Thursday, November 10, 2016

De Amor e Revolução – A poesia libertária e anárquica de Jr Bellé







(Leitura poética de “Trato de Levante”)


Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tantos esqueceram Neruda e sua verve humana. Mesmo eu o esqueci em um escaninho triste, há vinte e dois anos e mais algumas auroras, deitada na solidão de um quarto, a ler o livro – Cartas de amor de Neruda – a caminhar ao lado do poeta pelas ruas de Santiago em seus vinte anos e seu amor desesperado. Com sua capa negra e o coração estourando o peito. Amava Neruda, sua biografia e seu canto amorável – geral e eterno. Como alguém que vem para te ajudar a atravessar a ponte perigosa, ele foi um irmão mais velho que segui por alguns anos e não mais visitei. Ingrata. Esta ingratidão não permeia a fronte de Jr Bellé. É o poeta chileno que ele leva para dentro de seu romance “Trato de Levante”, em um amalgama de poesia, ficção, grito anárquico, canção de amor... É tudo isto e é mais. É um livro surpreendente, onde não há medo, vergonha, ou pudor em cantar o que mora no coração de homens e mulheres, em tempos líquidos de perfis fabricados. Uma utopia rasga páginas e inaugura uma revolução em um lugar de araucárias e rio inventado - rio Varanda. Cada detalhe reverbera dentro em poesia: rio varanda. Ganhei o dia. Lorca vaticinou: a poesia é o impossível feito possível. E este romance escrito em poesia torna verossímil um engajamento, sem igual, de toda a natureza ao redor, a passos largos em uma narrativa épica poética a acompanhar os revolucionários. É de uma beleza impar este adendo de exército da natureza a incorporar o levante: “blocos de caramujos ressurretos” e o som da liberdade no “estardalhaço das gralhas” e na “dinastia aérea dos falcões”. Formigas como “agentes infiltradas”. 
O revolucionário e seus amores: Alice - o amor de ontem - envolve o corpo do poeta em um trotear de memórias. O livro infiltra enredos novos e reinventa, deixa de ser - a leitura sempre igual – de uma revolução. Traz dos confins de um poema de Ginsberg uma garota para o poeta amar: Valentina. O alter ego de Bellé não coloca amarras, nem no corpo nem na essência. Os personagens despidos de estereótipos são tão verdadeiros que é possível tocá-los. E quem viveu no Paraná se aconchega na paisagem a reconhecer as reentrâncias dos rincões, o rio a correr suave, o vapor da água que vai cair na erva. O mate, a partilha.
O poeta situou o levante em seu lugar de chegada ao mundo: sudoeste do Paraná. A revolução que teve êxito, e que inaugurou um lugar utópico sonhado. Pátria Livre. Sonho de tantos. As mais de trezentas páginas do livro não pesam neste mergulhar em momentos que dizem tanto a todos nós que somos os velhos sonhadores: a vida é mesmo feita de amor e revoluções. E uma coisa é a outra. Não existe amor que não seja revolucionário. Não existe revolução que não seja puro amor. Esta é apenas uma leitura poética de um livro inacreditável. Onde sexo = amor. Só isto eleva o livro a um patamar de maturidade interior que não se encontra em toda parte. Em um mundo onde sexo = pornografia, onde tiram a humanidade de uma beleza e a transformam em pecado, resta ler o encontro incendiado de Bellé e Valentina. Basta entrar naquele quarto. Basta percorrer o poema “o poente orgasmo de Valentina”. O poeta tece a vida como se fosse o último respiro. Esta urgência de tragar o sol. Esta agonia de ver o tempo escorrer sem que todos possam conhecer a aurora da Liberdade, e vivê-la e além, saber o que é preciso para forjá-la, com as mãos. Um poeta que ama um poeta comunista. Uma simbiose de autor/personagem e um lugar, todo meu por ser também o chão da minha chegada. Paraná, paranauês. Aqui onde concebi meus próprios sonhos, e por isto foi mais que terno ler o poema abaixo, bem antes de percorrer as páginas de “Trato de Levante”: 



meus versos
são pinhão sapecado na brasa
de grimpa despencada
do alto da araucária
que a cada estalo
entalha-me
enfim
semente
de poesia
teu sangue, seiva de geada fria
paraná

