Thursday, November 09, 2006

DESDÊMONA

























Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde Iago
jamais chegará.


BÁRBARA LIA

imagem: Terra Laurant


- no endereço abaixo, falo um pouco sobre o fazer poético:

ENTREVISTA PARA 'CURITIBA DIA E NOITE"
- DA JORNALISTA FLÁVIA PRAZERES
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Monday, November 06, 2006

Tristessa






TRISTESSA

P/Jack Kerouac


ame quem te ama e conheça o inferno
fogo a fogo no porão do medo
fogo a fogo no cabelo da Medusa
atiçando cobras
atiçando demos.
ame quem te ama e conheça a dor
amputar pernas braços sexo e coração.
ame quem te ama
nesta luta cega
boitatás no milharal
não sobra espiga sobre espiga
e o espantalho, mudo, tira o chapéu
e dança triste no chão de palhas.
ame quem te ama e conheça o inferno
dois sustos travestidos de sons
querendo narrar o que o humano não narra
escrevendo em aramaico o avesso do vivido...
ame quem te ama
e se arrependa de viver rezando pelo amor.
ame quem te ama
e descubra
a agulha fina e gelada do olhar
o rio de deus que rola tua nuca quando ele te toca
o que é não sentir o corpo do outro
cópula de luz.
o que é ter a língua presa o corpo preso o gesto preso
e a alma livre pluma de algodão te levando onde não quer
onde não deve estar, nem teus pés, nem tuas mãos...
BÁRBARA LIA


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Trechos de Tristessa:

"La vida es dolor" (a vida é dor), ela concorda, diz que a vida é amor.

*
... Ela sorriu e desceu com passinhos miúdos e a mão na saia, com aquela lentidão linda e majestosa de mulher, como uma ninféia chinesa.
"Não somos nada."
"Podemos morrer amanhã"
"Não somos nada."
"Você e eu."
Eu acompanho-a educadamente com a lanterna até a rua, onde chamo um táxi branco para levá-la para casa.
Desde tempos imemoriais e adentrando o futuro sem fim, os homens amaram mulheres sem dizer a elas, e o senhor os amou sem dizer, e o vazio não é o vazio porque não há nada para ser esvaziado.
Estás aí, Senhor estrela? - Suave é o chuviscar que perturbou minha calma."

*

Tristessa está me segurando e aos poucos aproxima seu lindo rosto moreno do meu, com um sorriso precioso, e finjo quase deliberadamente ser o americano confuso - Olhe, eu ainda vou salvá-la -

*
E faz menos de um ano que ela estava em pé em meu quarto e disse "Um amigo é melhor do que pesos, um amigo que dá isso para você na cama" quando, de qualquer forma, ela ainda acreditava que conseguiríamos juntar nossos ventres torturados e nos livrar de um pouco de dor _ Agora tarde demais tarde demais.


TRISTESSA
(JACK KEROUAC - L & PM Pocket)

Sunday, November 05, 2006

LIXO QUE NÃO É LIXO

LIXO QUE NÃO É LIXO


Um dia desses, andando com um papel de bala por quarteirões, lembrei do Rui Werneck, que criou a campanha "Lixo que não é lixo - se - pa - re". Curitiba tem este diferencial, este pudor que a gente tem de jogar papel no chão. Agora está lá no blog do Rui Werneck que a campanha dele e outra dele, do Clube do Zequinha concorrem ao prêmio de melhor propaganda dos últimos trinta anos no Paraná. Como eu nunca troquei figurinha, voto no lixo que não é lixo...
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blog do Rui, que além de publicitário é um grande escritor e poeta:
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copiado do blog do Rui Werneck de Capistrano:
"Aí, amigo! Ajude um publicitário: eu! Entre no site:
e vote numa das duas minhas campanhas publicitárias: Clube do Zequinha ou LIXO QUE NÃO É LIXO.Elas concorrem à melhor dos últimos 30 anos no Paraná. Sem dúvida, fizeram o maior sucesso. A do Zequinha movimentou o Paraná inteiro colecionando figurinhas do Zequinha. A do Lixo que não é lixo deu a Curitiba prêmios internacionais e foi reeditada agora, 16 anos depois, com sucesso. Curitiba inteira lembra da vinheta musical "Lixo que não é lixo/não vai pro lixo: SE-PA-RE!" E quem não lembra da figurinha difícil, a número dez do Zequinha? "


Saturday, November 04, 2006

vejo são josé

O jornal virtual independente - Vejo São José - de São José dos Campos - SP ( www.vejosaojose.com.br )editado pelo jornalista Ricardo Faria cedeu uma coluna para a Bárbara Lia, há algum tempo. Nesta semana, as palavras de Frei Betto no evento promovido pela Pastoral da Terra e Deptº de Filosofia da PUC, no dia 31.10. O tema - Uma outra democracia é possível.
http://www.vejosaojose.com.br/barbaralia.htm

Friday, November 03, 2006

as sereias






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Herbert James Draper

AS SEREIAS


Conforme o seu desejo, Ulysses fora atado
Ao mastro da galera enfeitado de rosas.
A marinhagem surda às águas marulhosas,
Procurava sondar o abismo ilimitado.

