Thursday, October 06, 2011

momentos preciosos

Inspirado no livro da poeta de Assaí, Regina Goes, os alunos de Assaí estão chamando os momentos de leitura de poesia de - Momentos Preciosos. Os alunos se reunem na Biblioteca e realizam rodas de poesias. Recitais no Colégio. Uma emoção ver os pequeninos e saber que estão acompanhando as linhas de todos os poetas nascidos na cidade, entre os meus livros, os escolhidos pela professoa Maria Zélia - Chá para as borboletas, O sorriso de Leonardo. Entre os poemas do projeto da Rosana Galassi, entrou _ as rosas mortas a me contemplar_ do livro A última chuva.
POESIA SEMPRE!


Assaí: Amanhecer
Aurora de algodão

Minha terra natal, que ora desenvolve no Colégio Estadual Barão do Rio Branco, dois projetos de leitura das professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Galassi. Acompanho através dos boletins poéticos que recebo, a revolução da poesia. Os alunos lendo, escrevendo e realizando leituras poéticas:


Meus dados poéticos - poesias no mural:








 




 
Acrósticos dos alunos, enviados pela professora Maria Zélia:



 

ACRÓSTICOS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS DA 5ª B:





Adorável
Fofinho
cOnfiável
iNteligente
Santinho
sOrtudo


Aluno: Vinícius de Souza Hayashida (acróstico feito para o irmão caçula que nasceu com 2% de chance de viver)



Sábia toda hora
Amorosa sempre
Não teme a alegria
Doce mãe
Responsável com tudo
Adorada pela filha.

Aluna: Stephany Mayumi Arase Rosendo Silva 5ª B


Maravilhosa
Atenciosa
Rigorosa
inTeligente
Atenta a tudo

Aluna: Carolina Harumi Assahara 5ª B


Seu coração de menino
Está sempre sorrindo
Indo ao bom caminho
Tem sempre boas ideias
Alegria de deixar platéia animada
Raro ficar triste
Olhar distante que me agrada

Aluno: Erick Shimote Lima 5ª B


Mãe linda
Amiga
Responsável
Carinhosa
Elegante
Legal com todos
Amorosa


Aluna: Sabrina Vieira Lopes 5ª B


Tanta esperteza
Honrada
Atenciosa
Inteligente
Super irmã

Aluno: Vitor Domingues 5ª B


Inteligente como ninguém
Sábia e serena
Amiga para sempre
Bonita e carinhosa
Elegante e exuberante
Legal e especial
Amorosa e gentil


Aluna: Juliana I. Miura 5ª B





 Leituras na Biblioteca:




Leitura de Poesia


Poesia na Biblioteca



Professora Maria Zélia Bezerra Lopes e alunas do Colégio Barão do Rio Branco


Rosana Galassi, Regina Goes (poeta de Assaí), Maria Zélia Lopes e alunos
novo dia, mais poesia na biblioteca

Professora Rosana Galassi (blusa florida) e a sua equipe de alunas







Maria Zélia e alunos - ela envia boletins poéticos sobre o desenrolar do projeto. Viva a Poesia!


**

biblioteca lotada para a festa da poesia, os alunos escolheram poesias dos poetas que nasceram em Assaí e de poetas nacionais como José Paulo Paes, Vinícius de Moraes e outros

um livro sobre a mesa

Acabo de chegar em casa e encontro o pacote da Rocco sobre a mesa. A certeza ao dar de cara com o invólucro. Chegou o novo livro do Frei Betto!... Romance "em homenagem aos 300 anos (1711-2011) da fundação de Ouro Preto, Mariana e Sabará."
Minas do Ouro, capa belíssima, leio a dedicatória - Bem-vinda à Minas e à minha amizade.
Gracias amigo. Que ternura me inunda pós-noite em claro, descompasso do coração na madrugada, uma dor latente, que explodiu em um dane-se...
Cá estou eu - bárbara bela do norte estrela - a ler estes versos do poeta da Arcádia, na introdução do livro do Betto:

"Aquelas serras na aparência feias,
- dirá José - oh quanto são formosas!
Elas conservam nas ocultas veias
a força das potências majestosas;
têm as ricas entranhas todas cheias
de prata, ouro e pedras preciosas."
Alvarenga Peixoto, Canto genetlíaco

Minas do Ouro, por onde vou caminhar neste dia de sol dourado.




