Este livro traz pequenas biografias e a genealogia dos moradores de Tibagi que emprestaram seus nomes às ruas da cidade. Minha bisavó era mãe de dois grandes poetas do Paraná - Otávio Camargo e Eleonora de Ângelis (Cristais Sonoros). Irmã da poeta Maria Cândida de Jesus Camargo. Uma mulher a frente do seu tempo. Quando li que ela tinha o mais belo jardim da cidade, além do seu amor aos livros, despertou meu desejo de escrever sobre ela. Estou vivendo no limbo, aquele momento entre um livro e outro livro, quando você fica à procura, sentindo falta de escrever. A poesia é o mistério que brota sem pedir licença. Palavras buriladas ganhando forma e vida. Os romances são os visitantes de corpo e alma, com mala e planos, inquietações. Uma vivência. Os temas descartados nadando ao redor, esperando que eu os pesque. Nestes momentos, milhões de dúvidas. O que escrever? Que tema vai me puxar para o vórtice do abismo? Anseio ser de novo sugada para o olho do furacão, tão focada em algo, que queima o arroz e a água ferve tanto que só lembro que coloquei água para ferver quando o cheiro de queimado chega até o quarto. É isto. Os dias ficam pequenos, esqueço a fome. Nada mais misterioso que escrever um livro. Entrar em um Universo e viver por um tempo dentro de uma história. Preciso visitar Tibagi, onde meu pai viveu sua infância, conhecer o rio de sua vida, a rua com o nome da bisavó. Revirar o passado e abraçar os ancestrais. Dizer com um nó na garganta - A poesia me trouxe até aqui.
Saturday, September 17, 2011
Friday, September 16, 2011
“Dame el ocaso en una copa!”
Velhas estradas bifurcadas
Lentas aparições de fantoches
Nas alamedas do nada
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore
Poesia que participou do projeto
CODIGO COLETIVO: projeção de poemas em QR CODE, no Castelinho do Alto da Bronze, Centro Histórico de Porto Alegre. Instalação de Sandra Santos, parceria CIDADE POEMA, Laís Chaffe.
O poema em QR CODE:
Lentas aparições de fantoches
Nas alamedas do nada
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore
Poesia que participou do projeto
CODIGO COLETIVO: projeção de poemas em QR CODE, no Castelinho do Alto da Bronze, Centro Histórico de Porto Alegre. Instalação de Sandra Santos, parceria CIDADE POEMA, Laís Chaffe.
O poema em QR CODE:
Borboletas Negras
Sempre pensei: Que leitura meu pai faria da minha poesia? Meu crítico essencial está morto. Morreu antes que eu começasse a compor versos. Penso nele como o jardineiro que planta a semente e não está por perto quando floresce o jardim. Lembro nossas conversas longas, ele em sua cadeira de balanço sempre com um livro nas mãos. Nos debates ele aceitava o nascimento de uma louca utópica que acreditava em um mundo igual. Ele acreditava em sua Pátria e seu nacionalismo me assustava. Uma manhã eu disse que se não fosse menina, não vivesse em uma cidade morta do interior, eu iria aderir às fileiras dos rebeldes nos anos sessenta. Ele me olhou com aquela tristeza peculiar, sabendo que eu seria - sim - um daqueles "terroristas" como ele dizia e disse como quem sabe que a filha tem vontade própria desde pequenina e ficou repetindo: Eu sei, eu sei, eu sei... Pela rica e estranha vivência com esse poeta, no tempo em que nós dois éramos poetas sem palavras. Ele nunca escreveu poesias, e eu ainda não havia começado a pingar a alma no papel. Por essa memória renitente, quero ver o filme - Borboletas Negras.
É o que sempre são as mulheres poetas, não é mesmo? Liberdade que assusta.
O filme conta a trajetória da poetisa sul-africana Ingrid Jonker que lutou, sem apoio de seu pai que era responsável pela censura do que era publicado na época, contra a desigualdade racial em pleno Apartheid, e que após sua morte teve seu poema "The Dead Child of Nyanga" lido e apontado por Nelson Mandela como um poema de uma das melhores poetisas sul-africanas em seu primeiro discurso no Parlamento Sul-Africano.
