Saturday, November 01, 2014

II Sarau Poético do Colégio Estadual Barão do Rio Branco - Assaí



MUITO emocionada com um e-mail da Rosana Torquato que é professora da Escola Barão do Rio Branco em Assaí, cidade onde nasci. Em 2011, no primeiro Sarau, fui até lá como convidada no encerramento de um Projeto poético. As professoras Rosana e Maria Zélia realizaram projetos incluindo poetas nascidos em Assai, e deste contato muita alegria, trocas, encontros e reencontros. Agora recebo notícias do II Sarau. Fico feliz por saber que a Poesia está nas salas de aula. Rosana diz do entusiasmo dos alunos. Ela convidou-me para ir ouvir as crianças e eu fiquei triste por não poder viajar. Voltei ao Hospital, ao pé machucado que nunca sara. Em agosto fiquei duas semanas sem colocar o pé no chão, estou há dois dias sem colocar meu pé direito no chão... Remédios e mais remédios. Pena. Gostaria de voltar ao meu lugar, ouvir as crianças declamando meus poemas e ouvir Poesia de poetas da minha cidade e de todo meu País, é a vida... 



Com os alunos e a professora Rosana




noite do sarau - 2011




A Arte

A propaganda marqueteira da política é pobre e nociva, sim... Mas, existe outra que é mais sofrível e inócua: a da Arte. A ARTE é mais sábia, e todo esforço em elevar um nome é patético, pois não é o Humano que eleva, mas a ARTE assinala e cria o cenário. Não adianta dizer para um amigo queimar os escritos, como Kafka pediu, era desejo da ARTE que ele permanecesse. O que permanece não é decidido por curadores e semanários, prêmios, antologias, etc.  Alguns não são os ditos - Assinalados - e querem permanecer e para isto se esforçam em apagar aquilo que os nubla, podem demolir a matéria alheia, jamais o desejo irreverente e forte do espírito da ARTE. Beleza não se constrói com nada além do espírito da beleza, para marcar seu nome na ARTE é necessário antes de tudo Não-ser, e dentro deste Não-ser esvaziar-se e oferecer-se, uma Liturgia. E além da Arte emoldurada e sangrada, há que se ter CARISMA.  

Friday, October 24, 2014

poesia em tempos grotescos



Emily Blunt e Ewan McGregor no filme - Amor impossível





A saudade leva-me a pescar momentos
Qual o pescador ao peixe sonhado
As horas pescadas no rio da memória
Valsam serenas

(Brilhantes escamas cintiladas)

Bárbara Lia
(o sal da primeira onda)

Saturday, October 18, 2014

poema inédito de um livro em construção






deus e o mar de aran
branco raivoso - ireland’s tides
indomável deus rebeldia bruta
que açoita rochas e crianças
deus tem um elemento de amor
este elemento raro
fecundado em chão de algas
clama sóis e estações gentis
e paciência e força
na terra onde cadáveres repousam
não nasce amor
esta matéria ignorada
necessita oceanos montes e atrito
amor é semente de angústia
que floresce em estrelas
– de céu mar e pedra -
centelha de cassiopeia

Bárbara Lia 



Vi um documentário - O Homem de Aran: Em uma ilha da Irlanda uma pobre família de pescadores sobrevive em uma árida paisagem e a despeito das dificuldades diversas a família se mostra unida, no plantio, na pesca, sob tempestade.
O poema acima escrevi no dia que vi, ele engendrou um livro que é uma novela escrita em forma de poesia, por ora é isto que posso contar... O homem de Aran foi filmado em 1934 por Robert Flaherty...



“Por meio do cinema eu me esforço em dar a conhecer um país, assim como as pessoas que aí vivem. Esforço-me em torná-las as mais interessantes possíveis sob seu aspecto mais autêntico. Só me sirvo de personagens reais, de gente que vive no local filmado porque, ao final das contas são, realmente, os melhores atores. Ninguém é mais expressivo que os irlandeses, neste domínio, incontestáveis. Os negros, tão espontâneos, possuem o próprio natural, assim como os polinésios. Mas existe um germe de grandeza em todos os povos e cabe ao autor do filme descobri-lo: achar o incidente particular ou mesmo o simples movimento que o torna perceptível. Penso que os filmes dramáticos um dia serão feitos dessa maneira.”       (Robert Flaherty)

