Wednesday, September 14, 2011

O que é poesia?



O QUE É POESIA?
Edson Cruz (organização)

 
 
 
 
O que é poesia para você?

A poesia é meu ar. Minha forma de expressão. Meu jeito de dizer e narrar e questionar e transformar a realidade ao redor e assim alumbrar almas...

Bárbara Lia
pg. 29

Antologia H2Horas


Deixo meu violão


para a balconista da padaria.

A erva benta

para a velha do sobrado.

A chaleira

que chia Villa-Lobos

para Frei Gustavo,

que costura almas

nas manhãs de quarta.

O livro de poesia

de Augusto dos Anjos,

para o cobrador do expresso 022.



Bárbara Lia
PG.10
H2Horas
Cronópios / Dulcinéia Catadora

O melhor da festa 3





Dans  l'air



Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
– Rimbaud e eu –

Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão

Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos

Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe

- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.

Bárbara Lia
O melhor da festa 3
pg.  44

Tuesday, September 13, 2011

tem um pássaro cantando dentro de mim

HesperidesEdward Burne-Jones





Jardim do Caos

IV





Homem Vitruviano de Leonardo
Tecido nas linhas finas da mão
Cinco pontas estiradas e a
Eternidade traçada no chão

Livres mulheres assinaladas
Atiradas ao reles jardim
Das harpias descarnadas
- feras sem dentes
que devoram inocentes -

Alguma razão que as estrelas guardam:
As mulheres de rara estirpe – livres -
São alvos de feras. Sempre acossadas
Por harpias que não iluminam nada.

Bárbara Lia
tem um pássaro cantando dentro de mim
pg. 41

tem um pássaro cantando dentro de mim


Abderrahmane Chaouane (Argélia, 1958)





O poeta entra na morte

Como quem toma um trem
Atravessa um túnel
Em uma lenta viagem
No escuro

O poeta entra na morte
E deixa para trás a estação

- Memória -

É aí que começa sua história.

Bárbara Lia
tem um pássaro cantando dentro de mim
pg. 24



Wednesday, September 07, 2011

Homenagem da Terra Natal




Assaí - nasci nesta cidade exatamente um ano após o suicídio de Getúlio Vargas. Vivi apenas 3 anos na minha cidade natal, que hoje lembrou meu nome e me levou de volta para um lugar que tem este portal lindo...




MEIA ELIPSE ENCANTADA


Assai = amanhecer.
Aurora de algodão.
Ecos do tiro de Vargas.
Agosto hostil.

Percorro a linha elíptica
Aurora – Poente.
Sonhos & Sons.
Êxtase.
Cimitarras na carne.
Dança em etnas-lençóis.
Olhos plenos de orvalhos.
Agonia.
Paz.

Não temo o poente.
É quando a luz se espalha.
A terra se agasalha.
Aceno lenços-poemas
Na despedida.
Um sorriso-açucena.
Visto o luar.
Entro na noite branca
Meio ao aplauso das estrelas.

BÁRBARA LIA

(O sal das rosas
Lumme editor - 2007)

A Professora Maria Zélia que está a todo vapor com o projeto de leitura no Colégio Barão, em Assaí, escreveu para contar que neste dia 07 de Setembro os poetas nascido em Assaí vão ser homenageados no Desfile do Dia da Independência.
Espero que ela envie alguma imagem do desfile com esta homenagem que me deixa MUITO FELIZ.
Prometo publicar, sinto meu pai não estar mais neste mundo para compartilhar a Poesia e os Frutos. Ele que tanto amava Poesia.
De todas as notícias que ela envia, o mais poético é saber que os alunos estão lendo Poesia e conhecendo os poetas de sua terra natal. Esta aproximação que ela cita na reportagem, quando as crianças descobrem os poetas que vivem ao lado, ou nasceram ali - “há poetas próximos da gente e de nossa cidade”.
O site Revelia entrevistou as Professoras que desenvolvem vários projetos dentro do Colégio Barão, para ler a matéria - Colégio Barão vai mostrar poetas da cidade no 7 de Setembro:



http://www.revelia.com.br/?pagina=posts&id=1510&tipo=Notícias


as fotos do desfile em Assaí...
se eu estivesse lá ia tirar uma foto ao lado daquela garota bonita que leva o nome desta poeta:






