Tuesday, June 21, 2011
A Senhora Selvagem
tutto il viaggio è metafora del viagggio interiore
quando sono attraccata a Venezia
lo sapevo
approdavo anche in me stessa
toda viagem é metafora da viagem interior
quando desembarquei em Veneza
sabia que
aportava também em mim mesma
**
"inquieta era qui una bambina im-
palpabile, una donna intangibile una signora
selvaggia andava sempre fino in fondo"
Epitafio
"inquieta-se aqui uma menina impal-
pável, uma mulher intangível uma senhora
selvagem que ia sempre até o fundo"
Epitáfio
A Senhora Selvagem
Berenice Sica Lamas
Capa: colagem de Berenice Medeiros
Evangraf/2011
Coleção Sempre Viva ALF
Sunday, June 19, 2011
O Velho Tema III
Quando as veias deste silêncio explodirem vai ficar difícil andar pelas ruas. Quando saturar o depósito cavernoso líquido - tinta estocada em um jardim de rosas que já murcharam há setecentos anos. A maioria esconde no silêncio o amor. Entram no jogo. O jardim dos amores silenciados está obeso de rosas florescidas em lágrimas de sangue. Vão pensar que é o fim do mundo quando explodir a veia submersa dos amores enterrados.
Bárbara Lia
Velho Tema
Vicente de Carvalho
Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
...
Publiquei a poesia - Velho Tema - que para Vicente de Carvalho era a Felicidade. Para mim nestas postagens sem pretensão é o mais que maltratado e tripudiado e mal dito e quiçá maldito - Amor.
Friday, June 17, 2011
O VELHO TEMA II
Esfarrapado e imundo
dei de cara com ele, enfim,
- mendigo extraviado
que implora pra ser notado.
Eis o amor:
despejado
humilhado
não vive em estrelas
nem mar profundo
nem no limite do mundo
está sempre no meio do caminho
pedra poema
estirado
um cão sublime à espera
de um dono franciscano
que o acolha
com todas as chagas
e enganos.
Bárbara Lia
Fragmento da poesia - Sonhos em preto e branco
dei de cara com ele, enfim,
- mendigo extraviado
que implora pra ser notado.
Eis o amor:
despejado
humilhado
não vive em estrelas
nem mar profundo
nem no limite do mundo
está sempre no meio do caminho
pedra poema
estirado
um cão sublime à espera
de um dono franciscano
que o acolha
com todas as chagas
e enganos.
Bárbara Lia
Fragmento da poesia - Sonhos em preto e branco
O VELHO TEMA
O amor é um Deus escondido e não é todo mundo que dá de cara com ele. Para complicar tudo, apelidaram a tal paixão de amor, então vive por aí o amor - mascarado - tripudiado com sua imagem tatuada em um deus pequeno, um deus sem asas e sem força, um deus que queima mais rápido que as tuas lenhas no fogão e tudo se perde. Pode ser bonito como aquele fogo, mas, é só miragem. É o externo tatuado na visão, o interno tatuado é que fica impresso nos olhos da alma que não esfria que não se consome em labaredas - o externo é a paixão e o interno é o amor - seria isto? E quando o externo e o interno vibram na mesma frequência? Então é o Eros revivido. O amor em carne viva.
Bárbara Lia
Thursday, June 16, 2011
A ESFINGE NA NÉVOA
Quando a alma
fala
já não fala a alma.
Se o corpo é sua escada
a língua é por onde
ela escapa?
Jamais sairemos
desse labirinto
de falsos silêncios;
Então, por que não cantamos
enquanto afundamos
Ou por que não nos calamos,
até o fim da névoa
do labirinto
e do silêncio torpe?...
Se a canção da Ursa Maior
não nos alcança,
afundar no canto ausente
das sereias de antes,
e apesar da vitória
deste abismo em nós
de nossa secreta Ítaca
não estamos tão distantes.
Ítaca dentro de nós:
A torre, a amada a fiar o manto,
o cão cego e fiel,
a mesa, o vinho...
