Sunday, June 29, 2014
Percurso Amoroso de uma Vândala - Mallarmargens
Encerrando a série - Rosas em Ruínas - no site Mallarmargens. Hoje as poesias do livro artesanal - Percurso amoroso de uma vândala. Link abaixo.
Agradeço a poeta Jandira Zanchi por publicar esta Trilogia.
http://www.mallarmargens.com/2014/06/rosas-em-ruinas-iii-percurso-amoroso-de.html
Respirar - Bárbara Lia
Do veludo da minha voz
Umas calças pretas fazer
Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer
Vladimir Maiakovski
Maiakovski vestia o céu sem cerimônia
Entardecer nos ombros - sua blusa amareça
O infinito atado à flauta de suas vértebras
A derramar delírios e sonhos pela Nevsky
Tudo queimava em beleza revolucionária
E até hoje seu canto incendeia os poetas
Bárbara Lia in Respirar (2014)
Wednesday, June 25, 2014
Azul
O azul me arranha com cuidado como se alguém retirasse a pele do céu e mostrasse que mesmo os anjos sangram. O azul me incomoda como se a noite tivesse que ser da cor escarlate com estrelas de translúcido branco e nenhum verde ou cinza ou tons que lembrem esta cor da dor. O azul eu o lavo mil vezes até que fique assim: pálido. Inconsequente e mágico, da cor da primeira cor das manhãs, pois parei de considerar o azul amor, o azul atado ao paraíso. Não existe a cor do Paraíso, pois ele é luz e não conseguimos olhar a cor da luz, ao contemplá-la os olhos cegam. Talvez por isto eu comece a pintar de azul alvíssimo o título dos capítulos de RESPIRAR. Quero respirar o que está abaixo de todas as camadas supérfluas – a grande beleza – e raspar a aparência sub-reptícia do tosco que engana a tudo calar todo o som que domina e mesmo o coração que ele soe distante, como um bumbo rouco, suave, quase inaudível e a cor quase transparente. Há muito eu tenho brigado com o azul, este azul desmoronado, que não traz mais a paz nem a promessa... Retirar a pele, deixar que sangre o sangue de poeta em algum esgoto. Não somos nada, e só retirando o azul sobre o azul sobre o azul sobre o azul, para encontrar aquele quase apagado, instante-luz, onde é possível amar, poetizar, e derramar a última lágrima pela humanidade.
Bárbara Lia
Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico - lançamento 03 de Julho
Estendo o convite para lançamento deste livro. Para quem está em Sampa. Segundo Willer - Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico - é sobre beats, rebeliões religiosas e poéticas, modernidade e tradição, mitologias, valor literário e muito mais.
Sunday, June 22, 2014
Respirar - Bárbara Lia
Nesta primavera, para comemorar os dez anos da minha primeira publicação em livro, o livro "Respirar" chega como o décimo livro e o sétimo livro de Poesia. Ele abre com três poemas que citam - Leonardo Da Vinci - como homenagem ao primeiro livro "O sorriso de Leonardo" e traz 50 poemas escritos - em sua maioria - entre 2011 e agora, incluindo os sonetos pessoanos e a série "Musas de Acetileno". No dia 15 de dezembro de 2004, dia do aniversário do poeta Marcos Prado, nasceu meu primeiro livro. Dez primaveras depois "Respirar" terá edição minha. Se continuar em busca de editor vai acabar o ano. Alguns editores querem inéditos. Um livro inédito, sim eu tenho. Mas, provavelmente não será lançado agora. Outro editor nem responde se aceitam originais... Outro diz que primeiro preciso "trabalhar" - Paraísos de Pedra - não sei como dizer que não sei "trabalhar" um livro, só sei escrever livros. Quero um editor que publique meu livro sem custos. Com