Professoras do Colégio Barão

Professora Rosana Galassi e seu marido


Diretora do Colégio Barão - Edná (de verde)

Tuesday, September 06, 2011

Diana através dos ramos - Ricardo Reis



















Diana através dos ramos
Espreita a vinda de Endymion
Endymion que nunca vem,
Endymion, Endymion,
Lá longe na floresta…
E a sua voz chamando
Exclama através dos ramos
Endymion, Endymion…

Assim choram os deuses…

A segunda morte de Herberto Helder







"nossas mães nascendo em campos de silêncios
onde é longo o sonho
onde nos sentamos como um nevoeiro,
ao sabermos do nítido momento da nossa morte,
a criança-relâmpago
tenta em vão
despertar o fogo na água."

A segunda morte de Herberto Helder - Marcelo Ariel
21 gramas/2011 - pg. 13





'O presente volume evidencia, portanto, aquilo que Marcelo Ariel já vinha dizendo. Sua dicção e imagética sempre foram helderianas, a exemplo deste trecho de “No ultrassonho”: “Estamos dentro de um açougue chamado corpo / de um aquário chamado mesa ou cérebro tocando o ar nas árvores / através de um copo até tocar esse osso do oceano em nosso olhar”. Em comum com o extraordinário poeta português, a fusão ou hibridação de objetos e seres vivos, a ruptura de limites das coisas e dos corpos, as imagens luminosas como “osso do oceano”. A segunda morte de Herberto Helder, mais que etapa, é prosseguimento do mesmo registro de encontros com a “poderosa presença entrando / pela porta”, metáfora da poesia, e a “beatitude louca / de respirar tudo”, metáfora da inspiração poética."

fragmento do texto de apresentação do poeta Cláudio Willer


 
O livro - A segunda morte de Herberto Helder - do poeta Marcelo Ariel integra o meu projeto 21 gramas. Foi no início de 2010 que cheguei ao formato final dos livros artesanais.
Este projeto nasceu do desejo de organizar meus poemas (virginiana!) recolhendo os que não foram impressos em livro e separando-os para deixar um registro da minha poesia. Foi uma experiência belíssima, que pretendo retomar quando minha saúde melhorar e quando eu puder voltar a me dedicar sem nenhum percalço aos artesanais.
O livro do Marcelo Ariel tem prefácio do poeta Cláudio Willer.
Segue o email do meu querido amigo Marcelo, para quem desejar esta bela obra, esta poesia helderiana:


marcelo.ariel91@gmail.com

Saturday, September 03, 2011

quien lo probó lo sabe

20




Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde y animoso;

no hallar fuera del bien centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso;

huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor suave,
olvidar el provecho, amar el daño;

creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño;
esto es amor, quien lo probó lo sabe.

Lope de Vega

Um vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=yaTZefvZlHU
 
 
 
Alberto Ammann é Lope de Vega no filme LOPE dirigido por Andrucha Waddington.
Muda o mundo, os séculos escoam e não muda em nada a figura do POETA. O filme narra a juventude de Lope de Vega. Considerado o autor mais prolífico da história, escreveu 4.000 poemas e 800 peças de Teatro. O "monstro da natureza", puro carisma este Lope. LIVRE!! 
 
 
 

Friday, September 02, 2011

A loucura nossa de cada dia e os inéditos em prosa e poesia

ontem abri o livro - Esta valsa é minha - Zelda Fitzgerald.
logo na abertura a identificação com aquela sensação dolorida de que não conseguimos pescar de volta o céu azul, esta impotência que assola e é derradeira...


Víamos outrora céus azuis e mares de verão
          Quando Tebas na tempestade e na chuva
Oscilou, como se fosse morrer.
          Oh, se fosses de novo possível,
Céu azul... céu azul!

