Sunday, July 09, 2006
Torquato Neto
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
TORQUATO NETO - (1.944-1972)
do livro - Os Últimos Dias de Paupéria - Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973,
luvas de pelica

Cacaso

Cacaso (1.944-1.987)
PSICOLOGIA DO ETERNO
Meu corpo visto no breu
não envelhece: tal a fúria
da gaivota devoradora de tempo.
Meu corpo, no tempo, é negro.
Existo na véspera. O que sou
não anuncia: se repete.
Assim a música prevê
sua intenção de estátua.
Longe da morte me lanço.
No crepúsculo congelado
meu suicídio se exala.
Fico na morte irrealizado:
Casta paisagem cria o olho
que apenas se constatou.
Rio, 1965
CACASO
do livro LERO - LERO (1.967-1985)
7 Letras e Cosac & Naify
Héctor Viel Temperley
Pabellón Rosetto, larga esquina de verano, armadura de mariposas: Mi madre vino al cielo a visitarme.
Tengo la cabeza vendada. Permanezco en el pecho de la Luz horas y horas. Soy feliz. Me han sacado del mundo.
Mi madre es la risa, la liberdad, el verano.
A viente cuadras de aquí yace muriéndose.
Aqui besa mi paz, ve a su hijo cambiado, se prepara - en tu llanto - para comenzar todo de nuevo.
Héctor Viel Temperley (1.933-1994)
Argentina
do livro Hospital Británico
Saturday, July 08, 2006
kerouac

O Livro dos Sonhos (L & PM Pocket)
O livro é compilação exata dos sonhos de Kerouac. Boa idéia para qualquer escritor.
Friday, July 07, 2006
Kafka e Milena - II
Wednesday, July 05, 2006
Kafka e Milena

.- Milena -
Sunday, July 02, 2006
A esfinge na névoa

"...e lui tornera´ ad Itaca"
Giuseppe Medagli
A ESFINGE NA NÉVOA
Quando a alma
fala
já não fala a alma.
Se o corpo é sua escada
a língua é por onde
ela escapa?
Jamais sairemos
desse labirinto
de falsos silêncios;
Então, por que não cantamos
enquanto afundamos?
Ou por que não nos calamos,
até o fim da névoa
do labirinto
e do silêncio torpe?...
Se a canção da Ursa Maior
não nos alcança,
afundar no canto ausente
das sereias de antes,
e apesar da vitória
deste abismo em nós
de nossa secreta Ítaca
não estamos tão distantes.
Ítaca dentro de nós:
A torre, a amada a fiar o manto,
o cão cego e fiel,
a mesa, o vinho...
Ítaca – a felicidade-
escondida no mar de abismos
e nos labirintos de sal
- nossa casa-alma:
Esfinge na névoa
que sempre encontramos
no final.
BÁRBARA LIA / MARCELO ARIEL
Friday, June 30, 2006
apenas um vício
APENAS UM VÍCIO
Bufões transvestidos de poetas
burocráticos arrogantes,
pedantes pregoeiros
vós sois os porta-flâmulas
brandindo insígnias desbotadas.
Ser poeta não é um título de glória.
Apenas um vício natural.
Um fardo que por medo
amarramos mal.
EUGÊNIO MONTALE
1896 - 1981
ITÁLIA
(tradução de Ivo Barroso)
Saturday, June 24, 2006
Sob o céu do Líbano
Tuesday, June 20, 2006
Noir

Claude Théberge
(...)
Se me levasses a ver tua cena
Cairia - em néon azul -
O espírito de Billie Holyday
Em uma mesa de bar
As calçadas refletiriam
Andares a esmo
Alçando pilares de desejo
Meninas nuas em camas de areia
Com o pó negro de kohl
Derretendo em prazer
No olhar
Ou, um quarto – silêncio -
Violão e cama
Clara solidão
Tuas cenas nítidas
Eu - uma cena escura & vaga.
- Lusco-fusco antigo -
Banhada em ausência
Da tua imagem em arco-íris.
Sangue ocre de árvores mortas
Espalhadas em mil papiros de agora
-A4-
Poesia narrada
Entre o branco-ausência
E o choro das árvores
Afogada em celulose
Olhando esta lua pobre
Que me confessou, corando,
Em surdina
Que também adora o menino.
BÁRBARA LIA
(do livro inédito - NOIR)
Wednesday, June 14, 2006
Poemail
aprendi a fazer aquilo
que deve ser como as donas de casa fazem:
esperar um afeto ao final do dia
a trancos e barrancos
vivi uma vida
(mais que o tempo que você viveu)
em burocracia asfixiante
casamento sem sal
ou açúcar e vida moldada
que me asfixiava
que me fazia acordar nas noites
a procurar um caminho
que me levou
a uma pobreza abençoada
chamada solidão
Bárbara Lia
Friday, June 09, 2006
Uma canção de amor para Bobby Long
Monday, June 05, 2006
Giácomo Leopardi

