Sunday, June 17, 2007
CLIFTON GIOVANINI
Saturday, June 16, 2007
MAHALO
Tuesday, June 12, 2007
BATISMO DE SANGUE

PETRARCA

.
.
.
Botticelli
Canzoniere LXI
Benedetto sia 'l giorno, e l'mese, e l'anno,
e la stagione, e 'l tempo, e l'ora, e 'l punto,
e 'l paese, e l' loco ov'io fui giunto
da' duo begli occhi che legato m'ànno;
e benedetto il primo dolce affanno
ch'i' ebbi ad esser con amor congiunto,
e l'arco e le saette ond'i' fui punto,
e le piaghe che 'nfin al cor mi vanno.
Benedette le voci tante ch'io,
chiamando il nome de mia donna, ò sparte,
e i sospiri, e le lagrime. e 'l desio;
e benedette sian tutte le carte
ov'io fama l'acquisto, e 'l pensier mio,
ch'è sol di lei, si ch'altra non v'à parte.
FRANCESCO PETRARCA
(1.304 - 1.374)
Sunday, June 10, 2007
Céu Curitibano
SONHOS EM PRETO E BRANCO
Em manhãs esperançadas
Esta sou eu, adolescente
Indo ao colégio, olhos fixos na estrela Vésper
Esta sou eu, lendo à luz da lamparina
Na madrugada,
Olhos percorrendo páginas amareladas
Passeando por poemas barrocos
Na companhia de estrelas foscas
Esta sou eu, espiando por entre balaústres
O sobrinho do professor de Francês
Na varanda da casa da esquina
Esta sou eu, à mesa do café da manhã
Ouvindo a pergunta diária do pai:
— Teve sonhos coloridos ou em preto e branco?
Dez anos, pequenina cidade de Peabiru
Quantas mentiras meus olhinhos beberam
No Cine Vera?
Amor passeando de lambreta
Rasgando ruas de Roma
A beleza exótica de Troy Donahue
A professorinha enamorada na garupa
O amor idealizado "Candelabro italiano"
Esfarrapado e imundo
Dei de cara com ele, enfim
Mendigo extraviado
Que implora pra ser notado.
Eis o amor:
Despejado
Humilhado
Não vive em estrelas
Nem no mar profundo
Nem no limite do mundo
Está sempre no meio do caminho
Pedra
Poema
Estirado
Cão sublime à espera
De um dono franciscano
Que o acolha
Com todas as chagas
E enganos
BÁRBARA LIA
Saturday, June 09, 2007
PORÃO LOQUAX
Loraine Thais
Bianca Lima
.
Wednesday, June 06, 2007
TÁ CHOVENDO NA ROSEIRA

.
Recital de Poesia dos poetas que fazem parte do jornal

Ancorada na parede ao lado da atriz Bia Fusko, como
Leito de um rio de sal.
Cresce em mim
o desnecessário.
Apodreço em rosas.
Rio sem foz.
Lua duplo espelho
no coração das águas.
Lembranças,
esperanças
naufragam abraçadas
no involuntário rio
onde acordo.
Tuesday, June 05, 2007
FREI BETTO

Hoje pela manhã fui surpreendida pela chegada do novo livro de Frei Betto - Calendário do poder. Um resumo da passagem de Frei Betto pelo Palácio do Planalto, quando foi responsável pela Mobilização Social do Programa Fome Zero e Assessor Especial do Presidente Lula, a quem ele chama Luiz Inácio e a quem Lula chama, Carlos Alberto.
Calendário do poder
Frei Betto
Rocco, 2007
DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

.
.
.
.
.
.
.
Caetano Veloso
Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia
Monday, June 04, 2007
Sunday, June 03, 2007
ORGULHO DA HOLANDA

TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH
Estrelas escorriam da tela,
na solidão do museu.
Aparei gotas de céu em minhas mãos.
Enovelei-as.
Possui por um tempo,
Estrelas abrasadas de loucura
e o azul mais azul que pode o azul ser.
Museu de Nova Iorque
em delírio.
Corre-corre. Alarmes. Vigias.
Não revistaram minhas mãos.
Um céu enovelado que me aquece
e apaga – primaveras sem teus beijos,
invernos de angústias.
Teci um manto azul
de estrelas emaranhadas,
um manto enfeitiçado.
Das estrelas da noite do artista.
Tenho mãos de fada.
e tenho tanto amor,
quanto estas estrelas deslumbradas.
Quando chegar aquele que amo.
Com seus olhos
que são para mim, música;
e para outros, mel.
Quando ultrapassar a escura porta
e se quedar no branco leito.
Eu o cobrirei com o céu.

