Sunday, May 30, 2010

Canção para Jane e Edith





Só em pensar que existe um jardim inglês
Um lago retangular pleno de flores d’água
Cercado por lanternas vermelhas e névoa

Só em pensar que sob alguma árvore
Três cavalos meditam ao entardecer
Um branco, um negro, um caramelo

Só em pensar nas similaridades ternas
Viver da minha caneta como Jane Austen
Tricotar casacos para o amado como Edith Piaf

Só em olhar tudo e recolher os ossos espalhados
Cerzir a pele rota de paixões pífias - para o amado puro -
Longe das ruas geladas e do assédio dos egos afetados

Bárbara Lia
nov/2009


Foto de Michaël Boulenger


mare chiare

garofano blu

anima di volare

intorno a te

Bárbara Lia

Saturday, May 29, 2010

Mondo Modigliani


Amedeo Modigliani


Paris e um amor
Ode de absinto
E dança
A voz de Piaf acorda
As pedras de um beco:
“C'est lui pour moi
Moi pour lui dans la vie”
Um passo uma dança
O peito tísico abraça:
Pele lunar de Jeanne
- A musa sem olhos -
Os bêbados rasgados
A lua amassada
E o triste passado
Sepultado em Livorno

Bárbara Lia para Modigliani


maio/2010

NooN 
(21 gramas - artesanais)

Wednesday, May 26, 2010

Entrevista

Sal da Terra Luz do Mundo - Revista virtual de arte cultura saúde integral e espiritualidade - editada pela jornalista, tradutora e escritora Ana Lúcia Vasconcelos publicou a entrevista que concedi ao poeta Selmo Vasconcellos para o Momento Lítero Cultural...


Selmo - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?
Ser poeta já é um incentivo. Captar a beleza em versos, construir o encanto - ser poeta não é nada mais que isto. Penso sempre em algo que ouvi em uma entrevista de um poeta daqui que morreu jovem – Rollo de Resende: A função do poeta termina quando ele termina de escrever o poema. Este é o êxtase. Esta é a beleza. O que acontece depois é luz oblíqua que vez por outra brilha em páginas e nos deixa sem jeito – para quem é tímida como eu sou – quando alguém entra em delírio diante de um poema. Não há uma contrapartida. Os poetas não tem espaço na grande mídia e não ganham dinheiro com isto. A poesia ainda é o grande segredo que tantos tentam desvendar. O que é poesia? O Edson Cruz fez esta pergunta e cada um de nós – poetas – tinha uma resposta. O que posso dizer a um iniciante (me considero iniciante na arte da escrita) é seguir o fio da sua criação. Ser livre pra encontrar sua voz, não buscar ser uma réplica de ninguém. Ser ele mesmo, ler os bons poetas, dizer a verdade que grita dentro da gente. E ninguém mais ouve a vida em uma voltagem tão alta quanto o poeta
 
clique aqui para ler a entrevista completa  

Tuesday, May 25, 2010

Circular, o filme

Adriano Esturilho, Letícia Sabatella e Diego Florentino


Tem uma moçada muito talentosa aqui em Curitiba fazendo cinema. Este filme tem uma equipe de roteiristas desta nova turma, incluindo Aly Muritiba do premiado curta - Com as próprias mãos. Recebo notícias deles via - Grupo Processo Multiartes e também através do Andrew Knoll.

Roteiristas:
ADRIANO ESTURILHO

ALY MURITIBA

BRUNO DE OLIVEIRA

DIEGO FLORENTINO

FÁBIO ALLON


Sucesso aos novos autores/diretores/

ELENCO



LETÍCIA SABATELLA como Cristina


CESAR TRONCOSO como Carlos


SANTOS CHAGAS como Lourival


MARCEL SZYMANSKI como Samuel


BRUNO RANZANI como Vina


LUIZ BERTAZZO como Cabeça


DÉBORA VECCHI como Débora


GUSTAVO PINHEIRO como Dentinho




Recado do Andrew Knoll:

Making of diário do longa CIRCULAR

Gente, alguns sabem, outros não...estamos rodando o longa metragem CIRCULAR. Serão 5 semanas de filmagens e resolvemos compartilhar o processo de produção de um longa com o publico. Para tanto estamos postando making ofs, fotos e textos diários no blog do filme.