The child is not dead by Ingrid Jonker
The child is not dead
The child lifts his fists against his mother
Who shouts Afrika ! shouts the breath
Of freedom and the veld
In the locations of the cordoned heart
The child lifts his fists against his father
in the march of the generations
who shouts Afrika ! shout the breath
of righteousness and blood
in the streets of his embattled pride
The child is not dead not at Langa nor at Nyanga
not at Orlando nor at Sharpeville
nor at the police station at Philippi
where he lies with a bullet through his brain
The child is the dark shadow of the soldiers
on guard with rifles Saracens and batons
the child is present at all assemblies and law-givings
the child peers through the windows of houses and into the hearts of mothers
this child who just wanted to play in the sun at Nyanga is everywhere
the child grown to a man treks through all Africa
the child grown into a giant journeys through the whole world
Without a pass
Wednesday, September 14, 2011
La prima notte di quiete
A primeira noite de tranquilidade (1972).
Tarde fria, torta de maçã e Alain Delon. Perfeito!
Não sabia da existência de Valerio Zurlini, diretor e roteirista italiano. Não sabia da existência desta obra prima, com toques de melancolia existencialista. Evocou os dezessete (volver a los 17) no tempo em que era preciso mostrar a carteira de identidade na portaria do cinema. Uma noite matamos aula para ir ao cinema. O filme era proibido para menores de 18 anos. O porteiro deixou que eu entrasse e barrou minha irmã mais velha, eu era mais alta que minha irmã que já tinha 18 anos. Ela estava sem documentos para provar sua idade. Bons tempos. Este filme evocou isto, um tempo. Alain Delon é o professor de Literatura. Angustiado e misterioso, apaixona-se pela aluna que tem nome de livro de Stendhal - Vanina. O ápice do filme no título - Só a morte traz a certeza de tranquilidade. Gosto de poetas fora do papel. Compositores poetas feito Chopin, cineastas poetas como Valerio Zurlini. Uma cidade/poesia - Rimini. Uma bela tarde para gravar o gosto do pecado - torta de maçã - matar a saudade de um ator guardado na penteadeira da memória.
We only said goodbye with words
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to.....
a festa da poesia
Assai - minha terra natal - as professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Torquato Galassi ladeando os alunos no dia do desfile da Independência
POESIA PARA LER EM SALA DE AULA
detalhes dos projetos de incentivo à leitura em andamento em minha cidade natal:
A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la
Vinte e um gramas
do peso da alma
Oito países
a comandar a Terra
UM Deus louco
pelas ruas bombardeadas
Bárbara Lia
Antologia Prêmio Ufes Literatura
Edufes/2010
pg.11
O que é poesia?
O QUE É POESIA?
Edson Cruz (organização)
A poesia é meu ar. Minha forma de expressão. Meu jeito de dizer e narrar e questionar e transformar a realidade ao redor e assim alumbrar almas...
Bárbara Lia
pg. 29
Antologia H2Horas
Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.
Bárbara Lia
PG.10
H2Horas
Cronópios / Dulcinéia Catadora
O melhor da festa 3
Dans l'air
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
– Rimbaud e eu –
Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão
Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos
Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe
- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.
Bárbara Lia
O melhor da festa 3
pg. 44
Tuesday, September 13, 2011
tem um pássaro cantando dentro de mim
HesperidesEdward Burne-Jones
Jardim do Caos
IV
Homem Vitruviano de Leonardo
Tecido nas linhas finas da mão
Cinco pontas estiradas e a
Eternidade traçada no chão
Livres mulheres assinaladas
Atiradas ao reles jardim
Das harpias descarnadas
- feras sem dentes
que devoram inocentes -
Alguma razão que as estrelas guardam:
As mulheres de rara estirpe – livres -
São alvos de feras. Sempre acossadas
Por harpias que não iluminam nada.
Bárbara Lia
tem um pássaro cantando dentro de mim
pg. 41
tem um pássaro cantando dentro de mim
Abderrahmane Chaouane (Argélia, 1958)
O poeta entra na morte
Como quem toma um trem
Atravessa um túnel
Em uma lenta viagem
No escuro
O poeta entra na morte
E deixa para trás a estação
- Memória -
É aí que começa sua história.
Bárbara Lia
tem um pássaro cantando dentro de mim
pg. 24
Saturday, September 10, 2011
Wednesday, September 07, 2011
Homenagem da Terra Natal
Assaí - nasci nesta cidade exatamente um ano após o suicídio de Getúlio Vargas. Vivi apenas 3 anos na minha cidade natal, que hoje lembrou meu nome e me levou de volta para um lugar que tem este portal lindo...
MEIA ELIPSE ENCANTADA
Assai = amanhecer.
Aurora de algodão.
Ecos do tiro de Vargas.
Agosto hostil.
Percorro a linha elíptica
Aurora – Poente.