Este novo romance de Frei Betto descreve a saga da família Arienim através de cinco séculos de história das Minas Gerais.
Em torno de um misterioso mapa de "inesgotáveis fontes de riquezas", repassado de geração em geração, a narrativa abarca episódios e figuras emblemáticas da história mineira: entradas e bandeiras; guerra dos Emboabas e Triunfo Eucarístico; a exploração de ouro e diamante; Tiradentes e Aleijadinho; mina de Morro Velho e as coincidências ente o explorador Richard Burton e o ator de mesmo nome.
Minas do Ouro, garimpo da memória familiar, é um romance no qual o barroco transparece na volúpia e beleza, numa linguagem de primorosa qualidade estética.

Minas do Ouro - Frei Betto -  Rocco -

Monday, October 03, 2011

Um livro belo consegue furar o bloqueio da greve dos correios...





Um Homem

De repente
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo minúsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma estátua jacente
esmagada sob as asas do crepúsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda



António José Fortes
Uma Faca nos Dentes
Prefácio de Herberto Helder
Parceria A.M. Pereira
Livraria Editora, Lda.

Chambel Santos enviou este belíssimo livro,  de Lisboa, escambo poético. Confesso que não conhecia a poesia de Antonio José Fortes e estou aqui, encerrada em uma casa, com a mesma sensação que lembrei hoje, aquela colisão com poetas maravilhosos. Abri o livro e li esta poesia, e
li outra e outra e fiquei feliz... 

Poesia: a paixão da linguagem


pequeno fragmento do ensaio Poesia: a paixão da linguagem - Paulo Leminski:

(...)


Qualquer editor principiante sabe: poesia não vende. Existe este hiato, realmente poesia não vende, e é bom que não venda! Sabe aqueles que reclamam dizendo, é um absurdo, um país como o nosso, não sei o quê, tchê, tchê, pá, pá, e poesia não vende. Vamos nos rejubilar. Poesia não vende. Poesia é um ato de amor entre o poeta e a linguagem. E esse é um território como se fosse assim uma reserva ecológica do mercado em que vivemos que resiste ao fato de se transformar em mercadoria. Não é uma infelicidade e nenhuma inferioridade da poesia escrita, falando da poesia escrita, da poesia, escrita, da poesia livro, a dificuldade dela em se transformar em mercadoria é uma grandeza. Quem não entender isso não entendeu a verdadeira natureza da poesia, ela é feita de uma substância que é, basicamente, rebelde à transformação em mercadoria. A gente pode criar um mundo assim, o império total da mercadoria, tudo pode ser vendido, coisas, sensações, as coisas mais incríveis, os momentos mais emocionantes. Uma coisa, porém, não pode ser transformada em mercadoria, que é o amor. Amor é dado de graça, alguém pode comprar amor? Pode-se comprar sexo de outra pessoa, mas o amor a gente sabe que é o último reduto que resiste à transformação em mercadoria. Então, eu acho que realmente a paixão do poeta pela linguagem, da linguagem pelo poeta, é coisa que tem amplas implicações sociológicas, históricas, transcendentais ...

PAULO LEMINSKI
In OS SENTIDOS DA PAIXÃO, Ed. Companhia das Letras, São Paulo, SP



Tenho o livro Anseios Cripticos da Editora Criar, alguns ensaios deste livro e o ensaio acima estão no site da Revista Sibila, link acima.

Friday, September 30, 2011

Poemas esparsos em blocos esquecidos sobre a mesa














fotografia: Francesca Woodmann








Procura-se
Um pirotécnico
Que traga
O oceano
E uma invisível
Estrela


Bárbara Lia


p/Murilo Rubião

Thursday, September 29, 2011

poemas esparsos em blocos esquecidos sobre a mesa

*
Não me emociona a crisálida
Já não creio em ressurreições
Já não anseio passagens
Creio no linear
É mais sublime o feio
O triste
Que todos os véus
Das bailarinas de Degas



Bárbara Lia

Friday, September 23, 2011

Retrato da poeta quando menina

desenho - Ane Fiúza



Chá para as borboletas


Janela - espelho meu.
Fragrância de almíscar selvagem
me violenta

Menino com aura violeta.
Jovem com juba desgrenhada.
Velocidade lenta.

Garganta do poço este túnel
cinza, onde trafego dias.