Ítaca – a felicidade-
escondida no mar de abismos
e nos labirintos de sal
- nossa casa-alma:
Esfinge na névoa
que sempre encontramos
no final.
BÁRBARA LIA / MARCELO ARIEL
Marcelo Ariel é poeta, escritor & performer. Nasceu em Santos em 68. Adaptou para o teatro obras de Dante Alighieri, Byron, Hilda Hilst, Yukio Mishima, Fernando Pessoa e Hermann Broch. Entre outros livros, publicou pelo Coletivo Dulcinéia Catadora o livro: ME ENTERREM COM A MINHA AR 15 e pelo Selo LetraSelvagem o TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS. Pela Multifoco, CONVERSAS COM EMILY DICKINSON E OUTROS POEMAS.
Uma poesia do livro "O sal das rosas"
VIOLETAS BRANCAS
Sigo teus passos, feito asteca, sonhando
a terra eterna e rica – tua pele.
Pele dos diários, onde leio a lua.
A maré suave que me enlaça nua,
écharpe de brisa e aurora, corais gris.
Adeus soledade de pedra. Paloma triste
em vôo riste, ao longe.
O deus-do-sol-do-meio-dia, colibri azul
da era atômica, é um sopro de luz e sons.
Sonhos delineados na tela fria.
O mundo sangra e transforma a garça
em íbis rubro. Leio um salmo antigo,
acordo em manhãs violetas. Tenho por companhia
um pequeno vaso de violetas brancas.
Bárbara Lia
Tuesday, June 14, 2011
O chapéu do anjo
Este filme é baseado em um conto de Philip K. Dick - The adjustment team - O filme recebeu o título "The adjustment bureau"
Nos cinemas do Brasil - Os agentes do destino.
Nos cinemas do Brasil - Os agentes do destino.
Deus é chamado de Presidente e ele tem seus agentes para garantir que o Plano dele não seja alterado.
O personagem de Matt Damon se apaixona por uma bailarina de uma companhia de dança contemporânea e entra em conflito com o plano original. O filme tenta responder à velha dúvida: O destino está traçado, ou cada qual constrói o seu próprio destino? Não gostei muito de saber que aposentaram o céu lírico com rios que correm leite e mel para ficarem trancafiados em um edifício com ternos e chapéus e cachecóis, mas...
Monday, June 13, 2011
Fernando Pessoa, 123 anos e toda POESIA
imagem retirada daqui
LAGOA DA POSSE
A posse é para meu pensar uma lagoa absurda — muito grande, muito escura, muito pouco profunda. Parece funda a água porque é falsa de suja.
A morte? Mas a morte está dentro da vida. Morro totalmente? Não sei da vida. Sobrevivo-me? Continuo a viver.
O sonho? Mas o sonho está dentro da vida. Vivemos o sonho? Vivemos. Sonhamo-lo apenas? Morremos. E a morte está dentro da vida.
Como a nossa sombra a vida persegue-me. E só não há sombra quando tudo é sombra. A vida só nos não persegue quando nos entregamos a ela.
O que há de mais doloroso no sonho é não existir. Realmente, não se pode sonhar.
O que é possuir? Nós não o sabemos. Como querer então poder possuir qualquer coisa. Direis que não sabemos o que é a vida, e vivemos... Mas nós vivemos realmente? Viver sem saber o que é a vida será viver?
O LIVRO DO DESASSOSSEGO
Bernardo Soares
Wednesday, June 08, 2011
38ª edição QUINTA POÉTICA - 30 de Junho - Casa das Rosas
Governo de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Escrituras Editora
convidam para a QUINTA POÉTICA – 38a edição – 30 de junho de 2011
a partir das 19h – na Casa das Rosas (evento gratuito)
Com os poetas convidados:
Bárbara Lia (Curitiba - PR), Gracco Oliveira (Diadema - SP) e Maiara Gouveia (São Paulo – SP).
Participação especial de Sansakroma - Julio e Débora D'Zambê (Contos e Mitos Africanos)
Curadoria: José Geraldo Neres
Curadoria: José Geraldo Neres
Cidade Poema - Fotos de Leonardo Brasiliense
Maria Carpi - O pão e o vinho
No centro da casa,
uma vertente.