Sonhos & Sons.
Êxtase.
Cimitarras na carne.
Dança em etnas-lençóis.
Olhos plenos de orvalhos.
Agonia.
Paz.
Não temo o poente.
É quando a luz se espalha.
A terra se agasalha.
Aceno lenços-poemas
Na despedida.
Um sorriso-açucena.
Visto o luar.
Entro na noite branca
Meio ao aplauso das estrelas.
BÁRBARA LIA
(O sal das rosas
Lumme editor - 2007)
MEIA ELIPSE ENCANTADA
Assai = amanhecer.
Aurora de algodão.
Ecos do tiro de Vargas.
Agosto hostil.
Percorro a linha elíptica
Aurora – Poente.
Sonhos & Sons.
Êxtase.
Cimitarras na carne.
Dança em etnas-lençóis.
Olhos plenos de orvalhos.
Agonia.
Paz.
Não temo o poente.
É quando a luz se espalha.
A terra se agasalha.
Aceno lenços-poemas
Na despedida.
Um sorriso-açucena.
Visto o luar.
Entro na noite branca
Meio ao aplauso das estrelas.
BÁRBARA LIA
(O sal das rosas
Lumme editor - 2007)
A Professora Maria Zélia que está a todo vapor com o projeto de leitura no Colégio Barão, em Assaí, escreveu para contar que neste dia 07 de Setembro os poetas nascido em Assaí vão ser homenageados no Desfile do Dia da Independência.
Espero que ela envie alguma imagem do desfile com esta homenagem que me deixa MUITO FELIZ.
Prometo publicar, sinto meu pai não estar mais neste mundo para compartilhar a Poesia e os Frutos. Ele que tanto amava Poesia.
Espero que ela envie alguma imagem do desfile com esta homenagem que me deixa MUITO FELIZ.
Prometo publicar, sinto meu pai não estar mais neste mundo para compartilhar a Poesia e os Frutos. Ele que tanto amava Poesia.
De todas as notícias que ela envia, o mais poético é saber que os alunos estão lendo Poesia e conhecendo os poetas de sua terra natal. Esta aproximação que ela cita na reportagem, quando as crianças descobrem os poetas que vivem ao lado, ou nasceram ali - “há poetas próximos da gente e de nossa cidade”.
O site Revelia entrevistou as Professoras que desenvolvem vários projetos dentro do Colégio Barão, para ler a matéria - Colégio Barão vai mostrar poetas da cidade no 7 de Setembro:
http://www.revelia.com.br/?pagina=posts&id=1510&tipo=Notícias
http://www.revelia.com.br/?pagina=posts&id=1510&tipo=Notícias
Tuesday, September 06, 2011
Diana através dos ramos - Ricardo Reis
Diana através dos ramos
Espreita a vinda de Endymion
Endymion que nunca vem,
Endymion, Endymion,
Lá longe na floresta…
E a sua voz chamando
Exclama através dos ramos
Endymion, Endymion…
Assim choram os deuses…
Espreita a vinda de Endymion
Endymion que nunca vem,
Endymion, Endymion,
Lá longe na floresta…
E a sua voz chamando
Exclama através dos ramos
Endymion, Endymion…
Assim choram os deuses…
A segunda morte de Herberto Helder
"nossas mães nascendo em campos de silêncios
onde é longo o sonho
onde nos sentamos como um nevoeiro,
ao sabermos do nítido momento da nossa morte,
a criança-relâmpago
tenta em vão
despertar o fogo na água."
A segunda morte de Herberto Helder - Marcelo Ariel
21 gramas/2011 - pg. 13
'O presente volume evidencia, portanto, aquilo que Marcelo Ariel já vinha dizendo. Sua dicção e imagética sempre foram helderianas, a exemplo deste trecho de “No ultrassonho”: “Estamos dentro de um açougue chamado corpo / de um aquário chamado mesa ou cérebro tocando o ar nas árvores / através de um copo até tocar esse osso do oceano em nosso olhar”. Em comum com o extraordinário poeta português, a fusão ou hibridação de objetos e seres vivos, a ruptura de limites das coisas e dos corpos, as imagens luminosas como “osso do oceano”. A segunda morte de Herberto Helder, mais que etapa, é prosseguimento do mesmo registro de encontros com a “poderosa presença entrando / pela porta”, metáfora da poesia, e a “beatitude louca / de respirar tudo”, metáfora da inspiração poética."
