Sunday, November 12, 2017

Peya-Beiú


foto by Luiz Cesar (11.10.1961 / 04.11.2010)




Peya-Beyú



Pés livres nos quintais e os dedos nos astros
Tocar o coração da beleza na romã ao meio
Vermelhas constelações molhadas nas mãos
Viver a dançar ao ritmo da velha amiga chuva
Polenta na chapa do fogão à lenha e o chiado
Do rádio na prateleira, a lua triste embaçada e
Contos de terror no alpendre, o antigo e fosco
Lampião a lançar lerdos espectros na parede 
Hoje os campos seguem virgens de pés felizes
Grama intacta e a poesia presa nas tubulações
Lembro as cálidas manhãs e velhas caminhadas
Era feliz enquanto pisava um lugar chamado


Caminho gramado amassado

Bárbara Lia

Saturday, November 11, 2017

As filhas de Manuela - Bárbara Lia


fotografia - Tê Caroli



As filhas de Manuela - Bárbara Lia
Romance
Menção Honrosa na Primeira Edição do "Prémio Fundação Eça de Queiroz" - Portugal
Capa: Félix Nadar (1820-1910)
Edição Triunfal (SP) - abril de 2017
ISBN 978-856117566-6
(A quem interessar possa... da tiragem de 500 exemplares sobraram 15 livros. Quem ama livro impresso pode adquirir via e-mail barbaralia@gmail.com ou no formato kindle na Amazon).


Sinopse:

As Filhas de Manuela trafega pelo realismo mágico. É um romance de fôlego, inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais.  O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel.  Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perdas e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue.
Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um  ciclo de perdas e superações.

Monday, November 06, 2017

"II Concurso Nacional de Criação Literária Kazuá" - segunda fase




"Não o convidei ao meu corpo"
Autoficção
Romance
Costumo dizer que este livro é um diálogo com Klee...
Em outros momentos digo que é - a biografia do meu pé direito.
A narrativa utiliza a estratégia proposta por Roland Barthes - biografemas.
A notícia é que este romance passou para a segunda fase do "II Concurso Nacional de Criação Literária Kazuá".
conforme notícia da editora:

Fragmento no site Mallarmargens:


Wednesday, October 25, 2017

A Poesia segue...



O "Buffet de Poesia" projeto do poeta pernambucano Carlos Barros segue sua jornada em Pernambuco:
"Poetas paranaenses são expostos no XI Encontro FAFIRE (Faculdade de Filosofia do Recife), através do Buffet de Poesia.
De 25 a 27.10.2017, Av. Cde. Boa Vista, 927, Recife."

Também na Felipi - Feira Literária de Piancó - dias 08 e 09 de Novembro.

Gosto quando minha poesia viaja...

O "Buffet de Poesia" foi criado no final do século passado, em 1997 meus poemas foram impressos pela primeira vez no projeto que agora o Carlos Barros retomou. 

Monday, October 23, 2017

- "Ave Roc" Roberto Echavarren - Medusa / 2017 - Coleção Américas Transitivas.





Como escreve bem o Echavarren!

Ainda estou na metade do livro, mas devorei cem páginas ontem durante a noite... Aventuras apócrifas de Jim Morrison. Romance histórico sobre os anos sessenta.
Estilhaça as fronteiras de gênero, romance delicado, escrito com maestria, encharcado de poesia, adoraria ler o original, mas este encontro com esta narrativa (tradução Antonio Roberto Esteves) faz oxigenar o sangue com flores de um tempo diferente, de escandalosa beleza.


Belíssima a coleção - Américas Transitivas - pode ser encontrada toda ela no site da ZOona II - Américas Transitivas - lançamentos dos participantes da Festa Literária, com direito a uma edição de - Ilhas - do Wilson Bueno. Presente sempre quando se lembra o Portunhol, as Américas, a palavra.


