Sunday, October 22, 2006

poema
























Parto de uma flor
O seu olhar no depois


Na senda dos invisíveis

O relógio das flores
(Iluminura medieval)

Tritura as horas e canta


"Rompi com o mundo
Queimei meus navios
"

- BÁRBARA LIA -

Thursday, October 19, 2006

dialética

Dialética

É claro que a noite é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
E em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes
Montevidéu, 1.960


- Hoje o poeta estaria completando 93 anos... Vida plena de amores, vida de boêmio, vida humana, o poeta despiu o terno e a diplomacia prá entender e identidade do seu povo, tornando Orpheu negro, indo às raízes da religião africana na Bahia, condenando a rosa de hiroxima estúpida e inválida, premiando a mpb com parcerias belas, gosto de Vinícius como gosto de Maiakóvski, gosto de poeta que canta seu tempo, e nosso tempo inenarrável se cala, ou se espalha em estilhaços que a gente ainda colhe garimpando entre asteríscos e edifícios ocos... Quem é poeta sabe que só quem vive e não teme viver (a maioria se esconde da vida) traduz, reluz, e continua, brilho eterno, como ele. Axé, Vinícius...

Tuesday, October 17, 2006

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA



MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
ESTAÇÃO DA LUZ
- SÃO PAULO:
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Viajar pelo Grande Sertão - com Guimarães Rosa, no Museu da Língua Portuguesa, em uma exposição concebida por Bia Lessa, concentra a genialidade de Guimarães Rosa - Vereda encantada.
Reuni fragmentos de um lugar com canto de pássaros, e direito ao nó na garganta quando a música sertaneja - a verdadeira - soou ao meu lado, ao subir em uma escada para olhar em uma lente projetada para permitir que a frase entre os entulhos fosse vizualizada, a música era "Cantinho do céu", e trouxe a saudade do meu pai, do sertão que ele narrava, entre a terra do sertão, a água, e a rústica montagem - um mundo.
A exposição - Grande Sertão: Veredas é temporária.
O Museu todo é lindo, mas, o encanto ficou por conta do Sertão de Rosa...
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Museu da Língua Portuguesa



Museu da Língua Portuguesa
Grande Sertão: Veredas
Exposição temporária - concebida por Bia Lessa

guimarães rosa



"... toda saudade é uma espécie de velhice"
G.R.

Grande Sertão: Veredas



Grande Sertão: Veredas

"Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura"
Guimarães Rosa

mlp


Exposição temporária -
Grande Sertão: Veredas
Museu da Língua Portuguesa

Guimarães Rosa

- Grande Sertão: Veredas



- Grande Sertão: Veredas
Museu da Língua Portuguesa


Museu da Língua Portuguesa

Estação da Luz - São Paulo

museu da língua portuguesa

















Linha do tempo - História da Língua Portuguesa

museu da língua portuguesa


















História da Língua Portuguesa
Museu da Língua Portuguesa

Saturday, October 14, 2006

Barco de Lia no rio de Cora





















BARCO DE LIA NO RIO DE CORA

No escuro escrevo como quem

adora
Teu olhar que o passado inteiro
descora.

Zero duplicado em infinito
ancora
- Istmo - o oceano dos medos
deflora,
Rasga em amor, imprime a tatuagem
canora.
Seres do Olimpo a ressuscitar
Pandora.
Amor - linha e linho - como Gil e
Flora.
Teu, meu corpo banhado em tesão na
aurora.
Teus, meus versos banhados no rio de
Cora.
Bárbara Lia

Wednesday, October 04, 2006

Sol no cio




SOL NO CIO
(p/minha mãe)

A mulher coloca a laranja-da-terra no orvalho.
Corta o mamão verde em talhos,
esquenta o tacho em ternura e açúcar.
Mexe até que torne
sol transparente no cio
ou verde-éden passeando no céu da boca.
Também ela, translúcida e doce.

Minha transparência retira véus e inaugura farpas...
Não sei tornar frutas verdes em delícias vítreas.
Não deito no fogo o espírito indócil.
Não aprendi com ela
a deixar as dores de molho no orvalho,
a calar as palavras que derrubo no mais amado,
como um branco leite de fogo sem juízo.

E isto é tudo o que sonho:
Ser bela morena ao redor do tacho,
mudando o duro amargo das frutas e das horas
em verde-éden passeando no céu da memória,
e sol no cio desnudando labaredas de açúcar.

BÁRBARA LIA
- do livro "A Última Chuva"

Monday, October 02, 2006

noir


NOIR

Pombas bebem fagulhas
do sempiterno encanto
nas pedras do Largo da Ordem.
O vidro do Memorial
reflete uma imagem
- Homem de negro
com violão nas costas –
Cristal líquido do meu gozo
impregnado em pedras.
Pássaras tontas
bicando o céu no chão.
O vento executa Bach
e eterniza a imagem

(Noir)
no vidro

transparente e alto
da armação.

BÁRBARA LIA


NOIR
edição do autor.
Ilustrações da artista plástica - Ane Fiúza - baiana radicada em Curitiba, que estuda na Faculdade de Artes do Paraná. Lançamento em data a ser definida na segunda quinzena de outubro, quem não mora aqui na fria cidade e desejar adquirir NOIR, enviar e-mail para a poeta - barbaralia @gmail.com

O sal das rosas










O SAL DAS ROSAS

Leito de um rio de sal.
Cresce em mim
o desnecessário.


