Friday, September 28, 2012

Verão anárquico





Oitavo dia da criação
Verão anárquico
- Instante branco -
Elemento novo:
Mezzo uommo
Mezzo angelo

Bárbara Lia


'a dor é mais visível na primavera'




O olho doente
da primavera
segue-me

Estende tapetes
de flores 
venenosas

Viro à direita
sigo a trilha de pedras
áridas escarpas

Vivi o necessário
para ver a maldade 
que floresce

Esta dor espalhada ao meu redor
pelos tolos que se escondem
atrás da frívola primavera

Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore (2011)
p. 22

Ágora Anis




Cinco décadas
Gestando o agora
Ágora anis

Bárbara Lia

Canteiros







Passei a manhã
plantando clepsidras
espero chuvas primaverís
para que o tempo
floresça em canteiros

Bárbara Lia

angústia





O pássaro azul do lençol
se enche de angústia
empalidece
sempre que me deixas

Bárbara Lia

pressa de mentir

   Imagem comeunpratofiorito


O amor 
nunca foi
e não deu 
em nada
resta no ar
esta cantiga
com pressa 
de mentir

Bárbara Lia

chanson


         qualquer roupa
depois do amor
é lixa áspera
a arranhar 
a pele beatificada
pela hora sacra

Bárbara Lia

Thursday, September 27, 2012

The Tale of Genji - Lady Mirasaku Shikibu - 1008

Chapter 23 - The Warbler’s First Song

Tosa Mitsunobu Japanese (c. 1434 - c. 1525)
The Warbler’s First Song (Hatsune), Illustration to Chapter 23 of the "Tale of Genji" (Genji monogatari), Muromachi period, dateble to 1509-1510




"Upon the cloudless mirror of this lake, Clear is the image for ten thousand years"



Há alguns anos entrei em uma exposição insólita - A exposição era da loja "O Boticário" e passeava pela História do Mundo - Para falar dos perfumes evocavam livros e lendas. Na Exposição existia uma sequencia de signos de todos os capítulos deste livro - The Tale of Genji - Copiei rusticamente em um caderno que tinha - O símbolo composto por linhas retas em desenhos vários e o título de cada capítulo. Reproduzo o signo do Capítulo 23 e uma ilustração do Capítulo - Uma frase do mesmo Capítulo. O momento de retorno ao encanto deste que é considerado o primeiro romance literário - é cíclico, geralmente em dias frios.
Detalhes sobre o livro neste link:

Aquela Viagem na Colectânea de Histórias Horríveis e Impossíveis


Lançamento em Outubro - Colectânea - Ocultos Buracos - da Pastelaria Studios - Portugal.
Breve coloco o link para a compra do livro e notícias do lançamento.
Aquela Viagem - meu conto que está neste livro foi escrito em 2009 estava guardado, talvez, para este momento. Este é meu primeiro conto publicado em Portugal. Até o final do ano outra Antologia além do oceano. 
Seguimos.
O canto na garganta e a alma envolvida na aura da Primavera.

Wednesday, September 26, 2012

A flor dentro da árvore - Bárbara Lia







“Uma migalha de mim”



Teço
Um ego-vidraça
Para que enxergues
Meu Eu

Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que qualquer mão
Atravessa

Teço
Um hímen de fumaça
Sobre a virgem essência
- tudo o que sou Eu

Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore (2011)

Tuesday, September 25, 2012

EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO em BH




MUSEU NACIONAL DA POESIA
Belo Horizonte - Minas Gerais
munapbr@yahoo.com.br
...
Tel.: (31) 8838-7367

25/09/2012 - 06h às 18h
EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO de SANDRA SANTOS
Local: Galeria da Árvore - espaço Museu Nacional da Poesia. Parque Municipal Américo René Giannetti.