Penso na infância, sombra
dos eucaliptos, recanto secreto

onde eu servia chá às borboletas.

Bárbara Lia
ed. 21gramas/2010

 
Na enquete que realizei aqui neste blog o tema mais votado foi a minha biografia do tempo da  infância. Neste final de ano em que me reconectei com a cidade em que nasci, é um tempo propício para ir em busca da menina que eu fui, e registrar em livro as descobertas e peripécias...
Grata aos que dedicaram um tempo para registrar sua opinião. Aguardem!

primavera

Uma poesia para este dia, Arte com meu poema, que encontrei no blog Alumiações:

Thursday, September 22, 2011

dia mundial sem carro

"Bajaremos del Himalaya en bicicletas
silenciosas y perfumadas, a las doce de la noche"
Vicente Huidobro-Jean Arp

 
 
 

(Piotr Terlecki)





procurei poesias com a palavra bicicleta... segue as que consegui lembrar, ou pescar com olhos de poeta que anda a pé, sempre... mas, vamos deixar os carros em casa, ao menos HOJE!






Vou-me Embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Manuel Bandeira (Recife – 1886 – 1968)

*

os eugênios da paisagem


são cinquenta
séculos (ternos)
são você a vida
exposta a resposta
de bosta e meias-
verdades cáusticas
são os eugênios in-
gênuos a ver navios
e derramar guaraná
com soda na memória
é o rabo da tainha
na bicicleta alemã
zunindo adeuses e
beijos escandidos
da corada mãe-íma
moldura carunchada
espectral gigante
de pira olímpica


uma porção se vingou
a outra virou poção
de estupor dormente
                            (para minha mãe Else)
Sylvio Back (Blumenau – (1937 -)

*


Moça de bicicleta


O céu que é mais um mar sobre a cidade
os pés descolando-se do chão
mergulho de um corpo em cores que são ventos
relva relva verde verde
pneus rilhando o saibro úmido
amarelas margaridas brancas


sons que lavam o ar


(O corpo: um sino ouvindo
e repetindo a paisagem)


Francisco Alvim (Araxá – 1938 - )

*

A BICICLETA




O meu marido saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior.


Alexandre O'Neill (Lisboa 1924 – 1986)


Balada das meninas de bicicleta


Meninas de bicicleta
Que fagueiras pedalais
Quero ser vosso poeta!
Ó transitórias estátuas
Esfuziantes de azul
Louras com peles mulatas
Princesas da zona sul:
As vossas jovens figuras
Retesadas nos selins
Me prendem, com serem puras
Em redondilhas afins.
Que lindas são vossas quilhas
Quando as praias abordais!
E as nervosas panturrilhas
Na rotação dos pedais:
Que douradas maravilhas!
Bicicletai, meninada
Aos ventos do Arpoador
Solta a flâmula agitada
Das cabeleiras em flor
Uma correndo à gandaia
Outra com jeito de séria
Mostrando as pernas sem saia
Feitas da mesma matéria.
Permanecei! vós que sois
O que o mundo não tem mais
Juventude de maiôs
Sobre máquinas da paz
Enxames de namoradas
Ao sol de Copacabana
Centauresas transpiradas
Que o leque do mar abana!
A vós o canto que inflama
Os meus trint'anos, meninas
Velozes massas em chama
Explodindo em vitaminas.
Bem haja a vossa saúde
À humanidade inquieta
Vós cuja ardente virtude
Preservais muito amiúde
Com um selim de bicicleta
Vós que levais tantas raças
Nos corpos firmes e crus:
Meninas, soltai as alças
Bicicletai seios nus!
No vosso rastro persiste
O mesmo eterno poeta
Um poeta – essa coisa triste
Escravizada à beleza
Que em vosso rastro persiste,
Levando a sua tristeza
No quadro da bicicleta.


Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro – 1913-1980)

Wednesday, September 21, 2011

coleção 21 gramas




 
Marcelo Ariel integra a coleção 21 gramas com o livro - A segunda morte de Herberto Helder - prefácio de Cláudio Willer. Nos últimos anos teci uma infinidade de livros. Parei de contar quando cheguei a um número de duzentos livros confeccionados, há um ano atrás.
Grata aos poetas e leitores que aderiram ao projeto. Aos amigos que concederam imagens para as capas; Fotos do poeta Isaias Faria (Réquiem) da minha sobrinha Mel Bandeira (Noon). Quadro do artista plástico Rogério Teruz, do Rio de Janeiro (Cigarras no Apocalipse) o desenho do  poeta Felipe Stefani (À sombra de um rio) e de Ane Fuiza (Chá para as borboletas), o quadro da Ana Luisa Kaminski (O lugar do segredo). Tudo isto faz parte de uma história poética que se chama 21 gramas.