O livro - A segunda morte de Herberto Helder - do poeta Marcelo Ariel integra o meu projeto 21 gramas. Foi no início de 2010 que cheguei ao formato final dos livros artesanais.
Este projeto nasceu do desejo de organizar meus poemas (virginiana!) recolhendo os que não foram impressos em livro e separando-os para deixar um registro da minha poesia. Foi uma experiência belíssima, que pretendo retomar quando minha saúde melhorar e quando eu puder voltar a me dedicar sem nenhum percalço aos artesanais.
O livro do Marcelo Ariel tem prefácio do poeta Cláudio Willer.
O livro do Marcelo Ariel tem prefácio do poeta Cláudio Willer.
Segue o email do meu querido amigo Marcelo, para quem desejar esta bela obra, esta poesia helderiana:
marcelo.ariel91@gmail.com
Saturday, September 03, 2011
quien lo probó lo sabe
20
Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde y animoso;
no hallar fuera del bien centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso;
huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor suave,
olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño;
esto es amor, quien lo probó lo sabe.
Lope de Vega
Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde y animoso;
no hallar fuera del bien centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso;
huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor suave,
olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño;
esto es amor, quien lo probó lo sabe.
Lope de Vega
Um vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=yaTZefvZlHU
Alberto Ammann é Lope de Vega no filme LOPE dirigido por Andrucha Waddington.
Muda o mundo, os séculos escoam e não muda em nada a figura do POETA. O filme narra a juventude de Lope de Vega. Considerado o autor mais prolífico da história, escreveu 4.000 poemas e 800 peças de Teatro. O "monstro da natureza", puro carisma este Lope. LIVRE!!
Friday, September 02, 2011
A loucura nossa de cada dia e os inéditos em prosa e poesia
ontem abri o livro - Esta valsa é minha - Zelda Fitzgerald.
logo na abertura a identificação com aquela sensação dolorida de que não conseguimos pescar de volta o céu azul, esta impotência que assola e é derradeira...
Víamos outrora céus azuis e mares de verão
Quando Tebas na tempestade e na chuva
Oscilou, como se fosse morrer.
Oh, se fosses de novo possível,
Céu azul... céu azul!
Édipo, Rei de Tebas
O prefácio de Caio Fernando Abreu é mais belo que o livro. Zelda que me perdoe, mas, não devorei páginas como gosto quando leio um livro e não tenho mais paciência de ficar patinando e buscando uma razão para continuar. O prefácio, no entanto, é um texto onde este escritor genial resume o livro e até nos incita a lê-lo. Ele evoca Sylvia Plath e Ana Cristina Cesar... estas garotas que ousaram ir muito além do mediocremente permitido.
início do prefácio de Caio Fernando Abreu para - Esta Valsa é Minha.
Sempre imagino assim: um dia, um daqueles dias longos, chapados e doloridos da clínica psiquiátrica, Zelda sentou e escreveu, como se fosse a voz de outra pessoa, uma frase assim:
"Essas garotas pensam que podem fazer qualquer coisa e sair impunes".
Porque provavelmente era isso que diziam todos em volta dela. Ou só pensavam, nem era preciso dizer. Estava escrito nos olhos e no comportamento dos médicos, das enfermeiras, dos poucos amigos que a visitavam, e quem sabe até mesmo no rosto do marido Francis Scott, obrigado agora a escrever e vender ficção como se fosse salsichas para poder sustentá-la na clínica. Linda, jovem, talentosa, com um marido e uma filha lindos - e louca. Pode?
(...)
Minha avó dizia que de médico, poeta e louco todo mundo tem um pouco. Concordo com Caio Fernando Abreu que ir além do mediocre traz efeitos colaterais, feito Camille Claudel (também linda) e Zelda em uma clínica até o final da vida, ou interrompendo o ciclo feito Ana C. e Sylvia Plath. O olhar se perde vago na maré de egos e na insustentável falta de parâmetro que rege este ofício meu. O que mais posso fazer além de escrever e escrever?... Bater a porta na cara do assédio da morte e da desesperança e nunca enlouquecer além da loucura permitida a cada poeta. Seguir procurando uma frase de efeito para abrir um livro, mas, um livro que sustente da primeira à última frase o olhar de quem lê... Como a levar pelo rio do mistério e da magia, só isto. Já é Prêmio Suficiente, plena Bienal de Poesia, Festa Lírica em um Jardim ao lado de Pégasus, toda a sensação que era minha, antes de encontrar a realidade de roupa de gelo e olhar de espada. Cá estou com esta missão - um livro que pode demorar a vida que me resta para colocar no papel - entre um e outro capítulo, poemas saltando como passe de mágica entre as mangas...
