conquistas inovadoras.
III - Trata do primeiro encontro do autor com Lula. O carisma...
Não vou enumerar os XXXI tratados. O livro resume o pensamento de alguém que viveu a realidade deste tempo, que ficou dois anos preso ao lado de rebeldes dos anos sessenta e mais dois na mesma penitenciária de segurança máxima onde esteve Fernandinho Beiramar, em Presidente Venceslau, pela simples razão de que estava seguindo a sua vocação cristã - escoando pela fronteira sul do Brasil pessoas que poderiam ser perseguidas, torturadas, mortas... Nunca empunhou uma arma, é certo que é um homem polêmico, a ponto de dizer que o homem ideal seria filho de Che Guevara com Santa Tereza D'Ávila, e a única coisa que posso dizer é que concordo com o pensamento do Frei, admiro a sua coragem, pois ele se dilui em humanidade, sempre.
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A MOSCA AZUL
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Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão,
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada,
Em certa noite de verão.
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E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua, - melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.
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Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
"Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que to ensinou?"
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Então ela, voando, e revoando, disse:
"Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor."
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E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo,
E tranqüilo, como um faquir,
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,
Sem comparar, nem refletir.
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Entre as asas do inseto, a voltear no espaço,
Uma cousa lhe pareceu
Que surdia, como todo o resplendor de um paço.
E viu um rosto, que era o seu.
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Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,
Que tinha sobre o colo nu
Um imenso colar de opala, e uma safira
Tirada ao corpo de Vichnu.
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Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,
Aos pés dele, no liso chão,
Espreguiçam sorrindo as suas graças finas,
E todo o amor que têm lhe dão.
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Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,
Com grandes leques de avestruz,
Refrescam-lhe de mando os aromados seios,
Voluptuosamente nus.
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Vinha a glória depois; - quatorze reis vencidos,
E enfim as páreas triunfais
De trezentas nações, e os parabéns unidos
Das coroas ocidentais.
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Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto
Das mulheres e dos varões,
Como em água que deixa o fundo descoberto,
Via limpo os corações.
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Então ele estende a mão calosa e tosca,
Afeita a só carpintejar,
Com um gesto pegou na fulgurante mosca,
Curioso de a examinar.
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Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.
E, fechando-a na mão, sorriu
De contente, ao pensar que ali tinha um império,
E para casa se partiu.
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Alvoroçado chega, examina, e parece
Que se houvesse nessa ocupação
Miudamente, como um homem que quisesse
Dissecar a sua ilusão.
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Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil,
Sucumbiu; e com isto, esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.
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Hoje, quando ele aí vai, de aloé e cardamomo
Na cabeça, com ar taful,
Dizem que ensandeceu, e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.
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MACHADO DE ASSIS, "Ocidentais",
in Poesias completas, 1.901
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A MOSCA AZUL - REFLEXÃO SOBRE O PODER
ROCCO
FREI BETTO
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Frei Betto -
Escritor, assessor de movimentos sociais e frade dominicano.
Nasceu em Belo Horizonte, estudou jornalismo, antropologia,
filosofia e teologia. Lider estudantil, preso político, morou em
favelas no Espírito Santo, quando deixou a prisão,
publicou 53 livros, foi um dos premiados com o Prêmio Jabuti,
no ano passado, com seu livro Típicos Tipos.
Na minha coluna semanal - SITE VEJO SÃO JOSÉ - minhas primeiras
impressões sobre o livro - A mosca azul:

Friday, February 10, 2006

LESSONS IN LOVE’S SEASON


























tristán & isolde - ernst fuchs




LESSONS IN LOVE’S SEASON


Cortar ao meio
a gota d’água
com uma adaga.

Cortar meus medos
com teu olhar
-canção de folhas-

Amar quem ama
Orwel e brownie
com igual ternura,

e lê pensamentos
tornando-os vivos:

Cenas no Café Express.

Lessons in love’s season
of a Jewish boy

That I love.

Bárbara Lia



Wednesday, February 08, 2006

o sorriso de leonardo




















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O SORRISO DE LEONARDO


Bárbara Lia


Dissecar cadáveres
para buscar
a perfeita anatomia.
Libertar pássaros
nos mercados
da Itália renascentista.
Beleza clara
cabelos e barba
emaranhados
luz em desalinho.
Toga cor-de-rosa
levita na pele
suntuosa de gênio
-inocência serena-
Leonardo, in carbon,
copiando a própria beleza,
em sorrisos negados.
Sorriso de Leonardo
inauguraria um novo sol
aplacaria o brilho do astro.
-seu sorriso imaginado
seus quadros incendiados-
nos conduzem enquanto
vamos dissecando o verbo
com fúria encantada.
Desejo leonardiano
de libertar o poema
e revelar a musculatura
exata de cada palavra.