tua alma de madeira forte e carpintaria impossível



*


O livro apresenta uma poética livre de uma poesia potente, sem máscaras, crua e nua, como deve ser a poesia. Capaz de chafurdar nossos sentires a cada instante. Li como quem vê um filme, que belo filme daria. Ainda que até aqui tenha apenas um curta inspirado no poema – o poente orgasmo de Valentina - pensei em como esta revolução brilharia nas telas com uma beleza rara, esta que permeei em um dia, lendo alucinadamente as páginas, sem descanso ou cansaço. Há um caminho que eleva, ele passa pela poesia, ele passa pelas mãos de um jovem poeta que tem algo a dizer. Acho que foi Leminski que disse que não existe escrever bem, mas pensar bem. O pensamento de um jovem anárquico somado a esta verve poética de qualidade, trouxe à luz dos nossos olhos esta pequena joia paranaense. No final, o poema de amor rasgado - mais forte e pungente - é a declaração de amor que ele faz à revolução. Sim é por ela e nela que o poeta caminha, com a exatidão e a inevitabilidade das velhas geadas, ou do fogo, que ferve a água para o mate, que ferve os corações para a vida... Esta que alguns vivem em Liberdade e plenos de Amor.


Bárbara Lia
Poeta e Escritora





o poeta que amo é comunista
não tenho dúvidas sobre meu coração anarquista
a assim seguimos de versos dados

apertamos o caudilho e disparo
meu pássaro negro vara a tempestade
num desespero libertário de vida
e de morte

rima no poente sangue de nosso povo sulamericano
as tintas sílabas em teu vermelho de oceano
rebelde que nunca se rende
não sei se somos
ou nos tornamos

tua poesia tem densidade e cobre
verve vulcânica aflora na altura dos Andes
pura lava de copihue
que lavra
a brava terra mapuche

Jr Bellé


****

link para Editora Patúa:







Jr Bellé, ou Bellé Jr

Autor do livro Trato de Levante, Bellé Jr. nasceu em Francisco Beltrão, sudoeste do Paraná. Viveu em Curitiba, graduou-se em Jornalismo na UEPG e há quase seis anos habita São Paulo. Vive de escrever histórias e estórias. Trato de Levante é sua segunda obra poética.


***


trailer de trato de levante - curta de Ale Paschoalini baseado no poema - o poente orgasmo de Valentina

Tuesday, November 08, 2016

filha do Vinícius de Moraes com a Florbela Espanca: texto de apresentação do livro Forasteira pelo poeta Fernando Koproski (filho de Vinícius de um outro casamento)


       Fernando Koproski: poeta paranaense, escritor e tradutor





Bárbara é minha irmã por parte de pai. Ainda que hoje ela negue veementemente isso, e diga que é filha do seu Ladercio com a dona Patrocínia, tenho certeza que ela é filha do Vinicius de Moraes com a Florbela Espanca. Daí vem nosso parentesco. Só não me perguntem como meu pai Vinicius pode ter tido em agosto de 1955 uma filha com a poeta Florbela Espanca que uns dizem morreu em 8 de dezembro de 1930... Esse tipo de coisa não se explica, pelo menos não no nosso mundo. Mas é o tipo da coisa mais natural que pode acontecer no mundo de Alice. No país das maravilhas, de onde ela veio, deve haver uma centena de explicações razoáveis para que tal encontro aconteça. Posso até imaginar essa e outras questões, completamente plausíveis na boca do Chapeleiro, enquanto ele toma um tradicional chá das cinco com a Lebre de Março. Enfim, mas não é de Alice que falamos aqui e sim de Bárbara. Embora a menina Bárbara, na seção que abre este livro, intitulada “a menina de sua mãe” guarde muito da menina Alice, dançando entre assombros e deslumbramentos, em seu percurso de descobertas pelo país das maravilhas que é a infância. Sim, a infância é este país de saudades doces onde a menina poeta se inaugura em versos e se descobre num mundo de magia, afetividades e delicadezas. A magia da poesia, nessa instância é regida pela beleza, ternura e o mais puro encantamento (naquele tempo eu colhia o sol mesmo nos dias cinza). Não à toa, a autora quando encontra a ternura revisitada na fase adulta, a abraça de forma irreversível, pois sabe o valor que ela tem e, sobretudo, compreende a raridade e a preciosidade que há nessa ternura em tempos de caos e decadência: quando alguém rasga uma nesga de humanidade terna/ você quer sugar esta veia/ comer pelas bordas a pessoa inteira/ guardá-la em ti de todas as maneiras.

