Sunday, August 26, 2012
O Melhor da Festa 3
O que é Poesia?
O que é Poesia? / Edson Cruz, organizador. Rio de Janeiro: Confraria dos Vento: Calibán, 2009. 144p.
Autores na antologia:
Affonso Romano de Sant´Anna, Amador Ribeiro Neto, Ana Elisa Ribeiro, André Vallias, Aníbal Beça, Antonio Cícero, Augusto de Campos, Bárbara Lia, Carlito Azevedo, Carlos Felipe Moisés, Claudio Daniel, Claudio Willer, Eunice Arruda, Fabiano Calixto, Felipe Fortuna, Flávia Rocha, Floriano Martins, Frederico Barbosa, Glauco Mattoso, Horácio Costa, Jair Cortés, João Miguel Henriques, João Rasteiro, Jorge Rivelli, Jorge Tufic, José Kozer, Luis Serguilha, Luiz Roberto Guedes, Marcel Ariel, Márcio-André, Marcos Siscar, Micheliny Verunschk, Nicolas Behr, Nicolau Saião, Ricardo Aleixo, Ricrdo Corona, Ricrdo Silvestrin, Rodolfo Hãsler, Rodrigo Petronio, Sebastião Nunes, Tavinho Paes, Victor Paes, Virna Teixeira, Washington Benavides.
Thursday, August 23, 2012
58 anos a partir de amanhã
Sempre quis andar mais rápido que o vento. A partir de amanhã quando pensar em minha idade eu vou pensar - Nossa! 58 anos, é muito tempo. Não vou fazer 58 amanhã, vou fazer 57. Sempre comecei a contar um ano além. Mania eterna. Faço 57 e começo a dizer - Tenho 58 anos. Sempre fui assim, um passo à frente, uma asa na dianteira. Fico angustiada em elevadores lerdos. Um dia eu entrei em um elevador jurássico da Federal. Quase surtei com a lerdeza. Um aluno jovem me olhou sem entender a minha urgência infinita. Eu disse - Se tudo acompanhasse meu ritmo a gente já estava no final do terceiro milênio. Ele sorriu, um riso sonso. Devia haver um lugar para os que não seguem o ritmo dos calendários, das leis e dos estatutos. Mudava para lá hoje mesmo. Por falar nisto, mudei-me. Muito tempo em apartamento e agora eu estou como pássaro que voltou ao ninho. Posso colocar a cabeça para fora e sentir o sol, caminhar no quintal. Isto não tem preço. É um pequeno lugar. Eu a chamo - A Casa de Marte. Hilda viveu na Casa do Sol. Vivo na Casa de Marte. As paredes lembram a cor da superfície do planeta. Nas tardes, cerro os olhos para ver o entardecer azulado de Marte. Há muito tempo eu construi uma dimensão e vivi lá por um tempo. Foi uma experiência mística na companhia de alguém. O Extracéu. O céu dura pouco. O Extracéu menos ainda. Em alguns dias duvido das experiências que vivi, com pessoas que se eu contar dirão - É mentira. O Extracéu não teve um final feliz, foi um trauma. Deviam dizer aos homens que as mulheres fortes suportam a verdade. Se um dia você pergunta a um cara - Você tem alguém na sua vida? A resposta dele deve ser a verdadeira. Depois, não adianta ficar remoendo raivas antigas em poemas, pois, afinal, tenho certeza que perguntei uma vez, duas. Os homens adoram esconder sua real situação sentimental. Eles acham que estão isentos da divisão da verdade. E isto nunca dá certo. O final feliz inclui a transparência. E não existem muitos homens transparentes por ai. Conheci UM. Isto já vale muito. Tenho certeza que muitas mulheres passaram pela vida sem conhecer ao menos um. Depois ficam sem entender as pessoas que se fecham em conchas e viram cínicas. Acho que o moço transparente de lua salvou a minha crença. Só isto valia aquela trombada cibernética sideral erótica transcendental. Só isto valia, mas, sempre tem o adendo. O adendo foi mais bonito.
Amanhã é meu aniversário.
Nada tenho para postar aqui que seja inédito.
Nada tenho para postar aqui que seja inédito.
Meu amigo mais querido escreveu - Mande um livro de poesias para o Prêmio Governo de Minas Gerais. É possível. Se cavar bem, encontro 25 poesias inéditas. O Prêmio Paraná exigiu demais. 70 poesias inéditas? Um romance com 130 páginas no mínimo? Meu romance-mor está no Prémio Leya, totalmente queimado por uma palavra que descobri fora do lugar. E invalidei mais duas ou três chances. Isto faz parte. Ano que vem tem mais. Por enquanto vou colhendo poemas em tudo que veio na mudança. Mudança é pura epifania. Reencontro com as belezas esquecidas. Um poema bonito em algum canto, uma fotografia esquecida. Escritos dos amantes do passado saltando à flor dos dias. Memórias reviradas. Uma experiência que não havia vivido depois do primeiro livro. Algumas pessoas levam móveis e roupas e máquinas. Minha mudança floria em papéis e caixas e caixas de livros. Minhas filhas imploram que eu deixe apenas no computador tudo isto. Eu me apego. Acaricio um poema escrito à máquina que encontro em uma agenda antiga. Já fui musa. Sou musa ainda. Os homens que escreveram poesias para mim eram eróticos. São. Os poemas a mim dedicados são ardentes. Eu os calo. Eu os guardo e sinto saudade de outro tempo, outro amante, o antigo.
