Friday, July 27, 2007
FONTE (ELA)
A estrela da tarde
A estrela da tarde está
madura
e sem nenhum perfume
A estrela da tarde é
infecunda
e altíssima
Depois da estrela da tarde
so há:
o silêncio.
ORIDES FONTELA
Sunday, July 22, 2007
PLANOS POÉTICOS
Para alguns poetas em Curitiba, o porão do Wonka Bar acabou por tornar-se uma Confeitaria Richmond. Algum dia vai figurar em livros, tal qual a Richmond que Borges frequentava, ou London City, onde Cortázar escreveu "Os Prêmios". Algum dia será lembrado como o bar onde Maiakóvski trafegava entre a fumaça revolucionária, o "Cão Vadio". Ou, o café "A brasileira", onde Fernando Pessoa vivia.
TÁBULA RASA
Saturday, July 21, 2007
Whisky Romeo Zulu (trailer)
Enrique Piñeyro - quando menino - sonhava ser piloto de avião. Como comandante da empresa Lapa percorreu por meses os corredores da companhia na tentativa de se fazer ouvir. Por muitas vezes se negou a voar por total falta de segurança. Naufragaram os seus sonhos de sempre. Ele se viu afastado da empresa passou por momentos duros. Até que o Boeing 737, que ele se negava a pilotar, foi ao chão, nas mãos de um outro piloto. Espatifou no centro de Buenos Aires, em direção à Córdoba, em uma noite estranha, causando a morte de 70 pessoas. WRZ era o prefixo do Boeing. Enrique tornou-se diretor de cinema e interpretou ele próprio a sua trajetória em um filme muito bem conduzido que questiona os interesses colocados acima das vidas humanas. Não ando com vontade de dizer nada. Outro dia ouvi direto do labirinto da minha memória aquela poesia de Guerra Junqueiro que meu pai declamava: pobres de pobres são pobrezinhos. O nosso Presidente é pobre. Não o respeitam. As crianças pobres do mundo morrem de fome a cada cinco segundo. Lembro meu amigo Frei Betto dizendo: A fome é a única causa mortis que só atinge os pobres, e por isto, não comove. Nada abala. A estatística não comove. Se fosse noticiada a morte destes anjos de países pobres de - pobres de pobres são pobrezinhos - como quedas de avião. Cairia um avião a cada hora. Não sei se nada tem a ver com nada ou tudo está vinculado. Por ser caótica faço conexões várias. A tristeza acaba chegando com algumas certezas pinceladas. O mundo é um palco, encenamos uma tragicomédia. Alguns piram e se libertam de tudo, são estes profetas vadios das ruas. Outros se matam. Outros vão morar no mato. Outros se sentem impotentes - chorando, olhando o dia nascer tão lindo, a lua em sua dança indiferente. Alguns fazem filmes e denunciam. Mas, no ano passado, quando vi o filme achei aquele homem muito corajoso. Falta coragem no mundo, muita poesia, alguma alegria... Não sei se dá para virar o jogo aos quarenta e seis minutos do segundo tempo. E o mundo está de cabeça para baixo. As crianças continuam morrendo, e isto dói muito, tal qual a dor que vi nestes dias - de mães, pais, filhos, maridos, amigos. Dói e dá um certo asco, perceber que alguns setores usam tanta dor para interesses pequenos. Na Argentina, um piloto que virou cineasta colocou a maior lenha na fogueira, sofreu ameaças, mas, manteve a postura sábia de não conduzir passageiros para a morte.
Friday, July 20, 2007
MARCOS LOSNAK
Vento
é aquilo que retira a imobilidade das folhas
Dor
é o que recheia o corpo de vazios
Amor
é algo que não aparece quando estamos mortos
Brisa
é a sutil compreensão de que nada é imóvel
Wednesday, July 18, 2007
MICHEL SLEIMAN

Michel Sleiman / Tiraz

Roda roda moinho
traz-me voz dessalina
dias vencidos, ondas vagas
traz-me o guerreiro,
a amazona
traz-me e leva
o que venci na última lide
deixei meu cavalo
encilhado no vento
barcarola,
areias, sisal
quando avistei a longa embarcação
e narrou-me Odisseu a odisséia
e Medéia assaltei com olhos vastos
dor dorida dor
troco-te por um par de asas
[Ouvi-te, vim-te, tem-me, lume dos olhos meus.
Retém o fluxo de magma sangrenta.
- Sim, eu te escuto.
Flor tartamuda,
colibri de asas cegas, eras sonho? eras fera?]
Em primeiro sinal
aqui, na tela móvel,
não à sereia
não à cicuta.
Agora
faço corte à majestade
quem em mim é a cara metade.
E tu, desdobrada em sonhos,
em nome dos meus súditos,
crava com teus dentes
no meu peito
o punhal.
MICHEL SLEIMAN
Tuesday, July 10, 2007
DOUGLAS DIEGUES