Apodreço em rosas.
Rio sem foz.
Lua duplo espelho
no coração das águas.


Lembranças,
esperanças.
Naufragam abraçadas
no involuntário rio
onde acordo.


BÁRBARA LIA

http://www.lummeeditor.com/

O Sal das Rosas, livro de poesias que condensa a produção poética da Bárbara Lia entre 2.002 - 2.005. Em fase de produção. Lançamento previsto até o final do ano, segundo o editor Francisco dos Santos. Algumas poesias já foram publicadas em revistas literárias, outras são inéditas. Tenho três filhos lindos - literalmente falando - tenho três "filhos-livros" lindos, da mesma forma. Dia de apresentar a família. A poesia - Mãos de abrir nuvens, postei abaixo para a Rebecca que não tem como adquirir "O Sorriso de Leonardo", também para o Azuma, que ficou sem a edição do meu primeiro livro de bolso que esgotou. Agora é torcer que logo possa acontecer os lançamentos dos irmãos caçulas - quase - gêmeos - um filosófico, pleno de interrogações (O sal das rosas), o outro passional, pleno de amor (Noir).

Mãos de abrir nuvens - Bárbara Lia - O sorriso de Leonardo























Ter mãos de abrir nuvens
Romper o velcro de baunilha
E espiar
Dentro a catedral
Dos sonhos
Um rito de encanto
Crianças e lagos
E mapas emaranhados
A Sexta Avenida
Deságua no Eufrates
E as barcas cruzam
De Bagdad ao Mojave
As mãos se enlaçam
Negras brancas
Amarelas azuis.

Ter mãos de abrir nuvens
Descobrir a alma de neve
E perfume
Que se fazem
Pássaros
Camelos
Bailarinas.

Quem possui mãos de abrir nuvens?
Quem rega pedras
E pesca pássaros
Em tempestades
E ancora no alto
Da montanha mais alta
Suas caravelas.

Quiçá Penélope,
Sem manto, grilhões e espera.
A abrir nuvens
Além da torre de concreto
Em pleno azul
Entre a brancura espumada.
Mãos de mulher livre
A abrir o velcro
Da humanidade encantada.

BÁRBARA LIA


O sorriso de Leonardo 
Kafka edições baratas (2004)



Sunday, October 01, 2006

Olga





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Olga - Candido Portinari
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No site Germina tem mais informações sobre a Ópera Olga
(vou ver!). Vou estar em São Paulo. Valeu a dica do site
Germina.
Tem poesia minha lá no site, Germina é uma das páginas
que eu acho linda:
....
a ópera:
http://www.germinaliteratura.com.br/musica_olgaopera_set2006.htm
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Theatro Municipal de São Paulo
apresenta
OLGA
Ópera em três atos de Jorge Antunes
de 14 a 16 de outubro 2.006 - detalhes no site germina.

Saturday, September 30, 2006

um sonho



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. Arte: Andy Warhol

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Todas as mulheres queriam ser Bárbara, foi o que me segredou a mais próxima de mim, caminhando ao meu lado pela areia. Eu disse a ela que estava muito difícil encontrar azeitonas na praia. Durante o percurso inteiro eu vi apenas uma encravada na areia suja. No mais, era uma sujeira que a onda atirava: restos de redes de pescadores e sargaços. Não havia sol e estávamos em algum lugar da Bahia. Todo mundo queria ser Bárbara e eu era Bárbara, tinha certeza disso. Na casa, o perfume de plantas e ervas tornava o ar quase sólido e as pessoas preparavam uma festa. Crianças corriam e se divertiam, menos o menino quieto, pequeno, de cabelos longos, vestido como um garoto do século XIX, de suspensórios e calça nos joelhos. Encantei-me com ele, e não deixaram que eu o tirasse do quarto. Havia uma cama antiga e um menino que queria brincar, proibido de brincar. Entre as cenas de ciúmes de um casal, deixo a casa, pensando em onde estaria Calabar? No caminho, vejo conchas violáceas, finas e transparentes espalhadas pela areia. Eu as coloco em uma pequena cesta de vime e sigo me encantando com a cor das conchas, suas formas estranhas.

(Sonho da noite passada, à moda de Jack Kerouac anotei o sonho. Calabar era de Pernambuco, não da Bahia. Bárbara era sua amada... Outro dia falei com a Lindsey Rocha sobre peças de Teatro e falamos desta peça. Das músicas da peça que cantam a Bárbara, a que me enjoa um pouco, por se tornar um refrão que todo mundo repetia quando me conhecia: "Bárbara, Bárbara, nunca é tarde; nunca é demais". E tem a outra, "Cala a boca, Bárbara!" que me significa.)

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Cala a Boca, Bárbara
Chico Buarque / Rui Guerra


Ele sabe dos caminhos dessa minha terra
No meu corpo se escondeu, minhas matas percorreu
Os meus rios, os meus braços
Ele é o meu guerreiro nos colchões de terra
Nas bandeiras, bons lençóis
Nas trincheiras, quantos ais, ai
Cala a boca - olha o fogo!
Cala a boca - olha a relva!
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Ele sabe dos segredos que ninguém ensina
Onde guardo o meu prazer,
em que pântanos beber
As vazantes, as correntes
Nos colchões de ferro ele é o meu parceiro
Nas campanhas, nos currais
Nas entranhas, quantos ais, ai
Cala a boca - olha a noite!
Cala a boca - olha o frio!
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara

La nave va...

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