Nisto, Ulysses ouviu um canto amargurado
De sublime emoção, nas ondas luminosas,
Como jamais ouvira... E essas vozes maviosas
Fizeram-nos cismar, triste e maravilhado.

A galera vogava... As sereias surgiam,
Dos abismos do mar, soltando as louras tranças
Que nos ombros de neve as águas espargiam...

O canto dominava o oceano amplo e risonho,
E Ulysses e Eucharias as lembranças
Perderam, ao se perder no pélago do Sonho.

Guarapuava, 20.01.1.913
OTÁVIO CAMARGO

CRISTAIS SONOROS - 1.972 - Eleonora de Ângelis.



Eleonora, tia-avó da Bárbara Lia, inseriu em seu livro Cristais Sonoros, algumas poesias de seu irmão Otávio, que jamais lançou um livro. Ambos são irmãos da minha avó Antonieta, que "atormentou" minha infância recitando O Corvo, de Alan Poe, com requintes teatrais. Vasculhando na Biblioteca Pública, os ancestrais, entre eles Maria Cândida de Jesus Camargo (1.868-1.949). Alguma poesia de Maria Cândida no site:
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Vovó recita "O corvo".
Sala na penumbra. Tic.
Tac. Arrepios.
Bárbara Lia

Tuesday, October 31, 2006

O sal das rosas





"O sal das rosas" - Lumme Editor. Quatro poesias no endereço abaixo Cronópios Literatura e Arte no Plural.






http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1883

(Decidi manter (como um itinerário dos meus passos na Poesia) as notícias das publicações em revistas literárias, sites e blogs que deixaram de existir, mas o link não vai direcionar aos poemas do livro  O sal das rosas)

JORNADA DA ALMA













JORNADA DA ALMA
Ian Glen (Dr. Carl Gustav Jung)
Emilia Fox (Sabina Spielrein)


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- Sabina Spielrein


JORNADA DA ALMA - O filme narra a vida de Sabina Spielrein, uma jovem histérica que Carl Jung conheceu e com quem utilizou pela primeira vez os ensinamentos recebidos de Freud. Carl Jung tornou-se amante de Sabina, curou-a, não há como ter certeza se foi pela ciência ou foi pelo amor. Por Jung ser um homem casado, a relação não prospera. Depois, ela própria torna-se psicóloga. Em uma cena Jung entrega à garota uma pedra, ele diz que a pedra significa sua alma, ele a faz guardiã de sua alma. A história real de Sabina aponta para uma mulher, mesmo na fase aguda da doença, com uma sabedoria nata, com uma inteligência e força que seduziu o médico e contribuiu para um amor de ternura rasgada. Tornou-se uma das primeiras mulheres na Sociedade Psicanalítica de Viena e trabalhou como psicanalista e analista de crianças. Seu trabalho científico estava publicado, mas esquecido. Em 1977, uma caixa foi achada no subsolo do Palais Wilson em Genebra, contendo partes de um diário, cartas e outros escritos que Sabina Spielrein deixou para trás, quando ela retornou à Rússia , em 1923. Estes registros lançaram uma luz diferente na história da psicanálise. Na sua correspondência com Freud e com Jung, sua influência sobre as duas figuras principais do movimento psicanalítico de então se torna evidente. De volta à Rússia, Sabina criou a Creche Branca, primeira do país a utilizar psicanálise.
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No início do filme algumas palavras do diário, eu transformei em poesia, pois é pura poesia.

Para minha mãe
deixo as notas de
tumbalalaika
minha canção favorita
não deixo nada para meu pai.
O que pode crescer
sem a chuva?
o que pode arder por anos a fio?
pedras crescem sem chuva
mas somente o amor pode
arder por anos a fio
- diário de Sabina Spielrein-

Thursday, October 26, 2006

DEUS GUARDE O LOBO ATRÁS DO QUAL NENHUM CÃO CORRE LATINDO .