Amanhã vou fazer 57 anos. Nunca estive tão péssima. Agonia ao perceber os movimentos complexos que preciso fazer e que nunca precisei antes. O olho com a mácula da retina rasgada. O joelho esquerdo estourado. O pé direito. É preciso parar, respirar, aceitar. Existe esta dor, ela vai ficar grudada pra sempre. Existe a limitação. Existe a vivência. A Poesia trouxe a Beleza jamais imaginada para a minha vida. Trouxe também rançosos rancores a ricochetear em um pequeno raio à distância. Espero que em Marte a vida flua mais serena. Que eu aprenda a caminhar nesta alameda larga, onde em todas as manhãs os atletas amadores empreendem sua caminhada. Que eu não perca o espetáculo das estrelas e nem o canto dos pássaros nas manhãs. No primeiro dia que acordei na Casa de Marte um Quero Quero alardeou sua presença. Estou ficando mais velha e mais livre. Desconfio que a Liberdade exige muito tempo, e ela está sentada sem cerimônia nas pedras largas do jardim. Minha visitante mais assidua. Vamos adiante, atadas como siamesas. Sigo buscando vinte e cinco versos e um romance com cento e trinta páginas, ao menos, com o ar rasgando dentro em uma sensação de sol dentro que não sentia há muito tempo....
Gênio da raça.
Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros.
Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas.
O importante é não acordá-las.
Nelson Rodrigues
O diretor do filme Curitiba Zero Grau - Elói Pires Ferreira -diz em entrevista que ele dialoga com Rio 40 graus. Ontem vi o filme. Uma surpresa e tanto. O cotidiano da minha cidade. A real Curitiba com seus ônibus lotados e a luta pela sobrevivência. O enredo passeia por várias vidas retirando dali a humanidade crua e nua. Felicidade é coisa rara, mas, brilha no enlace da família que mora na favela e vive a catar papel pela cidade. O contraste do momento da refeição na casa do Tião (Lori Santos) onde a mãe entrega a filha pequena seu mínimo pedaço de pão, quando o pão da menina vai ao chão, enquanto na casa do empresário todos brigam à mesa e se levantam e nem ao menos se alimentam meio aos conflitos. O enredo enlaça sutilmente alguns trajetos e mostra as sincronias do Universo para dar a alguém uma retomada do caminho, na trajetória de Ramos (Jackson Antunes) um motorista do ônibus bi-articulado que acaba sendo transferido para a linha do Interbairros. Minha vida de passageira destes ônibus dentro da cidade tornou o filme de uma realidade gritante. O motoboy Márcio (Diego Kozievitch) e o empresário Jaime (Edson Rocha) completam o time de protagonistas. Ao redor destes gira a fina nata curitibana de atores da melhor qualidade e isto faz com que o filme seja impecável. A ex-mulher do motoboy é Uyara Torrent (A banda mais bonita da cidade), Enéas Lour é o funcionário corrupto que tenta subornar o empresário Jaime. Rosana Stavis a mãe de Daiane a personagem de Uyara. Otávio Linhares e Andrew Knoll em pequenas participações. Rodrigo Ferrarini e Veronica Rodrigues excelentes como o casal que chega a cidade sem eira nem beira. Para acompanhar esta roda-viva de encontros e desencontros. Poesia e dor. Buscas e perdas. Só vendo o filme. Melhor ainda para quem vive a cidade. Amo Curitiba, foi para ela meu primeiro canto público, quando a UBE RJ premiou minha crônica "Se essa rua, se essa rua fosse minha". A vida não dá trégua. Mas, é preciso retomar o caminho, seguir na noite como quem tem esperança. Abandonar cenários sem futuro, cuidar das crianças pequenas. Escrever os dias com a fé, ainda que com um endereço desconhecido entre os dedos, como o moço que chega sem norte com a familia à tiracolo. Curitiba Zero Grau veio lembrar o quanto é minha esta cidade. A real cidade que aparece na tela. E sai do cinema com minhas próprias cenas, a minha rotina de mãe e leoa. A parte mais bonita de mim, os filhos que aqui cresceram. O neto que aqui nasceu. O verde espalhado pelas esquinas, o vento que chega nas noites e nos obriga a aquecer o corpo, derramar o espírito sob os edredons e sonhar.