Sunday, February 05, 2006

ancorando estrelas

ilustração - claude théberge

ANCORANDO ESTRELAS


Sonhei com Dian Fossey.
Aquela que vivia entre orangotangos.
Comprarei um peixe dourado


e sorrirei para ele
no café da manhã.
Poetas são marinheiros,


a diferença é que seus portos são estrelas
e nunca ancoram
no meu coração – cais.


Aparição sonhada:
Teus olhos negros na soleira.
Seremos dois a sorrir para o peixe dourado.

BÁRBARA LIA




Sunday, January 29, 2006

karl e Norek



















Tristan - Claude Théberge



O ENIGMA DE MO-TSI
O filósofo Mo-tsi escondeu as palavras. Depois foi ao centro da cidade ver as pessoas que andavam de lá para cá, incomunicáveis. Sentiu remorso, pena, medo, pois até ele ficou mudo.
Pensou em libertá-las. Mas cadê a chave? Procurou entre as flores, nos olhos, no semáforo, no vento que levantava saias, e nada de palavras. Foi aí que percebeu que se as palavras não estavam por perto, pelo menos as coisas estavam, e decidiu morar em todas as coisas.
FERNANDO JOSÉ KARL (SC)- do livro - Cadernos de Mistérios - Letra D'água Editora.
*
*
NOTAS À MARGEM
6.Rezava um verso, ele não era meu, mas raptava todo meu amor em seus enigmas,
mais que suas luzes seus enigmas e eu só pensava em roubá-lo, roubar
o verso e ir pra Calicute, Serendipti ou qualquer destino de nome impronunciável,
tanto que lhe impedisse o aceso às almas não iniciadas,
almas que batem portas quando passam, àquelas que olhando a si mesmas
não vêem que delicadeza lhes estende um gesto. E por me disfarçar
na viagem, vesti o verso roubado até perceber que nele me tornara,
sua melodia na música de meus dias, seus silêncios em meu silêncio e
seu enigma em meus olhos, indelével marca. Agora, no meio do caminho,
Serendipti não existe, Calicute, ou que Oriente além de nunca termos sido –
Só esta lembrança de um verso que rezava um mistério, e nunca houve mistério
que não fosse eu – e o mais é uma lembrança de peixes
aos quais nada importa, o gélido futuro em que tornados fósseis
farão visada à poeira das estrelas
e seu olhar será apenas um oco onde se irá perguntar imagens tão belas,
imagens belas, abissais e belas, e sal e areia
e espuma.
ALDEMAR NOREK- Rio de Janeiro (RJ)

Thursday, January 26, 2006

elegia















Monumento em Mar Del Plata - no rochedo,
onde Alfonsina se atirou ao mar.


En el fondo del mar hay una casa de cristal.
alfonsina storni
(1.892-1938)


Voy a dormír

Alfonsina Storni

Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.

Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.

Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.

Dejame sola: oyes romper los brotes...
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases

para que olvides... Gracias. Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido...

Vou dormir

Dentes de flores, toucado de orvalho,
mãos de ervas, tu, fina nutriz,
prepara-me logo os térreos
lençóis e o édredon de musgos espinhentos.

Vou dormir, minha nutriz, recosta-me.

Põe uma lâmpada na cabeceira;
uma constelação; a que quiseres;
todas são boas; aproxima-a um pouco.

Deixa-me sozinha; ouves romper os brotos...
te avassala um pé celestial desde o alto
e um pássaro te desenha uns compassos

para que esqueças... Obrigada. Ah, um favor:
se ele chamar novamente ao telefone,
diga-lhe que não insista, diga-lhe que saí...


[Poema enviado ao jornal La Nación poucas horas antes de sua morte]
tradução Álvaro Machado

ELEGIA

Bárbara Lia

Belo é o fim das estrelas
chuva de diamantes no vazio
despedem-se em lágrimas
de beleza.

Alfonsina-estrela
pássaro rasgado adormecido.
- en una casa de cristal en el fondo del mar-

Quando piso as águas,
veludo nos passos, pé ante pé,
cubro sua casa de cristal
com minhas lágrimas
e escuto tua voz cobalto
de paz enfim coberta
- No despiertes los pájaros que duermen-

Saturday, January 21, 2006

Rasgar o vidro































EL SOL
Edvard Munch
(1863-1944)




RASGAR O VIDRO

Lâmina brilhante beija
o vidro recôndito
das dobras da alma.

Secreto sofrer
adeja do olhar fendido,
de estar ferido
sem estar.

Nem a lâmina do sol
rasga a alma,
pois vidro não rasga vidro.

Estala a rir e estanca.
Cínico semblante,
dentro da alma, um gemido.

Uma certa saudade – fina agulha –
de quando era a alma uma mínima fagulha
do sol-lâmina que o fere agora.


BÁRBARA LIA

Friday, January 20, 2006

Rûmi







Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
- Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!


Jalaluddin Rûmi 
poeta persa do século XIII.