Sylvia Plath 




Lá você o achou - o mistério do ódio.
Após bilhões de anos na matéria anônima.
Lá você foi achada e logo odiada.
Você tentou tanto alcançar essas pessoas, tocá-las, dar-se a elas -
Tal como suas primeiras palavras na infância,
Quando você corria para cada visita que entrava
E abraçava-lhe as pernas, dizendo: "Meu amor! Meu amor!"
Tal como você dançava para seu pai
Na casa da raiva - dando sua vida
Para adoçar-lhe a morte lenta e misturar-se a ela
Quando ele jazia no sofá, sobre as almofadas,
Açucarando-lhe o amargor da morte fera.
Você buscou a si para seguir se dando
Como se após o ocaso da morte dele
Você continuasse a dançar na casa escura,
Aos oito anos, coberta de ouropéis.
Buscando-se a si própria no escuro, a dançar,
Desajeitada, chorando baixinho,
Como quem procura um afogado
Em água escura,
E tenta ouvir-lhe a voz - com pavor de perder
Alguns segundos de busca no esforço de escutar -
Depois dançando com mais fúria no silêncio.
Os acadêmicos levantaram as cabeças. Pelo visto
Você estava perturbando uma perfeição
Recém-obtida, que eles seguravam com cuidado,
Inteira, até a cola secar. E como quem
Denuncia um crime à polícia,
Informaram-lhe que você não era John Donne;
Isso não lhe importa mais. E os nomes, você ainda lembra deles?
Fizeram questão de lhe deixar claro, a cada dia,
Que desprezavam toda tentativa sua,
E injetavam a bílis deles no seu café matinal,
Como se fosse remédio. Até assinavam
Suas cartas homeopáticas,
Envelopes com vidro cuidadosamente moído
Para pôr atrás de seus olhos e fazê-la ver
Que ninguém queria o seu brilho estranho - sua vida
Desajeitada, a se afogar, e seus esforços para salvar-se.
Nadando em pé, dançando o caos escuro,
Procurando algo para dar -
Tudo o que você achava
Eles bombardeavam com farpas,
Escárnio, lodo - O mistério desse ódio.


TED HUGHES
Cartas de Aniversário
Ed Record
Tradução - Paulo Henriques Brito



27/10/1.932 - nasceu Sylvia Plath

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p/Sylvia, no seu aniversário.

Sunday, October 22, 2006

poema
























Parto de uma flor
O seu olhar no depois


Na senda dos invisíveis

O relógio das flores
(Iluminura medieval)

Tritura as horas e canta


"Rompi com o mundo
Queimei meus navios
"

- BÁRBARA LIA -

Thursday, October 19, 2006

dialética

Dialética

É claro que a noite é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
E em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes
Montevidéu, 1.960


- Hoje o poeta estaria completando 93 anos... Vida plena de amores, vida de boêmio, vida humana, o poeta despiu o terno e a diplomacia prá entender e identidade do seu povo, tornando Orpheu negro, indo às raízes da religião africana na Bahia, condenando a rosa de hiroxima estúpida e inválida, premiando a mpb com parcerias belas, gosto de Vinícius como gosto de Maiakóvski, gosto de poeta que canta seu tempo, e nosso tempo inenarrável se cala, ou se espalha em estilhaços que a gente ainda colhe garimpando entre asteríscos e edifícios ocos... Quem é poeta sabe que só quem vive e não teme viver (a maioria se esconde da vida) traduz, reluz, e continua, brilho eterno, como ele. Axé, Vinícius...

Tuesday, October 17, 2006

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA



MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
ESTAÇÃO DA LUZ
- SÃO PAULO:
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Viajar pelo Grande Sertão - com Guimarães Rosa, no Museu da Língua Portuguesa, em uma exposição concebida por Bia Lessa, concentra a genialidade de Guimarães Rosa - Vereda encantada.
Reuni fragmentos de um lugar com canto de pássaros, e direito ao nó na garganta quando a música sertaneja - a verdadeira - soou ao meu lado, ao subir em uma escada para olhar em uma lente projetada para permitir que a frase entre os entulhos fosse vizualizada, a música era "Cantinho do céu", e trouxe a saudade do meu pai, do sertão que ele narrava, entre a terra do sertão, a água, e a rústica montagem - um mundo.
A exposição - Grande Sertão: Veredas é temporária.
O Museu todo é lindo, mas, o encanto ficou por conta do Sertão de Rosa...
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Museu da Língua Portuguesa



Museu da Língua Portuguesa
Grande Sertão: Veredas
Exposição temporária - concebida por Bia Lessa

guimarães rosa



"... toda saudade é uma espécie de velhice"
G.R.

Grande Sertão: Veredas



Grande Sertão: Veredas

"Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura"
Guimarães Rosa

mlp


Exposição temporária -
Grande Sertão: Veredas
Museu da Língua Portuguesa

Guimarães Rosa

- Grande Sertão: Veredas



- Grande Sertão: Veredas
Museu da Língua Portuguesa


Museu da Língua Portuguesa

Estação da Luz - São Paulo

museu da língua portuguesa

















Linha do tempo - História da Língua Portuguesa

museu da língua portuguesa


















História da Língua Portuguesa
Museu da Língua Portuguesa

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...