Monday, October 13, 2014

Sobre uma fotografia de Emily Dickinson



Passei uma tarde olhando a tua foto, a foto no livro. A mesma foto em todos os livros:

"Eu gostaria de poder usar um manto e uma coroa, pois “tenho para mim anseios imortais” - foi o que a Rainha Cleópatra disse depois da morte de Marco Antônio. O senhor gosta de Shakespeare? Considero Shakespeare o único livro necessário.
(...)
Parece algum aparelho de tortura sobre o qual Alexandre Dumas escreveria... Suponho que se amarre o corpo para que a alma não voe. Já observei os retratos de outras pessoas. A vida foge deles imediatamente. Nesse aparelho vou parecer morta, como a imagem de uma pessoa sem cérebro. O que é importante é ver o semblante da Alma, não os joelhos do Corpo. Foi bobagem minha vir. Mas, por favor, diga-me como posar. Não quero ser grosseira."



++

Também detesto este instante e tenho sido acossada por ele vida afora. Em tudo invejo o caminho de Emily. Viver e quase passar em branco por este crivo - o rapto da alma. O moço saiu com a alma de Emily impressa nele, pensando na conversa, no Niágara de interrogações e Arte ela despejou enquanto ele a ajeitava ali: braço direito apoiado na pequena mesa, na mão esquerda um pequeno buquê e o olhar de cervo atingido por um raio. Olhar de animal rebelde. Ele deduziu, ao ser acossado por tão imensa paixão e por tudo, que entre tantas meninas vitorianas, ela seria, talvez, a única capaz de amar um homem... E que não se admiraria se o nome dela brilhasse diante do mundo.
(o sal da primeira onda)

O texto entre aspas é do livro "Nunca lhe apareci de branco" - de Judite Farr

Monday, October 06, 2014

+ Respirar






Canto Sagrado de Estrela & Flor

A fala tensa do teu desejo sufocado
A evocação da branca flor convexa
Poética réplica de Apolo - Amado!

Teu desejo oculto neste fog imaculado
Saltou - sem cerimônia - na noite branca
De corujas cínicas a ciciar: - Sim!

A esta evocação - doçura e lâmina -
Dissolvo-me. Nunca venhas para mim...
Nunca venhas para minha cama

Sonhar abrigar tua carnadura em flor
Espatifou os átomos do meu corpo -
Quem há de suportar tanto amor?

Flor rósea côncava entorpecida
Corpo cravado no absoluto iluminado
Então é isto - Estar ao teu lado?

Deus extraiu-me da tua esquerda ilharga
E se voltar a ti vou me transfundir em blues
Como uma estrela feliz que volta para casa

Bárbara Lia
Respirar/2014
da séria "uma mínima estrela"
página 93

Tuesday, September 23, 2014

"Respirar" no Perfil Literário da Rádio Unesp





Segue link para a entrevista concedida ao Oscar D"Ambrosio para o "Perfil Literário" da Rádio Unesp:
https://podcast.unesp.br/6258/barbara-lia-entrevista-2134https://podcast.unesp.br/6258/barbara-lia-


Tuesday, September 16, 2014

Para comprar meus livros:

Na Estante Virtual.
Na Editora que publicou o exemplar desejado.
Ou, diretamente em contato comigo via e-mail - barbaralia@gmail.com

Link para os meus livros na estante virtual 





"Respirar"
Bárbara Lia
edição independente/2014
124 páginas
capa - aquarela de André Lissonger
ISBN - 978-85-906912-3-5
O livro custa R$-30,00
compras no endereço virtual: 
barbaralia@gmail.com









Editora: SEEC / Imprensa Oficial do Paraná
Ano: 2008
Estante: Romance
Peso: 278g
Descrição: Livro em bom estado, Brochura, 110 paginas.