No centro do movimento,
o avental de minha mãe.
As toalhas jamais
sabiam secar-me.
Ali acalmava as mãos
interrompidas de voar.
Ali as lágrimas
e toda a trégua.
Maria Carpi
(Nos Gerais da Dor)
Foto de Leonardo Brasiliense para o Projeto de Lais Chaffe Cidade Poema
Gosto muito de filme e fotografia em preto e branco. Leonardo Brasiliense publicou uma sequência de imagens dos poetas do projeto.
http://leonardobrasiliense.blogspot.com/
Tuesday, June 07, 2011
Monday, June 06, 2011
Saturday, June 04, 2011
Friday, June 03, 2011
Grandes Mulheres Grandes Amores VII
I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.
HILDA HILST
Júbilo, memória, noviciado da paixão
Um beijo em morse:
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.
HILDA HILST
Júbilo, memória, noviciado da paixão
Um beijo em morse:
Hilda se encontra com Carlos Drummond de Andrade e este, superando sua renitente timidez, disse: "Você não dormiu com esse cara, não é? Os poemas estão tão bons que eu sei que você não dormiu com ele." "É verdade", respondeu Hilda.
A respeito de Hilda Hilst e de sua obra muito se disse. O próprio Drummond, em 1952, dedicou-lhe um poema, em que, entre outros versos, diz: "Então Hilda, que é sab(ilda) / Manda sua arma secreta: / Um beijo em morse ao poeta."
fonte deste texto - Globo Livros - http://globolivros.globo.com/O amor proibido de Hilda
Grandes Mulheres Grandes Paixões VI
“No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
– Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.”
Elizabeth Bishop
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
– Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.”
Elizabeth Bishop
Lota Macedo
Tuesday, May 31, 2011
Grandes Mulheres Grandes Paixões V
“Beijou-me na boca, subitamente e com violência, arrancando-me o lenço que eu atara à cabeça, o meu belo lenço vermelho que eu adorava, usado e descolorido pelo sol, impossível de substituir, e os meus brincos favoritos de prata, ah, eu guardo-os, rosnou ele, e eu mordi-o longa e cruelmente na face quando ele me beijou no pescoço e, quando saímos do quarto, o sangue escorria-lhe pelo rosto e dentro de mim subia um grito, oh, entregar-me nas tuas mãos, estilhaçar-me lutando contra ti...”
(Sylvia Plath - 1956)
Ted Hughes
Sunday, May 29, 2011
Grandes Mulheres Grandes Paixões III
Um quarto de hotel, para mim, tem a implicação de voluptuosidade, furtiva, fugaz. Talvez o fato de não ver Henry tenha aumentado a minha fome. Eu me masturbo frequentemente, com luxúria, sem remorso ou repugnância. Pela primeira vez eu sei o que é comer. Ganhei dois quilos. Fico desesperadamente faminta, e a comida que como me dá um prazer duradouro. Nunca comi desta maneira profunda e carnal. Só tenho três desejos agora: comer, dormir e foder. Os cabarés me excitam. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar-me em corpos, beber um Benedictine ardente. Belas mulheres e homens atraentes provocam desejos em mim. Quero dançar. Quero drogas. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas. Nunca olho para rostos inocentes. Quero morder a vida e ser despedaçada por ela. Henry não me dá tudo isso. Eu despertei o seu amor. Maldito seja o seu amor. Ele sabe foder como ninguém, mas eu quero mais que isso.
Eu vou para o inferno, para o inferno, para o inferno.
Selvagem, selvagem, selvagem.
Anaïs Nin
Henry Miller
Grandes Mulheres Grandes Paixões II
*
" Si un jour, la vie t'arrache à moi,
Si tu meurs, que tu sois loin de moi
Peu m'importe, si tu m'aimes,
Car moi, je mourrai aussi...."
Edith Piaf
" Si un jour, la vie t'arrache à moi,
Si tu meurs, que tu sois loin de moi
Peu m'importe, si tu m'aimes,
Car moi, je mourrai aussi...."
Edith Piaf
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