Sunday, April 13, 2008
ESTÔMAGO
ESTÔMAGO "Uma fábula nada infantil sobre o poder, o sexo e a culinária"
O filme arrebatou o Festival de Cinema do Rio, 2007, o Festival de Berlim, Festival de Punta del Este e XXVI Festival Cinematográfico Internacional do Uruguai, o ator João Miguel (Raimundo Nonato), melhor Ator do Festival do Rio e de Punta del Este. Dois paranaenses de incontestável talento - Fabiula Nascimento (Íria) e Zeca Cenovics (Firmino), participação de Paulo Mickos (Titãs) e do argentino Jean Pierre Noher. No elenco ainda, Babu Santana e Carlos Briani. Baseado no conto - Presos pelo Estômago - de Lusa Silvestre dirigido por Marcos Jorge, filmado em Curitiba (onde reside o diretor). No site do filme a criatividade chegando com a era dos blogs. De dar água na boca, as receitas do filme em arquivo pdf, é claro que não podia faltar o pudim de leite moça - adeus regime! - com receitas de blogueiros:
Origem: Brasil/Itália
Duração: 100 minutos
Saturday, April 12, 2008
SOLIDÃO CALCINADA
Nos próximos sessenta dias deixarei aqui o convite para o lançamento de "Solidão Calcinada". Finalista do Prêmio Sesc de Literatura em 2.005. O livro está em fase de impressão na Imprensa Oficial do Paraná.
.
(O texto surpreende por sua construção diferenciada, ao embaralhar gêneros e formas literárias. É narrativa interiorizada, carregada de elementos do gênero lírico, o que dilui contornos espaciais e temporais. Capitulos em prosa estão entremeados por outros em versos, explicáveis na trama, e revelam a queda das barreiras na escritura contemporânea)
.
Este texto é parte da análise do Conselho de Editoração. No ano anterior os poetas Márcio Claudino e Rodrigo Madeira passaram pelo crivo do conselho com os livros - O sátiro se retirou para um canto escuro e chorou e Sol sem pálpebras, respectivamente. Neste ano os dois livros a serem lançados pela Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná é o meu e do escritor Paulo Martins, de Maringá (contos). Aguardem!
ASAS DE NIETZCHE
...
A visão da loucura e da morte na metáfora da gaiola absurda do pássaro, um crânio branco, um vôo metafísico, que se apóia na epígrafe Nietzschiana [1], “a essência da felicidade é não ter medo”, a qual se contamina ainda em termos de insânia, quando Nietzsche escreve ou diz no manicômio: “Sejamos alegres! Eu sou deus, e fiz esta caricatura”. [2] Para Bárbara, poesia é ter a loucura bela de um Ícaro, voejar “céus de antes”.
Asas de Nietzsche
a essência da felicidade é não ter medo
(Nietzsche)
Em urdidura silenciosa
escondem o pássaro
no crânio branco
-- arapuca tétrica --
caveira fria.
Asas em valsa colorida de raios
que entram pelos olhos vazados
e aquecem feito o fogo
e as papoulas
da primeira primavera.
Asas de pluma se ferem
No osso-cárcere – sangram;
asas metafísicas
voam céus de antes.
(A última chuva, p. 19)
A metonímia das asas, frágeis, delicadas de plumas são o símbolo maior da liberdade personificada pelo pássaro e a sua quase irrestrita ação de vôo. Seu movimento é preso por algo frio, estático: o crânio-arapuca, o cárcere-gaiola; a imagem é forte: as asas do pássaro em movimento arrastado de “valsa colorida” sendo feridas nas janelas-olhos vazados. A flor símbolo é a papoula, sombria, misteriosa, fúnebre em contraste com a beleza da primavera, a bem dizer como uma recordação do funeral dessa primavera que já passou. Se as asas sangram, esbatendo-se na grade-osso do cárcere, outras asas, metafísicas, ensejam o vôo passado de outros céus.
Asas de Nietzsche
a essência da felicidade é não ter medo
(Nietzsche)
Em urdidura silenciosa
escondem o pássaro
no crânio branco
-- arapuca tétrica --
caveira fria.
Asas em valsa colorida de raios
que entram pelos olhos vazados
e aquecem feito o fogo
e as papoulas
da primeira primavera.
Asas de pluma se ferem
No osso-cárcere – sangram;
asas metafísicas
voam céus de antes.