Tuesday, September 20, 2011

Valerio Zurlini antecipando a primavera

Claudia Cardinale, Jacques Perrin,



A moça com a valise (1961) . 
Dando continuidade aos filmes de Valério Zurlini, assisti nesta manhã este filme. Bello!
Na trilha do cineasta Valerio Zurlini, o filme traz Claudia Cardinale, Jacques Perrin, Luciana Angiolillo, Renato Baldini no elenco. Na primeira cena em que aparece,  Jacques Perrin brilha com seu carisma, fiquei pensando - quem é este menino? E fui em busca daquele rosto em outros filmes... O menino que contracena com Cláudia Cardinale é o que interpreta o Totó adulto em Cinema Paradiso. Protagonista de uma das mais belas cenas do cinema. A cena final de Cinema Paradiso.
Viva o cinema italiano!

Monday, September 19, 2011

Livro Leve Livre






Um livro de bolso - adoro! LIVRO LEVE LIVRE com textos dos autores homenageados na Festa Literário de Porto Alegre. Recebi com os meus exemplares da Antologia O Melhor da Festa 3.



Saturday, September 17, 2011

Carlito Azevedo

Uma entrevista de uma lucidez poética que merece ser reproduzida e disseminada:


http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/976746-editar-bem-poesia-e-aceitar-editar-antimercadoria-diz-escritor.shtml


Carlito comenta a recente tendência de novas coleções no mercado brasileiro com ceticismo: para ele, "não se sabe editar poesia no Brasil". Ela saúda o recente investimento da Companhia das Letras em coleções de poesia contemporânea e na aquisição da obra de Carlos Drummond de Andrade, mas vê uma opção conservadora por "uma poesia drummondiana, de qualidade sim, mas não muito inovadora", "nada que vá desestabilizar sua majestade o leitor".


bisavó










Este livro traz pequenas biografias e a genealogia dos moradores de Tibagi que emprestaram seus nomes às ruas da cidade. Minha bisavó era mãe de dois grandes poetas do Paraná - Otávio Camargo e Eleonora de Ângelis (Cristais Sonoros). Irmã da poeta Maria Cândida de Jesus Camargo. Uma mulher a frente do seu tempo. Quando li que ela tinha o mais belo jardim da cidade, além do seu amor aos livros, despertou meu desejo de escrever sobre ela. Estou vivendo no limbo, aquele momento entre um livro e outro livro, quando você fica à procura, sentindo falta de escrever. A poesia é o mistério que brota sem pedir licença. Palavras buriladas ganhando forma e vida. Os romances são os visitantes de corpo e alma, com mala e planos, inquietações. Uma vivência. Os temas descartados nadando ao redor, esperando que eu os pesque. Nestes momentos,  milhões de dúvidas. O que escrever? Que tema vai me puxar para o vórtice do abismo? Anseio ser de novo sugada para o olho do furacão, tão focada em algo, que queima o arroz e a água ferve tanto que só lembro que coloquei água para ferver quando o cheiro de queimado chega até o quarto. É isto. Os dias ficam pequenos, esqueço a fome. Nada mais misterioso que escrever um livro. Entrar em um Universo e viver por um tempo dentro de uma história. Preciso visitar Tibagi, onde meu pai viveu sua infância, conhecer o rio de sua vida, a rua com o nome da bisavó. Revirar o passado e abraçar os ancestrais. Dizer com um nó na garganta - A poesia me trouxe até aqui.

Friday, September 16, 2011

“Dame el ocaso en una copa!”

Velhas estradas bifurcadas

Lentas aparições de fantoches

Nas alamedas do nada


Bárbara Lia
A flor dentro da árvore


Poesia que participou do projeto
CODIGO COLETIVO: projeção de poemas em QR CODE, no Castelinho do Alto da Bronze, Centro Histórico de Porto Alegre. Instalação de Sandra Santos, parceria CIDADE POEMA, Laís Chaffe.