Wednesday, August 22, 2012
meus livros nas livrarias
O livro de poesias - O sal das rosas - editado pela Lumme editor em 2007 e o romance - Constelação de Ossos - editado pela Vidráguas em 2010 estão na Livraria Cultura:
Os livros esgotados apenas na - Estante Virtual - Site que engloba vários sebos do Brasil. Lá ainda tem 1 exemplar de - A última chuva - e 3 do romance Solidão Calcinada...
A flor dentro da árvore
“Dame el ocaso en una copa!”
Velhas estradas
bifurcadas
Lentas aparições de
fantoches
Nas alamedas do nada
Bárbara Lia
A flor dentro da árvoreDame el ocaso en una copa- en QR Code - - na Exposição Código Coletivo - no Castelinho em Poorto Alegre (Organização Sandra Santos/Cidade Poema)
A flor dentro da árvore - Poesias - apresentação Sidnei Schneider - edição do autor - quem desejar o livro escrever para barbaralia@gmail.com - o preço do livro é 15,oo - edição limitada, ainda tenho alguns exemplares.
Tuesday, August 21, 2012
DELANTE DE LA VENTANA, EL ROSEDAL
- Claude Monet -
Testamento enterrado
a la sombra del rosedal:
Le dejo mi guitarra
al vendedor de la panadería.
La hierba bendita
a la vieja del balcón.
La caldera
que silba Villa Lobos
al Fray Gustavo
que cose almas
los miércoles por la mañana.
El libro de poesía
de Augusto dos Anjos,
al cobrador del Expreso 022.
Firmado:
La niña de los ojos tristes.
Chico Buarque me llamaba de Carolina,
Pero era sólo un disfraz.
Soy yo la niña
que vio el tiempo pasar en la ventana,
sin ver.
Bárbara Lia
AGUA PALABRA
Mañana de sal le seca la lengua.
Ventana abierta, el viento lo abraza.Salmuera hasta el alma.
Sed absurda de agua, agua,
Agua... la lengua se vuelve agua.
El ángel en la ventana ya no habla.Pierde la mirada en el arenal de fuego
La lengua se vuelve líquida
Abismo de sonidos.
La palabra calla, todo callaSólo el viento canta, canta y acuna.
Vuelve no más humana
Lengua de carne, pero luz que traduce,De la esencia del ángel las palabras.
Bárbara Lia
- O sal das rosas (Lumme editor-2007)
poesia Água Palavra em espanhol
Friday, August 17, 2012
Sem Censura - 17 de agosto - TV Brasil - 16 às 18h
Lançamento dia 06 de agosto - Livraria da Travessa - Rio de Janeiro. Walquiria Raizer lê uma poesia, eu autografo para um dos presentes da noite e Iracema Macedo olha para o alto...
Celina Portocarrero - organizadora da Antologia - Amar, Verbo Atemporal
AMAR, VERBO ATEMPORAL, da Editora Rocco, no Sem Censura: hoje - 17 de agosto - 16 às 18h, TV Brasil. Presença de Celina Portocarrero no programa de Leda Nagle.
Monday, August 13, 2012
Bilhetinho - Iracema Macedo
Quando eu morrer
mesmo em tristeza devastada
morrerei de alegria de terem sido possíveis:
o amor a tristeza e a aventura de ser carne
em meio a tantas pedras
Iracema Macedo in Lance de Dardos (Edições Estúdio 53 - 2000)
Wednesday, August 08, 2012
Amar, Verbo Atemporal - Lançamento Rio de Janeiro
Ipanema! Maravilhosa
Pousada Bonita Ipanema - um dia aqui viveu Tom Jobim,
Antonio Carlos (gênio) Brasileiro Jobim
Trilha sonora pelas ruas de Ipanema
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração..
Que me alegrava o coração..
Que iluminava o coração..
Que iluminava a escuridão..
(fragmento de Passarim - Tom Jobim)
Paula Cajaty e Margarida Corção: Partilhas
Celina Portocarrero - organizadora da Antologia - Amar, Verbo Atemporal - Cem Poemas de Amor (Rocco ed.) autografando na noite do lançamento - 06 de agosto - Livraria da Travessa - Leblon - Rio de Janeiro
As poetas Iracema Macedo e Walquiria Raizer - Papo animado na noite de "Amar"
As fotos oficiais do lançamento da Antologia - Amar, Verbo Atemporal - Segunda, dia 06 na Livraria da Travessa do Shopping Leblon - ainda não tenho para publicar aqui. Breve terei. Captei algumas imagens da minha passagem pelo Rio de Janeiro, mas, a VIDA me distrai e esqueço de fotografar... O lançamento aconteceu em clima de festa. Muitos autores compareceram para autografar e celebrar a publicação do livro. Salgado Maranhão, Lila Maia, Claufe Rodrigues, Masé Lemos, Cecilia Brandi, Bruno Cattoni, Henrique Rodrigues, Domício Proença, Thereza Christina Rocque da Motta, Tanussi Cardoso, Flávio Morgado, Alice Sant'anna, Iracema Macedo, Walquiria Raizer, Margarida Corção, Paula Cajaty, Pedro Galvão e eu...
