Tuesday, November 06, 2007
O SAMIT BRANCO
Monday, November 05, 2007
OS POETAS MENORES
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Os poetas menores vão conversar nas livrarias,
frequentam palestras, congressos, seminários
e tardes de autógrafos pensando nas suas.
Os poetas menores participam de semanas culturais
e feiras do livro até no interior.
Só não estão em casa trabalhando.
Não têm tempo.
Os poetas menores fazem visitas e são visitados.
Assistem a sessões em que conhecem a mesa e a platéia
e cumprimentam cada um.
São os primeiros a abraçar pelo prêmio ou a homenagem
e apesar disso
têm emprego, mulher, filhos, fumam,
ou não fumam,
comem nas horas regulares
e escrevem.
Não sei como.
Já os poetas andam atrás da sua poesia.
Segundo Faulkner, por elas deixariam morrer as tias.
E tias é um eufemismo, a Bíblia diria pai e mãe.
Ninguém mais fácil de contentar que um poeta menor.
Lembre algo que ele publicou
e logo receberá em sua casa suas obras completas,
sempre mais numerosas do que previa
e com dedicatórias de enrubescer seu ego,
por desproporcional que seja, como é a regra.
Folheia os livros e viu tudo,
se aproximam, não chegam, repetem, não dizem.
Mas o autor deseja opiniões precisas
e se refere a páginas que não estão
entre as vinte e duas que não leu
e não gostou.
A sorte é que supõe a favor o que é reserva
e sorri.
Para o poeta basta o que escreve,
o poema dá sentido à sua vida.
Sem o poema, restam ao poeta menor os comentários.
Não estranha que seus tímpanos dobrem de sensibilidade
ao menor sinal de interesse.
O poeta menor ri, fala macio, é prestimoso,
evita problemas na vida como na arte.
Por isso justamente é menor,
embora sofra tratando de não sofrer.
Na arena das relações e das letras,
não enfrenta os leões,
mas não acaba menos devorado,
pois há leões onde menos se espera.
Não se pode dizer que o poeta menor viva uma vida atribulada.
Busca se preservar de riscos,
o que às vezes é tão incômodo como corrê-los,
mas a falsa poesia que faz mostra que leva uma vida falsa.
Vivesse para valer, podia não ser poeta,
mas não seria um poeta menor.
.
O poeta menor não chora de noite como o poeta,
de noite ele dorme.
No outro dia, refeito, ocupa-se tanto
que não sobra espaço para o poema.
Já o poeta,
mesmo sem pensar no poema, o vive
e assim, quando vai ao seu encontro,
pode dar com ele.
Diante destes fatos, e outros de teor semelhante,
vê-se que os poetas não costumam ser agradáveis
e que os poetas menores são encantadores.
É ir ao poeta pelo poema
e folhar em pessoa o poeta menor.
PAULO HECKER FILHO
(1926-2005)
do livro Vento, Águia, Coelho
(Ed SMC-POA - Coleção Petit-Poa/1991)
.
.
Wednesday, October 24, 2007
SOLIDÃO CALCINADA
Sunday, October 21, 2007
SYLVIA E O FALCÃO - DIA 30 NO PORÃO

Thursday, October 18, 2007
ROSA CHÁ AZUL ANIL
Alma rosa chá.
Vestida de rosa chá.
Na casa rosa areia.
Leva - enquanto passeia -
um oceano de espantos
nas mãos:
Cinzas de rosas
no ar do quarto do avô
morto.
Mistério ácido na boca
- sabor do fruto vítreo -
de figueira desconhecida.
Açúcar cristal brilha
- mínimas estrelas -
nas mãos.
Céu rosáceo de Dali
desce ao chão
e incendeia
o futuro lilás:
rosa chá + azul anil
Linhas do destino
emaranhadas
- já no ventre
de nossas mães.
E apenas agora
o homem sagrado
envolto em acordes
de estrelas no cio.
- meu azul demorado!
BÁRBARA LIA
Wednesday, October 17, 2007
LA JAULA

y después cantan.
y el sermón caliente
del último viento.
Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.
Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.
Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.
ALEJANDRA PIZARNIK -
(1939-1972)
- Las aventuras perdidas, 1958
Sunday, October 14, 2007
AROMA DE ANIS

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=2794
(Meu conto - AROMA DE ANIS - publicado no site
Literatura e Arte - Cronópios)
SYLVIA PLATH - 75 ANOS

Vejo você ao luar
Andando pelo cais vazio de Alicante
Como uma alma aguardando a barca
Uma alma nova ainda sem compreender
Pensando que ainda é lua de mel
No mundo feliz a vida toda à sua espera
Feliz, os poemas ainda por achar...
TED HUGHES
tradução Paulo Henriques Brito
Em 27 de outubro Sylvia Plath completaria 75 anos. O fragmento acima é do livro - Cartas de aniversário - publicado pela Ed. Record.
Wednesday, October 10, 2007
ADAMARE

