Sunday, July 09, 2006

Torquato Neto

Cogito

eu sou como eu sou

pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

TORQUATO NETO - (1.944-1972)

do livro - Os Últimos Dias de Paupéria - Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973,

luvas de pelica


Tenho medo de perder este silêncio.Vamos sair? Vamos andar no jardim? Por que você me trouxe aqui para dentro deste quarto? Quando você morrer os caderninhos vão todos para a vitrine da exposição póstuma. Relíquias. Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte é aquilo que ajuda a escapar da inércia. Outra vez os olhos.Os dele produzem uma indiferença quando ele me conta o que é a arte.Estou te dizendo isso há oito dias. Aprendo a focar em pleno parque. Imagino a onipotência dos fotógrafos escrutinando por trás do visor, invisíveis como Deus. Eu não sei focar ali no jardim, sobre a linha do seu rosto, mesmo que seja por displicência estudada, a mulher difícil que não se abandona para trás, para trás, palavras escapando, sem nada que volte e retoque e complete.Explico mais ainda: falar não me tira da pauta; vou passar a desenhar; para sair da pauta.
Estou muito compenetrada no meu pânico.Lá de dentro tomando medidas preventivas.Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me assusto; dorme, dorme.Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
ANA CRISTINA CESAR (1.952-1983)
- do livro Luvas de Pelica - Inglaterra, Novembro 1.980

Cacaso















Cacaso (1.944-1.987)

PSICOLOGIA DO ETERNO

Meu corpo visto no breu
não envelhece: tal a fúria
da gaivota devoradora de tempo.
Meu corpo, no tempo, é negro.

Existo na véspera. O que sou
não anuncia: se repete.
Assim a música prevê
sua intenção de estátua.

Longe da morte me lanço.
No crepúsculo congelado
meu suicídio se exala.

Fico na morte irrealizado:
Casta paisagem cria o olho
que apenas se constatou.

Rio, 1965

CACASO

do livro LERO - LERO (1.967-1985)
7 Letras e Cosac & Naify

Héctor Viel Temperley

Mes de Marzo de 1986
Pabellón Rosetto, larga esquina de verano, armadura de mariposas: Mi madre vino al cielo a visitarme.
Tengo la cabeza vendada. Permanezco en el pecho de la Luz horas y horas. Soy feliz. Me han sacado del mundo.
Mi madre es la risa, la liberdad, el verano.
A viente cuadras de aquí yace muriéndose.
Aqui besa mi paz, ve a su hijo cambiado, se prepara - en tu llanto - para comenzar todo de nuevo.
Héctor Viel Temperley (1.933-1994)
Argentina
do livro Hospital Británico

Saturday, July 08, 2006

kerouac

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ESTAVA USANDO UMA ATADURA BRANCA na cabeça por causa de um ferimento. A polícia me persegue pelas escuras escadas de madeira perto do Victory Theater em Lowell. Consigo escapulir e chego no bulevar, onde crianças desfilando e entoando meu nome me escondem dos guardas que me procuram, enquanto despisto no meio das intermináveis fileiras, mantendo o corpo agachado. O desfile infantil não acaba mais. Com cânticos e hinos, entramos marchando na Mongólia, com minha cabeça atada na dianteira.
(sonhado no dia seguinte à publicação de On the Road)
JACK KEROUAC
O Livro dos Sonhos (L & PM Pocket)


O livro é compilação exata dos sonhos de Kerouac. Boa idéia para qualquer escritor.