custos, eu encaro minha produção. Isto, ao que parece, diminui o valor da obra no Mercado. Sei lá. Dane-se o Mercado. Não sou a pessoa que sai em busca de críticas, prêmios e aprovações. Em 2003 eu "testei" minha Poesia, e depois disto eu compreendi algo: Não são amigos que definem quem é bom autor. É quem lê, o que não te conhece e opina pela obra e não pelo autor. Se aos estranhos teu verso não abala, então, repense. Eu lecionava em um bairro classe média, para todas as turmas do segundo ano do Ensino Médio. Lecionava História. Para que não quebrasse o ritmo, preparava a mesma aula para todos e queria manter assim. A turma "A" só tinha ninja. E sempre sobrava tempo durante as aulas, alguns minutos em que eles tinham executado todas as tarefas. Era realmente uma surpresa para um colégio da rede pública. Um dia comentei com o menino Andrew da primeira carteira diante de mim, que ficava revirando meus livros e cadernos, que eu escrevia poesia. Ele se voltou para turma e disse: - A professora escreve poesia. Pediram para que eu lesse. Eu li. No dia seguinte idem, e no outro e no outro. Passei meses abrindo a aula de História com uma Poesia. Li poemas de outros poetas atuais. Não sabia o quanto eles amavam ouvir poesia, até que um aluno já reprovado foi transferido do turno da tarde para aquela turma da manhã, que era a turma dos melhores alunos. Para justificar suas notas horríveis ele argumentou que ia reprovar, pois a professora de História lia poesia em plena aula. Na verdade não havia como ele recuperar suas notas. Era um aluno reprovado e complicado. Fui chamada pela direção e disseram para que eu ficasse com o programa de História. Nada de Poesia. Não queria colocar a culpa na direção e não quis falar sobre isto em sala, então, quando cortei bruscamente os poemas, a classe calou, murchou feito uma flor sem água, passei mais de uma semana com olhares atravessados e cobranças a fuzilar-me. Aquilo mostrou o quanto eles gostavam dos meus poemas, e de poesia em si. Antes de encerrar o ano letivo, chutei o balde, entrei na sala e disse que ia voltar a ler poesia, e tivemos mais algumas aulas com nosso rito. Era final de 2003, e decidi procurar um editor local para tentar uma publicação... Foi assim, foi este o teste. Foi para meninos de 15 ou 16 anos que eu li os poemas antes de publicar. Há alguns anos eu era cobrada pelo poeta Carlos Barros que insistia que eu tirasse os poemas da gaveta. E eu tirei. Na verdade eu nunca pensei na Poesia como meu caminho fatal. Aos doze anos eu sonhava publicar romances, aqueles livros que fazem as pessoas viajar sem sair do lugar. Sempre quis ser escritora. Tarde comecei com as publicações, mas, foi meteórico. Se olhar tudo que aconteceu nestes dez anos... Mas, naquele final de 2003, encorajada pelos meninos e meninas do 2° A, eu só não queria morrer sem lançar um livro. E sou grata sempre pelas nossas manhãs tão líricas, que deram coragem para que eu - saísse da gaveta - e publicasse. No ritmo médio de um livro por ano nasce "Respirar".
Agora é escolher a capa e marcar a data - Primavera de 2014, em um dia qualquer, respiraremos.
Wednesday, June 18, 2014
Neera
O ano da morte de Ricardo Reis
Não cante o desprezo aos deuses, Ricardo
Não colha as flores mortas ao lado do Tejo
Os fardos humanos são apenas isto – Fardos
E os beijos sensuais são apenas isto – Beijos
Sou toda verão na alcova, acesa, à tua espera
Estonteante mulher que levas a ver as flores
Enquanto os pássaros trinam alto – Neera!