CAMPOS DE TRIGO
Os campos de trigo continuam azuis a florescer pássaros
e acalentar o pão que aquece a alma
de quem ama e de quem não ama.
Os campos de trigo seguem embalando a lua
com uma sonata ao futuro sem fome.
Os campos de trigo esqueceram Van Gogh,
pois não há mais dor no homem.
É tudo realidade consentida.
Ninguém mais ergue sua obra para que o mundo
floresça em primaveras
que o artista não pode viver.
Nem mil girassóis de Van Gogh
vão calar a dor que assola
Ninive, Candahar, Bagdad,
o sertão, o chão desumano da Pátria,
Nigéria, Haiti, Etiópia...
Os campos de trigo não necessitam mais espantalhos.
O homem não necessita mais proteger o coração
para que o amor não o devore.
Pois o amor foi sepultado na última primavera.
Espantalho colorido
alardeando um campo-minado-coração,
varrido pelas máquinas da indiferença que regem
o sarcástico-mundo-cão.
Os campos de trigo, indiferentes,
seguem solares,
seguem em chama,
espalhando grãos,
dançando ao vento das almas ignaras.
O ARTISTA E A ARTE
Século XIX
Vincent,
O vento mistral derruba tuas telas.
Não tens dinheiro para as aquarelas.
Théo vendeu um único quadro teu.
Todas as amadas te dizem adeus.
As estrelas não são como as pintas...
Arlens não te suporta, louco artista!
Há em ti um fulgor que ninguém alcança.
Nem sabem que és louco de tanta esperança.
Século XX
Van Gogh,
Teus quadros valem milhões.
Teus girassóis estão em toda parte.
Nos museus do mundo.
Na sétima arte.
Orgulho da Holanda.
Tua ruiva fisionomia, o triste olhar.
A mensagem implícita na vida, nas telas, nas cartas.
A todos que perseguem a arte.
NÃO DESISTA!
BÁRBARA LIA
p/Vincent
Estas poesias inspiradas em Van Gogh foram publicadas em 2.005 nos Sites Literários Cronópios e Blocosonline.
Friday, June 01, 2007
RELEITURAS DE FRIDA

Julien Levy (EUA, 1906-1981), Frida Kahlo, c. 1938.
foto extraída do blog
www.letracorrida.blogspot.com
Releitura de cena do filme FRIDA
*
(Cravos na pele
Pinto em palavras
A tua dor.
Pinto girassóis de aço.
(Riso-sol de meu Diego,
CONEXÃO MARINGÁ