Thursday, August 02, 2012
Rio de Janeiro!
Vou ao Rio de Janeiro para o lançamento da Antologia - Amar, Verbo Atemporal (ed. Rocco) - organização Celina Portocarrero. Dia 06 de agosto, 19h na Livraria da Travessa
Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A
A festa da poesia embalada pela aura amorosa dos cem poemas de amor do livro.
Ausente por uns dias do - Chapar as Borboletas - voltarei com um abraço do Drummond e notícias cariocas. Poetas do Rio e Amigos com quem dialoguei nestes anos, amantes da poesia e todos que desejarem partilhar este momento: Espero-os na Livraria da Travessa.
Saudades do Rio, onde recebi minha primeira menção honrosa, por uma crônica sobre a Rua XV. Primeiro texto que enviei para um concurso, em 1997. Após ceder ao apelo do meu amigo Carlos Barros. Foi tão especial e essencial que fui ao Rio para receber um diploma. Na premiação da UBE / Rio. Auditório lotado. Viajei durante férias do trabalho e ainda assim o meu primo (dono da empresa onde eu trabalhava) convocou-me à sua sala. Achou um absurdo que eu viajasse até o Rio para receber um prêmio que não era em dinheiro. Disse que eu devia abandonar a poesia, pois era muito triste. Os poetas eram todos melancólicos. Eu disse a ele que estava desatualizado. Que no Século XIX poetas morriam de tuberculose, de melancolia. Não mais. Sem saber que é possível que uma poeta morra de intensa vida. Vou ao Rio celebrar a intensa vida, o momento bonito do qual sou parte através do convite da Celina Portocarrero.
Wednesday, August 01, 2012
Dança atemporal
Mergulhada nos poemas de amor da Antologia - Amar, Verbo Atemporal. Lembro uma dança antiga, ao ler o poema de Gregório de Mattos.
Em 2003 acompanhei meu filho Thomas a uma oficina de poesia. E foi proposto o exercício de reescrever um soneto de Gregório de Mattos. E este soneto é o poema de amor de Gregorio de Mattos, na página 129 de - Amar, Verbo Atemporal.
Aos afetos e lágrimas derramadas na
ausência da Dama a quem queria bem
Ardor em firme coração nascido:
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:
tu, que em ímpeto abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo em cristais aprisionado;
quando cristal, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente.
se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente.
permitiu parecesse a chama fria.
Gregório de Mattos
Amar, Verbo Atemporal - 100 poemas de amor
organização Celina Portocarrero
Rocco ed. - 2012
pg. 129
A dança com algumas palavras saqueadas do poema do velho e maravilhoso Gregório, convertidas em um soneto de ausência.
Nuvem fria. Ou, Cold Cloud. A recriação da perda:
Cold Cloud
Ardor louco em mim aguerrido
E o pranto triste derramado
Nosso incêndio alastrado
Em rio de abandono convertido
Busquei-te nas auroras escondido
Todos os nós do meu peito desatado
Deste amor que me manteve aprisionado
No gelo – da ausência – derretido
Se me abraçasses longamente
Em silêncio esquecesses a porfia
Preferistes ser prudente
Amor negado se transforma em tirania
Como quando o sol em manhã ardente
Permitiu que lhe nublasse a nuvem fria
E o pranto triste derramado
Nosso incêndio alastrado
Em rio de abandono convertido
Busquei-te nas auroras escondido
Todos os nós do meu peito desatado
Deste amor que me manteve aprisionado
No gelo – da ausência – derretido
Se me abraçasses longamente
Em silêncio esquecesses a porfia
Preferistes ser prudente
Amor negado se transforma em tirania
Como quando o sol em manhã ardente
Permitiu que lhe nublasse a nuvem fria
Bárbara Lia
Monday, July 30, 2012
Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father
Kurt Kuenne, amigo de infância de Andrew Bagby demorou sete anos para concluir o documentário Dear Zachary - em meio a uma metamorfose inacreditável. Na infância Kurt decidiu que seria cineasta, Andrew participava de suas produções. Acostumado a filmar o amigo ele viveu o choque, ao lado da família e de uma imensidão de amigos, quando Andrew foi assassinado pela ex-namorada quando rompeu com ela. Andrew cometeu o erro que muitos cometem quando perdem um grande amor. Abrem a porta para qualquer um que ofereça o imediato consolo. Para sorte de muitos, nem todos são psicopatas como a namorada que Andrew teve quando foi estudar medicina no Canadá. Meio ao maremoto de saudade, Kurt decidiu continuar - filmando Andrew - e iniciou um documentário onde pretendia colher depoimentos dos amigos, dos familiares, visitando