Nada nos falta, mas, em ti brotam mil dores
Quando a morte te buscar, aquela que conheces
Voltarei aos prados colhendo as flores vivas
Tocarei a pele do planeta murmurando preces
Banquetearei na relva, as flores como convivas
Dói, Ricardo, saber que todos os campos serão meus
Ainda orvalhados de lágrimas dos belos olhos teus
Bárbara Lia
desenho Bruno Braddell
Saturday, June 14, 2014
Rosas em Ruínas II - Femme! - Bárbara Lia no site Mallarmargens
Link para a segunda publicação da trilogia - Rosas em Ruínas:
Rosas em Ruínas II - Femme! - Bárbara Lia
http://www.mallarmargens.com/2014/06/rosas-em-ruinas-ii-femme-barbara-lia.html
Revista Biografia
Na Revista Biografia a reedição da antologia virtual do poeta Rubens Jardim: As Mulheres Poetas na Literatura Brasileira. Alguns poemas meus na 14ª Postagem da Série Inicial, agora no link abaixo:
Tuesday, June 10, 2014
COM A BOCA SUJA DE POESIA, Márcia do Canto & Sidnei Schneider,
COM A BOCA SUJA DE POESIA, Márcia do Canto & Sidnei Schneider,
13/06 (sexta) , Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, 19 horas
Aedo - Festival de Poesia
Entrada franca
A atriz Márcia do Canto e o poeta Sidnei Schneider apresentam, no dia 13/06 (sexta-feira), o recital performático “Com a boca suja de poesia”, às 19 horas, no palco do Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), sito à Rua dos Andradas, 1223. Com entrada franca, o espetáculo integra a programação do festival de poesia Aedo, patrocinado pelo Ministério da Cultura.
Os poemas que embasam o roteiro, divididos em blocos temáticos, buscam instigar a reflexão e o prazer estético através da ironia, do humor e do inusitado. De autoria dos dois artistas, os textos tratam de relações humanas e visões de mundo, entre outros temas.
Márcia do Canto lançou pela Editora Projeto “O mundo de Camila”, história infanto-juvenil que foi também para o palco. Com o espetáculo, recebeu o Prêmio Tibicuera de melhor atriz. Co-autora da clássica “Bailei na Curva”, na qual também atuou, possui textos publicados no livro “Crônicas de Botequim”. Como atriz, participou da minissérie “Mulheres em Transe” e dos filmes “Netto perde sua alma” e “Verdes Anos”.
Sidnei Schneider, poeta e ficcionista, publicou os livros “Andorinhas e outros enganos”, “Quichiligangues”, “Plano de Navegação” e é tradutor de poesia. Recebeu o 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, da UFRGS; 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, da UFSM; e o Troféu Açorianos de evento literário. Iniciou no mundo artístico como ator do Grupo Porão de Teatro, vencedor de vários festivais e com circulação nacional.
Serviço:
Evento: “Com a boca suja de poesia”, recital performático de Márcia do Canto e Sidnei Schneider. O evento integra a programação do festival de poesia Aedo, que acontece de 10 de junho a 15 de julho no CCCEV.
Evento: “Com a boca suja de poesia”, recital performático de Márcia do Canto e Sidnei Schneider. O evento integra a programação do festival de poesia Aedo, que acontece de 10 de junho a 15 de julho no CCCEV.
Local: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico, em Porto Alegre.
Data: 13/06/2014 (sexta-feira)
Horário: 19 horas
Acesso: aberto ao público com entrada gratuita.