Sunday, May 27, 2007
CAMALEOA

phBarrox, 2006
Onde está o poeta marginal que eu procuro entre paulistanos, estrangeiros, caipiras, nordestinos, sambistas, funkeiros, metroviários, dentro e fora da Paulicéia Desvairada, sim, ó Oswald, me conta, me explica o que se passa nas entrelinhas das (não)-críticas literárias em revistas e jornais de cultura, uai, sô, sim, porque eu tô por fora de tudo isso, mas tem gente, tem tanta gente pelas esquinas e bares com livros debaixo do braço que chego até ficar contente de ver toda essa literatura produzida sem apelo de editoras, de agentes literários, mas os caras estão no folder, no panfleto, na boca do povo, em manchetes de jornais e eu fico tentando entender o que é essa tal literatura marginal se a pegada tá na escrita, tá na gíria, tá no excesso de palavrão, tá na atitude largada, tá no estilo urgente de viver, tudo hoje, tudo agora, lascando o foda-se pra todo lado e – AH! – mas isso não é falar de literatura ou eu tô ficando doida? Vestuário também virou elemento literário? Literatura marginal! Li-te-ra-tu-ra. MARGINAL! Isso me lembra estar à margem de alguma coisa, de algum processo, de algum lugar, e será que não é isso, todo poeta, de qualquer parte, com qualquer corte de cabelo, com qualquer coisa no papel, escrevendo, escrevendo sem parar sobre corações apaixonados, sobre a revolta dos plânctons, sobre guerras intergalácticas lá no cu do mundo ou aqui, ali, bem debaixo do nosso nariz? Então perguntei a uma acadêmica, uma doutora das letras, uma professora universitária, lá entre araras e tuiuiús, lá de Mato Grosso do Sul e Rosana Zanelatto me explicou que intitular-se poeta marginal é mais uma rubrica socioeconômica do que artística, uma rubrica que indica o não-estar no mercado editorial, uma denominação que encarna um processo que extrapola o viés do artístico, do literário. Pra ela, isso é uma espécie de marketing, e lembra Cidade de Deus, de Paulo Lins, obra que deu força a uma linguagem de escritores cujo principal apelo é o fato de terem nascido, se criado ou convivido com as ditas comunidades e colocarem em cena essa realidade, numa literatura marginal. Rosana me diz que já viu e leu isso antes e foi n’O Cortiço, de Aluízio Azevedo. Eu sei, às vezes nem eu entendo o que esse pessoal quer dizer, às vezes eles são muito chatos, até insuportáveis, mas aí veio a menina que prepara Chá para Borboletas e perguntei pra ela, poeta curitibana, o que ela entendia por literatura marginal. Bárbara Lia me disse, entre uma música árabe e outra, entre pontes e mulheres profanas, entre toda sua poesia extremamente lírica que ser um poeta marginal é estar à margem dos bastidores, das colunas literárias, à margem do respeito muitas vezes, à margem do reconhecimento inclusive dos outros colegas poetas, à margem, sempre à margem geralmente porque você faz perguntas demais, à margem porque geralmente você não é de grupinhos, à margem porque você quer ter a liberdade de escolha de publicar e escrever o que achar melhor, à margem porque você não se encaixa naquilo que atualmente é considerado bacana, legal, cool, hiper, jóia rara. Literatura! MARGINAL! Às vezes eu acho que tudo virou um rótulo, ser marginal é um rótulo, um marketing pra vender livros a preços módicos porque o cara que tá lá na roça e não se encaixa naquela caminhonete, naquele pasto imenso, não se vê sentado na cadeira contabilizando gado ou soja, ele é... Manoel de Barros que conversa com formigas, que fala a língua das árvores, das rãs, já foi durante muito tempo um poeta marginal, esteve à margem, não se encaixava em nada, queria apenas brincar com as palavras e talvez, não sei, um dia eu descubra se falar palavrão aos berros em poema ou prosa faz alguma diferença, ou se tudo bem ser uma romântica com flores enormes em broches na saia ou na blusa e fazer uma puta literatura fragmentada, urgente, dançante, com muito sexo e guloseimas, acompanhada sempre de personagens meio homem, meio animais e entender que ser marginal não é um estilo de vida, que ser marginal não é uma opção, que ser marginal não tem regionalismos, que ser marginal é atemporal, que ser marginal é correr riscos, seus próprios riscos porque, no fim das contas, quando estivermos bem velhinhos ou talvez nem mais aqui, o que fica é literatura, somente literatura.
Camaleoa
JdP#51
http://plazajornal.blogspot.com/
Este texto está na edição nº 51 do Jornal da Praça, editado por Eduardo Barrox e Camaleoa:
http://contosdacamaleoa.blogspot.com
http://umanoesquisito.blogspot.com/
http://pretoebrancoemcor.blogspot.com/
FAUSTO WOLFF

Havia uma cama.
Quando caí de mim,
Bertrand Brasil, 2.001
Saturday, May 26, 2007
BEATRIZ

EXTRACÉU
Ontem, no extracéu, tomamos chá de anis,Diante de um poente branco.
No extracéu não há noites e pássaros pousam
Em nossa janela, enquanto tecemos mantos.
Você sorri, mais do que sorris agora, e estrelas
Fogem do céu-matéria para matarem a saudade
Do teu belo riso italiano.
Vez por outra, congelamos uma estrela fugidia
E a colocamos na parede de nossa sala.
BÁRBARA LIA
- O sal das rosas, Lumme Editor (2.007)
ilustração - Ana Luisa Kaminski
http://www.ancoraseasas.blogspot.com/
Wednesday, May 23, 2007
LAURO BORGES
EDU HOFFMANN

LOBA
Só quem me toca a fundo
pode saber
a quantos rios me transbordo
ao molhar tuas margens de sol
só quem me toca assim
tão calor ao me respirar
me faz pensar algodão
teu jeito algodão de me olhar
só quem me redemoinha em tantos dons
me faz teu cavaleiro
bons ventos que venham incendiar
nossas armaduras
que venham incendiar
nossas bocas nossas peles nossa alma
até o osso
só quem me toca tão loba
me faz uivar luas em teu corpo
me faz navegar como bom barqueiro
o nosso velho rio chamado amor
Edu Hoffmann
Coletânea Bife Sujo
La nave va...
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...
-
Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
-
Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
-
Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
-
(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
-
Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
-
F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
-
É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
-
INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...