Saturday, January 14, 2006

Tristão e Isolda

























Sir Tristão de Lionesse – cavaleiro e poeta – e
Isolde, filha de Gormond – escandinavo.
Amor narrado em escritos celtas antigos – Mabinogions.
Também narrado por Maria de França, irmã do Rei Henrique II,
da Inglaterra, em um conto conhecido desde o ano 1.000
– Chévre Feuille – (A Madressilva) – As madressilvas
quando mantém os galhos emaranhados, crescem, florescem,
quando separados, morrem, um após o outro.
Assim como Tristão e Isolda.
Estréia amanhã, nos Estados Unidos, o filme Tristan & Isolde,
com James Franco e Sophia Myles.
Ando mergulhada na lenda de Tristão e Isolda.




O PIANISTA DA FLORESTA DE VIDRO

Bárbara Lia



Veio a mim,
de uma página de Tolkien:
Aragorn.
Olhar de névoa
de uma floresta de vidro,
pisando pedras antigas,
pisando meu coração de vidro.
Falava em esperanto
sobre o encanto
das estrelas.
Entre pedras
&
astros:
o milagre.
Clave de sol nos enlaça
ele me oferece a taça
poção do amor
que bebemos juntos.
Tristão & Isolda.


Nuvens rascantes de Piazzola.
Pássaros de Mozarth.
Cascatas de Bach.
Flores de Wagner.
Tudo ressoa
e ainda arde
o olhar
verde vidro
em minha carne.

Wednesday, January 11, 2006

Moreninha - Mano Melo








MORENINHA


Quer ir pras ilhas Malvinas
Gritar que elas são argentinas?
Ou você prefere um carnaval de confetes
E serpentinas?
Ou quem sabe dois tabletes
De chiclétes?


Quer se transformar na Princesa Narda
E ir embora pra Pasárgada?

Ou você prefere ser Nyoka,
Heroina de estórias em quadrinhos
E ir pra Áfrika
Viver uma aventura na selva?
Poderias voar pelos caminhos
Se balançando pendurada em cipós.
Subir a nada as cachoeiras de Foz.
Ou singrar os mares no trem azul da música do mundo.
A Eternidade é feita de milésimos de segundos.

MANO MELO

http://www.almadepoeta.com/manomelo.htm


MANO MELO é poeta, ator, roteirista.
Lançou entre outros livros - O lavrador de palavras (poesia)
e VIAGENS E AMORES DE SCARAMOUCHE ARAÚJO (romance)
pela editora Fivestar.

Em 1.998 recebi do Mano este poema, juntamente com o romance de Joaquim Manuel de Macedo - A Moreninha - Mano é alguém que mora no meu coração, e entre todas as perguntas feitas, a moreninha diz que gostaria de ser a Princesa Narda, ir embora para Pasárgada - lá sou amiga do rei, e tenho o homem que eu quero, na cama que escolherei.

Eugénio de Andrade















jeanne carbonettti



Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
a cal molhada
ao amanhecer
sabe a luz mordida
ao sangue dos rios
sabe a brisa nua
sabe a rosa louca
ao cair da noite
oca
sabe a pedra amarga
sabe à minha

Eugénio de Andrade

Tuesday, January 10, 2006

Poema do livro - A última chuva



Sepultei dois mortos na última primavera
Cavei minimamente suas covas brancas
Envolvi em lençóis de linho 
Com óleos almiscarados
Jamais voltarei aos seus túmulos
Eles, que não se sabem mortos,
Passeiam por paraísos 
Com gueixas de anis

Bárbara Lia

A Última Chuva
- Mulheres Emergentes (2007)

Thursday, January 05, 2006

da herança






Meu pai dizia que ela era forte
E era fiel ao seu amor
Bárbara Bela – de Alvarenga
A conjurada. A louca


Sou guerreira – este é o nome
Estigma na alma
A vida uma batalha
Amores degredados


Nome marcando
Passos, destino, travessia
Quem dera ser Beatriz


A moça bela 
Da canção do Chico
A musa de Dante
Uma mulher feliz!
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- BÁRBARA LIA -

Tuesday, January 03, 2006

Fernando Aguiar


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FERNANDO AGUIAR




Folha de plátano
Baila ao sol
Acha crepitante.
Lenta folha desaba
No solo triste.


Epitáfio da folha:
Não desapareço

– espumas nas ondas.
Regenero o solo

com ternura feroz.
Para colorir azaléias,

gardênias e girassóis.

- BÁRBARA LIA -

Fernando Aguiar e Julien Blaine conheci em 1.997 no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves. São expressões da Poesia Visual Européia, algumas palavras e imagens de amigos além-mar, amei o poema visual do Fernando - intitulado - poema - e este poema meu é o único que fala em folha de plátano.

Fernando Aguiar



FERNANDO AGUIAR - Nasceu em Lisboa em 1.956 -
poeta visual - artista plástico.
Site de poesia concreta e visual portuguesa:
http://www.po-ex.net/galeria/index.php?cat=0

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...