Videocontos: Solidão / Máquina (Revista Verbografia)

Tuesday, October 17, 2017

Poemas na Revista InComunidade

Algumas poesias na Revista InComunidade de Porto - Portugal, editada por Henrique Prior e Jorge Vicente. Clicar no link para a edição atual:

http://www.incomunidade.com/v61/index.php


Monday, October 02, 2017

Buffet de Poesia na XI Bienal do Livro de Pernambuco


- Muito feliz com esta - volta ao início. Foi através deste projeto que meus poemas foram mostrados ao público pela primeira vez, em 1997 - aqui em Curitiba e no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves. Quando o Carlos Barros convidou-me para esta nova edição do Buffet de Poesia fui invadida por uma sensação nostálgica como quem retorna a um lugar onde foi feliz.
Agora, os amantes da Poesia podem ir à Bienal do Livro de Pernambuco e conhecer este projeto - contado em detalhes abaixo pelo poeta que criou o Buffet. Tem cinco poemas meus. Publiquei um poema do Edu Hoffmann ao lado do meu, conheci a poesia do Edu neste projeto, sempre tão irreverente, ao mesmo tempo zen. Neste projeto várias vertentes poéticas e muitas vozes. Estou muito feliz por retornar ao meu momento primeiro.
Viva! A poesia é este espaço maravilhoso que oxigena o ar em tempos tão difíceis. Gracias Carlos Barros, sempre alavancando a beleza de várias formas, e espalhando versos de norte a sul. 





Buffet de Poesia© 
Projeto: Carlos Barros

Buffet de Poesia© é um Projeto Editorial, criado pelo poeta pernambucano Carlos Barros, que lançará trabalhos de vários autores, no gênero Poesia, de maneira inteiramente nova, permitindo que os leitores formem o próprio livro desejado, numa interatividade até hoje inédita no mercado editorial. Os trabalhos do Projeto são editados em folhas soltas, nas dimensões de 138 mm, por 210 mm, sendo o miolo em papel 90 gramas e as capas em papel 180 gramas. A ideia básica é expor e vender as páginas por unidade e a capa separadamente, dando assim, ao leitor, a real opção de escolha do livro que pretende adquirir, se desejar adquirir um livro. O Buffet de Poesia© permite que o leitor adquira desde uma só página, até o máximo exposto, com capa ou sem capa. No caso da compra de um volume, este poderá ser grampeado, ou embalado em sacos plásticos, conforme seu desejo. Dessa forma, o Buffet de Poesia© não é apenas um livro, mas uma ideia nova e inovadora, que muda a relação leitor/autor/editor, abrindo uma oportunidade de integração até então inédita entre os maiores interessados na literatura publicada, permitindo que o leitor/consumidor tenha papel ativo e positivo no mercado editorial.

Lançado em Curitiba-PR, em 1996, o Buffet de Poesia© chega agora ao Nordeste, através da XI Bienal do Livro de Pernambuco, a realizar-se entre os dias 06 e 15 de outubro de 2017, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda-PE.

O Buffet de Poesia© estará exposto no estande da “Terraço dos Gatos, gráfica artesanal”, gráfica oficial da Bienal.

Nesta nova edição, o Buffet de Poesia traz trabalhos de 16 (dezesseis) poetas das mais variadas cidades brasileiras, tais como de Recife e Ouricuri, em Pernambuco; Curitiba, Assaí, Jacarezinho, Ibiporã e Maringá, no Paraná, além de Rio de Janeiro-RJ, Montes Claros-MG, Cuiabá-MT e Porto Alegre-RS.

Wednesday, September 27, 2017

ZOONA II – Américas Transitivas - Festival Literário - Outubro/2017








"O festival literário ZOONA II – Américas Transitivas se realiza em Curitiba, na Capela Santa Maria, de 16 a 19 de outubro, e em Foz do Iguaçu, na UNILA - Universidade Federal da Integração Latino-Americana, de 23 a 25 de outubro.
O tema transversal desta edição, resumido no título, são as fronteiras, as transições e misturas nos saberes e práticas literárias.
Com diálogos e ações artísticas intercruzados ZOONA II - Américas Transitivas pretende discutir e difundir estéticas e ideias a partir do Paraná e criar pontos de vista transperiféricos por meio dos trânsitos, dos diálogos entre diferenças e dos pensares e fazeres em rede.
Essa perspectiva visa uma abordagem dos fenômenos literários que considera as redes não apenas como um meio de difusão de literaturas nacionais ou de mercado, mas, principalmente, como espaço multidimensional de trocas e aprendizagens intermedidas por afetos, ideias, estéticas e atuações conjuntas."