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quella e sovrumani
silenzi, e profondissima quiete
io nel pensier mi fingo; ove per poco
il cor non mi spaura. E come il vento
odo stormir fra queste piante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Così tra questa
immensità s'annega il pensier mio;e il naufragar m'è dolce in questo mare.
Giácomo Leopardi
O Infinito
Sempre caras me foram essas ermas colinas,
e essa cerca, que por toda parte,
do último horizonte, o olhar exclui.
Mas sentando e admirando, intermináveis
espaços para lá delas e sobre-humanos
silêncios, e profundíssima quietude
eu, no pensamento, me finjo; onde por pouco
o coração não me amedronta. E, como vento
ouço sussurrar entre estas plantas, eu, aquele
infinito silêncio à essa voz,
vou comparando: e me sobrevêm o eterno,
e as estações mortas, e a presente
e viva, e o som dela. Assim, dentro dessa
imensidão se afoga o pensamento meu; e o naufragar-me é doce nesse mar.
Giácomo Leopardi
Tradutora - Patrícia Camila Greter
Formada em Letras Português Italiano - UFPR
- com ênfase em tradução -
Wednesday, May 31, 2006
lição n°1
A folha de uva me ensina mais que as teorias
O olhar do garoto nissei do terceiro andar
Yáyá do 607, com suas palavras-arnica
Entre rosquinhas e sorrisos
Uma marmota na TV, olhar astuto
Dorso estirado de manequim
Também me ensina a ser zen
O desenho oriental em tinta nanquim
Sinfonia & chuva & a epopeia terna
De cenas que resgato dos cílios
Do filho adormecido
Um cem número de visões, sabor e sons
Que degolam as vãs teorias
Um livro humano que me ensina
A entender a vida
Bárbara Lia
Monday, May 29, 2006
Deserto Metafísico

Refugiados do campo de Korem,
Etiópia, 1984.
DESERTO METAFÍSICO
Eu me vejo como estrangeira pela vida
Refugiada em um mundo áspero
De versos rasgados ao vento
Sei o quanto arde voltar dez passos
Olhar para trás e ver apenas - o vazio
Vaso amputado do jardim
Posso ver com olhos de areia
E ter certeza
Mais belos os cadáveres ambulantes:
O opaco semblante do menino morto
E do pai apático,
Da mãe que volta
- Como se voltam sempre as mulheres-
Atrás da última esperança
Mais belos e mais vivos
Que almas perdidas
No deserto metafísico do ódio
- Os mortos vivos -
Refugiados do mundo da beleza
Ateando fogo a oásis alheios
Disseminando espinhos
Rindo em galhos retorcidos
- Harpias angustiadas -
Eu não os decifrarei nunca
Sem a senha secreta
Em meus ossos está a senha
Que abriria o coração dos tristes
Eu não reconheço os tristes
A água de canela venenosa
Que me dão de beber
Seus cantos de salmos ao avesso
Tramando meu fim
E eu ali - sorrindo de peito
aberto
Morrerei acreditando
Como a mulher que se volta no deserto
À espera do milagre
A dizer pedra quando for pedra
E nuvem quando for nuvem
Morrerei com aquele olhar de espanto
De quem não acredita até o último instante
Que foi atraiçoada pelos tristes
Se o menino morto abrisse os olhos
Eu lhe diria que ele é mais vivo
Que os mortos vivos manipuladores de vidas
Do deserto de suas almas ressequidas
Brotam abutres invencíveis
Que comem minha carne até os ossos
E leem a minha senha escondida
Bárbara Lia
as times goes by
Sunday, May 28, 2006
noite de poesia

Suba nos tanques de Pequim!
Friday, May 26, 2006
Koproski

Impacientes os vermes veem todo esse morrer. versos,
verdades, vestidos, vícios, vênus, vinhos. os vermes
enquanto esperam queimam as asas de cereja das borboletas
e morrem em vermelho todos os nomes do amor.
FERNANDO KOPROSKI
Tudo que eu não sei sobre o amor (Travessa dos editores)
Wednesday, May 24, 2006
Tábula rasa
Monday, May 22, 2006
Lady Sol

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Campanário Ayacucho - Peru
LADY SOL
Por invejar a solidão
Da concha,
Da estrela,
Do sino ébrio...
Felicidade singular
De brilho & estrondos.
Mudei meu nome.
Como mão na luva,
Deslizei
Lerda e lenta
Para esta nova identidade:
Tem um calor de chá de anis,
Um pijama macio e quente – pantufas!
Tem lua lilás e Beethoven.
E tem uma saudade.
Ah! Vedei as portas...
Não tente entrar sorrateiro
Como na noite branca
Com a beleza de suas mãos
& acordes.
BÁRBARA LIA
La nave va...
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...