vários lugares, inclusive a Inglaterra onde viviam os avós maternos de Andrew. O documentário tem uma espetacular montagem. Os efeitos que ele utiliza para evidenciar os fatos. Ao apresentar o laudo da perícia não é uma imagem destas utilizadas pela polícia, nem mesmo o corpo de Andrew estirado em um parque, morto e abandonado por aquela maluca. São fotos de Andrew menino. O impacto da montagem deste documentário faz com que ele seja, embora triste, um dos documentos mais bem montados para narrar uma tragédia. Ao iniciar o documentário Kurt soube que a ex-namorada e assassina estava grávida do amigo, foi então que ele mudou o foco, o documentário seria uma carta ao filho que viria. Um documento para mostrar a Zachary quem era seu pai. Meio a um processo de extradição para ser julgada nos Estados Unidos, Shirley (a assassina de Andrew) e seus advogados conseguiram fiança e a Vara de Família concordou que uma pessoa que cometeu um homicídio violento ficasse com a guarda da criança, negando a guarda aos avós, transformaram a vida dos pais de Andrew em um tormento sem fim. Andrew era filho único e o neto era a família daquele casal. Obrigados a conviver com a assassina do filho e sofrendo a angústia de saber que o neto estava ao lado de alguém instável e cruel. Plena de exigências a louca se coloca como alguém que pode, apesar de tudo, ser parte daquela família. Presa por um tempo, eles ficaram com o pequeno, sem conseguir perder vínculos com a assassina, pois existia uma acordo de visita que obrigava os avós a levar o menino até a prisão para as visitas regulares. Em um telefonema Shirley indaga se colocaram a foto em que ela está com Andrew no quarto do filho. O pai de Andrew é obrigado a dizer com todos as letras que não conseguem - ainda - como se possível fosse, um dia, alguém colocar a foto do assassino do filho em um lugar de sua casa. Conseguindo a liberdade e à espera do julgamento ela retoma a guarda do filho e os avós esperam que a justiça prevaleça. A única forma dos avós - finalmente - ficarem com Zachary. Considerando as provas e todas as evidências e a impossibilidade dela ser julgada inocente. O caso sofre a última guinada que deixa a todos estarrecidos. Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father é pleno de humanidade. Um arco-íris de toda e qualquer emoção humana. Baila entre vida e morte com todas as cores daquilo que conhecemos como - ser humano. Os vínculos fortes e reais são atirados diante dos olhos dos telespectadores. A vida de Andrew passo a passo em inúmeras filmagens. Em um filme da adolescência, Kurt diz que construiu a máquina do tempo para ter a chance de salvar o amigo e evitar que ele fosse morto. Andrew tinha carisma e tantos amigos que a vida dele era partilhada como se os dias fossem uma eterna celebração. Foi a um colega do hospital que ele contou que Shirley o havia procurado às duas da manhã. Viajara milhas e batera à sua porta. O amigo disse - Bem, se eu tivesse dispensado uma garota e ela batesse à minha porta de madrugada eu sairia pela porta dos fundos. Ele foi de peito aberto encontrá-la no parque, não ouviu o conselho do amigo. Em alguns a fecundidade de promessas de beleza (Andrew): em outros o escárnio e descaso absoluto com tudo (Shirley). A falta de senso dos homens da lei que não conseguem compreender a extensão de seus erros. A coragem de um casal que perde o único filho e embarca em uma jornada sem trégua que ainda não chegou ao fim.
Vi nesta madrugada no GNT. Por coincidência estava na casa da minha filha com meu único neto. Sob o impacto daqueles eventos eu passei a noite rodeando o meu tesouro, creio que incomodei seu sono. Depois das minhas idas ao quarto cafunés e abraços ele sentou na cama sonolento e me disse - Dorme, vó! Como a me alertar que tudo estava bem...
Nem o mais terrível serial killer que tive notícias me assustou tanto quanto aquela mulher. O pai de Andrew - David Bagby escreveu um livro - Dance with the devil... Ele realmente dançou com o demônio.
link para o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=OtyY0CXdiNo
Vi nesta madrugada no GNT. Por coincidência estava na casa da minha filha com meu único neto. Sob o impacto daqueles eventos eu passei a noite rodeando o meu tesouro, creio que incomodei seu sono. Depois das minhas idas ao quarto cafunés e abraços ele sentou na cama sonolento e me disse - Dorme, vó! Como a me alertar que tudo estava bem...