Édipo, Rei de Tebas


O prefácio de Caio Fernando Abreu é mais belo que o livro. Zelda que me perdoe, mas, não devorei páginas como gosto quando leio um livro e não tenho mais paciência de ficar patinando e buscando uma razão para continuar. O prefácio, no entanto, é um texto onde este escritor genial resume o livro e até nos incita a lê-lo. Ele evoca Sylvia Plath e Ana Cristina Cesar... estas garotas que ousaram ir muito além do mediocremente permitido.


início do prefácio de Caio Fernando Abreu para - Esta Valsa é Minha.

Sempre imagino assim: um dia, um daqueles dias longos, chapados e doloridos da clínica psiquiátrica, Zelda sentou e escreveu, como se fosse a voz de outra pessoa, uma frase assim:
"Essas garotas pensam que podem fazer qualquer coisa e sair impunes".
Porque provavelmente era isso que diziam todos em volta dela. Ou só pensavam, nem era preciso dizer. Estava escrito nos olhos e no comportamento dos médicos, das enfermeiras, dos poucos amigos que a visitavam, e quem sabe até mesmo no rosto do marido Francis Scott, obrigado agora a escrever e vender ficção como se fosse salsichas para poder sustentá-la na clínica. Linda, jovem, talentosa, com um marido e uma filha lindos - e louca. Pode?

(...)



Minha avó dizia que de médico, poeta e louco todo mundo tem um pouco. Concordo com Caio Fernando Abreu que ir além do mediocre traz efeitos colaterais, feito Camille Claudel (também linda) e Zelda em uma clínica até o final da vida, ou interrompendo o ciclo feito Ana C. e Sylvia Plath. O olhar se perde vago na maré de egos e na insustentável falta de parâmetro que rege este ofício meu. O que mais posso fazer além de escrever e escrever?... Bater a porta na cara do assédio da morte e da desesperança e nunca enlouquecer além da loucura permitida a cada poeta. Seguir procurando uma frase de efeito para abrir um livro, mas, um livro que sustente da primeira à última frase o olhar de quem lê... Como a levar pelo rio do mistério e da magia, só isto. Já é Prêmio Suficiente, plena Bienal de Poesia, Festa Lírica em um Jardim ao lado de Pégasus, toda a sensação que era minha, antes de encontrar a realidade de roupa de gelo e olhar de espada. Cá estou com esta missão - um livro que pode demorar a vida que me resta para colocar no papel -  entre um e outro capítulo, poemas saltando como passe de mágica entre as mangas...
Vez ou outra alguém escreve um recado quando entro no facebook, e eu que não sou muito boa em conversas virtuais digo oi e adeus e desapareço. Perguntam se estou escrevendo. Sim. Eu estou. Escrevi um livro que considero especial, mas, ainda teimo nestes concursos literários e lá está meu livro - romance - em um lugar até o final do ano.
A cada ano escrevo um romance.
Tenho o livro de 2010 e o de 2011 - inéditos. Dois romances e Dois livros de Poesias:
A flor dentro da árvore está na editora, e não devo publicar todos os poemas dele no blog, eu creio, guardar para o livro impresso.
O outro sem título definitivo. Outro livro de poesias inédito. A gente sempre acha que o último livro é o mais bonito, este livro está realmente bonito. Um bloco com sonetos, o outro com poemas curtíssimos o que não é muito comum em minha poesia, um bloco de dor, outro de amor e assim la nave va...
Toda a poesia - entre 2010 e 2011 - guardei com cuidado para o novo livro.

Thursday, September 01, 2011

a flor dentro da árvore

“Doce como o massacre de sóis”


Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras

Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco

Lembro um filme de Babenco:

Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre

Bárbara Lia
A flor dentro da árvore
Edição independente

Monday, August 29, 2011

Bárbara Bela do Norte Estrela

Da Herança



Meu pai dizia que ela era forte
e era fiel ao seu amor
Bárbara Bela – de Alvarenga
A conjurada. A louca

Sou guerreira
– este é o nome -
estigma na alma
a vida uma batalha
amores degredados

Nome marcando
passos, destino, travessia
Quem dera ser Beatriz

A bela canção do Chico
A musa de Dante
Uma mulher feliz!