25/09/2012 - 18h30 às 19h30
ENCONTRO Internacional Terças Poéticas, com a poeta Sandra Santos/RS apresentando Código Coletivo.
Local: Palácio das Artes Av. Afonso Pena.
sobre o CODIGO COLETIVO:

(exposição CODIGO COLETIVO na 6ª Primavera dos Museus)

Monday, September 24, 2012

Marcos Prado





Bebo o sangue da luna rossa. Bárbara figura vestida de pele de ovelhas que mal cobre o sexo. Lilith devassa, louca alada e nua escondida em uma roupa de senhora. Não sou esta dama no salão de chá, cadeiras bordadas de flores da Confeitaria das Famílias. Vomitando asteriscos e estrelas e dissecando a XV da Federal à Boca Maldita ao lado de meninos de camiseta Hering branca e óculos de Clark Kent, tomando Coca-Cola. Na hora do ângelus, pisam partituras de ossos e surfam no caos, dominam suas ondas... Suas pipas são estrelas inconclusas, com fios esgarçados que eles alcançam da torre da Catedral. Ninguém diria que ferve nas veias um rio vermelho encharcado de blues, nesta saudade órfã do triste homem azul. Pode que ele nos espie no canto da confeitaria em um ângulo discreto, com aquele olhar maroto e aquele chapéu escuro. Pode que ele acompanhe meninos poetas, andando sobre os muros e explodindo em vida ao nosso lado. A gente pensa que é a brisa de fim de tarde na XV - é sopro de Marcos Prado - Este cara eterno que nos mata de saudade...
Bárbara Lia

Reescrevendo o poema - Saudades de Marcos Prado - que foi publicado aqui
Poesia dedicada ao França e Leprevost, nascida de uma conversa na Confeitaria das Famílias... 

Sunday, September 23, 2012

1997


   Em Bento Gonçalves (RS) - Cerimônia anual da Pitangueira Poética. 1997

2011



QUINTA POÉTICA – 38a edição - 30 de junho de 2011 - Casa das Rosas - São Paulo
Nesta edição li minhas poesias ao lado dos poetas Gracco Oliveira (Diadema - SP) e Maiara Gouveia (São Paulo – SP)

Wednesday, September 19, 2012

Em Lisboa

Lançamento Breve, em Lisboa. Meu conto "Aquela Viagem" integra esta Antologia de Histórias Horríveis e Impossíveis - Ocultos Buracos - editada por Pastelaria Studios Editora. No futuro informo o caminho para adquirir o livro e desta vez não posso ir ao lançamento, por enquanto. Portugal é para o futuro, não muito distante, espero...




Monday, September 17, 2012

Ana C.




Tenho medo de perder este silêncio. Vamos sair? Vamos andar no jardim? Por que você me trouxe aqui para dentro deste quarto? Quando você morrer os caderninhos vão todos para a vitrine da exposição póstuma. Relíquias. Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte é aquilo que ajuda a escapar da inércia. Outra vez os olhos. Os dele produzem uma indiferença quando ele me conta o que é a arte. Estou te dizendo isso há oito dias. Aprendo a focar em pleno parque. Imagino a onipotência dos fotógrafos escrutinando por trás do visor, invisíveis como Deus. Eu não sei focar ali no jardim, sobre a linha do seu rosto, mesmo que seja por displicência estudada, a mulher difícil que não se abandona para trás, para trás, palavras escapando, sem nada que volte e retoque e complete. Explico mais ainda: falar não me tira da pauta; vou passar a desenhar; para sair da pauta.
Estou muito compenetrada no meu pânico. Lá de dentro tomando medidas preventivas. Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me assusto; dorme, dorme. Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
ANA CRISTINA CESAR (1.952-1983)
- do livro Luvas de Pelica - Inglaterra, Novembro 1.980

Sunday, September 16, 2012

Manoel de Barros





O Olhar


Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
De águas
De árvores
De aves.
Ao passar pela aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava sua vida

Manoel de Barros
Auto-retrato aos 90
Dulcineia Catadora


La Mirada

Él era un andariego.
Él tenia uma mirada llena de sol
de águas
de árboles
de aves.
Al pasar por el Pueblo
siempre me pareció que era liberdad vestida en trapos.
El silencio le honraba la vida.

http://www.dulcineiacatadora.com.br/home.html

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia

Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...