Mesmo quando se revolta diante da ríspida realidade da fase adulta, e é atirada na dimensão angústia, isto é, nesta dimensão onde se descobre que os poetas mentem e tudo que é belo se deteriora, Bárbara ainda é impulsionada pela magia e não se conforma com a decadência humana. Em certo sentido, sua busca por compreender e rastrear a beleza em tempos de pobreza, e de empunhar buquês de delicadeza em meio ao terror de nossos tempos, é ainda uma forma de ver Alice revisitada na fase adulta, lutando por nossos últimos resquícios de humanidade. Essa nova Alice, já senhora e ainda menina, veste uma armadura delicada, se arma de fragilidades e de compaixão, e com certeza sabe de suas impossibilidades... mas isso pouco importa. Nada vai convencer Bárbara a ser de outra maneira. Ela há muito já atravessou as grandes águas e desvendou o poder transformador da Arte. Tanto que sente na maior naturalidade que sua casa é o olhar azul de Van Gogh/ dentro dele as estrelas enlouquecem/ e o girassol incorpora o sol. Assim é que a encontramos nesse livro, como uma bárbara Alice disposta a experimentar, escrever, se reescrever e amar, e principalmente isso: Amar em tempos inamáveis. Como ela mesma diz, como um rouxinol eletrocutado, temo partituras/ ainda que siga amando loucamente a música.

Como o bolo mágico que faz Alice crescer, essa crença na poesia como profissão de fé (e de febre) faz o texto poético de Bárbara crescer aos olhos incrédulos do leitor e o convida a uma incrível jornada noite e dia adentro de uma menina, que um belo dia surgiu em Assaí em 1955 e de lá partiu para deliciar o mundo. Portanto, ao entrar nesse livro, se preparem para provar várias delícias em versos. Pois minha irmã é ótima confeiteira. Disso eu tenho certeza. Digamos que ela tem uma mão boa pra isso. Ou talvez isso seja coisa de família mesmo... E por falar em família: pra finalizar digo que seus versos têm a grandeza dos versos de Vinicius conciliada com a espontaneidade das melodias do canto da Florbela Espanca. Tanto que é possível sair desse livro, com pelo menos um coração em flor, abraçado por seus poemas ou acarinhado por suas músicas de ideias.

Um abraço do seu irmão,
Fernando Koproski

(filho do Vinicius de um outro casamento...)


Forasteira
Poesia 
Vidráguas 

Coleção VentreLinhas
(2016)
80 páginas


link para editora vidráguas:
https://www.facebook.com/vidraguas/app/206803572685797/




Monday, October 31, 2016

Forasteira na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre

Algumas imagens da minha passagem pela Feira do Livro de Porto Alegre dia 30 de outubro, lançamento do livro Forasteira e participação no recital dos autores Vidráguas: Em verso e prosa, almas ruidosas.
Obrigada à editora Carmen Silvia Presotto por acatar o livro e ir além de editar um único livro, a partir dele criar  uma nova coleção (VentreLinhas) de poesia escritas por mulheres, novidades no próximo ano. Ao meu amigo e irmão de alma Fernando Koproski, pela apresentação tão única e especial para mim. Ao Adriano do Carmo Lima responsável pela Arte Final do livro e a todos que acompanharam este processo que originou o meu oitavo livro de Poesia. Grata aos amigos e poetas de Poa que seguem ao lado - sempre. Foi uma bela e rica experiência.

Com Fernando Ramos, Carmen Silvia Presotto e Miriam Gress

Com Carmen ao lado de Quintana e Drummond
Com Carolina e Felipe 
Carmen Silvia Presotto com o escritor e jornalista Paulo Mota





O poeta Julio Alves, Carmen e eu


Reencontros - Sidnei Schneider - grande amigo.




Cristina Macedo 


Felipe e Carolina - encontros que a poesia proporciona 





poeta e jornalista Maria Alice Bragança

A poeta Berenice Sica Lamas lê um poema de Forasteira no encerramento do Recital


poeta Adriano do Carmo Lima, responsável pela Arte Final de Forasteira

Durante o recital: Em verso e prosa, almas ruidosas. Apresentação dos autores
Vidráguas, lendo poemas de Forasteira, ao lado da editora Carmen Silvia Presotto


As Forasteiras



Recebendo a visita da poeta Sandra Santos

RaimundA



Participo desta edição especial - escrita por mulheres - uma belíssima publicação, uma grande alegria ser parte deste momento RaimundA



"Hoje, vamos celebrar todas nós, as Beyoncés, as Angelas Davis, as Mc Carols, as Judith Butlers, as Sylvia Riveras, as Conceições Evaristos, as Sofias Faveros, as Hilda Hilsts. Beauvoir escreveu O Segundo Sexo se perguntando uma só pergunta: “O que é ser mulher?”. Obrigada a todes por essa jornada que ainda mantém essa pergunta aberta." 