(A última chuva, p. 19)
A metonímia das asas, frágeis, delicadas de plumas são o símbolo maior da liberdade personificada pelo pássaro e a sua quase irrestrita ação de vôo. Seu movimento é preso por algo frio, estático: o crânio-arapuca, o cárcere-gaiola; a imagem é forte: as asas do pássaro em movimento arrastado de “valsa colorida” sendo feridas nas janelas-olhos vazados. A flor símbolo é a papoula, sombria, misteriosa, fúnebre em contraste com a beleza da primavera, a bem dizer como uma recordação do funeral dessa primavera que já passou. Se as asas sangram, esbatendo-se na grade-osso do cárcere, outras asas, metafísicas, ensejam o vôo passado de outros céus.
[1] MILLER, H. A hora dos assassinos. Trad. de Milton Persson. Porto Alegre: L&PM Editores, 1983, p. 78.
...
DUAS TENDÊNCIAS DA NOVÍSSIMA POESIA CURITIBANA NO ALVORECER DO SÉCULO XXI - MÁRCIO DAVIE CLAUDINO DA CRUZ
(O mínimo fragmento que cita a poesia Asas de Nietzsche é parte da monografia do poeta Márcio Claudino. As duas tendências: poetas de expressão vital e poetas de expressão onírica. Engloba uma fração da poesia que está sendo produzida em Curitiba, e poetas que publicaram livros depois de 2.001. Estou entre os poetas de expressão onírica neste delicado, poético e abrangente estudo do Márcio)
FIGO & FIGO
Figo
do figo, adivinho suas carnes
que entre os dentes deitam
a doçura ardente
da manhã primeira
da humanidade
do figo, adivinho sua seiva
seu desmanchar-se
estriadas nebulosas
quando dissolvido
em morte amorosa
do figo, gosto da luz escondida
atrás da cortina camurça
que enruste
a vítrea forma
da semente:
estrelas diminutas
do figo, raro pomo
quero provar sem pressa
com a vidraça aberta
fazendo inveja à lua
do figo, adivinho suas carnes
que entre os dentes deitam
a doçura ardente
da manhã primeira
da humanidade
do figo, adivinho sua seiva
seu desmanchar-se
estriadas nebulosas
quando dissolvido
em morte amorosa
do figo, gosto da luz escondida
atrás da cortina camurça
que enruste
a vítrea forma
da semente:
estrelas diminutas
do figo, raro pomo
quero provar sem pressa
com a vidraça aberta
fazendo inveja à lua
Bárbara Lia
Figo é uma das minhas frutas favoritas, sai procurando uma imagem de figo e descobri que o Luís Figo combina com esta poesia, e como combina!
Thursday, April 10, 2008
REVISTA ABRELATAS

Estamos preparando o n° 2 da Revista AbreLatas. Para saber como enviar seus textos,
acessar o link: http://www.editorainverso.com/?q=node/1
Tuesday, April 08, 2008
ADIÓS A LAS ALAS
Meninos brincando, Portinari em 1955Cambió el gusto de la guayaba madura.
No hay arañas tejiendo hilos de plata.
Ningún abejorro verde de buen agüero.
Las estrellas, aun ellas se alejan,
echadas por los neones de la ciudad.
El mundo se volvió alguna cosa.
Alguna cosa que no tiene más olor
o color o brillo.
Alguna cosa que plastifica el alma.
Alguna cosa inodora e impura.
No más el rocío en el pétalo.
Cristal líquido en sordina plegaria,
a bailar delante de los ojos serenos,
mientras balancean verdes las ramas
del almendro.
Cierro los ojos para recordar:
El rocío. El gusto de la guayaba madura.
La astuta arácnida construyendo redes
en desarreglo, ante nuestro espanto.
Aquella estrella que me seguía
En la calle oscura de la infancia.
Todo perdido en un túnel sin acceso.
Las bellas cosas robadas cuando
perdemos la inocencia.
O cuando nos desnudamos de las alas.
BÁRBARA LIA
VALÉRIA EIK
Sem duelos
Desisti dos duelos quando compreendi a relatividade dos fatos e a finitude da vida.
Enterrei as armas antes de ser sepultada por elas.
Guardei as minhas verdades na alma para não perder meu coração.
Não me agrada ditar verdades. Mesmo porque, contrariando o nosso Einstein, elas são relativas.
Não me agradam os grupos. Prefiro a solidão dos pensamentos.
Também não me agradam as palavras ditas em altos brados. Gosto dos sussurros.
Não me agradam os finais de tardes. Aprecio a noite, o luar, o surrealismo das estrelas.
Também não me agradam conceitos. Prefiro a loucura que, por um triz, não se transforma em lucidez.
Acostumei-me a andar na corda bamba e sentir o fio teso da vida prestes a arrebentar.
Quando menos se espera ela termina. E todas as verdades caem no esquecimento.