Friday, July 07, 2006

Kafka e Milena - II


Cartas de Franz Kafka à Milena:
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"Não sei como, já não posso escrever-te de nada, salvo aquilo que está em relação conosco, apenas conosco, em meio do torvelinho do mundo. Tudo o restante é remoto. Injusto. Injusto! Mas os lábios balbuciam, e o rosto se funde em seu seio."
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"No fundo sempre escrevemos o mesmo. Pergunto-te se estás enferma, depois tu mo perguntas, digo que quero morrer, e tu também o dizes, quero chorar como uma criancinha diante de ti, e então tu queres chorar diante de mim como uma menininha. E uma e dez mil vêzes e sempre quero estar a teu lado, e tu me dizes o mesmo. Suficiente, suficiente. E continuo sem saber o que disse o médico, oh lenta, oh péssima correspondente, oh má, oh amada, oh tu... bem, que mais? Nada, silenciar em teu regaço."
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"Já vês, Milena, tão incontrolável se é, tão caprichosamente somos arrastados por um mar que apenas por malícia não nos afoga. Há pouco te pedi que não me escrevesses todos os dias, era sincero, tinha medo das cartas; quando por casualidade não chegava nenhuma me sentia mais calmo; quando via uma sobre a mesa tinha que pedir ajuda a todas minhas forças e de nenhum modo me alcançavam; e hoje teria sido infeliz, se não tivera recebido estes postais (apropriei-me deles, dos dois). Obrigado."
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"Acabo de passar duas horas deitado no sofá, pensando quase exclusivamente em ti."

Wednesday, July 05, 2006

Kafka e Milena










































.- Milena -


'Escrever cartas significa desnudar-se diante dos fantasmas, que esperam isso ávidamente. Os beijos por escrito não chegam a seu destino. Bebem-nos pelo caminho os fantasmas'
'Ninguém canta com tanta pureza como os que estão no mais profundo inferno; seu canto é o que acreditamos o canto dos anjos'
'...É tão formoso ter recebido sua carta, tenho que lhe responder, embora esteja enjoado de insônia. Não sei o que lhe escrever, apenas passeio entre as linhas à luz de seus olhos, sob o alento de sua boca como em um formoso dia feliz, que continua sendo formoso, e feliz apesar da cabeça enferma, e de que segunda-feira tenho que partir para Munique.'
'Sou o cúmulo da estupidez. Leio um livro sobre o Tibet; ao chegar à descrição de um povoado nas montanhas da fronteira aperta-me de súbito o coração, tão desolada e abandonada me parece a aldeia, tão afastada de Viena. Mas o que me parece estúpido é a idéia de que Tibet fica distante de Viena. Ficaria realmente distante?'
'... Muitas vêzes tenho a impressão de que estivéssemos em uma sala com duas portas opostas, e cada qual tivesse segura a maçaneta de uma porta, e mal um de nós move as pálpebras já está o outro atrás de sua porta, e agora basta que o primeiro diga uma única palavra para que o outro feche sua porta atrás de si e desapareça. Voltará a abrir a porta, certamente, já que talvez seja uma sala que não se pode abandonar. Se pelo menos o primeiro não se parecesse tão exatamente ao segundo, se permanecesse quieto, se pelo menos aparentasse não olhar para o segundo, se se dedicasse a por lentamente em ordem o quarto, como se fosse um quarto como todos os outros; mas, em troca faz exatamente o mesmo que o outro junto a sua porta, às vezes encontram-se ambos cada um atrás de sua porta, e a formosa sala fica vazia.'
'... Estamos jogando um jogo infantil, eu me arrasto pela sombra, de uma árvore à outra, estamos em pleno caminho, você me chama, aponta-me os perigos, quer dar-me ânimo, desespera-se por ver meu passo vacilante, recorda-me (a mim!) a seriedade do jogo... não posso, desfaleço, já caí. Não posso ouvir ao mesmo tempo as vozes terríveis de meu interior e a sua, mas em troca posso ouvir apenas a sua e confiar em você, em você, como em ninguém mais no mundo."
Seu, F


Franz Kafka assinava todas as cartas para Milena, como - Seu, F -
Sou aquela que muda a cada dia, mudo o nome do blog a cada dia.
Entro em férias e deixo Franz Kafka em meu lugar por alguns dias...
Encontrei este livro na Biblioteca do Colégio onde dou aulas, uma raridade em uma biblioteca de um colégio de periferia. Uma vez eu li aquela frase onde os fantasmas bebem os beijos das cartas antes que cheguem ao destino... Arrepiada de fantasmas embriagados de beijos, eu ficava pensando neste nome - Milena - quem foi Milena na vida do Monumental Kafka - O cara cujo livro todo mundo sabe o início...
Gregor Samsa - o personagem da Metamorfose.
Cartas a Milena, são as cartas de Kafka a uma jovem senhora, casada, que se torna sua amante.
Estou aqui esperando beber as páginas, e os beijos de Kafka e Milena pelo caminho, estou aqui lendo um livro sonhado, e ler um livro sonhado é alguma coisa como um adendo ao dia da bonança... Milena Jesenská nunca teve coragem de deixar o marido por Franz Kafka, e morreu confinada entre prostitutas e criminosas de Hamburgo no campo de concentração de Ravensbrück, vinte anos após a morte de Kafka, em 1.944, um mês antes da vitoriosa invasão das forças aliadas. Uma história de amor proibido - Franz & Milena.