Link para a edição Inverno/Primavera 2016:




Sunday, October 23, 2016

"Forasteira" sob o olhar do poeta Koproski


(fragmento da apresentação do livro)

Bárbara é minha irmã por parte de pai. Ainda que hoje ela negue veementemente isso, e diga que é filha do seu Ladercio com a dona Patrocínia, tenho certeza que ela é filha do Vinicius de Moraes com a Florbela Espanca. Daí vem nosso parentesco. Só não me perguntem como meu pai Vinicius pode ter tido em agosto de 1955 uma filha com a poeta Florbela Espanca que uns dizem morreu em 8 de dezembro de 1930... Esse tipo de coisa não se explica, pelo menos não no nosso mundo. Mas é o tipo da coisa mais natural que pode acontecer no mundo de Alice. No país das maravilhas, de onde ela veio, deve haver uma centena de explicações razoáveis para que tal encontro aconteça. Posso até imaginar essa e outras questões, completamente plausíveis na boca do Chapeleiro, enquanto ele toma um tradicional chá das cinco com a Lebre de Março. Enfim, mas não é de Alice que falamos aqui e sim de Bárbara. Embora a menina Bárbara, na seção que abre este livro, intitulada “a menina de sua mãe” guarde muito da menina Alice, dançando entre assombros e deslumbramentos, em seu percurso de descobertas pelo país das maravilhas que é a infância. Sim, a infância é este país de saudades doces onde a menina poeta se inaugura em versos e se descobre num mundo de magia, afetividades e delicadezas. A magia da poesia, nessa instância é regida pela beleza, ternura e o mais puro encantamento (naquele tempo eu colhia o sol mesmo nos dias cinza). Não à toa, a autora quando encontra a ternura revisitada na fase adulta, a abraça de forma irreversível, pois sabe o valor que ela tem e, sobretudo, compreende a raridade e a preciosidade que há nessa ternura em tempos de caos e decadência: quando alguém rasga uma nesga de humanidade terna/ você quer sugar esta veia/ comer pelas bordas a pessoa inteira/ guardá-la em ti de todas as maneiras
(...)

Fernando Koproski


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Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 22 de janeiro de 1973. Publicou os livros de poemas: "Manual de ver nuvens" (1999); "O livro de sonhos" (1999); "Tudo que não sei sobre o amor" (2003), incluindo CD que apresenta leitura de poemas na voz do autor e temas musicais compostos por Luciano Romanelli; "Como tornar-se azul em Curitiba" (2004) e "Pétalas, pálpebras e pressas", livro premiado com publicaçãopela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (2004). Pela editora 7Letras, publicou a trilogia "Um poeta deve morrer", composta pelos livros: "Nunca seremos tão felizes como agora" (2009), "Retrato do artista quando primavera" (2014) e "Retrato do amor quando verão, outono e inverno" (2014).

Como tradutor, selecionou, organizou e traduziu as AntologiasPoéticas de Charles Bukowski "Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém" (7 Letras, 2005), "Amor é tudo que nós dissemos que não era" (7 Letras, 2012) e "Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça" (7 Letras, 2015), bem como a Antologia Poética de Leonard Cohen "Atrás das linhas inimigas de meu amor" (7 Letras, 2007).

Lançou o CD Poesia em Desuso, registro ao vivo do recital que fez com o músico e compositor Alexandre França, apresentando poemas autorais, traduções e sua parceria musical, em 2005.

Como letrista, tem composições gravadas por: Beijo AA Força no CD "Companhia de Energia Elétrica Beijo AA Força"; Alexandre França no CD "A solidão não mata, dá a ideia"; Casca de Nós no CD "Tudo tem recheio"; e Carlos Machado nos CDs "Tendéu", "Samba portátil", "Longe", "Longe ao vivo" (DVD), ""Los amores del paso" e "Bárbara".