Nem o mais terrível serial killer que tive notícias me assustou tanto quanto aquela mulher. O pai de Andrew - David Bagby escreveu um livro - Dance with the devil... Ele realmente dançou com o demônio.
link para o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=OtyY0CXdiNo
Saturday, July 28, 2012
21 gramas - Livros de Poesias
O projeto "21 gramas" é parte de um passado recente que trouxe muita Alegria. Minha maratona poética, inventário dos meus versos. Devo confessar um segredo: Aos doze anos eu sonhei escrever - romances - eu achava geniais os escritores que me encantavam. Nunca sonhei ser Poeta na vida. Quem sonha? É mesmo como diz Cruz e Sousa - Somos assinalados. Escrevi tanta poesia que só restou encontrar uma saída, compor livros artesanais. Agora a rotina de Poesia que vai em busca de editor segue. Consegui encontrar uma casa (livro) para meus versos que ficavam me olhando e dizendo: E eu? Seguiram para tanta parte, ultrapassaram oceanos, foram para o Chile, Maputo e várias cidades de Portugal os meus livros feitos à mão. O ciclo se encerra com muito sucesso e partilha. Obrigada a cada um que captou o espírito poético da publicação. Guardo uma coleção completa no meu arquivo pessoal.
- quem sabe faz a hora não espera acontecer -
Com o espírito dos poetas marginais e a força feminina coloquei os poemas na roda. No futuro quero montar uma edição primorosa - fac símile - um livro que abrigue o resumo desta maratona. Vai ser sempre poesia.
Para quem gosta de livro artesanal e desejar ter um exemplar ou mais deste meu projeto poético, tenho dez exemplares prontos, mais detalhes no meu e-mail barbaralia@gmail.com
Exemplares 21 gramas disponíveis:
- Adamare
- Até secar o sol
- Cantata Fugace (poemas em espanhol) 3 exemplares
- O fim do futuro (sonetos)
- Para Camille, com uma flor de pedra
- Percepções
- Réquiem
- Um rio de jasmins nas veias
Friday, July 20, 2012
2012
2012 um ano pleno de belas surpresas:
O ano começou com o nascimento do livro - A flor dentro da árvore - impresso na última semana de 2011.
http://www.musarara.com.br/a-flor-dentro-da-arvore
Este livro e o livro anterior - Tem um pássaro cantando dentro de mim - são publicações independentes. Quem tiver um deles vai possuir um dos 50 exemplares. Sim, esta é a tiragem.
No final de 2003 eu fui em busca de um editor local para publicar um livro de poesias, não queria morrer sem editar ao menos um livro. Foi o Fábio Campana na Travessa dos Editores quem contou para a mídia que existia uma poeta em Curitiba, que era inédita e tinha uns poemas - maravilhosos - segundo ele. Menos de dez anos depois tenho uma pequena obra editada. Além dos meus mais amados livros feitos a mão. Não cataloguei um a um, mas, uma contagem rústica que fiz mostra que imprimi mais de trezentos livros artesanais. Estão pelo mundo a minha ousadia. Meu inventário poético. Ainda tenho uns sete livros inéditos. Englobam romances, contos e uma quase-biografia, até um livro de poesias. O que preciso é respirar fundo e não desejar nada para hoje. Que seja sempre de forma natural. Fazer aquilo que ouvi de um poeta em um jantar - mesmo que demore, só publicar por uma editora que tome conta de tudo. Que divulgue seu livro, mande para as livrarias e que você siga com a tarefa que cabe ao escritor - apenas escrevendo. O cansaço quase vence. Tenho quase 57 anos, estou hipertensa, minha retina esquerda rasgada não facilita ler e escrever como antes, o tempo inteiro. Muita coisa mudou em mim. Até mesmo sintomas tardios da poliomielite que eu nem sabia que existiam. Melhor assim, vivi mais de meio século acreditando que tudo se resumia a uma pequena sequela, agora vem a revista científica comprovar que o excesso de frio que sinto, a dor em muitas articulações e outras coisas mais, são como uma velhice antecipada. É uma droga, mas, é preciso aprender a conviver com isto. Ao menos ainda não precisei amputar meu pé como Frida Kahlo. A dor na coluna a gente engana. A gente vai levando, ouvindo poesia, ouvindo os pássaros, ouvindo música. Estou ficando expert em viver com dor. Minha amiga mais recente. Espero que o House não esteja certo, ouvi uma fala dele em um comercial do seriado - Quem convive muito tempo com a dor acaba ficando insensível, alguma coisa assim. Comigo a anatomia ficou louca, quiçá esta dor física ajude a criar poesias de celebração, recolher memórias de vida. É muito louco isto, quando a gente vai ficando mais velho é como fechar um círculo e se reaproximar do começo. Vivo trombando com aquela menina sem medo, aquela liberdade à sombra das árvores. Converso com ela e ela é como um pergaminho onde revejo belas coisas esquecidas. Sentir o gosto do antes, tocar os caminhos da alegria, rever a mãe com sua aura misteriosa, o pai sempre estrondando a sua gargalhada e a poeira de Peabiru acima do chão, as estrelas acima das casas - naquele tempo o céu era mais perto.