Adamare

Adamare. Dos livros artesanais é o mais lírico. O Projeto 21 gramas prossegue. Ele trouxe a poesia em forma de diálogo com os leitores e outros poetas. Uma alegria.

PRIMAVERA PARA BEETHOVEN

Também os bosques são sinfonias
no silêncio da bela arquitetura
teias de aranhas são partituras
por mais casta que seja a analogia


Em nítida alegria toda tessitura
de um concerto pleno de alegorias
traçando entre o verde, harmonias
asas dos pássaros voam alturas


(entre galhos , o vento ouvem
e um exército de aves se levanta
rasgando em asas o ar fuligem)

Uma paisagem etérea-sacrossanta.
Primavera para o triste Beethoven
que fulge entre o verde e - livre - canta.
Bárbara Lia / Adamare - ed. 21 gramas






Friday, May 21, 2010

Antologia II



Lançamento da Antologia H2Horas - Parceria do Portal Cronópios e Coletivo Dulcinéia Catadora - e o recado do Pipol:

Dia 1º de junho, terça-feira, a partir das 19h30 na Casa das Rosas em São Paulo. No dia haverá exibição dos dois filmes e apresentação dos livros. O H2Horas é um projeto com desdobramentos midiáticos, um projeto artístico muito feliz. Venha participar do lançamento e traga os amigos.

Antologia I


As Antologias começam a chegar. O conto SET -  ficou em quinto lugar no I Concurso Literário - Contos Grotescos - Prêmio Edgar Alan Poe. Meu conto que narra o surgimento de um serial killer. 

- A Antologia com 10 poesias inéditas do Prêmio Ufes de Literatura está estourando por aí e até Julho fica pronta a publicação anual da SEEC - Pr. Meu conto Mulher na Árvore ficou entre os dez do Conc. Nacional de Contos Newton Sampaio.

Thursday, May 20, 2010

Faz frio e eu canto

No mundo real nunca é A Hora da Estrela. É sempre a hora do aço e do confronto e do desencanto. O poeta necessita uma dose imensa de coragem. Driblar cada não. Tornar tudo um sim-jardim. Ser, à revelia de tudo, uma mínima estrela. Tentar digerir o mundo escrevendo versos e pisando espaços inóspitos, saguões de gelo, catedrais de desesperança. Tudo afinal é apenas o desafio que se enfrenta enquanto vive. O poeta escreve isto, com ritmos – Reggae, Tango, Bossa Nova, Ópera-rock...



O enigma decifrado


O que a onda diz
ao cão sentado
babando moluscos
e saudades?
Como rasgar a onda
sem cicatrizar em azul?
Beber a ardência seminal
de amantes afogados
como quem engole
segredos guardados
entre debruns
de ondas
em seu giz rendado.


*

Aléias azuis na cinza manhã
inflam o ar em luz e ardor
envolvem a sombra.



*



Acordes rascantes
do amor em goles.

Chávena com alfabeto fenício
- início.
Olhar de mel silvestre
e este lúdico instante

Brancura do éden erguida
distante da rua de pedra

Chuva azul debaixo da mesa
Castanholas

Vermelha dança flamenca
acordando a lua.

Ar gélido da rua nos desperta.
A noite começa com um sol sem juízo.

Chaleira chia
dança em meus olhos
o teu sorriso.

---Mergulhar em gavetas e arquivos, derramar a poesia sobre a mesa - Faz frio e é tempo de organizar armários, gavetas e de revisar arquivos. Recolher toda a poesia, espelhá-la para ver se não virou fantasma, pra ver se reflete ainda um fragmento daquilo que foi ou é a poeta. Pensamentos, poemas e esta paz congelada na esquina. Faz frio e eu canto...