Livro finalista do Prêmio Nacional SESC Literatura/2005
Na Estante Virtual consta como gênero Poesia
O livro foi impresso para distribuição nas Bibliotecas do Paraná
É possível comprar na estante virtual que oferece 02 exemplares





Autor: LIA, BARBARA
Idioma: PORTUGUES
Editora: VIDRAGUAS
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA / Romance




Wednesday, September 10, 2014

Alguns imagens da noite "Respirar"

Café do Teatro, com Ilse Bastos


Bárbara Lia e Bianca Lima




Com Lia Márcia Finn e Francisco Soares Neto 




Um brinde à Poesia, com Geisa Mueller


Luciana Verssão e a leitura do poema "um olhar é um olhar é um olhar"





Fran Ferreira







"Respirar"
Bárbara Lia
edição independente
124 páginas
capa - aquarela do artista plástico baiano André Lissonger
ISBN - 978-85-906912-3-5
O livro custa R$-30,00
Para adquirir o exemplar enviar e-mail para barbaralia@gmail.com
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Tuesday, September 09, 2014

O Mundo de Alice








A Revista Plural com o tema "O Mundo de Alice" incluiu uma crônica minha. A - personagem - desta edição é Anne Sexton, eu amo a Poesia dela. Crônicas das poetas Raquel Naveira, Maiara Gouveia, Lunna Guedes e do incrível Mia Couto, entre tantos... Fiquei feliz com o convite da Lunna Guedes. O que me deixou mais que animada para ter o exemplar impresso é que a revista é artesanal. Sim! Os artesanais para mim são sempre Poesia ao quadrado... para saber mais sobre a revista o site é:http://scenariumplural.wordpress.com/revista-plural/ 



http://issuu.com/lunnaguedes6/docs/o_mundo_de_alice 

Wednesday, September 03, 2014

Viva a Poesia!





Os exemplares de "Respirar" já chegaram!


"Respirar"
edição independente
124 páginas
capa - aquarela do artista plástico baiano André Lissonger
ISBN - 978-85-906912-3-5
Dividido em capítulos que complementam a ideia de Respirar.

Respirar...

...um sorriso
...uma rosa adulterada
...uma lágrima
...o céu dos poetas
...o vento
...uma nuvem
...o Tejo
...uma mínima estrela
...uma flor; Uma árvore
...signos

Quem desejar encomendar entre em contato com barbaralia@gmail.com.

Este livro marca dez anos da publicação do primeiro livro de Poesia
(O sorriso de Leonardo)
Este livro também é uma comemoração.
Convido a todos para celebrar esta data poética que acontecerá no
mesmo palco do evento primeiro - Café do Teatro - Curitiba.

Monday, September 01, 2014

09/09 - lançamento RESPIRAR - Curitiba


- Imagem - Aquarela "Minaretes e Para-raios" de André Lissonger, que é a capa do livro, Mesquita de Curitiba.

Tuesday, August 26, 2014

Respirar






O ideograma que integra meu novo livro representa a palavra Ch’i: gás, ar, respirar... Achei linda a simetria, e ele é o signo do livro - Respirar. Os minaretes o simbolo das alturas. Respirar o ar mais puro. Existe no livro um capítulo com poemas curtos dialogando com a natureza e os ideogramas correspondentes: pássaro, formiga, libélula, vida, gafanhoto...










Pássaro#3




A poesia para um pássaro é rude
Para uma flor é ofensa e asco –
Só o homem persegue a Poesia
A natureza É, e por isto ela cala
Só o homem fala e imprime
O espanto de viver neste chão
Sem asas para voar. Sem pétalas
Para perfumar quem ama

Respirar / Bárbara Lia
página 108


Thursday, August 21, 2014

estou descalça no mundo e sou minha própria casa








"Te apresento
a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum
segredo." Ana Cristina Cesar


Nasci sem velcro. Não grudo em nada e em ninguém. Quando me apaixono, detono tudo, pra seguir só. Nasci e andei sem companhia desde os... Três anos? Minha primeira fotografia assinala uma vida inteira: uma menina descalça em uma rua, sem ninguém... Amo estar só. Sou só. Acho que sou um corpo estranho em todo lugar. Estrangeira, sempre. Nasci sem velcro. Ainda tenho três anos e estou descalça no mundo, e isto parece triste, mas, tem um universo inteiro aquém da testa da menina... E quem tem um mundo pode ser que não goste deste além da pele, sei lá... Só acho que felicidade e amor e vida e família e esperança, estas coisas pelas quais todos lutam, pra mim tem um rosto que difere do que pintam... Por conta disto descartam-me. Alguns familiares, velhos “amigos”, poetas, amores... Sou eu e meu silêncio, Ainda assim, sou terna e suave. Romã de núpcias, nuvem de Picasso, céu baunilha, perfume lavanda de enxoval de bebê... Eu sempre fui assim, delicada, simples... Quem me vê tão só faz este juízo de aura malévola. Pessoa horrível. Não é nada disto. É que nasci sem aderência, acho que tenho asas, acho que ainda tenho três anos, estou descalça no mundo e sou minha própria casa.