Vez ou outra alguém escreve um recado quando entro no facebook, e eu que não sou muito boa em conversas virtuais digo oi e adeus e desapareço. Perguntam se estou escrevendo. Sim. Eu estou. Escrevi um livro que considero especial, mas, ainda teimo nestes concursos literários e lá está meu livro - romance - em um lugar até o final do ano.
A cada ano escrevo um romance.
Tenho o livro de 2010 e o de 2011 - inéditos. Dois romances e Dois livros de Poesias:
A flor dentro da árvore está na editora, e não devo publicar todos os poemas dele no blog, eu creio, guardar para o livro impresso.
O outro sem título definitivo. Outro livro de poesias inédito. A gente sempre acha que o último livro é o mais bonito, este livro está realmente bonito. Um bloco com sonetos, o outro com poemas curtíssimos o que não é muito comum em minha poesia, um bloco de dor, outro de amor e assim la nave va...
Toda a poesia - entre 2010 e 2011 - guardei com cuidado para o novo livro.
Thursday, September 01, 2011
a flor dentro da árvore
“Doce como o massacre de sóis”
Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras
Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco
Lembro um filme de Babenco:
Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore
Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras
Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco
Lembro um filme de Babenco:
Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore
Edição independente
Monday, August 29, 2011
Bárbara Bela do Norte Estrela
Da Herança
Meu pai dizia que ela era forte
e era fiel ao seu amor
Bárbara Bela – de Alvarenga
A conjurada. A louca
Sou guerreira
– este é o nome -
estigma na alma
a vida uma batalha
amores degredados
Nome marcando
passos, destino, travessia
Quem dera ser Beatriz
A bela canção do Chico
A musa de Dante
Uma mulher feliz!
BÁRBARA LIA
Bárbara Bela - Alvarenga Peixoto
(remetida do cárcere da ilha das cobras)
Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Por entre as penhas
de incultas brenhas
cansa-me a vista
de te buscar;
porém não vejo
mais que o desejo,
sem esperança
de te encontrar.
Isto é castigo
que o Amor me dá.
Eu bem queria
a noite e o dia
sempre contigo
poder passar;
mas orgulhosa
sorte invejosa
desta fortuna
me quer privar.
Isto é castigo
que o Amor me dá.
Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Meu pai dizia que ela era forte
e era fiel ao seu amor
Bárbara Bela – de Alvarenga
A conjurada. A louca
Sou guerreira
– este é o nome -
estigma na alma
a vida uma batalha
amores degredados
Nome marcando
passos, destino, travessia
Quem dera ser Beatriz
A bela canção do Chico
A musa de Dante
Uma mulher feliz!
BÁRBARA LIA
Bárbara Bela - Alvarenga Peixoto
(remetida do cárcere da ilha das cobras)
Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Por entre as penhas
de incultas brenhas
cansa-me a vista
de te buscar;
porém não vejo
mais que o desejo,
sem esperança
de te encontrar.
Isto é castigo
que o Amor me dá.
Eu bem queria
a noite e o dia
sempre contigo
poder passar;
mas orgulhosa
sorte invejosa
desta fortuna
me quer privar.
Isto é castigo
que o Amor me dá.
Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Saturday, August 27, 2011
Nowhere Boy
"Lugar nenhum" é um lugar cheio de gênios, senhor?
Provavelmente, lá é meu lugar.
Os dramas do adolescente John Lennon em uma epopeia de ternura que inicia com esta resposta de John ao diretor do colégio. O homem que alega que, continuando como estava, John não serviria nem ao menos para trabalhar no cais do porto. Lugar nenhum. É o lugar onde vivem os gênios. Era o lugar do menino. Esquecido pelo pai e negligenciado pela mãe que o adorava à sua maneira. Uma crônica poética do nascimento do grupo dos meninos de Liverpool. Crianças, ainda, aprendendo os primeiros acordes. Apaixonados por Elvis Presley, solitários meninos com a cara e a coragem. Kristin Scott Thomas em uma performance intocável como a Tia Mimi. Até o momento de embarcar para Hamburgo ele era apenas aquele menino, uma dose de revolta, uma dose de ternura, a música, as perdas e o velho refrão da tia Mimi a cada vez que ele saia pela porta:
Glasses, John!
O filme é dirigido por Sam Taylor-Wood e Aaron Johnson interpreta o jovem John Lennon
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...



