BÁRBARA LIA





Bárbara Bela - Alvarenga Peixoto


(remetida do cárcere da ilha das cobras)

Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.

Isto é castigo
que Amor me dá.


Por entre as penhas
de incultas brenhas
cansa-me a vista
de te buscar;
porém não vejo
mais que o desejo,
sem esperança
de te encontrar.

Isto é castigo
que o Amor me dá.


Eu bem queria
a noite e o dia
sempre contigo
poder passar;
mas orgulhosa
sorte invejosa
desta fortuna
me quer privar.

Isto é castigo
que o Amor me dá.

Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.

Isto é castigo
que Amor me dá.

Saturday, August 27, 2011

Nowhere Boy


























"Lugar nenhum" é um lugar cheio de gênios, senhor?
Provavelmente, lá é meu lugar.


Os dramas do adolescente John Lennon em uma epopeia de ternura que inicia com esta resposta de John ao diretor do colégio. O homem que alega que, continuando como estava, John não serviria nem ao menos para trabalhar no cais do porto. Lugar nenhum. É o lugar onde vivem os gênios. Era o lugar do menino. Esquecido pelo pai e negligenciado pela mãe que o adorava à sua maneira. Uma crônica poética do nascimento do grupo dos meninos de Liverpool. Crianças, ainda, aprendendo os primeiros acordes. Apaixonados por Elvis Presley, solitários meninos com a cara e a coragem. Kristin Scott Thomas em uma performance intocável como a Tia Mimi. Até o momento de embarcar para Hamburgo ele era apenas aquele menino, uma dose de revolta, uma dose de ternura, a música, as perdas e o velho refrão da tia Mimi a cada vez que ele saia pela porta:
Glasses, John!


O filme é dirigido por Sam Taylor-Wood e Aaron Johnson interpreta o jovem John Lennon


Thursday, August 25, 2011

Em África




Meu poema "Encantado Silêncio das Areias de Maputo" publicado na Literatas - Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona.



Wednesday, August 24, 2011

Assaí



Muito bom lembrar Assaí hoje que é meu aniversário. Inaugurei minha vida nesta cidade de onde saí com três anos e da qual ouvia minha mãe falar com saudade, do tempo que ela ia com meu pai ao Cine Ouro Branco ver o seu ídolo Vitor Mature. Há mais de trinta anos estive lá e lembro a rua principal, a Igreja no alto de uma escadaria. Neste ano devo visitar minha cidade no encerramento dos projetos O TEXTO POÉTICO EM SALA DE AULA: BUSCANDO CAMINHOS PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR projeto da Maria Zélia Bezerra Lopes  Professora de Língua Portuguesa e A POESIA COMO GÊNERO VIVO NA ESCOLA da Professora Rosana Torquato Galassi. Ambas do Colégio Estadual Barão do Rio Branco - E.F.M.P. Projetos supervisionados pela Secretaria de Educação. Estou em contato com as professoras desde o início do ano. Neste aniversário o presente mais terno é saber que algumas poesias estão sendo trabalhadas em sala e o projeto está em pleno andamento. Elas selecionaram poesias do livro artesanal "Chá para as borboletas",  do livro "A última chuva" e "O sorriso de Leonardo".  Uma rara emoção saber que os meninos e meninas - meus conterrâneos - estão trilhando a minha poesia. Isto é o que se pode chamar de pura alegria. Vou participar do encerramento do projeto dentro de mais ou menos dois meses ao lado de escritores de Assaí e músicos da região. Falar aos alunos, realizar recitais e a pedido das autoras do projeto realizar  uma exposição da minha obra poética. Livros e revistas e a confraternização com os demais autores. Grande emoção, estar lá naquele lugar que foi o primeiro que conheci, o primeiro que me conheceu.