Sunday, July 02, 2006

A esfinge na névoa







































"...e lui tornera´ ad Itaca"
Giuseppe Medagli


A ESFINGE NA NÉVOA


Quando a alma
fala
já não fala a alma.
Se o corpo é sua escada
a língua é por onde
ela escapa?

Jamais sairemos
desse labirinto
de falsos silêncios;
Então, por que não cantamos
enquanto afundamos?

Ou por que não nos calamos,
até o fim da névoa
do labirinto
e do silêncio torpe?...

Se a canção da Ursa Maior
não nos alcança,
afundar no canto ausente
das sereias de antes,

e apesar da vitória
deste abismo em nós
de nossa secreta Ítaca
não estamos tão distantes.

Ítaca dentro de nós:
A torre, a amada a fiar o manto,
o cão cego e fiel,
a mesa, o vinho...

Ítaca – a felicidade-
escondida no mar de abismos
e nos labirintos de sal
- nossa casa-alma:
Esfinge na névoa
que sempre encontramos
no final.

BÁRBARA LIA / MARCELO ARIEL




Escrevi este poema em parceria com Marcelo Ariel - escritor e filósofo que conheci quando ele me escreveu solicitando alguns poemas para o site da Livraria Pagu de Santos. Marcelo Ariel me propôs e eu aceitei, tenho dificuldade para escrever em dupla, mas, estou aprendendo.

Friday, June 30, 2006

apenas um vício


APENAS UM VÍCIO

Bufões transvestidos de poetas

burocráticos arrogantes,
pedantes pregoeiros
vós sois os porta-flâmulas
brandindo insígnias desbotadas.
Ser poeta não é um título de glória.
Apenas um vício natural.
Um fardo que por medo
amarramos mal.
EUGÊNIO MONTALE

1896 - 1981
ITÁLIA
(tradução de Ivo Barroso)

Saturday, June 24, 2006

Sob o céu do Líbano

Sob o céu do Líbano ganhou o Prêmio Especial do Júri, no Festival de Veneza em 2.003. Filme da cineasta libanesa Randa Chahal Sabag, encenado na fronteira entre o Líbano e Israel. Prometida para um primo que vive no lado israelense, a adolescente Lamia apaixona-se por um árabe que serve ao exército de Israel. O filme é de uma grande verdade e de uma grande ternura. O amor acontece todo dia, em fronteiras, campos de concentração, escolas, lanchonetes, estradas, aviões, mesquitas, praias. E demanda luta - amar. Atravessar pontes, beber um gole de fel, pisar vez por outra o céu... As mãos da personagem Lamia querendo triturar o arame farpado e atravessar a linha. Gosto de filmes com poucos diálogos, poéticos, inteligentes, como este. As descobertas. O desejo. Cada pessoa que se apaixona é uma casa aberta.

Tuesday, June 20, 2006

Noir























Claude Théberge

 (...)

Se me levasses a ver tua cena
Cairia - em néon azul -
O espírito de Billie Holyday
Em uma mesa de bar
As calçadas refletiriam
Andares a esmo
Alçando pilares de desejo 
Meninas nuas em camas de areia
Com o pó negro de kohl
Derretendo em prazer
No olhar
Ou, um quarto – silêncio -
Violão e cama
Clara solidão
Tuas cenas nítidas


Eu - uma cena escura & vaga.
- Lusco-fusco antigo -
Banhada em ausência
Da tua imagem em arco-íris.
Sangue ocre de árvores mortas
Espalhadas em mil papiros de agora
-A4-
Poesia narrada

Entre o branco-ausência
E o choro das árvores


Afogada em celulose
Olhando esta lua pobre
Que me confessou, corando,

Em surdina
Que também adora o menino.


