Sunday, September 30, 2012
Friday, September 28, 2012
Verão anárquico
Oitavo dia da criação
Verão anárquico
- Instante branco -
Elemento novo:
Mezzo uommo
Mezzo angelo
Bárbara Lia
'a dor é mais visível na primavera'
O olho doente
da primavera
segue-me
Estende tapetes
de flores
venenosas
Viro à direita
sigo a trilha de pedras
áridas escarpas
Vivi o necessário
para ver a maldade
que floresce
Esta dor espalhada ao meu redor
pelos tolos que se escondem
atrás da frívola primavera
Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore (2011)
p. 22
Canteiros
Passei a manhã
plantando clepsidras
espero chuvas primaverís
para que o tempo
floresça em canteiros
Bárbara Lia
pressa de mentir
Imagem comeunpratofiorito
O amor
nunca foi
e não deu
em nada
resta no ar
esta cantiga
com pressa
de mentir
Bárbara Lia
O amor
nunca foi
e não deu
em nada
resta no ar
esta cantiga
com pressa
de mentir
Bárbara Lia
chanson
qualquer roupa
depois do amor
é lixa áspera
a arranhar
a pele beatificada
pela hora sacra
Bárbara Lia
Thursday, September 27, 2012
The Tale of Genji - Lady Mirasaku Shikibu - 1008
Chapter 23 - The Warbler’s First Song
"Upon the cloudless mirror of this lake, Clear is the image for ten thousand years"
Tosa Mitsunobu Japanese (c. 1434 - c. 1525)
The Warbler’s First Song (Hatsune), Illustration to Chapter 23 of the "Tale of Genji" (Genji monogatari), Muromachi period, dateble to 1509-1510
"Upon the cloudless mirror of this lake, Clear is the image for ten thousand years"
Há alguns anos entrei em uma exposição insólita - A exposição era da loja "O Boticário" e passeava pela História do Mundo - Para falar dos perfumes evocavam livros e lendas. Na Exposição existia uma sequencia de signos de todos os capítulos deste livro - The Tale of Genji - Copiei rusticamente em um caderno que tinha - O símbolo composto por linhas retas em desenhos vários e o título de cada capítulo. Reproduzo o signo do Capítulo 23 e uma ilustração do Capítulo - Uma frase do mesmo Capítulo. O momento de retorno ao encanto deste que é considerado o primeiro romance literário - é cíclico, geralmente em dias frios.
Detalhes sobre o livro neste link:
Aquela Viagem na Colectânea de Histórias Horríveis e Impossíveis
Lançamento em Outubro - Colectânea - Ocultos Buracos - da Pastelaria Studios - Portugal.
Breve coloco o link para a compra do livro e notícias do lançamento.
Aquela Viagem - meu conto que está neste livro foi escrito em 2009 estava guardado, talvez, para este momento. Este é meu primeiro conto publicado em Portugal. Até o final do ano outra Antologia além do oceano.
Aquela Viagem - meu conto que está neste livro foi escrito em 2009 estava guardado, talvez, para este momento. Este é meu primeiro conto publicado em Portugal. Até o final do ano outra Antologia além do oceano.
Seguimos.
O canto na garganta e a alma envolvida na aura da Primavera.
Wednesday, September 26, 2012
A flor dentro da árvore - Bárbara Lia
“Uma migalha de mim”
Teço
Um ego-vidraça
Para que enxergues
Meu Eu
Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que
qualquer mão
Atravessa
Teço
Um hímen de fumaça
Sobre a virgem
essência
- tudo o que sou Eu
Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore (2011)
Tuesday, September 25, 2012
EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO em BH
MUSEU NACIONAL DA POESIA
Belo Horizonte - Minas Gerais
munapbr@yahoo.com.br
...
Tel.: (31) 8838-7367
25/09/2012 - 06h às 18h
EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO de SANDRA SANTOS
Local: Galeria da Árvore - espaço Museu Nacional da Poesia. Parque Municipal Américo René Giannetti.
25/09/2012 - 18h30 às 19h30
ENCONTRO Internacional Terças Poéticas, com a poeta Sandra Santos/RS apresentando Código Coletivo.
Local: Palácio das Artes Av. Afonso Pena.
sobre o CODIGO COLETIVO:
(exposição CODIGO COLETIVO na 6ª Primavera dos Museus)
25/09/2012 - 06h às 18h
EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO de SANDRA SANTOS
Local: Galeria da Árvore - espaço Museu Nacional da Poesia. Parque Municipal Américo René Giannetti.