Monday, August 22, 2011

Glauber Rocha um poema anárquico

(Glauber Rocha - Vitória da Conquista, 14 de março de 1939Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981)


anda muito pobre o meu País, anda muito pequeno este lugar, anda tísico e cego o meu País, anda rastejando este lugar... os deuses morreram todos e não sobra um único sopro de beleza e nenhum grito de Liberdade.
não tem coragem o meu país, não tem horizonte, não tem som e nenhum grito que acorde as crianças e embale os meninos...
não tem poesia o meu País, não tem projetos, não tem eco de trombeta, aposentaram o apocalipse, não tem mais Glauber o meu País; ou tem alguns loucos soterrados pelo tempo asséptico do bom mocismo enojante, não tem vísceras o meu País, não goza mais este País, não fica nu, não ultrapassa a linha que vai fazer soar a engenhoca presa nos calcanhares, somos um batalhão de presos domiciliares, embebidos de mensagens protocolares de mil amigos e a solidão rindo sarcástica no sofá da sala...
não tem espaço para os loucos este meu País, é um País de doutores, de engomados o meu País, a Arte virou um cenário de entrega do Oscar, tanta gente concorrendo e uma platéia burocrática aplaude este cenário de cinema americano, esta caminhada desolada rumo ao Shouth  American way of life. É um País arena este País, de disputas de egos acima da ARTE, um País de réplicas e tréplicas...
O celeiro do mundo que vai seguir sem agarrar o cordão umbilical que é a corda que atracou a caravela de Cabral e sacudir as marés e dizer a que veio, prefere a placidez covarde este meu País,  quem sabe a bovinização eterna.
Você morreu e deu espaço para o início das outras mortes, toda a poesia, toda a utopia, toda a Liberdade, toda a delícia de extravasar a humanidade até a terra entrar em transe, e o silêncio foi sacudindo tudo e foi selando todas as bocas. E o sangue vivo de um País inteiro secou quando secou em seu corpo.
Viva Glauber e os loucos atirados vivos às catacumbas, os loucos livres que não podem erguer os braços e gritar como gritavas toda a sua Liberdade e o Encanto de SER QUEM ERA.

Bárbara Lia em reverência ao grande poeta anárquico...

Friday, August 19, 2011

A SEGUNDA MORTE DE HERBERTO HELDER - MARCELO ARIEL



A SEGUNDA MORTE DE HERBERTO HELDER
MARCELO ARIEL
Ed. artesanal 21 Gramas
2011


- para encomendar o livro: marcelo.ariel91@gmail.com




Ano passado encontrei Marcelo Ariel na Casa das Rosas, eu havia enviado um exemplar artesanal do meu livro - Cigarras no Apocalipse - onde publiquei um poema nosso "A esfinge na névoa". Marcelo disse que mandaria um livro para o projeto - 21 gramas. Nove meses depois nasce esta raridade composta por 2 poemas: Canto 1 e Canto 2, com apresentação do poeta Cláudio Willer e a tessitura de Bárbara Lia.

mais detalhes barbaralia@gmail.com


***

Dois pequenos fragmentos do belo texto de Cláudio Willer para A SEGUNDA MORTE DE HERBERTO HELDER:

"Marcelo Ariel é dos mais inventivos e intelectualmente estimulantes dentre os novos poetas brasileiros. Ainda será feita a interpretação de maior fôlego que sua obra merece. Mas, desde já, cabe observar que, desde Tratado dos anjos afogados, esse “poeta de Cubatão”, “poeta do mangue”, como já foi chamado, mantendo-se fiel à origem, ao mesmo tempo comprova que a criação poética é encontro do particular e do geral; do regional e do universal."

(...)

"Em comum com o extraordinário poeta português, a fusão ou hibridação de objetos e seres vivos, a ruptura de limites das coisas e dos corpos, as imagens luminosas como “osso do oceano”. A segunda morte de Herberto Helder, mais que etapa, é prosseguimento do mesmo registro de encontros com a “poderosa presença entrando / pela porta”, metáfora da poesia, e a “beatitude louca / de respirar tudo”, metáfora da inspiração poética."
***

Registro as palavras do Marcelo sobre o fazer artesanal, este é o pensamento que nos assola quando nos atiramos em um projeto solo, incendiados de Poesia. Um belo livro que enriquece o meu projeto levado adiante nas asas de Pégasus. Evoé!!