Em março o Jornal Rascunho publicou algumas poesias que amei escrever, pois foram seis meses lendo e relendo Pessoa. Uma decisão de mergulhar em poetas imortais. O que eu fiz em 2009 e 2010 com Emily Dickinson e que gerou o livro - A flor dentro da árvore. Fiz em seguida com a obra de Fernando Pessoa. Uma ressurreição. Foi desta inserção que nasceram poemas e contos e um diálogo com vida e obra de Pessoa. No Jornal Rascunho, Três sonetos:
https://rascunho.com.br/autores/barbara-lia/
Este livro e o livro anterior - Tem um pássaro cantando dentro de mim - são publicações independentes. Quem tiver um deles vai possuir um dos 50 exemplares. Sim, esta é a tiragem.
No final de 2003 eu fui em busca de um editor local para publicar um livro de poesias, não queria morrer sem editar ao menos um livro. Foi o Fábio Campana na Travessa dos Editores quem contou para a mídia que existia uma poeta em Curitiba, que era inédita e tinha uns poemas - maravilhosos - segundo ele. Menos de dez anos depois tenho uma pequena obra editada. Além dos meus mais amados livros feitos a mão. Não cataloguei um a um, mas, uma contagem rústica que fiz mostra que imprimi mais de trezentos livros artesanais. Estão pelo mundo a minha ousadia. Meu inventário poético. Ainda tenho uns sete livros inéditos. Englobam romances, contos e uma quase-biografia, até um livro de poesias. O que preciso é respirar fundo e não desejar nada para hoje. Que seja sempre de forma natural. Fazer aquilo que ouvi de um poeta em um jantar - mesmo que demore, só publicar por uma editora que tome conta de tudo. Que divulgue seu livro, mande para as livrarias e que você siga com a tarefa que cabe ao escritor - apenas escrevendo. O cansaço quase vence. Tenho quase 57 anos, estou hipertensa, minha retina esquerda rasgada não facilita ler e escrever como antes, o tempo inteiro. Muita coisa mudou em mim. Até mesmo sintomas tardios da poliomielite que eu nem sabia que existiam. Melhor assim, vivi mais de meio século acreditando que tudo se resumia a uma pequena sequela, agora vem a revista científica comprovar que o excesso de frio que sinto, a dor em muitas articulações e outras coisas mais, são como uma velhice antecipada. É uma droga, mas, é preciso aprender a conviver com isto. Ao menos ainda não precisei amputar meu pé como Frida Kahlo. A dor na coluna a gente engana. A gente vai levando, ouvindo poesia, ouvindo os pássaros, ouvindo música. Estou ficando expert em viver com dor. Minha amiga mais recente. Espero que o House não esteja certo, ouvi uma fala dele em um comercial do seriado - Quem convive muito tempo com a dor acaba ficando insensível, alguma coisa assim. Comigo a anatomia ficou louca, quiçá esta dor física ajude a criar poesias de celebração, recolher memórias de vida. É muito louco isto, quando a gente vai ficando mais velho é como fechar um círculo e se reaproximar do começo. Vivo trombando com aquela menina sem medo, aquela liberdade à sombra das árvores. Converso com ela e ela é como um pergaminho onde revejo belas coisas esquecidas. Sentir o gosto do antes, tocar os caminhos da alegria, rever a mãe com sua aura misteriosa, o pai sempre estrondando a sua gargalhada e a poeira de Peabiru acima do chão, as estrelas acima das casas - naquele tempo o céu era mais perto.
Em março o Jornal Rascunho publicou algumas poesias que amei escrever, pois foram seis meses lendo e relendo Pessoa. Uma decisão de mergulhar em poetas imortais. O que eu fiz em 2009 e 2010 com Emily Dickinson e que gerou o livro - A flor dentro da árvore. Fiz em seguida com a obra de Fernando Pessoa. Uma ressurreição. Foi desta inserção que nasceram poemas e contos e um diálogo com vida e obra de Pessoa. No Jornal Rascunho, Três sonetos:
https://rascunho.com.br/autores/barbara-lia/
Esqueci do Prêmio Cataratas e que para lá havia enviado algumas poesias, quando recebi um telefonema contando da premiação. Em maio fui até Foz do Iguaçu para receber o Prêmio com a poesia - Holocausto dos Livres - dentro do evento Salão Internacional do Livro. Foi uma chance de visitar outra vez - As Cataratas. Conheci poetas locais e dois poetas cariocas muito queridos - o Rodrigo Domit (que na verdade é do Paraná) e a Tatiana Alves. Foi um belo final de semana - presente do dia das mães. A Festa encerrou em uma cantina com muito vinho e massas e ótimo papo, ao lado do Domingos Meirelles (e esposa) e do Eric Nepomuceno (e esposa) o pessoal da Fundação, os poetas premiados e o Emir Ross que veio de Porto Alegre para receber o seu prêmio na categoria - Contos. Um belo conto o do Emir.