Fotografia: Nina Nicolaiewsky, sobre graffiti de Jotapê
Monday, June 09, 2014
Love is Louder
Shane Bitney Crone
Shane Bitney Crone e Thomas Bridegroom
"Bridegroom" é um lindo documentário que vi e fiquei em estado de graça. O subtítulo é - Uma história de amor inigualável. Sobre o relacionamento de Tom & Shane. Sobre a morte acidental de Tom e de como Shane foi proibido de ficar com ele no hospital e como ele foi impedido de ir ao funeral da pessoa com quem viveu uma história de amor verdadeiro por seis anos e com quem pretendia viver a vida inteira. É a história de dois meninos que cresceram em lugares conservadores - Montana e Indiana - e se encontraram na Califórnia. E o filme poderia ser um relato que gerou um movimento encabeçado por Shane, onde ele pretende que as leis considerem - iguais os que amam igual. Ninguém pronuncia a palavra poesia, mas, este é um movimento essencialmente poético. O amor nunca é considerado nas convenções sociais. Apenas os dogmas e os regulamentos. Estas coisas que a sociedade leva nas costas como um pássaro morto e fétido há milênios. Eu queria apenas encontrar algo que me deixasse sentada por algumas horas. Pois eu voltei a cair e não posso colocar em risco minha perna esquerda, considerando que a direita é minha perna de Frida Kahlo, então, eu preciso ficar uns dias bem quietinha pra curar hematomas... Comecei a procurar no Netflix, onde raramente encontro filmes que me atraiam e dei de cara com o documentário, não conhecia e fui sendo sugada para um lugar onde algo indefinível foi sendo materializado. Lembro que há alguns anos eu respondi a algumas perguntas que entraram na antologia O que é poesia? Ainda hoje sinto um estranhamento quando leio o que falo sobre o que é poesia, eu até esqueço o que disse... Pois, Amor e Poesia não cabe em conceitos. Eles são esta coragem poética de apenas - ser humano. Isto que Tom & Shane souberam cultivar com cuidado. Fica aquela sensação de que o mundo é mesmo esta - coisa horrível - que nunca permite que o amor se estenda. Que sempre é preciso cortar suas asas. Ou, o amor incomoda demais esta aura de podridão que viceja, e o amor é sempre isto, um cochilo no paraíso, um passeio pelo coração das rosas. Acho que quando Shane seguiu para a Califórnia ele acreditou que seria menos pesado ser gay naquele lugar, jamais esperava que aquele menino com rosto de anjo lavasse dentro toda mágoa que ele trazia pela rejeição de tantos. E nem que eles saberiam amar e amar, com cuidado. Que quando eles sentissem vontade de dizer - eu te amo - em um lugar público, eles apenas dariam três toques em algo sólido. Para mim isto alterou o misticismo de bater três vezes na madeira para espantar coisas ruins. Ou então, o amor é apenas isto: Uma simpatia que varre a maldade para longe. Pensei em como eu estava me reeducando emocionalmente ao chorar como criança durante o documentário, pois, lembro de acreditar neste tipo de encontro. De ver alguém que altera o ar. E lembro que estava nadando no limbo e esta história de amor deu uma lavada nas dúvidas. Amor é isto. Tom & Shane sabiam. E amor é algo que só pode ser definido a dois, mesmo o não dito, mesmo apenas o pensado e existem anjos que colhem pensamentos e conectam os que se amam... Sim. É isto. O amor é certeza, não de sentimentos, sensações e trocas pequenas... É uma certeza de humanidade partilhada, de química entre corpos que também são matéria e também compromisso tácito. Bater três vezes na madeira para se declarar, roubar um beijo em Paris, querer viver e nunca partir, e mesmo quando partir... Ficar.
Trailer:
Tuesday, June 03, 2014
Herberto Helder
Herberto Helder lê um poema de seu novo livro - Morte sem mestre:
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=3949335
Tuesday, May 27, 2014
Arijo - Jairo Pereira
"de Quedas de Iguaçu para seu nathivo existencial Peabiru" as palavras finais da bela dedicatória do Jairo Pereira em seu livro Arijo - O anjo vingador dos poetas recusados. Grata Jairo, por esta - Rapsódia Cabocla de Terra, Escada, Céu, Tempestade, Aliens, Inconsciente & Poesia". Abraços chuvosos desde Curitiba. Fiquei muito feliz, um livro obra de arte, com esta apresentação (abaixo) do Dougla Diegues dá pra saber o que vou encontrar neste livro de 700 páginas... Rapsódia cabocla que, como uma cabocla real, vou percorrer calmamente, com a poesia entre os dentes.