BÁRBARA LIA
(do livro inédito - NOIR)

Wednesday, June 14, 2006

Poemail























aprendi a fazer aquilo
que deve ser como as donas de casa fazem:
esperar um afeto ao final do dia

a trancos e barrancos
vivi uma vida
(mais que o tempo que você viveu)
em burocracia asfixiante
casamento sem sal

ou açúcar e vida moldada
que me asfixiava
que me fazia acordar nas noites
a procurar um caminho
que me levou

a uma pobreza abençoada
chamada solidão


Bárbara Lia

Friday, June 09, 2006

Uma canção de amor para Bobby Long


















"Eu tive uma briga de amantes com o mundo" Robert Frost 

- do filme Uma canção de amor para Bobby Long

Monday, June 05, 2006

Giácomo Leopardi























L'infinito

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte

dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quella e sovrumani

silenzi, e profondissima quiete
io nel pensier mi fingo; ove per poco
il cor non mi spaura. E come il vento
odo stormir fra queste piante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Così tra questa
immensità s'annega il pensier mio;
e il naufragar m'è dolce in questo mare.

Giácomo Leopardi



O Infinito

Sempre caras me foram essas ermas colinas,
e essa cerca, que por toda parte,
do último horizonte, o olhar exclui.
Mas sentando e admirando, intermináveis
espaços para lá delas e sobre-humanos
silêncios, e profundíssima quietude
eu, no pensamento, me finjo; onde por pouco
o coração não me amedronta. E, como vento
ouço sussurrar entre estas plantas, eu, aquele
infinito silêncio à essa voz,
vou comparando: e me sobrevêm o eterno,
e as estações mortas, e a presente
e viva, e o som dela. Assim, dentro dessa
imensidão se afoga o pensamento meu; 
e o naufragar-me é doce nesse mar.

Giácomo Leopardi

Tradutora - Patrícia Camila Greter
Formada em Letras Português Italiano - UFPR

- com ênfase em tradução -

Wednesday, May 31, 2006

lição n°1




A folha de uva me ensina mais que as teorias
O olhar do garoto nissei do terceiro andar
Yáyá do 607, com suas palavras-arnica 
Curando minha alma esfolada
Entre rosquinhas e sorrisos
Uma marmota na TV, olhar astuto
Dorso estirado de manequim
Também me ensina a ser zen
O desenho oriental em tinta nanquim
Sinfonia & chuva & a epopeia terna 
- Um filme na parede -
De cenas que resgato dos cílios
Do filho adormecido
Um cem número de visões, sabor e sons
Que degolam as vãs teorias
Um livro humano que me ensina
A entender a vida

Bárbara Lia

Monday, May 29, 2006

Deserto Metafísico



























Sebastião Salgado
Refugiados do campo de Korem,
Etiópia, 1984.


DESERTO METAFÍSICO


Eu me vejo como estrangeira pela vida
Refugiada em um mundo áspero 

De versos rasgados ao vento
Sei o quanto arde voltar dez passos
Olhar para trás e ver apenas - o vazio

Vaso amputado do jardim
Posso ver com olhos de areia
E ter certeza
Mais belos os cadáveres ambulantes:
O opaco semblante do menino morto
E do pai apático,
Da mãe que volta
- Como se voltam sempre as mulheres-
Atrás da última esperança

Mais belos e mais vivos 

Que almas perdidas

No deserto metafísico do ódio
- Os mortos vivos -
Refugiados do mundo da beleza
Ateando fogo a oásis alheios

Disseminando espinhos
Rindo em galhos retorcidos
- Harpias angustiadas -
Eu não os decifrarei nunca
Sem a senha secreta
Em meus ossos está a senha
Que abriria o coração dos tristes
Eu não reconheço os tristes
A água de canela venenosa
Que me dão de beber
Seus cantos de salmos ao avesso
Tramando meu fim