SOBRE O LIVRO:

Forasteira
Bárbara Lia 
80 páginas
Coleção VentreLinhas
Vidráguas - Porto Alegre


Forasteira na livraria virtual vidráguas:

https://www.facebook.com/vidraguas/app/206803572685797/

Saturday, October 15, 2016

VentreLinhas




VentreLinhas
por Bárbara Lia


Um livro é uma espécie de corpo. Tece-se, como os recém-nascidos que só vemos quando está completo o ciclo da gestação e eles rompem tudo e se materializam diante de nós. Percebo isto depois de lançar alguns livros e de passar grande parte do meu tempo organizando esta enormidade de poemas que escrevo há uns vinte anos. Meu novo livro – Forasteira - traz em si a essência fêmea. Busquei uma imagem de mulher para a capa: a imagem do grande Egon Schiele  (seated woman in underwear). Há algum tempo o meu amigo Fernando Koproski disse do seu desejo de escrever a apresentação de um livro meu. Lembrei-me disto enquanto finalizava o livro e enviei para ele a epopeia forasteira. Mais de uma década de amizade e, senti-me honrada, abençoada e privilegiada por ter recebido aquela declaração linda de irmandade poética que é a apresentação do livro. Fernando afirma que somos irmãos por parte de pai. No mundo poético, onde tudo é possível, sou filha de Florbela Espanca e Vinícius de Moraes, ele diz. Foi o toque de leveza, e de beleza, que fechou o ciclo e a saga de – Forasteira.
Uma tarde, recebi uma ligação da editora Carmen Presotto - poeta que batalha dia a dia pela divulgação da poesia e que conheci em uma manhã de sábado em Porto Alegre, na edição 2010 do Festipoa. Ao telefone, Carmen estava entusiasmada e eu até podia tocar a euforia do novo quando ela disse que Forasteira inspirou uma coleção e o título da coleção seria VentreLinhas. A coleção abria com meu livro e seguiria com a edição de poetas mulheres que escrevem na página Vidráguas. A coleção teria sempre uma capa com uma imagem feminina. E, cada livro da coleção traria um homem apresentando os poemas. Nada mais natural que se chamasse VentreLinhas. Todo livro nasce de um ventre metafísico e isto independe se de homem ou de mulher.
A razão de uma coleção de livros escritos por mulheres? Se o mundo todo colocasse homens e mulheres lado a lado, sem distinção, dispensaríamos as coleções para mulheres, as antologias só de mulheres. Quando pensamos – igualdade – não se inaugura, ao redor, a igualdade em tudo. Não há divisão de sexos na Arte, pois a alma da beleza não tem sexo. Não se pode ignorar, no entanto, a disparidade de atenção que a escrita das mulheres recebe em relação à escrita dos homens. Creio que este estigma da desigualdade demora a ser varrido totalmente, ainda. Está impregnado, é preciso lutar, seguir, e – colocar-se ao lado dos homens - para que o futuro dos textos (em prosa e verso) escritos por mulheres. tenha o mesmo olhar e as mesmas oportunidades. Enquanto isto é preciso quebrar a desigualdade com coleções e antologias. Por isto, saber desta coleção me deixou bem feliz.

Longa vida à coleção VentreLinhas.


link para a loja vidráguas 

Friday, September 23, 2016

Paraísos de Pedra / Constelação de Ossos





Para quem ainda não tem os livros acima, e desejar comprar... Os últimos exemplares que tenho, vendo por R$.20,00 + despesa do correio. É só entrar em contato com o e-mail barbaralia@gmail.com.

A verdade é que tenho dois últimos exemplares de cada. Segue com autógrafo para qualquer lugar do Brasil.

Constelação de Ossos
Lançado em 2010, pela Vidráguas de Porto Alegre. Sobre o livro um texto neste link:



Paraísos de Pedra

Livro de contos lançado em 2013 pela Editora Penalux. Sobre o livro uma matéria neste link:

Thursday, September 01, 2016

Forasteira - Bárbara Lia




Feliz com o "nascimento" do meu oitavo livro de poesia - Forasteira.

Feliz por ser acolhida, outra vez, pela editora Vidráguas. Gracias Carmen Silvia Presotto. 

"Forasteira" abre um projeto lindo: a coleção VentreLinhas. Uma linha de edição que vai editar poetas mulheres do Grupo Vidráguas, com apresentação de poetas homens. Carmen inspirou-se em Forasteira, ao ler a bela apresentação que o poeta Fernando Koproski fez para estes poemas.