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Uma flor na solapa da miséria
(em portuñol)
Eloisa Cartonera - 2.005
Sunday, July 08, 2007
MIA COUTO

Mozambique
MEUS JULHOS
1. Sou julho
estou explicado só pelo sol
Meu erro
é procurar um território
apto a nascer
A única geografia
que me aceita é a poesia
Como a chuva
que repousa entre nuvem e terra
me escrevo
na ausência de todas as línguas
2. Me esqueço-me
só me falto eu
para ficar todo só
3. Antes de nascer
já eu tinha envelhecido tudo
Por isso,
não me espanta
o casal de pedras
nem a árvore que engravidou
Minha doença,
felizmente,
é muito miracurável.
Julho 1.989
MIA COUTO
Raíz de Orvalho e outros poemas
Ed. Caminho
Saturday, July 07, 2007
'RAYMUNDO'

Raymundo Gleyzer
Thursday, July 05, 2007
Drão

“Grão, o amor da gente é como um grão”
Gilberto Gil
grão
grão
grão
a cantar
as horas
gota
gota
gota
a cantar
a chuva
folha
folha
folha
a cantar
o outono
bem-te-vi
bem-te-vi
bem-te-vi
a cantar
novo dia
lâmina
lâmina
lâmina
a cantar
o amor.
(Amar é ferir-se
em
lâminas
sollasidoremifa)
Tuesday, July 03, 2007
Eugenio Montale - Non chiederci la parola
Não nos peças a palavra que acerte cada lado
de nosso ânimo informe, e com letras de fogo
o aclare e resplandeça como açaflor
perdido em meio de poeirento prado.
Ah o homem que lá se vai seguro,
dos outros e de si próprio amigo,
e sua sombra descura que a canícula
estampa num escalavrado muro!
Não nos peças a fórmula que te possa abrir mundos,
e sim alguma sílaba torcida e seca como um ramo.
Hoje apenas podemos dizer-te
o que não somos, o que não queremos.
Tradução: Renato Xavier
CIAO, AMORE CIAO

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Luigi Tenco.
*
La solita strada
bianca come il sale,
il grano da crescere
i campi da arare.
Guardare ogni giorno
se piove o c'e' il sole,
per saper se domani
si vive o si muore.
E un bel giorno dire
basta ... e andare via.
Ciao amore, ciao amore,
ciao amore ciao.
Ciao amore, ciao amore,
ciao amore ciao.
Andare via, lontano
cercare un altro mondo,
dire addio al cortile
andarsene sognando.
E poi mille strade
grigie come il fumo,
in un mondo di luci
sentirsi nessuno.
Saltare cent'anni
in un giorno solo,
dai carri nei campi
agli aerei nel cielo.
E non capirci niente
e aver voglia di tornare da te.
Ciao amore, ciao amore,
ciao amore ciao.
Ciao amore, ciao amore,
ciao amore ciao.
Non saper fare niente
in un mondo che sa tutto,
e non avere un soldo
nemmeno per tornare.
Ciao amore, ciao amore,
ciao amore ciao.
Ciao amore, ciao amore,
ciao amore ciao.
Luigi Tenco
A sólita estrada
branca como o sal,
o grão para crescer
os campos para arar.
Olhar cada dia
se chove ou faz sol,
para saber se amanhã
se vive ou se morre.
E um belo dia dizer
basta ... e ir embora.
Tchau amor, tchau amor,
tchau amor tchau.
Tchau amor, tchau amor,
tchau amor tchau.
Ir embora, longe
buscar um outro mundo,
dizer adeus ao pátios
e ir sonhando.
E após mil estradas
cinzentas como a fumaça,
num mundo de luzes
sentir-se ninguém.
Saltar cem anos
num só dia,
dos carros nos campos
aos aviões no céu.
E não entender nada
e ter vontade de voltar para ti.
Tchau amor, tchau amor,
tchau amor tchau.
Tchau amor, tchau amor,
tchau amor tchau.
Não saber fazer nada
num mundo que sabe tudo,
e não ter um dinheiro
nem mesmo para voltar.
Tchau amor, tchau amor,
tchau amor tchau.
Tchau amor, tchau amor,
tchau amor tchau.
***
....
Sunday, July 01, 2007
BAILADO NOTURNO
Ninfetas nuas nas ruas
Trazendo grandes sonhos
de adolescência prematura
Ah, criatura
o que seria de mim sem teus acordes de piano?
Prossigo acreditando promessa
do teu retorno sem pressa, sem medo
Das catedrais do mundo
minhas juras profundas
redundam em devaneios anárquicos
Vira-latas se equilibram
no meio-fio da inconstância urbana
Luzes refletem nossas cabeças
de encantamentos por Alices e marcianos
Procuro teu amor nas drograrias
E até no resto do meu bom senso
que ficou naquela taça
durante a noite...
(everton bortotti & reinaldo henrique
Friday, June 29, 2007
Saturday, June 23, 2007
CONCHA ROSSA