link para o site do ZOONA II - Américas Transitivas

http://zoona.editoramedusa.com.br/

Sunday, September 17, 2017

"You may say I'm a dreamer / But I'm not the only one" John Lennon

"Imagine" só deveria ser cantada por crianças ou anarquistas. Ou - para não ser muito radical - por aqueles que quando recebem o pão da paz o corta ao meio e dá a quem é crucificado neste mundo... 
Ele não é o único sonhador, mas está implícita esta fala na canção: a convocação é para os sonhadores. 
Também pode assobiar a canção aqueles que dão as costas a este mundo sórdido, o mundo - esta putaria. 
"Imagine" da boca pra fora anula toda a poesia. 
Acho que John concordaria.


imagem - Wasim Pummarin

Friday, September 15, 2017

17/09 - Homenagem - Carmen Silvia Presotto - Sampa e Poa

Tuesday, September 12, 2017

"Procura-me ali. Viva"

Vida 


Descruzo os dedos
os versos, o olhar
invento um acorde
percorro caminhos
linhas, rugas, vincos

toco os poros
mais expostos
colho os sonhos
mais ativos
acordo o vento
destampo o tempo
circulo o infinito
foram-se os muros
tiro a máscara
cá estamos, livres
...e menos sozinhos
saudade...
Eros és minha verdade!
Carmen Silvia Presotto



Creio nos sinais que o Universo aciona em nossa direção. Na noite do dia 10 eu publiquei este poema de Hilda Hilst no meu Facebook. O poema abaixo brilha como uma mensagem agora que ela (Carmen) não vive mais aqui. Como se o Universo já alertasse o desejo (dela) e certamente do próprio Universo. Devemos procurar os que amamos no que espelha a vida deles. Esta pequena sincronia que me faz ver tudo mais claro ora que passa aquele momento que doeu muito:  a notícia da morte da Carmen. E o último poema que ela colocou e este que eu coloquei antes de saber de sua partida é como um notícia. Aquilo que - quiçá - ela nos diria. Um canto à vida...


Não me procures ali
onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me
dentro das grandes águas
nas praças
num fogo coração
entre cavalos, cães,
nos arrozais, no arroio
Ou junto aos pássaros
ou espelhada
num outro alguém,
subindo um duro caminho.
Pedra, semente, sal
passos da vida.
Procura-me ali.
Viva.
Hilda Hilst 

Carmen Silvia Presotto, dói demais te dizer adeus.

Carmen Silvia Presotto (1957-2017)
 Poeta, editora, autora de "Dobras do
Tempo", "Encaixes", "Postigos".


"Irmão do meu momento, quando eu morrer/ Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:/ MORRE O AMOR DE UM POETA./ E isso é tanto, que o teu ouro não compra./ E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto/ não cabe no meu canto." Hilda Hilst.