Dante bebendo água do Lethes
Jean Delville
Yo sin ti:
Catedral de arcilla. Campo segado.
Esperanza de brisa. Ángel despistado.
Desnuda de luz y vida.
¡Adamare! ¡Adamare!
Mantra de medievales baladas.
¡Adamare! ¡Adamare!
Balcón de flores, manos con alas.
Velo en el balcón.
Cristales de lágrimas.
Estrellas que sigo callada.
Pájaro invisible - Pegaso.
¡Adamare!
Río que desagua en el adiós.
BÁRBARA LIA
Tuesday, October 09, 2007
LA NAVE VA...
Monday, October 08, 2007
O NASCEDOR

Por que será que o Che
tem esse perigoso costume
de seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
o manipulam o traicionam,
mais renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será porque o Che
dizia o que pensava,
e fazia o que dizia?
Não será por isso,
que segue sendo
tão extraordinário,
num mundo
em que as palavras
e os fatos
raramente se encontram?
E quando se encontram,
raramente se saúdam,
porque não se reconhecem?
Eduardo Galeno (Uruguai)
- 1967, La Higuera, assassinaram Che, que ainda nasce,
a cada dia nasce.
Friday, October 05, 2007
O Ano em que Meus Pais Sairam de Ferias
1.970
O ano era 1.970.
1.970 era o telefone dele.
Minha pasta do colégio era decorada com fotos em preto e branco.
Puro charme dos meus jogadores mais amados - Clodoaldo e Tostão.
Eu parava na banca de revistas do pai dele e ficava olhando a revista Placar para olhar entre uma página e outra o seu olhar.
Um artista, escultor.
Um menino de pele clara que eu nunca beijei.
O papel carbono e a primeira poesia escrita na máquina de escrever Olivetti.
Tudo preto no branco.
Até o ar era preto e branco.
As fotos do jornal.
As cenas que eu via na TV.
Eu era a personagem Potira de uma novela em preto e branco. Tinha um a mor e uma mina de diamantes...
Vez ou outra, no túnel do tempo um diamante brilha no interior da gruta.
Tudo colore súbito: a chuva caindo no meu uniforme bordô, ele sorrindo no meio de umas revistas coloridas, arco-íris me esperando no final da rua quando eu voltava do colégio.
Depois, tudo volta a ser preto e branco, em 1.970.
1.970 era o telefone dele.
Os telefones eram antigos e negros como em um filme noir.
Bárbara Lia
Wednesday, October 03, 2007
TRANS/BORDAR!
Sinto desejo de desaparecer na aragem
Um rosto rima em viagem
Anagramas ao invés de alma ferida
A poesia era hipótese escondida
Vida - mais que vida -
que engendrou versos da mulher alada
Fluía em mim um rio uma enxurrada
Não me cortava guilhotina afiada
que ora me degola
Ando escondendo versos na gola
Querendo engolí-los com coca-cola
Para não dizer de mim e sem pudor
delatar meu mais sublime amor.
BÁRBARA LIA
Sunday, September 30, 2007
AROMA DE ANIS