Sunday, May 16, 2010

Pensando o amor


- em geral , ele é todo desejo do que é bom e de ser feliz - (Platão)


::
O amor é um Deus escondido e não é todo mundo que dá de cara com ele. Para complicar tudo, apelidaram a tal paixão de amor, então vive por aí o amor - mascarado - tripudiado com sua imagem tatuada em um deus pequeno, um deus sem asas e sem força, um deus que queima mais rápido que as tuas lenhas no fogão e tudo se perde. Pode ser bonito como aquele fogo, mas, é só miragem. É o externo tatuado na visão, o interno tatuado é que fica impresso nos olhos da alma que não esfria que não se consome em labaredas - o externo é a paixão e o interno é o amor - seria isto? E quando o externo e o interno vibram na mesma frequência? Então é o Eros revivido. O amor em carne viva...

- Bárbara Lia 
::

Anotação na porta da geladeira:
Reler - O Banquete (Platão)
Para beber palavra a palavra o livro e quiçá escrever poesia:
 
O amor?
Uma libélula
Acima do lodo

EL ALEPH AZUL DE BORGES




Dejaste aquí tu corazón
- Aleph azul
poblado de tigres blancos
y espejismos.

 
Dejaste aquí tu corazón,
que pulsa como esta Milonga Del Ángel,
que oigo en esta primavera desprotegida
- acordes de Piazzola –



Nubes blancas señal de certezas:
tu alma blanca
tu corazón Aleph azul
permanecen, en suave ritmo del sur.

 
Dejaste un Libro de Arenas
- tu alma -
todos nosotros hojeando páginas
de este desierto metafísico - nocturno y trágico -
que lleva a la aurora nítida del reino de la poesía.


Dejaste aquí tu corazón,
Aleph donde transitan signos variados,
y aunque imprimo sueños
en griego, sánscrito o arameo,
desciframos – en alfa –
tus mensajes de estrellas.


Dejaste aquí tu corazón,
vaso vacío de secretos,
pleno de soles & lunas & signos de nobleza,
en una azul sinfonía que tejes
entre tus dedos, mientras señalas:


La eterna agua, el aire eterno,
flaneando en un valle de sombras
y la inscripción brillante con hilos de oro
- no existe el tiempo –


Guardianes de lo imposible
llevamos hacia el cuello la ampolleta
como hombres-bombas
explotando la vida,
sin seguir tus pasos-acordes.



Ciegos, no distinguimos,
la inutilidad de la arena que cae en cuentagotas,
tu corazón quiere gritárnoslo -
Aleph azul que guarda secretos rojos.


Dejaste aquí tu corazón.
Algunos lo hojean en plegaria, como ángeles.
Yo lo hojeo, deslumbrada,
con la misma cálida y reverente ternura
con que miraba abismada la estrella véspero.



Azul como tu Aleph corazón.
Flecha y señal en mi camino:
La estrella véspero,
el Aleph azul de Borges.

Bárbara Lia

tradução - Karina Eskin


Thursday, May 13, 2010

Enquanto isto lá no Espírito Santo


DIA 20 DE MAIO [QUINTA-FEIRA] - A PARTIR DAS 19:00

ADUFES [UFES - CAMPUS DE GOIABEIRAS, VITÓRIA / ES]

Pensando a Poesia


Pensando a Poesia - no site da editora Vidráguas - acesse aqui

Vidráguas - Bela Página - que me faz recordar Eugénio de Andrade e que traz um poema inédito de Serguilha para Camila Vardarac... Um encontro feliz em Porto Alegre com Carmen Silvia Presotto -  Vidráguas - palavra poética, cristalina, liquida escondendo sementes de poesia. Viva a Poesia!

MINAS GERAIS!

Conversas com Emily Dickinson

A face do fogo

La nave va...

Meus livros

  https://www.editoracloe.com/product-page/50-poemas-escolhidos-pela-autora https://editorakazua.net/ https://www.loja.prosanova.com.br/olho...