Uma pessoa infinita estava morrendo e eu pressentia. Era esta a dor dentro de mim ontem e hoje e eu nem sabia. Achava que era só o cansaço mental que fazia tudo ruir dentro, esta sensibilidade minha que capta e eu nem sei o que capta, até saber. Eu soube. E dói este momento em que um fio se rompe pra sempre no mundo material e fica pela eternidade na imaterialidade das coisas que vivemos e fizemos juntas.
Mais de sete anos deste vínculo, uma epopeia feminina e muitas trocas. Carmen Silvia Presotto é uma mulher incrível, mãe avó, poeta, editora, amor de seu amor, amiga de tantas pessoas, uma pessoa incrível, e por estes caminhos da vida ela acabou por tornar-se editora de dois livros meus. 
Os que marcam a vida fixam as cenas desde a chegada. Tão nítido ela naquela manhã de sábado no Festipoa, ela tinha pressa, mas pegou meu contato. Nossa conversa começou ali e se estendeu e ficou como uma pequena guirlanda de flores delicadas esticada no céu entre Curitiba e Porto Alegre por sete longos anos. Estas coisas de mulheres que preservam seu destino de beleza e vão descartando as coisas espinhosas, as coisas poucas, os embates que não levam a nada. Carmen queria editar um livro meu, em plena copa do mundo de 2010 sou surpreendida com sua chegada . Lembro aquela conversa longa naquele ônibus de turismo - passeio em dia gélido - e, depois, jantamos no bar do Alemão. Eu não podia dar a ela o livro de poesia que ela me pedia naquele ano, eu tinha um romance - eu dizia. Sensível e ainda que não fosse como ela premeditara, ela abraçou "Constelação de Ossos" e o editou, com aquele entusiasmo peculiar. Pela primeira vez passei dias com ela em Porto Alegre. Ela sabia do meu jeito arredio desde sempre. Na última vez em sua casa ela disse que era meu jeito de me proteger. Sim, é. Eu não tinha a espontaneidade dela, dialogar com toda gente, falar de poesia noite e dia, publicar, criar um site, uma editora, virar o mundo. Eu estava na minha caverna, uma espécie de ermitã que ela acolheu e fez sentir inteira e plena como poucas pessoas me fazem sentir em ambientes desconhecidos. Era suave de flor e firme de aço. Era humana. Amava a família maravilhosa, a neta que foi a primeira pessoinha que me veio à mente há pouco quanto soube de sua partida. Doeu demais saber desta ruptura que não considero justa: que aquela garotinha não vai conviver com esta avó tão rara.
Há um ano estávamos totalmente mergulhadas em outro livro. Foi como um sopro no tsunami da vida, quando ranhuras surgiram em um diálogo com quem ia editar - Forasteira - e eu lembrei nosso final de semana de inverno, e lembrei que Carmen se abalara de Porto Alegre até aqui em busca de um livro de poesia e escrevi e disse: quer editar um livro de poesia? Eu tenho um agora. Fizemos no ritmo do momento dela, dentro da possibilidade e foi assim que ela me segredou algo e ficamos (sempre ficamos) certos de que o obstáculo será vencido. Nosso âmago de guerreira nubla toda possibilidade de derrotas. Tínhamos certeza de que tudo ficaria bem. Acho que é isto que chamam de fé. Uma espécie de construção em câmara lenta que depositou em minhas mãos um livro especial para mim: Forasteira. 
Lembro a gente ouvindo Bob Dylan no carro. Era outubro. Era primavera. Era um adeus e eu nem sabia. Lembro nossas últimas conversas, nosso último encontro. Os planos dela que ficam suspenso e a certeza de que não vai acabar nunca esta saudade e que as coisas que ela viveu comigo e com tantos poetas e amigos e os que ela amou e a amaram solidificam uma memória poética tão plena de - Encaixes - e tão cristalina como a gota clara de Vidráguas, que ora se converte em lágrima.
Uma lágrima no orvalho pra você, Carmen. Estou em estado de choque ainda, como quem não crê.

Wednesday, August 16, 2017

As filhas de Manuela - Bárbara Lia










                                    lançamento em Peabiru - Casa da Cultura - com Maria Izabel Trivilin


As Filhas de Manuela
Bárbara Lia
148 páginas
Capa: Félix Nadar (1820-1910)
ISBN 978-856117566-5
Triunfal Gráfica e Editora (SP) 
Menção Honrosa na primeira edição
do Prémio Fundação Eça de Queiroz
(Portugal)

RS.30,00 + remessa

contato: barbaralia@gmail.com

As Filhas de Manuela. Romance. Realismo Mágico. 
Inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. 
O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perdas e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue. Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um círculo  de perdas e superações.

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia

Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...