Restarão as mentiras, intactas, pairando no ar, num renascimento incessante.
Valéria Nogueira Eik - Editora da revista de literatura e arte Conexão Maringá http://www.conexaomaringa.com
6/abril/2008
Maringá/Pr.
Desisti dos duelos quando compreendi a relatividade dos fatos e a finitude da vida.
Enterrei as armas antes de ser sepultada por elas.
Guardei as minhas verdades na alma para não perder meu coração.
Não me agrada ditar verdades. Mesmo porque, contrariando o nosso Einstein, elas são relativas.
Não me agradam os grupos. Prefiro a solidão dos pensamentos.
Também não me agradam as palavras ditas em altos brados. Gosto dos sussurros.
Não me agradam os finais de tardes. Aprecio a noite, o luar, o surrealismo das estrelas.
Também não me agradam conceitos. Prefiro a loucura que, por um triz, não se transforma em lucidez.
Acostumei-me a andar na corda bamba e sentir o fio teso da vida prestes a arrebentar.
Quando menos se espera ela termina. E todas as verdades caem no esquecimento.
Restarão as mentiras, intactas, pairando no ar, num renascimento incessante.
Valéria Nogueira Eik - Editora da revista de literatura e arte Conexão Maringá http://www.conexaomaringa.com
6/abril/2008
Maringá/Pr.
Sunday, April 06, 2008
ABRIL


Abril lembra o poema de T. S. Eliot (Terra desolada), que começa assim...
Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
.
Lembra a canção de Zeca Afonso
"Grândola, vila morena,
terra da fraternidade,
o povo em ti é quem mais ordena
dentro de ti ó cidade".
Zeca Afonso
terra da fraternidade,
o povo em ti é quem mais ordena
dentro de ti ó cidade".
Zeca Afonso
Lembra Tanto Mar de Chico Buarque...
Em um abril descontente, escrevi a Poesia abaixo.
Abril é o mês dos cravos, da Revolução dos Cravos, e comprei um cravo da cor rosa. Quando fui olhar o significado do cravo rosa - fidelidade. Um dia, curiosa com a obsessão que meu pai tinha pela personagem Bárbara Heliodora, uma das conjuradas de Vila Rica, perguntei a ele a razão de tanta admiração - e ele disse que admirava a fidelidade dela, de ter ficado só após o degredo de Alvarenga Peixoto. Por um amor de admiração paterna por ela fui assinalada com esta vida ferrada, de guerreira mesmo, e com esta característica de ser fiel ao meu coração.
Saudades daquele ar que queimou meus pulmões quando saí do cinema e andei pela Rua XV inteira me sentindo humana, depois de assistir ao filme Capitães de Abril. Ou, meu amor por Portugal se expressa em canções e saudades, uma Terra que eu nunca pisei, mas, que amo mesmo assim.
BÁRBARA
Cristal de fogo este sol de abril
Felicidade ardida em oposição à esta mágoa fendida
Cerro negras cortinas, na penumbra rasgo o passado
Em rotação errada nas paredes da memória
A mesma antiga declaração dos homens sem imaginação...
"Bárbara, Bárbara.
Nunca é tarde
Nunca é demais”
Há que alguém me amar
Sem desafinar letra e canção?
Como um barco sobre o Tejo
Como rosas se abrindo no chão
Asas de colibri, fogos de São João
Uma canção que não seja tarde, nem demais
Que seja abril... Nada mais.
Saturday, April 05, 2008
HILDA HILST
Tunique rose - Tamara De LempickaPRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR.
I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.
II
Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)
[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]
http://www.angelfire.com/ri/casadosol/preludios.html
Friday, April 04, 2008
Tuesday, April 01, 2008
MICHEL SLEIMAN

A Ateliê Editorial, o Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Árabe e Livraria da Vila-Lorena convidam para o lançamento dos livros “A Arte do Zajal”, de Michel Sleiman, “O Intelecto em Ibn Sina”, de Miguel Attie Filho, e “O Simbolismo dos Padrões Geométricos da Arte Islâmica”, de Sylvia Leite.
Apoio do Instituto da Cultura Árabe e do Centro de Estudos Árabes da USP.
Local: Livraria da Vila, al. Lorena, 1731, Jardins, São Paulo.
...
Sunday, March 30, 2008
CIGARRAS NO APOCALIPSE
(William Blake)
Quando o poema emerge,
Estridente,
Emudece o verão
Escurece a primavera
Incendeia o outono
Poetas são cigarras
No apocalipse
Sempiterno som
Canto que incomoda
Sacode as esfinges
As filosofias vãs
Permeia a triste Ingrid
Na serra colombiana
Canto ecoa
Em muralhas pagãs
Invade corredores
Cola ao som o hortelã
Das festas de antes
Arranca lágrimas cinzas
No silêncio laranja
De Guantánamo
O som ardido trinca o sol
Escorre gema zelosa
Na chaga das crianças
Da África inteira
Canta a primavera afogada
Da vida ceifada.