**
En la selva de la literatura paranaense, Paulo Leminski, Dalton Trevisan, Cristovão Tezza e Wilson Bueno, son algunos de los nomes mais conhecidos deste y de los outros lados de las fronteiras. Nomes como Manoel Carlos Karam, Sérgio Rubens Sossélla, Valêncio Xavier, Jamil Snege, Marcos Prado, e o próprio Jairo Pereira, entre muitíssimos otros, son conocidos apenas por los lectores mais antenados, felizmente, cada vez mais numerosos.
Em medio a las tinieblas envenenadas del siglo XXI, non recuerdo mais kuando comecei a conversar com Jairo Pereira. Nunca nos encontramos. Pero parece que nos conocemos há mais ou menos 60 mil años. Pintor, escritor, poeta, ensaista, domador de burros, yéguas & caballos, Jairo Pereira es também el inventor de uma lengua propia, uma espécie de português extraterrestre, lisérgico, elétrico, indomábelle, que es la lengua que ele utiliza para escrever sua literatura. Non sei se Jairo Pereira es um extraterrestre. Mas trata-se de um poeta que escreve como um extraterrestre que mora embaixo de las Cataratas del Yguazú.
Em uma reseña sobre mio primeiro libro, "Dá gusto andar desnudo por estas selvas", ele me deu de presente el título de mio segundo libro, "Uma flor na solapa da miséria", que foi lo que ele disse sobre o que parecia la poesia por mi secretada em forma de falsos sonetos selvagens shakespeareanos en las fronteiras desconocidas del infernal território guaranitiko lleno de gente cheia de bonnas intenziones.
Outro lance legal es que Jairo Pereira non reclama de puerra ninguma. Nem sequer dum miserable lugar al sol de la história oficial. Non fica esperando que los mezquinos lo aceitem. Sua literatura es muy influenciada por los ritmos e ruídos de los mundos del Yguazú. Y enquanto muchos escrevem la poesia, Jairo Pereira cruza a cabalo las selvas desse antiguo território guaranitiko, onde bebe la poesia de las llamas & el rocio primaberiles.
Hace um par de dias, Jairo Pereira me enviou seu novo livro, Arijo, em pdf, um tijolo de mais mil páginas, que agora tengo aberto aqui al lado numa janela en la pantalla de cristal liquido de uma MacBookPro. Um tijolo que vuela. Um tijolo feliz, com el qual, después de impresso, Jairo Pereira matará a la literatura, obviamente com uma tijolada, para verla nascer de nuebo, nutrida de la vitalidade de las selvas del Yguazú y de los vastos desconocidos espacios oscuros incalculabelles.
Romance, poema, prosa de ficción, autobiografia inventada, ficción cientifica, nobela nonsense, poesia manuscrita, yes, tudo isso ao mesmo tempo, Arijo, também anagrama de Jairo, e nome del protagonista alter-ego-anjo-vengador de los poetas y de la poesia num mundo em que mais quase nada faz mais sentido, além de la poesia, la cortezia, la justicia, la fé, la sabedoria y la benevolencia.
La escritura de Jairo Pereira es elétrica, dá choques, desperta la percepción del lector para outras dimensiones, altera la percepción comum, te faz ver coisas nunca ditas. Es también experimental, imprevisible, com impagabelles surpresas, a cada página, y lo mejor de todo, non es un amontonado de frases aburridas. Esa son algunas de las virtudes de la escritura de Jairo Pereira.
Desde el año 2000, sabemos que los dias têm apenas 16 horas, y non mais 24 horas, como antigamente. Mesmo assim, Jairo Pereira aposta todas las fichas em seus leitores e lhes entrega um tijolo selvagem.