"Tudo isso me lembra o movimento de poesia independente encabeçado por Cacaso, Ana C. e Armando Freitas Filho nos anos 70. Um Viva para Nós ! Se pensarmos em William Blake, na editora de Miss Woolf, na Editora Sabiá ( de Fernando Sabino) enfim as editoras de verdade são as artesanais, a coisa se profissionalizou ate a desfiguração."






Thursday, August 18, 2011

outro nome para saudade: 32 anos e as rosas vermelhas da minha mãe


com as minhas filhas; Tahiana e Paula

Sempre Shakespeare


Globe Theatre - London


O filme Anônimo fala sobre uma teoria da conspiração: William Shakespeare pode não ser autor de todas as obras que assinou. O Conde Edward de Vere seria o autor anônimo que não podia assumir este papel de poeta e dramaturgo por ser um nobre.  Rolland Emmerich é o diretor deste filme no mínimo instigante. Li uma biografia belíssima de William Shakespeare e é certo que ele é o poeta/dramaturgo que criou todas as peças eternizadas e os sonetos lindos. Shakespeare escapou da peste quando era criança. Todas as crianças que viviam ao redor de sua casa foram vitimadas pela peste. Muitos anos depois, em Londres, ele saiu em caravana com a companhia de teatro pelo interior do país para fugir da peste negra. Um mito este Shakespeare.



O filme estreia no Brasil em novembro.







O melhor da festa volume três




Participam da coletânea: Adão Iturrusgarai, Ademir Assunção, Alexandre Rodrigues, Altair Martins, Amilcar Bettega, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Antônio Xerxenesky, Andréia Laimer, Augusto Paim, Bárbara Lia, Carlos André Moreira, Cardoso, Carlos Gerbase, Carlos Pessoa Rosa, Cássio Pantaleoni, Claudia Tajes, Cristian De Nápoli, Daniel Weller, Diego Petrarca, Douglas Diegues, E. M. de Melo e Castro, Everton Behenck, Flávio Wild, Guilherme Orosco, Guto Leite, Henrique Rodrigues, Henrique Schneider, Horacio Fiebelkorn, Jacob Klintowitz, Jeferson Tenório, João Gilberto Noll, Jorge Fróes, Laerte, Laís Chaffe, Leandro Dóro, Liana Timm, Lima Trindade, Lúcia Rosa, Luciana Thomé, Luís Dill, Luís Serguilha, Luiz Paulo Faccioli, Marcelo Spalding, Márcia Denser, Maria Rezende, Marcelo Sahea, Marlon de Almeida, Monique Revillion, Nei Lopes, Nelson de Oliveira, Nicolas Behr, Olavo Amaral, Paulo Ribeiro, Pena Cabreira, Ramon Mello, Reginaldo Pujol Filho, Reynaldo Bessa, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Bittencourt, Rodrigo dMart, Rodrigo Rosp, Ronald Augusto, Sandro Ornellas, Sergio Faraco, Simone Campos, Tailor Diniz, Virna Teixeira, Wilmar Silva, Wladimir Cazé, Xico Sá.



Contém desde ficção de autores que estão publicando pela primeira vez em livro, até trabalhos de escritores consagrados e premiados no cenário literário nacional, como Sergio Faraco, escritor homenageado da FestiPoa 2010, Márcia Denser, Nelson de Oliveira, Altair Martins, Ernesto E. de Melo e Castro e Nei Lopes. De acordo com Fernando Ramos, organizador do livro, a publicação desse terceiro volume da coletânea consolida a ideia de elaborar-se a cada ano um volume que registra a memória do evento e possibilita ao público tomar contato com uma grande variedade de trabalhos literários produzidos especialmente para a ocasião.


Título: O melhor da festa volume três
Número de páginas: 264
Preço: R$ 25,00
Número de autores participando: 71
Conteúdo: poemas, contos, crônicas, cartuns e tiras
Projeto gráfico: Jorge Nácul
Capa: Márcio-André
Revisão: Press Revisão
Supervisão editorial: Laís Chaffe
Organizador: Fernando Ramos
Editora: Casa Verde
contato para compra - jornalvaia@gmail.com

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...