...Bárbara Lia sem velcro, desconectada neste mundo mais que atado...

Tuesday, August 19, 2014

Rollo de Resende




Rollo de Resende (Reginaldo Posseti de Resende)
nasc. 15/8/1965 -Em Cambará-Pr. 
pass. 23/8/1995 em Curitiba Pr.

MOSTRA- JARDINS DO SENHOR ROLLINHO
Espaço Lilituc (Gruta Contemporânea Santa Helena Kolody)
Anexa ao TUC - Curandeiro- hl*
De 15/8/2014 a 15/10/2014

Obras publicadas:
"Bem Que Se Aviste Racho de Romã" (Pela fundação Cultural de Curitiba-1988
"Homeopoética"(Casulo Provisório Edições- 1992) Em parceria com Jane Bodnar e Fernando
"Água Mineral " (lei municipal de Incentivo à Cultura - FCC- 1995)
Hl pelo Povo do Botão
Comemoremos Companheiros !!!

*Hélio Leites


Saturday, August 16, 2014

Postais - Respirar

Os poemas nos postais não são inéditos. Eles não faziam parte do meu momento de diálogo poético com Emily Dickinson, e não entraram no livro - A flor dentro da árvore - decidi incluir em RESPIRAR. Pela leveza poética e pelo meu desejo de não deixá-los de fora de livro impresso de forma tradicional:




















versos finais de - Canto Sagrado de Estrela e Flor

Friday, August 15, 2014

escritos artesanais







 Christian Schloe




Há três de mim. Há o cenário. Uma igreja pequena. Os atores. Pálidos e mumificados ouvindo a voz do pregador. Há um perfume de incenso e há um coro que só canta quando o pregador acena, levanta a mão, maestro tosco. Há um ranger de madeira de bancos velhos, mas não ouço o ranger de almas. Minha alma range desde que eu era menina. Hoje vivo à direita de mim, livre. Já escapei do cenário. Eu disse – Há três. Uma que todos vêem em pé, esgueirando-se pelas paredes onduladas do templo. Uma que está ali sem estar, a viver como uma obrigação, para não ferir quem a ama, fica ali, ouvindo as pregações. Ajoelha, arrepende, reza, comunga e até canta. Há aquela que está no limbo. Uma névoa líquida fria e esponjosa que envolve em uma dança estranha, quase bonita, quase assim aquele retrato de Isadora Duncan. Voando entre o tecido, linda. No limbo não sou feliz, no templo não sou feliz. Só a terceira que esgueira para fora e explode o peito de ar limpo e azul, esta que ninguém vê. A invisível.  A invisível é feliz, esta que ninguém conhece. Que ninguém chicoteia como ao Cristo. Que ninguém julga: Pilatos aos borbotões. Esta que ninguém prega na cruz. A que as suas sementes conhecem e a amam. Aquela que o amado tocou, em silêncio. A terceira é o ar o azul o pássaro a cópula o colo maternal a misantropa. A terceira que ninguém conhece. A terceira que só os que amam conhecem. O frio ondulado das paredes causa artrite. Toca o sino e a hóstia é erguida. Sacrifício. Vou ter que ficar aqui.

Bárbara Lia - da série de livros artesanais.

Monday, August 11, 2014

Contagem regressiva para Respirar







Dia 04 de setembro, nascimento de Artaud, data prevista para sair da gráfica o novo livro de Poesia. 
Capa - Aquarela de André Lissonger, que toma o livro todo, com cada um dos minaretes da Mesquita de Curitiba em frente e verso. 
84 poemas, creio que uns 30 inéditos em qualquer meio de publicação. 
Respirar é o sétimo livro de Poesia, sem contar os artesanais... 
Já estou vivendo aquela ansiedade de ver o livro pronto. 
Aguardando ISBN.

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...