O que debemos fazer, perguntaba-se Deleuze, ante los fluxos que insistem em nos deixar cada vez mais impotentes, servis, tristes e submissos? Criar, criar, criar, respondia o filosófo franxute.
Jairo Pereira também non se deixa dominar por esos fluxos nefastos, que nos querem servis e impotentes forever. Sua resposta es uma tijolada made in Yguazú, para que também os seus leitores possam se divertir em medio a los escombros del futuro.
Há anos que querem enclausurar el poeta nel lugar del boludo. El tijolo volador de Jairo Pereira, Arijo, também es muy bueno para liberar el poeta del lugar del boludo, romper com la imagem del poeta enquanto um chato, solene y beletrista, que escreve como um bom aluno de la lengua pátria.Há muitas coisas legais relativas à literatura de Jairo Pereira; uma de las coisas que me alegram es que ele também non escreve como um bom aluno de la lengua portuguêsa, nem fica esperando las famosas menciones honrosas.
Kuando alguien diz la palabra poeta, generalmente las yiyis hermosas y los meninos que flanan de skate por las calles del siglo XXI, logo imaginam um tipo carola, y entram em pânico. Yo los entiendo y los apoyo: non es mole ter de engolir uma dúzia de poetas chatos por ano nas escolas brasileiras e paraguayas. Mas quando las yiyis hermosas, cheias de mel pra dar, y los meninos que van y vienen en sus skates, descobrem por acaso, en las ciber noches del futuro, la literatura em português extraterrestre alucinógeno, ou mesmo em portunhol selvagem, ellos vuelven a creer en la poesia.
Jairo Pereira és Arijo, el poeta justiciero chá chá chá, que nos livra de la poesia chata y redime a los alumnos del futuro obligados a engolir literatura aburrida em salas de aula, bibliotecas, programas de televizione & outros infiernitos capitalistas.
Creio que fue Franz Kafka quem disse que um libro deberia ser um machado capaz de romper el mar de gelo dentro de las personas. No caso de Jairo Pereira, Arijo es um libro hermoso para se quebrar a tijoladas el mar de gelo de las personas.
Douglas Diegues
Saturday, May 24, 2014
Il Mondo
Os poetas, incluso os anônimos, ajudam a equilibrar a saúde do sangue do mundo. São uma espécie de betabloqueadores das substâncias que podem matar as células vitais das almas. Fico pensando se este mundo doente é pela ausência da Poesia. Ou, uma falta total de Filosofia, Beleza e Luz... Sei não. Nada sei. Nada sou. Só quero sentir o pulsante mundo vivo, aquele, o Antigo. O que palpita ainda em um túnel. O irrecuperável mundo onde nadei, e amei.
Bárbara Lia, estranhando o mundo cada dia mais...
Ontem pensei assim: Perdi o mundo e não faço questão de encontrá-lo.