Lá nota musical. Lá como eu chamo Laura. Assim como Letícia é Lê ou Bárbara é Bá. Lá. Lá e seus cabelos com perfume de anis. De todo o anis estrelado que ela atirava embaixo do travesseiro para acalmar a alma fera e dormir. Simpatia que a cigana ensinou. Lá agita os cabelos espalhando estrelas de anis pela sala. O moço do trompete no quadro da parede se embriaga, quase cai sobre as letras abaixo de seus pés.
J
A
Z
Z
Lá e suas crises sem hora marcada. Perdi a única montagem da peça do melhor amigo. “Memórias do Subterrâneo” soterradas no amparo da líquida ternura dela. Os olhos castanhos esverdeados mergulhados em uma mistura de vida/sal – lágrimas ininterruptas.
Recostar, como bom namorado, sua cabeça cansada em meu peito e ficar imóvel até que ela adormeça. Esqueça Dostoiévski!
Lá na absurda curva de suas estranhezas. Sentada à mesa do Café Express diante da porta de vidro que dá para a Praça Santos Andrade hipnotizada pelo balé das pombas.
Pombas em bando, dezenas de pombas. Não apenas uma, e outra,
e mais outra, como no poema antigo...
Vão-se em bandos as pombas despertadas...
Não li entre as notas musicais da sua agonia. Nem nas pequenas metáforas suas. Nem nas flores que ela me trazia, o seu pedido de socorro.
Uma rosa artificial desbotada - de papel machê. Ou uma flor daquelas que a gente sopra e ela se dissolve branca... Era seu jeito de dizer que o sopro da vida poderia desfazer a flor em lá menor. Lá e suas insinuações mudas.
Não li os signos.
Ela andava a ouvir boleros de Luis Miguel...
"Te vas porque yo quiero que te vayas
...
Me encanta "la media vuelta", angel...
E me torturava com um bolero triste a tarde toda.
Eu ignorava o brega e o triste quando ela me atirava ao chão com beijos de halls cereja me asfixiando de estrelas sabor anis quando seus cabelos caiam sobre meu rosto e ela gemia constelações inteiras como um cometa perdido procurando um lugar, um lugar para pousar e era a metamorfose cristalina: o rostinho dela molhado de suor encaixado no meu peito e ela adormecida. Linda! Longe dos boleros e fantasmas e rosas suicidas e flores que se desfazem em um sopro.
Por isto, não pensei em mais nada para depositar aqui nesta lápide branca além de um sachê perfumado de anis estrelado.
Em algum lugar Lá dança espalhando estrelas azuis.
Lá aonde eu nunca mais irei acalmá-la recostando no meu peito estraçalhado de amor sua cabecinha atordoada, enquanto ela repetia até adormecer:
Dói viver, dói viver, dói viver, dói viver...
Lá dizia que o gosto do céu é menta com chocolate.
Inverno de quase neve na cidade gélida, nossas bicicletas encostadas em algum lugar à nossa espera enquanto o sorvete derretia em nossas bocas ela repetia...
Céu! Este é o gosto céu: Menta com chocolate.
Em todos os invernos provarei o gosto do céu olhando o voo das pombas sentindo o aroma de anis de seus cabelos espalhados. E um sopro suave à saída do Café Express me trará esta certeza: dela ao meu lado espalhando anis no ar com a ternura dos naufragados.
BÁRBARA LIA
Monday, September 24, 2007
Sunday, September 23, 2007
'AS PONTES DE MADISON'

Fátuos amores persistem
na rotina fosca.
Eternos amores diluem-se em
........Cenas
........Poemas
........Sangue-açucena.
(Estrelas agregadas
à constelação
invisível)
.......Acima da cartografia
.......celeste,
.......cada amor postergado — uma estrela.
.......Via-Láctea invisível que nutre Deus.
Francesca!
Tua cena;
minha cena.
Um éden secreto
plantado
ao lado de uma ponte...
.......((belgas, romanas
.......suspensas
.......ou cobertas
.......como tua Roseman Bridge)
Beija-flores à flor da pele
bicando dentro
a orquídea de fogo
que se hospeda
após as horas mornas
breveternas.
.......Francesca!
.......Tua sina;
.......minha sina.
.......O infinito que cabe
.......Em um dia ou dois,
.......três ou quatro...
E a vida inteira a beber
as águas da estação do amor.
Até tornar-se pó e diluir-se
acima das águas onde imperam
pontes de leveza rústica e bela —
Velha Iwoa e suas pontes de Madison...
BÁRBARA LIA
Sunday, September 16, 2007
Aurora
LORCA EN MI CORAZÓN
Gazal de espumas
treze constelações rimadas
clave de Fá escondida
na estrela mais clara.
Touro triste dança
ao manto de mariposas
vomita rosas
chora arraias.
Lua de Lorca
desfia-se à morte
incinera seus raios
em luto andaluz.
Corcéis golpeiam
o vento perfumado
que acariciou o poeta
em noites lendárias:
guitarras
pianos
poesias
títeres
Dali
verde
que te quis
azul
do(amo)res
castanholas
flores
flores
(vida em Granada)
- BÁRBARA LIA -
... pequena homenagem ao final da semana Lorca...
in mi corazón
Wednesday, September 12, 2007
GARCIA LORCA

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Minhas tentativas de debandar do mundo virtual
Gosto de ver, ouvir e tocar.
Ouvir alguém falar sobre Garcia Lorca,
perceber sua respiração enquanto fala,
uma lágrima furtiva, como ontem.
Ontem Ilo Krugli abriu a janela atemporal.
O diretor de teatro que contou sua experiência
com o Grupo de Teatro Vento Forte...
Bastou cantar uma ciranda de Lia de Itamaracá,
e flores novas da primavera que chega caíram
dentro do meu coração.
É isto!
A ARTE!
Não é o que tenho visto
e que me causa estranhamento.
Ando muito triste com o panorama literário.
Fico mesmo triste quando é a imagem
que vale mais que a palavra.
Não a imagem da palavra dentro do poema,
mas, a imagem de quem escreveu o poema.
Por isto, ver alguém que faz Teatro
apaixonado por Lorca rasgou o tempo
e jogou de novo toda a poesia, sangue nas veias.
Lorca vive!
La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia
Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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