A cigarra segue
No apocalipse sem volta
Anoitece areias de Fallujah
Todas as ruas da Faixa de Gaza
Cigarras no apocalipse
São poetas em desalinho
Gestados no ventre escuro
Ninfas subterrâneas
Emergem em canto e vôo
Ao som da trombeta
De um anjo sem olhos.
BÁRBARA LIA
NONADA
... o sábio pronuncia a palavra como fonte de água viva. Não fala pela boca, e sim do mais profundo de si mesmo.
Guimarães Rosa inaugura Grandes Sertões, Veredas com uma palavra insólita: "Nonada". Convite ao silêncio, à contemplação, à mente centrada no vazio, à alma despida de fantasias. Nâo nada. Não, nada.
Sabem os místicos que, sem dizer Não e almejar o Nada, é impossível ouvir, no segredo do coração, a palavra de Deus que, neles, se faz Sim e Tudo, expressão amorosa e ressonância criativa.
do livro A ARTE DE SEMEAR ESTRELAS (Rocco)
FREI BETTO
Assessor de movimentos sociais. Nascido em Belo Horizonte, estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Autor de 54 livros de diversos gêneros literários.
CONFLUÊNCIAS
Uma antiga lenda da Índia nos recorda a existência de um rio, cuja afluência não se pode precisar. No final seu caudal se torna circular e começa a ferver. Uma desmesurada confusão se observa em seu acarreio, dessemelhanças, planuras, concorrem com diamantinas simetria e com coincidentes ternuras. É o Purana, que tudo arrasta, parece estar sempre revolto, carece de análogos e de aproximações. No entanto, é o rio que vai até as portas do Paraíso.
JOSÉ LEZAMA LIMA- pequeno fragmento do ensaio - Confluências.
A dignidade da poesia (Ática ed.)- trad. Josely Vianna Baptista
Friday, March 28, 2008
Samba bloody Samba
Não eu não gosto nem de lembrar.
Das tuas propostas de fuga da tua farsa cega de progresso e civilização
Mas se estou aqui é porque gosto
De retorcer tuas antenas esperar teus profetas provocar teus excessos
Desbancar tuas apostas reprovar teu destino
E reclamar reclamar
Para alimentar as ruínas de certo a vida inteira
Sim daqui do alto da onde estou posso nos ver brotando
Ali bem perto do asfalto em chamas no calor dos carros
Destruídos entre a fumaça resta apenas uma cabeça
De cavalo morto a vomitar no estreito da desordem
Na chuva contínua nos seus desencantos e desencontros
Na noite que termina tão cedo
Não eu não agüento mais teu culto ao convencional
Teus surtos de bondade teu triste passado de fera
Teus impulsos suicidas
Teu mito conservador encarcerado desdentado
Na boca maldita dos teus poetas
Não eu não agüento mais teu povo submisso
Teus tiras tão bem trajados teu enxame de turistas
Teu sangue frio de inveja dissimulada
O desespero dos teus loucos
O descontrole dos teus pares
Teus vanguardistas de mesa de bar que nunca vingam
Sonhadores de segunda mão
O trato com o dinheiro
O germe do magnetismo pessoal
Teus braços contidos passeios públicos
Teu triste samba torto teu carnaval de morte
Samba bloody samba
Sim eu me ajoelho ao que vem de fora
Ao novo diluído
Sim eu me ajoelho ao que vem de fora
Ao planejado estabelecido
Sim eu me ajoelho ao que vem de fora
Ao bem recebido e tão logo esquecido
A indiferença de quem tudo sabe
De quem passa por cima de tudo
Acima de tudo
Acima de qualquer país
Água verde onde tudo brota
Onde tudo jorra
Tímpanos enlouquecidos habitam a torre
Nossa Senhora da Luz dos Pinhais
Ilumina minha queda
Considera meus lábios na terra
HAMILTON DE LÓCCO
Músico, compositor, artista plástico. Lançou o cd Compilação pelo selo De Inverno records. Publicou o livro de poemas Sonífero das Almas (Feira do Poeta)
Thursday, March 27, 2008
CORETO LOQUAX