25/09/2012 - 18h30 às 19h30
ENCONTRO Internacional Terças Poéticas, com a poeta Sandra Santos/RS apresentando Código Coletivo.
Local: Palácio das Artes Av. Afonso Pena.
sobre o CODIGO COLETIVO:
(exposição CODIGO COLETIVO na 6ª Primavera dos Museus)
Monday, September 24, 2012
Marcos Prado
Bebo o sangue da luna rossa. Bárbara figura vestida de
pele de ovelhas que mal cobre o sexo. Lilith devassa, louca alada e nua escondida em uma roupa de senhora. Não sou esta dama no salão de
chá, cadeiras bordadas de flores da Confeitaria das Famílias. Vomitando asteriscos e
estrelas e dissecando a XV da Federal à Boca Maldita ao lado
de meninos de camiseta Hering branca e óculos de Clark Kent, tomando Coca-Cola. Na hora do ângelus, pisam partituras de ossos e surfam no caos, dominam suas
ondas... Suas pipas são estrelas
inconclusas, com fios esgarçados que eles alcançam da torre da Catedral. Ninguém diria que ferve nas veias um rio vermelho
encharcado de blues, nesta saudade órfã do
triste homem azul. Pode que ele nos espie no canto da confeitaria em um ângulo discreto, com aquele olhar maroto e aquele chapéu escuro.
Pode que ele acompanhe meninos poetas, andando sobre os muros e explodindo em
vida ao nosso lado. A gente pensa que é a brisa de fim de tarde na XV - é sopro de Marcos Prado - Este cara eterno que nos mata de saudade...
Bárbara Lia
Reescrevendo o poema - Saudades de Marcos Prado - que foi publicado aqui
Poesia dedicada ao França e Leprevost, nascida de uma conversa na Confeitaria das Famílias...
Sunday, September 23, 2012
Thursday, September 20, 2012
Amor, inspiração atemporal - Cleberton Santos (Edição de setembro - Germina Literatura)
Sobre - Amar, Verno Atemporal - link abaixo:
http://www.germinaliteratura.com.br/2012/livros_inspiracao_atemporal_por_clebertonsantos.htm
2005
Entrevista a Rodrigo de Souza Leão para o site Germina:
http://www.germinaliteratura.com.br/pcruzadas_abril.htm
Wednesday, September 19, 2012
Em Lisboa
Lançamento Breve, em Lisboa. Meu conto "Aquela Viagem" integra esta Antologia de Histórias Horríveis e Impossíveis - Ocultos Buracos - editada por Pastelaria Studios Editora. No futuro informo o caminho para adquirir o livro e desta vez não posso ir ao lançamento, por enquanto. Portugal é para o futuro, não muito distante, espero...
Monday, September 17, 2012
Ana C.
Tenho medo de perder este silêncio. Vamos sair? Vamos andar no jardim? Por que você me trouxe aqui para dentro deste quarto? Quando você morrer os caderninhos vão todos para a vitrine da exposição póstuma. Relíquias. Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte é aquilo que ajuda a escapar da inércia. Outra vez os olhos. Os dele produzem uma indiferença quando ele me conta o que é a arte. Estou te dizendo isso há oito dias. Aprendo a focar em pleno parque. Imagino a onipotência dos fotógrafos escrutinando por trás do visor, invisíveis como Deus. Eu não sei focar ali no jardim, sobre a linha do seu rosto, mesmo que seja por displicência estudada, a mulher difícil que não se abandona para trás, para trás, palavras escapando, sem nada que volte e retoque e complete. Explico mais ainda: falar não me tira da pauta; vou passar a desenhar; para sair da pauta.
Estou muito compenetrada no meu pânico. Lá de dentro tomando medidas preventivas. Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me assusto; dorme, dorme. Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
Estou muito compenetrada no meu pânico. Lá de dentro tomando medidas preventivas. Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me assusto; dorme, dorme. Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
ANA CRISTINA CESAR (1.952-1983)
- do livro Luvas de Pelica - Inglaterra, Novembro 1.980
Sunday, September 16, 2012
Manoel de Barros
O Olhar
Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
De águas
De árvores
De aves.
Ao passar pela aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava sua vida
Manoel de Barros
Auto-retrato aos 90
Dulcineia Catadora
La Mirada
Él era un andariego.
Él tenia uma mirada llena de sol
de águas
de árboles
de aves.
Al pasar por el Pueblo
siempre me pareció que era liberdad vestida en trapos.
El silencio le honraba la vida.
http://www.dulcineiacatadora.com.br/home.html
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