Na Off Flip o lançamento da Antologia - Amar, verbo atemporal - Cem poemas de amor. Organizada pela Celina Portocarrero, publicada pela Rocco. Uma alegria. Quando li o e-mail da Celina convidando para esta Antologia eu senti aquela leveza, promessa de ser parte de um projeto bonito. Está sendo especial. No começo pensei na dificuldade de buscar entre os escritos um poema de amor - inédito. Ao final, foi uma seleção fácil e rápida, com ajuda de algumas amigas que sempre me dão suporte e opiniões e com a decisão final minha e da Celina, escolhemos Umbrática Nuvem. Lá estou eu ao lado de poetas que conheci no berço e de poetas muito jovens, de toda parte deste País.
Resenha de Carlos Herculano Lopes:
Seguem as Antologias. O Portal Cronópios convocou os - cronopianos - a escrever uma homenagem ao grande Eder Jofre. Não sou aquela poeta ou escritora que escreve sob encomenda. Não sei adequar meus escritos ao calendário ou temas. O jornalista Ricardo Faria cedeu uma coluna para mim em um jornal virtual - e acabei desistindo da missão. Minha liberdade não combina com prazos. Estou a um passo de desistir destes concursos literários com suas inúmeras regras. Escrever é o território do encanto e lá não existe relógio, páginas A4, espaços duplos ou não. Nada disto combina com o escritor. Uma memória antiga foi a ponte que permitiu uma homenagem ao Eder Jofre. Nada mais poético que romper a alameda da memória e cair no quintal da infância. Nasceu - No tempo em que éramos invencíveis - um poema que vai figurar neste livro que é uma parceria Portal Cronópios / Editora Patuá. Vamos lá.
Quando Ana Rusche foi a Maputo eu enviei alguns livros para lá e ela foi a portadora de muitos livros de autores brasileiros que estão agora em Bibliotecas... Este contato além-mar, graças a Ana, aproximou os poetas de Moçambique e através deles conheci a Revista Literatas. Há algum tempo publicaram minha poesia por lá. Recentemente, um capítulo do meu romance - Constelação de Ossos. Uma bela publicação que une Brasil-Moçambique e muitos outros autores lusófonos...
Revista Literatas
No ritmo das Antologias. Quando o Outono chegar em Lisboa a Pastelaria Estúdios vai publicar - Histórias Horríveis e Impossíveis. Uma Antologia além-mar. Para esta antologia enviei um conto que é só um pouco horrível. Não escrevo com furor e ódio. Mas, consegui escrever um conto que causa algum arrepio. Depois de - Set - que narra a vida de um serial killer e foi premiado no concurso _ Contos Grotescos_ este conto é um dos poucos que escrevi com este tom de mistério e que imprime medo.
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Wednesday, July 18, 2012
O essencial
Lasar Segall
- " Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.Tenho muito mais passado do que futuro.Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas...As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.... Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.O essencial faz a vida valer a pena.E para mim, basta o essencial!"(Mario de Andrade).
Tuesday, July 17, 2012
biografia de poeta
Quando eu fiz quarenta anos (1995) disse a uma colega de trabalho, uma jornalista - Vou escrever uma biografia. Ela retrucou - É muito cedo para isto. Ser escritora era um projeto engavetado, ainda. Meus primeiros escritos ainda imaturos. Acreditava que havia vivido intensamente e tinha muitas histórias pra contar. A vida mudou, eu mudei. Hoje eu sei que ainda é cedo demais para contar minha vida, mas, temo morrer sem dizer a minha versão.
O homem que está comigo nesta imagem é o pai dos meus filhos, com quem vivi nove anos.
Incomoda-me alguns que tentam se colocar como algo importante em meu caminho. Paixão é fogo, arde e logo apaga. Escrever versos a alguém não significa que ele seja - o cara - nem que me abalou a ponto de ter sobrado mais que versos publicados. Então, escrevo este texto para entender esta vontade de me mostrarem como alguém insignificante, sendo que escrevem sobre minha insignificância. Eu não escrevo mais sobre eles. Nem sobre ninguém. Na Antologia - Amar, Verbo Atemporal - o meu poema de amor começa assim:
Tudo que me toca / vira livro / só você virou esfinge / (miragem).
Dá para perceber que quando é importante mesmo a gente não fica escrevendo sobre? O infinito enquanto dura... Enquanto dura e é importante a gente vive. Uma vez meu ex-marido ficou furioso ao encontrar uma carta ao meu primeiro amor. Ele disse: Você nunca escreveu um poema para mim. Não escrevi. Vivi a realidade de uma história, até o fim. Há menos de dois anos ele morreu. Uma noite eu estava pensando nesta bronca dele e minha filha ligou: Mãe, tá vendo a lua? Tinha eclipse da lua e ela ligou para que eu não perdesse o espetáculo. Misturei tudo em um poema e, tarde demais, lhe dediquei uma poesia. Quanto aos gritos destas pessoas de ego maior que o mundo que querem que eu seja relegada a nada, mas, insistem em permanecer como - algum cara que eu amei - só tenho a dizer que é passado e página virada. Sou escritora e poeta. Se não quiser virar poesia em minhas mãos não me toque, não se envolva comigo. Simples assim. Tudo que me toca, vira livro...
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