O poema em QR CODE:


Borboletas Negras



Sempre pensei: Que leitura meu pai faria da minha poesia? Meu crítico essencial está morto. Morreu antes que eu começasse a compor versos. Penso nele como o jardineiro que planta a semente e não está por perto quando floresce o jardim. Lembro nossas conversas longas, ele em sua cadeira de balanço sempre com um livro nas mãos. Nos debates ele aceitava o nascimento de uma louca utópica que acreditava em um mundo igual. Ele acreditava em sua Pátria e seu nacionalismo me assustava. Uma manhã eu disse que se não fosse menina, não vivesse em uma cidade morta do interior, eu iria aderir às fileiras dos rebeldes nos anos sessenta. Ele me olhou com aquela tristeza peculiar, sabendo que eu seria - sim - um daqueles "terroristas" como ele dizia e disse como quem sabe que a filha tem vontade própria desde pequenina e ficou repetindo: Eu sei, eu sei, eu sei... Pela rica e estranha vivência com esse poeta, no tempo em que nós dois éramos poetas sem palavras. Ele nunca escreveu poesias, e eu ainda não havia começado a pingar a alma no papel. Por essa memória renitente, quero ver o filme - Borboletas Negras. 

É o que sempre são as mulheres poetas, não é mesmo? Liberdade que assusta.

 


O filme conta a trajetória da poetisa sul-africana Ingrid Jonker que lutou, sem apoio de seu pai que era responsável pela censura do que era publicado na época, contra a desigualdade racial em pleno Apartheid, e que após sua morte teve seu poema "The Dead Child of Nyanga" lido e apontado por Nelson Mandela como um poema de uma das melhores poetisas sul-africanas em seu primeiro discurso no Parlamento Sul-Africano. 

 

The child is not dead by Ingrid Jonker

 

The child is not dead

The child lifts his fists against his mother
Who shouts Afrika ! shouts the breath
Of freedom and the veld
In the locations of the cordoned heart

The child lifts his fists against his father
in the march of the generations
who shouts Afrika ! shout the breath
of righteousness and blood
in the streets of his embattled pride

The child is not dead not at Langa nor at Nyanga
not at Orlando nor at Sharpeville
nor at the police station at Philippi
where he lies with a bullet through his brain

The child is the dark shadow of the soldiers
on guard with rifles Saracens and batons
the child is present at all assemblies and law-givings
the child peers through the windows of houses and into the hearts of mothers
this child who just wanted to play in the sun at Nyanga is everywhere
the child grown to a man treks through all Africa

the child grown into a giant journeys through the whole world
Without a pass



Wednesday, September 14, 2011

La prima notte di quiete


A primeira noite de tranquilidade (1972).
Tarde fria, torta de maçã e Alain Delon. Perfeito!
Não sabia da existência de Valerio Zurlini, diretor e roteirista italiano. Não sabia da existência desta obra prima, com toques de melancolia existencialista. Evocou os dezessete (volver a los 17) no tempo em que era preciso mostrar a carteira de identidade na portaria do cinema. Uma noite matamos aula para ir ao cinema. O filme era proibido para menores de 18 anos. O porteiro deixou que eu entrasse e barrou minha irmã mais velha, eu era mais alta que minha irmã que já tinha 18 anos. Ela estava sem documentos para provar sua idade. Bons tempos. Este filme evocou isto, um tempo.  Alain Delon é o professor de Literatura. Angustiado e misterioso, apaixona-se pela aluna que tem nome de livro de Stendhal - Vanina. O ápice do filme no título - Só a morte traz a certeza de tranquilidade. Gosto de poetas fora do papel. Compositores poetas feito Chopin, cineastas poetas como Valerio Zurlini. Uma cidade/poesia - Rimini. Uma bela tarde para gravar o gosto do pecado - torta de maçã - matar a saudade de um ator guardado na penteadeira da memória.


We only said goodbye with words






We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to.....

a festa da poesia


Assai - minha terra natal - as professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Torquato Galassi ladeando os alunos no dia do desfile da Independência

POESIA PARA LER EM SALA DE AULA

detalhes dos projetos de incentivo à leitura em andamento em minha cidade natal:

A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la



Trinta e dois ventos
    da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
    do peso da alma
Oito países
    a comandar a Terra
UM Deus louco
    pelas ruas bombardeadas

Bárbara Lia
Antologia Prêmio Ufes Literatura
Edufes/2010
pg.11

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...