Coquetel no Coreto da Unicenter, Campus Divina Providência. Na primeira noite que estivemos lá para conhecer o local a Luciana Cañete disse, olhando para o coreto: que lugar ideal para um recital! Não fosse a parafernália de microfone e a tela que projetamos ontem as imagens e as gavetas da Lindsey, fosse verso e voz, o Coreto Loquax aconteceria, em encantadas noites, de vento atravessando leve. Nesta semana, lembrei aquela cena do filme - A noviça rebelde - onde a menina dança com o soldado que ama, dentro do coreto e a chuva, a chuva... Cena de amor tem que ter chuva, coretos, varandas e música. Mas, só o coquetel foi ali no coreto. Poemas & Poetas de Hoje aconteceu meio ao Festival de Curitiba, passou incólume e branco como a poesia - esta fantasma de roupa transparente cheia de fogo dentro... Afinal, tudo dá certo quando é poesia. O espírito da Arte conduz tudo... E a platéia de poesia é tão pouca que cabe em um coreto, assim, aconchegante de vinho e conversas e a senhora de cabelos grisalhos eu consegui clicar, a menininha que esteve na noite anterior não, pena... Pois tinha esta linha de vida das mulheres, tão bem cantadas ontem pela Luciana e quiçá por mim, e até pelos poemas masculinos do Jorge... até penso que cabe, prá encerrar, aquela poesia e a pergunta grave - Você é feminista? Sempre penso que sou livre, mas, quero ser feminina, e olhar sim os homens de igual para igual, mesmo que nada sobre que não seja o coreto branco e a dança da chuva diluindo na memória, a dança do amor virando fumaça na chuva, mas, eternizada e tatuada em corações tão iguais em suas diferenças...
.
Eufeminista
(Luciana Cañete)
Ele perguntou grave:
- Você é feminista?
Assim olhos de fundo de mar.
Ao que revelou suave:
Quero viver a minha uteralidade.
Ser esse caminhar ritmo inconstante como sendo o natural.
Viver o rir gargalhar gritar da instabilidade policística.
chorar chorar calar
Sem imposta retidão hormonal.
Sem eixo x/y do cartesiano masculino.
O sentimento desobstruindo lógicas de estampa de gravata.
Chego ao endereço sem mapa, porque nasci com a bússola por dentro.
Deixa eu domar cabelos e emoldurar sorrisos em troca da tua cara de
satisfação na porta.
Quero mergulhar água de ervas e te esperar desmaiada em besteiras românticas.
Deixa eu falar voz de menos de um grama, assim leve
quase sussurro sempre.
Permita-me, com gentileza, mais alvura, menos peso, menos músculos.
Chorar sozinha na janela enquanto me faço em bolo de teu preferimento.
Deixa eu ler Adélia Prado e a igualdade dos sexos abandonando-me.
- desabafou peso de mundo lastimando ovários.
Invisibilidades
Esta noche en este mundo (Alejandra Pizarnik)
FRAGMENTO
...no
las palabras
no hacen el amor
hacen la ausencia
si digo agua ¿beberé?
si digo pan ¿comeré?
en esta noche en este mundo
extraordinario silencio el de esta noche
lo que pasa con el alma es que no se ve
lo que pasa con la mente es que no se ve
lo que pasa con el espíritu es que no se ve
¿de dónde viene esta conspiración de invisibilidades?
ninguna palabra es visible...
vida «árbol de diana» #35 alejandra pizarnik
35
a Ester Singer
Vida, mi vida, déjate caer, déjate doler, mi vida, déjate enlazar de fue-
go, de silencio ingenuo, de piedras verdes en la casa de la noche,
déjate caer y doler, mi vida.
Wednesday, March 26, 2008
LINDSEY ROCHA / Porão Loquax - 25/03
seis da manhã de domingo. nunca acordaria naquele horário não fosse a enorme lua cheia lá fora. majestade, dando ordens por trás da vidraça. com tanto sono entre os cílios, difícil acreditar que fosse mesmo a lua. quase um grito. abriu os olhos e virou o corpo, atendendo ao chamado. sem domínio nenhum sobre os lábios, sentiu o sorriso dado em oferenda. travaram uma espécie de conversa mágica. a hora morta. e foi aí que o dia nasceu. ficou decretado que os dias só nasceriam após o sorriso de um artista.
LINDSEY ROCHA
Escritora e artista plástica. Publicou Nervuras do silêncio (7 Letras, 2005)
Performance realizada pelos amigos da Lindsey - Karol, Letícia, Juliana, Diogo, (faltou o nome do rapaz claro e alto)
Subscribe to:
Posts (Atom)
La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia
Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...
-
Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
-
Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
-
Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
-
(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
-
Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
-
F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
-
É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
-
INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...

.jpg)