(Imagem do filme - A árvore da vida - Terrence Mallick)
Saturday, May 17, 2014
O Alienista
Patricia Secco está confusa sobre os hábitos de leitura. A primeira fala dela depois da reação de muitos autores à sua "facilitação de Machado" foi um paralelo entre pobreza e ignorância. Cara Patrícia, minha infância foi pobre, pobre. Minha cidade era um pequeno vilarejo no tempo em que as pessoas ainda não tinham televisão. No entanto, passei a infância com acesso a Machado e todos eles. Na sala da minha avó havia uma pequena estante com muitos exemplares de autores nacionais. Os que não couberam na estante do meu avô em sua pequena biblioteca e escritório de advogado. Lembro disto na casa da minha avó, de ao arrastar a cadeira e virar-me para sair da mesa do café da manhã, dar de cara com - a mão e a luva - e - cinco minutos - achava muito interessantes estes títulos. Meu pai era menos organizado, vivia nas esferas. Lembro que depois de ver tanto livro espalhado pela casa, quando tive um emprego, mandei fazer uma estante clara onde organizamos seus livros. As coleções que ele gostava de ler, livros antigos de álgebra e clássicos como - Jerusalém Libertada. Poesia escorrendo pela vida. E eu era a filha do agrimensor. Sei que muitos vem de uma estirpe sem acesso, mas, não os veja como ignorantes por isto. Eles trazem uma centelha de sapiência nata. O homem rude e simples, este é o sábio. Acredite. Então, como se explica a poesia e a filosofia dos cantores de rap? Pobreza não tem nada a ver com falta de inteligência. Algumas pessoas se tornam doutores e estudam muito para assimilar o que uma mente brilhante consegue, sem as teorias, academicismos e etc. Quando fui ao Rio para o lançamento de "Amar, verbo atemporal" passei algumas horas de ócio no Santos Dumont antes de embarcar e voltar para casa. Na Livraria do Aeroporto um exemplar de - 50 tons de cinza - naquela fase em que todo mundo ficava - também - com vontade de dizer sobre o quão o texto pobre não deve ser propalado. Então, eu parei alguns minutos e conversei com a vendedora da livraria. Ela conhecia Henry Miller e Anais, e ela concordou que aquele livro era puro comércio. Quero pensar que existe realmente uma ótima intenção nesta tua empreitada. Quanto aos que vivem com o desejo de que o idioma siga rico e sem - simplificações - pense neles como a voz de Machado neste tempo. Então, ele é o criador. Só ao criador cabe decidir sobre sua criação... Ou não?
Link para o abaixo-assinado na tentativa agora de impedir a distribuição destes livros. Este e o de José de Alencar... Que o MinC analise e o faça, em reverência aos autores, aos que não estão aqui. Aos que aqui estão e decidiram "falar em nome de Machado", pois quem quer ler bruxo simplificado, que leia Harry Porter.
https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_da_Cultura_do_Brasil_Impecam_a_alteracao_das_palavras_originais_nas_obras_da_lingua_portuguesa/?syLGwbb
Thursday, May 15, 2014
15 de Maio de 1886 - morte de Emily Dickinson - miníma homenagem:
This is my letter to the world,
That never wrote to me,--
The simple news that Nature told,
With tender majesty.
Her message is committed
To hands I cannot see;
For love of her, sweet countrymen,
Judge tenderly of me!
Emily Dickinson
“Esta é minha carta ao Mundo / Que nunca Me escreveu - / As Notícias simples que a Natureza contou - / Com terna Majestade // Sua Mensagem está confiada / A Mãos que não posso ver - / Por amor a Ela - Doces - conterrâneos - / Julguem afetuosamente - a Mim”. Emily Dickinson.
tradução: Alcina Brasileiro Hall.
**
A flor dentro da árvore - poesias escritas entre 2009 e 2011 - epígrafe de cada poesia é um verso de Emily, minha pequena homenagem...
“Dame el ocaso en una copa!”
Velhas estradas bifurcadas
Lentas aparições de fantoches
Nas alamedas do nada
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore
“Sinal cifrado para enovelar o divino”
Trinta e dois ventos
da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
do peso da alma
Oito países
a comandar a Terra
UM Deus louco
pelas ruas bombardeadas
**A flor dentro da árvore/Bárbara Lia**
**A flor dentro da árvore/Bárbara Lia**
Mais poesias do livro aqui:
Tuesday, May 13, 2014
Friday, May 09, 2014
Rádio Unesp - entrevista
Quando publiquei "O Sorriso de Leonardo" no site ISSUU recebi um convite para falar sobre o livro. A primeira impressão do livro foi em 2004, há dez anos, pela Kafka edições baratas, falei - outra vez - sobre este livro de estreia, e sobre o fazer poético e etc.
Link abaixo da entrevista...
Thursday, May 08, 2014
Um jardim...
Além das ideias
de certo e errado
há um jardim...
Eu lhe encontrarei lá
Rumi
fotografia Angélica R. Kauffmann
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