E eu ali - sorrindo de peito aberto
Morrerei acreditando
Como a mulher que se volta no deserto
À espera do milagre
A dizer pedra quando for pedra
E nuvem quando for nuvem
Morrerei com aquele olhar de espanto
De quem não acredita até o último instante
Que foi atraiçoada pelos tristes
Se o menino morto abrisse os olhos
Eu lhe diria que ele é mais vivo
Que os mortos vivos manipuladores de vidas
Do deserto de suas almas ressequidas
Brotam abutres invencíveis
Que comem minha carne até os ossos
E leem a minha senha escondida


Bárbara Lia

as times goes by


You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is just a sigh
The fundamental things apply
as time goes by...
*

Sunday, May 28, 2006

noite de poesia

























Mano Melo enviou o convite, quem está no Rio pode ir lá no dia primeiro neste lançamento conjunto. Quando li o título do livro do Claufe Rodrigues, lembrei o poema dele que está no livro - Poemas Para Flauta & Vértebra - (Diadorim Ed. Ltda-1.994):
.
ESCREVA SUA HISTÓRIA
.
Escreva sua história na areia da praia
para que as ondas a levem através dos 7 mares
até tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.
Conte sua história ao vento
cante-a nos bares para os rudes marujos
aqueles cujos olhos são faróis sujos, sem brilho.
Escreva no asfalto, com sangue,
grite bem alto a sua história
antes que ela seja varrida na manhã seguinte
pelos garis.
Abra o peito na direção dos canhões!
Suba nos tanques de Pequim!
Destrua as catedrais de Paris!
Defenda a sua palavra.
A vida não vale nada
se você não tem uma boa história para contar.
CLAUFE RODRIGUES
.
LENDO CARTAS DE VAN GOGH A THEO
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Escrever é o que resta.
Espremer os sentidos como uma laranja.
Ouvir os sons do silêncio mudo
NO burburinho da cidade imunda,
Com suas inumeráveis descargas abertas e tortas
Seus miseráveis abortos de carnes vivas e mortas
Olhando pela janela do ônibus
Andando a pé
Sentado no último vagão do metrô vazio
Passeando entre os iguais de diferentes tribos
Vou fazendo versos.
Cru cozido grelhados assim e assado
E et caterva
Assim escrevo.
Mergulhando no lago largo e amargo de amor e lama
Chamado o âmago
Em busca da melhor forma de expressão.
Descobrir a cor de cada palavra
Como Van Gogh descobriu as cores de cada cor.
MANO MELO
- O Lavrador de Palavras.

Friday, May 26, 2006

Koproski


Impacientes os vermes veem todo esse morrer. versos,
verdades, vestidos, vícios, vênus, vinhos. os vermes
enquanto esperam queimam as asas de cereja das borboletas

e morrem em vermelho todos os nomes do amor.

FERNANDO KOPROSKI
Tudo que eu não sei sobre o amor (Travessa dos editores)

Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 1.973, publicou entre outros, Manual de ver nuvens (1.999) Tudo que não sei sobre o amor (2.003). Traduziu poemas de Charles Bukowski - Essa Loucura Roubada que Não Desejo a Ninguém a Não Ser a Mim Mesmo Amém ( 7 Letras).
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Wednesday, May 24, 2006

Tábula rasa


















TÁBULA RASA


As portas da cidade branca.
Abertas, par-em-par.
Meu espírito, tabula rasa.

Antes da data no tempo gravada,
Para alcançar a sacrossanta cidade.
Sigo beijando vermes,
Como se fossem jasmins.


BÁRBARA LIA


Poema do livro "O sal das rosas"

Monday, May 22, 2006

Lady Sol



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Campanário Ayacucho - Peru



LADY SOL


Por invejar a solidão
Da concha,
Da estrela,
Do sino ébrio...
Felicidade singular
De brilho & estrondos.
Mudei meu nome.


Como mão na luva,
Deslizei
Lerda e lenta
Para esta nova identidade:
Tem um calor de chá de anis,
Um pijama macio e quente – pantufas!
Tem lua lilás e Beethoven.
E tem uma saudade.


Ah! Vedei as portas...
Não tente entrar sorrateiro
Como na noite branca
Com a beleza de suas mãos
& acordes.

BÁRBARA LIA

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...