Koproski é meu primeiro editor. Uma década de mútua admiração que permite ao meu livro ter estas palavras na introdução.

Breve coloco o link para a compra, o livro está no prelo. Viva! Estou contente com o resultado final deste novo livro. Uma metamorfose. Muitas mudanças, mais de um ano selecionando poemas, cortando poemas, o que resultou em um livro de oitenta páginas, a bela imagem na capa de Egon Schiele (a espalhar a solidão) da forasteira, que nesta manhã se amplia, forasteira em seu próprio solo, cujo poder central foi expropriado pelos canalhas. Nada que nossa força e luta não possa mudar. A poesia segue...


introdução da apresentação do meu irmão Fernando Koproski


Bárbara é minha irmã por parte de pai. Ainda que hoje ela negue veementemente isso, e diga que é filha do seu Ladercio com a dona Patrocínia, tenho certeza que ela é filha do Vinicius de Moraes com a Florbela Espanca. Daí vem nosso parentesco. Só não me perguntem como meu pai Vinicius pode ter tido em agosto de 1955 uma filha com a poeta Florbela Espanca que uns dizem morreu em 8 de dezembro de 1930... Esse tipo de coisa não se explica, pelo menos não no nosso mundo. Mas é o tipo da coisa mais natural que pode acontecer no mundo de Alice. No país das maravilhas, de onde ela veio, deve haver uma centena de explicações razoáveis para que tal encontro aconteça. 

(...)




Forasteira
Bárbara Lia 
80 páginas
Coleção VentreLinhas
Vidráguas - Porto Alegre

Wednesday, August 31, 2016

"quarta-feira de cinzas no país"



dilmar
arrancar da pedra
a flor da beleza
aferrar-se ao sonho
a utópica vida


neste tempo rude
se faz necessário
dilmar
enfrentar as feras
olhos nos olhos
(e até brincar)
enquanto a faca fria
entra na jugular


entre rústicos invernos
da pátria mais bela
(ainda que sempre triste
ainda que tardia
sempre caindo em mãos frias)
evocaremos tua força rara
galhardia em poesia
e saberemos sempre
mais que antes e sempre
lutar,
digo,
dilmar


Bárbara Lia

Monday, August 29, 2016

Quando entrar setembro...




 Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins
Data: 11/09/2016 - Domingo
Local: Cinemateca de Curitiba
Horário: 19h
Endereço: Rua Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco

PÁSSAROS RUINS é uma realização da Processo Multiartes e Casazul Produças. A segunda temporada é realizada através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com incentivo do Positivo. - Participo da Websérie Pássaros Ruins com o poema Insônia do meu livro Respirar


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Em Campo Mourão

Uma alegria ter meus romances neste Minicurso, por ser na cidade onde vivi parte da juventude:

Estão abertas até o dia 09 de Setembro de 2016, as inscrições para o Minicurso "LITERATURA E FEMINISMO NA PÓS-MODERNIDADE". 

O objetivo é Promover reflexão e conscientização a respeito do movimento feminista no Brasil e da literatura de autoria feminina, com a intenção de identificar momentos representativos deste diálogo, a inserção da perspectiva feminista na prática literária de escritoras brasileiras e a representação de perfis femininos em obras literárias no contexto da Pós-modernidade.
Para tanto, a partir da Crítica feminista, alunas do Curso Técnico Integrado em Informática trabalharão com obras de escritoras, como Adriana Lisboa, Márcia Denser, Clarah Averbuck, Bárbara Lia, Martha Medeiros, Simone Campos, Elvira Vigna e Lya Luft.
Datas do Curso: 10/09/2016 e 17/09/2016
horário: 08h As 12h
Numero de Vagas: 40
Público Alvo: Comunidade acadêmica em geral.

Local para Inscrições: DIREC-CM das 08h as 21h.


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Sunday, August 28, 2016

soundcloud - poesia luzes de marfim


Image result for soundcloud



Lembro que os poetas Caio Carmacho e Rogério Santos incluíram alguns poemas meus em seus programas de rádio online. Rogério Santos enviou uma gravação do meu poema - luzes de marfim - na voz de sua filha Marília, que à época tinha nove anos.

Coloquei nesta plataforma onde músicos e artistas divulgam suas canções e poemas

link para o poema:

La nave va...

Sou toda coração...

Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coraçã...