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Gosto dos sonhos feito filmes.
Peço aos anjos – Não me acordem!
Quero pisar algas, morangos, açucenas.
Leve flanar que só o sonho alcança.
Pensei haver sonhado aquele encontro
e raptei concha rossa naquela praia.
Dorme no meu quarto, na orla
do meu leito. Não foi sonho,
foi céu real. E o céu é eterno.
BÁRBARA LIA
(poesia publicada em abril de 2.004
na Revista Etcetera - Travessa dos Editores)
Ilustração - Ana Luisa Kaminski:
www.luisakaminski.nafoto.net
Thursday, June 21, 2007
ANA C.

foto - Cecília Leal
P/Armando Freitas Filho
ANA CRISTINA CESAR
para Ana C.:
AUSÊNCIA.
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
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Wednesday, June 20, 2007
AL- TUTILI
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Contam que muáchaha é um estilo de poema típico do Alandaluz, em que o poeta busca reproduzir sons circulares. É quase um canto tal é o efeito anelar da sonoridade do poema em árabe. O tema, em geral, é o da paixão não correspondida, o abandono, a indiferença: “A amada do poema árabe permanece inacessível mas no momento em que se tira o véu, é transformada em sol ou lua, é transfigurada e arrebatada cosmicamente” (Titus Burckhardt). Quem compôs o poema abaixo foi um poeta cego, conhecido como Al-Tutili, o cego de Tudela. Considerado um dos melhores autores de muáchahas, viveu na taifa de Sevilha no século XII, participava de concursos poéticos e seria, quem sabe, um dos animadores dos dîwâns sevilhanos:
MUÁCHAHA DOS OLHOS LÂNGUIDOS
Por Al-Tutili
Será que será meu, esse cervo que tem
Rosa adornada entre curvas de serpente?
Mesmo se os seus olhos lânguidos me ferem
hei de encontrar no talhe do corpo galhardo
alegria, se a sorte estiver do meu lado.
Deixei a seus pés a minha face rendida
Mas ela cresceu em seu orgulho e malícia
E me disse, e em meu rosto lágrima corria:
“Me diz onde aprendeste este amor extremado?
E eu disse: “Os teus olhos são meu professorado”.
E ainda me disse, e me deixou sem ação:
- Chega de culpar meus olhos, muda a razão!”
E eu lhe disse: “Mha senhor não te ofendas não,
Se não queres, juro não falo mais de agravos
- virei muçulmano, não fala mais o mago.”
Tu bates os cervos com esses olhos lânguidos
E fulminas as virgens do Éden esplêndidas
E saturas a luz com teus olhares cândidos
Amar-te é ter secreto amor, e eu não o espalho,
Não o revelo ao mundo e o levo bem guardado.
Que ser mais belo Deus fez existir na terra!
Meu coração te segue e tu nem mesmo acenas.
Chora aturdido, ouve-o quando se lamenta:
“me diz quanto agüento a ausência não estando
ai da enamorada se não estás tu”.
(tradução do árabe de Michel Sleiman)
Al-Tutili foi poeta no século XII em Sevilha
Michel Sleiman, poeta, professor de Literatura Árabe - USP
-poema publicado no site do ICARABE - apresentado dia 18/06. no Diwân, em Sampa, no Teatro da Aliança Francesa. Coordenado por Lelia Maria Romero, o evento, um conjunto de poesia e dança, foi um retrato dos dramas de árabes no Líbano, Iraque e Palestina. Uma reflexão sobre povos que vivem seus cotidianos mas também lidam com opressão e violências militar e ideológica
www.icarabe.org
Tuesday, June 19, 2007
"MINHA NOITE É UM GRANDE CORAÇÃO BATENDO"

"9 de novembro de 1951
Menino-amor. Ciência exata.
vontade de resistir vivendo
alegria saudável. gratidão infinita
Olhos nas mãos e
tato no olhar. Limpeza
e maciez de fruta. Enorme
coluna vertebral que é
base para toda a estrutura
humana. Um dia veremos, um dia
aprenderemos. Há sempre coisas
novas. Sempre ligadas à
antiga existência.
Alado - Meu Diego meu
amor de milhares de anos.
Sadga. Yrenáica
Frida.

"Sozinha com a minha grande felicidade
e a lembrança viva
da menina. Passaram-se 34 anos
desde que vivi esta amizade
mágica e cada vez que a
recordo, mais ela se aviva e mais cresce
dentro do meu mundo.
PINZÓN 1950, Frida Kahlo"

"Eu sou a desintegração"
TV CRONÓPIOS

Sunday, June 17, 2007
CLIFTON GIOVANINI
Saturday, June 16, 2007
MAHALO
La nave va...
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...


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